“Cinema Novo” estreia em novembro. Veja o trailer

Premiado em Cannes, exibido no Festival de Brasília, “Cinema Novo” estreia no circuito comercial no dia três de novembro. O filme é dirigido por Eryk Rocha, filho de Glauber Rocha.

Veja o trailer oficial, muito atraente para quem admira e respeita o movimento que mudou a cara do cinema brasileiro e o projetou internacionalmente nos anos 1960.

 

Trilha sonora está entre as qualidades de “Velho Chico”

Há quanto tempo não ouvíamos Elomar numa novela da Rede Globo?

Lembro da voz dele em “Gabriela”, aquela dos anos 1970 estrelada por Sônia Braga.

Pois é! E Geraldo Vandré?

Nem lembro dele em nenhuma novela!

Mérito de “Velho Chico”. Colocar no horário nobre da televisão brasileira vozes como as de Elomar, Geraldo Vandré e Xangai.

Mas não somente eles.

Alceu Valença, Caetano Veloso, Chico César, Elba Ramalho, Geraldo Azevedo, Legião Urbana, Maria Bethânia, Raul Seixas. E outros mais. Suas vozes, suas canções, compondo a trilha sonora de uma telenovela.

Muito já se falou das qualidades de “Velho Chico”. Acrescente-se mais esta.

Uma telenovela onde ouvimos a Suíte Correnteza, de Geraldo Azevedo, e o Réquiem Para Matraga, de Geraldo Vandré. Incelença pro Amor Retirante, de Elomar, e Triste Bahia, de Caetano Veloso. Ou, ainda, Metamorfose Ambulante, de Raul Seixas.

Eu organizo o movimento, eu oriento o carnaval, eu inauguro o monumento no Planalto Central do país.

Que luxo! Uma novela na qual, todas as noites, esses versos de Caetano Veloso eram ouvidos logo na abertura.

Para ilustrar o texto, escolho uma das belezas da trilha. Barcarola do São Francisco, um dos três “movimentos” da Suíte Correnteza, de Geraldo Azevedo.

A trilha de “Velho Chico” está registrada em três CDs, um deles dedicado aos temas instrumentais.

Trilha de “Aquarius” precisa ser lançada em CD

Anotei as músicas da trilha de Aquarius, de Kleber Mendonça Filho, para usar num programa da CBN João Pessoa. Não existe ainda em CD, nem sei se será lançado.

Aquarius foto do cartaz

Compartilho com vocês:

Hoje – Taiguara

Another One Bites the Dust – Queen

Toda Menina Baiana – Gilberto Gil

Dois Navegantes – Ave Sangria

Jeito Estúpido de Te Amar – Maria Bethânia

O Quintal do Vizinho – Roberto Carlos

Sentimental Eu Sou – Altemar Dutra

Recife Minha Cidade – Reginaldo Rossi

Sufoco – Alcione

Pai e Mãe – Gilberto Gil

Fat Bottomed Girls – Queen 

A música tem um papel importantíssimo no filme. Quem viu Aquarius, sabe!

 

Top 10 da música brega. Uma escolha de quem não ouve o gênero

No estúdio da CBN João Pessoa, o colega Rubens Nóbrega me propõe, como desafio: “Faça um top 10 da música brega na sua coluna”.

Antes da lista, um registro: não me identifico com o repertório brega, mas não tenho preconceito. É manifestação legítima da diversidade do nosso cancioneiro popular.

De todo modo, em sua história da música popular brasileira, o pesquisador Jairo Severiano classifica a canção brega como um tipo de composição poética e musicalmente pobre, marcada por um sentimentalismo exagerado.

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A lista:

Eu Vou Tirar Você Desse Lugar – Odair José

A Desconhecida – Fernando Mendes

A Beleza da Rosa – José Ribeiro

Sorria, Sorria – Evaldo Braga

Paixão de um Homem – Waldick Soriano

Mon Amour, Meu Bem, Ma Femme – Reginaldo Rossi

Sonhar Contigo – Adilson Ramos

Com Pedras na Mão – Orlando Dias

A Vida É Mesmo Assim – Cláudia Barroso

Tudo Passará – Nelson Ned

Tenho um amigo que é cultor do brega. Ele me deu algumas aulas. Falou dos equívocos que as pessoas que não conhecem o gênero cometem. E, uma vez, saiu com essa: “Reginaldo Rossi já é estilizado demais para ser chamado de brega”.

(Na foto, Waldick Soriano, um dos símbolos mais poderosos da canção brega)

Miles Davis, último gênio do jazz, morreu há 25 anos

Nesta quarta-feira (28), faz 25 anos da morte de Miles Davis.

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Foi o último gênio do jazz. Depois de Miles, não surgiu ninguém com a sua dimensão. Quantas revoluções podem ser atribuídas a ele? A resposta é que ninguém esteve à frente de tantas transformações no universo jazzístico. Três, pelo menos. Talvez quatro. Entre o cool e a fusion, em pouco mais de 20 anos. Alguns discos essenciais marcam estes momentos, mas o melhor é ouvi-lo em sua extensa discografia, com algumas obras-primas, altos e baixos, erros e acertos. No virtuosismo ou na contenção. Do jeito que ele era.

É bom conversar com Gilberto Gil sobre Miles Davis. Eles eram amigos. Quando se encontravam, nos Estados Unidos ou na Europa, Miles sempre perguntava pelo albino. Referia-se a Hermeto Pascoal, com quem tocou na época em que fundiu o jazz com o rock. E de quem gravou Igrejinha. No repertório de Gil, tinha uma preferência: o Rock do Segurança. Gostava daquela introdução “esgarçada”. Exilado na Inglaterra, Gil foi levado por Miles para cumprimentar Jimi Hendrix. O maior de todos os guitarristas morreria dias depois. A outro brasileiro, albino como Hermeto, passou um telegrama dizendo que estava reconciliado com a sanfona, instrumento que detestava. O destinatário: Sivuca.

Miles Davis era um sujeito atormentado. Inconformado com o preconceito racial. E vítima dele num episódio de violência que envergonha os Estados Unidos. No intervalo de um show, em frente a uma casa noturna, foi brutalmente espancado, sob o pretexto de que fora confundido com um “desocupado”. Trocou a América pela França, grande reduto do jazz. Lá, recebeu as honras que lhe faltavam no seu país. E gravou a trilha do filme Ascenseur Pour L’Échafaud. Mas foi com os músicos americanos que atingiu os pontos altos de sua trajetória. Com pequenas ou grandes formações, acústico ou elétrico, revolucionando ou degustando a transformação. Multifacetado e genial.

Li algo sobre três “casamentos” na música americana: o de Frank Sinatra com o arranjador Nelson Riddle, o de Duke Ellington com seu parceiro Billy Strayhorn e o de Miles Davis com o maestro Gil Evans. São uniões exemplares que, no século XX, tornaram a música do mundo mais rica e mais bela. Davis e Evans fizeram quatro discos juntos. Foram de George Gershwin à Bossa Nova, mexendo com os conceitos do arranjo jazzístico, explorando timbres que ainda hoje impressionam, embora mais de meio século nos separe daquelas gravações.

Três discos nos apresentam ao que há de mais importante na música de Miles Davis, o que foi mais revolucionário: Birth of the Cool, Kind of Blue e Bitches Brew. Este último promove a fusão do jazz com o rock. Rompe e une a um só tempo. É ousado, radical e definidor do som que Miles produziria dali por diante. A fusão eletrifica o jazz, mas a performance de Davis tem uma contenção que é o oposto do virtuosismo. Como se uma nota valesse por mil.

Portrait of US jazz trumpet player Miles Davis taken 06 July 1991 in Paris. Portrait du trompettiste de jazz Miles Davis pris lors d'un concert le 06 juillet 1991 à la Halle de la Villette à Paris. (Photo credit should read PATRICK HERTZOG/AFP/GettyImages)

No fim da vida, em sua última apresentação no Festival de Montreux, Miles Davis voltou ao passado. Regido por Quincy Jones, tocou o repertório que gravara com Gil Evans. Foi seu concerto de despedida.

Capas que inspiraram outras capas no mundo do disco

No mundo dos discos, capas inspiraram outras capas. Um deleite para os colecionadores.

Vejam Let it Be, dos Beatles, e Qualquer Coisa, de Caetano Veloso.

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Double Fantasy serviu de referência para Milk and Honey, do casal Lennon.

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Abbey Road, dos Beatles, motivou Paul McCartney a fazer Paul is Live.

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Saindo dos Beatles: Tutu, de Miles Davis, e Minas, de Milton Nascimento.

Aí, Milton inspirou Miles.

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Belchior vai fazer 70 anos em outubro, e ninguém sabe onde ele está

O compositor cearense Belchior vai completar 70 anos agora em outubro. Ele está sumido há alguns anos, desde que se retirou estranhamente da cena musical.

Belchior se destacou entre os nordestinos que conquistaram dimensão nacional na década de 1970. Como Nossos Pais e Velha Roupa Colorida causaram grande impacto quando foram gravadas por Elis Regina, em 1976.

Em seguida, ouvimos a voz do autor no disco Alucinação, seu trabalho mais importante.

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Voz nasal, canções harmonicamente simples, melodicamente muito agradáveis, grandes letras. Assim era o Belchior que ouvimos há 40 anos. Seu songbook é composto sobretudo pelo material que gravou entre a metade dos anos 1970 e o início dos 1980.

Depois, compôs poucas canções de fato relevantes, mas manteve um público fiel que ia aos shows ouvir o melhor do seu repertório.

Sua saída de cena nunca foi bem explicada. Permanece um mistério para os fãs. Um triste episódio.

Em outubro, nos 70 anos de Belchior, o disco Alucinação volta ao mercado em edição resmasterizada. Mantém sua integridade como um dos grandes discos da MPB.

Paul McCartney está morto! Paul McCartney está vivo!

Os Beatles lançaram Abbey Road em 26 de setembro de 1969.

Quando o disco  chegou às lojas, a notícia da “morte” de Paul McCartney, difundida por um DJ americano, tomou conta da imprensa mundial. O beatle teria morrido num acidente. Um sósia assumira o seu lugar.

O DJ apresentava as “provas”. Elas estavam nas canções e nas capas dos discos dos Beatles.

Na capa de Abbey Road, o quarteto encenava o cortejo fúnebre. John Lennon, à frente, de branco, é o padre. Ringo Starr, de preto, é o agente funerário. Paul McCartney, com os pés descalços e o passo trocado em relação aos outros, é o morto. George Harrison, de jeans, é o coveiro. As mãos de Ringo e de George seguram as alças do caixão.

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Em 1993, o próprio Paul McCartney brincou com a lenda. O beatle apareceu atravessando a mesma faixa de pedestres, em frente ao estúdio da EMI, na capa de um disco gravado ao vivo. E o título garantia: Paul is Live!

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Na reta final, “Velho Chico” é marco da telenovela brasileira

“Velho Chico” entra em sua última semana nesta segunda-feira (26).

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A novela chega ao final marcada por um episódio trágico. A morte do ator Domingos Montagner entristeceu milhões de pessoas e fez pensar na finitude de cada um de nós, como bem lembrou Zélia Duncan num artigo muito sensível em O Globo.

Mas hoje, aqui, quero falar um pouco sobre a novela.

“Velho Chico” é um marco da telenovela brasileira. Uma produção inovadora num gênero que tem dificuldades para se reinventar.

O modo com que a cor foi usada, os enquadramentos incomuns na televisão, o tempo da narrativa, o ritmo da montagem, o tom teatral muitas vezes adotado na encenação, a influência do cinema brasileiro dos anos 1960, a escolha da trilha sonora.

Juntos, esses elementos são mais do que suficientes para fazer de “Velho Chico” um grande feito da televisão brasileira.

E, se pensarmos em conteúdo, a novela trouxe para o horário nobre temas que são o inverso do que dizem os muitos críticos da Rede Globo.

Para nós, paraibanos, “Velho Chico” ainda teve a notável presença dos nossos conterrâneos no elenco.

São tantos! Todos sintam-se representados na menção a duas atrizes: Zezita Matos, grande nome do nosso teatro, impecável na construção da personagem Piedade, e Lucy Alves, que já nos conquistara com seu talento musical, agora também como significativa revelação na teledramaturgia.

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E, por falar em elenco, há o Bento de Irandhir Santos, que vimos nos filmes de Kleber Mendonça Filho. E o padre de Carlos Vereza, sempre excepcional. E a Encarnação de Selma Egrei, que está na memória afetiva de quem viu o cinema de Walter Hugo Khouri. E Fagundes, Pitanga, Serrado. Muitos!

E, claro, o Santo de Montagner. A afeição do público pelo personagem pôde ser dimensionada na morte trágica do ator.

“Velho Chico” vai deixar saudades!

Obama entrega museu afro-americano, mas conflitos raciais persistem

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A pouco mais de 100 dias de deixar a presidência, Barack Obama inaugurou o Museu Nacional de História e Cultura Afro-Americana, em Washington. Um projeto centenário, só agora concretizado.

Para além da obra física, tem uma força simbólica. Como marca do primeiro afro-americano na presidência dos Estados Unidos.

Para os que cresceram vendo uma América conflagrada pelos conflitos raciais, a chegada de Obama à Casa Branca tem um significado profundo.

Mas, na saída, apesar de todos os avanços, os conflitos persistem. Como vimos em Tulsa e Charlotte.

O museu inaugurado por Obama conta uma história sem a qual os Estados Unidos não seriam o que são. O jazz, como legado afro-americano, talvez possa resumir tudo!

O museu fala dessa história. Mas, se quisermos, aponta também para o que ainda está muito longe de ser resolvido.