Wills Leal acaba o mistério e divulga números da eleição na Academia de Cinema

O vice-presidente da Academia Paraibana de Cinema, Wills Leal, divulgou os números da eleição realizada nesta quinta-feira (25) para preencher a cadeira que ficou vaga com a morte do cineasta Linduarte Noronha.

Ontem, no início da noite, um dos membros da comissão eleitoral me disse, por telefone, que os números não seriam divulgados e que esta era uma decisão da comissão.

Questionei a decisão aqui na coluna. Tentei falar por telefone com o presidente da entidade, Moacir Barbosa, mas não obtive êxito.

Agora, ao fornecer os números, Wills, que é fundador da Academia Paraibana de Cinema, me disse que rechaça qualquer tentativa de não divulgação do resultado e que a APC é uma entidade de caráter público.

Wills disse ainda que o eleito, Cláudio Marzo Cavalcanti de Brito, está à altura da cadeira que era ocupada pelo realizador de Aruanda.

Os números, segundo Wills Leal:

Cláudio Marzo Cavalcanti de Brito: 6 votos

José Nilton: 5 votos

Ricardo Moreira de Albuquerque: 1 voto

Total: 12 votos

A Academia Paraibana de Cinema tem 50 cadeiras.

Diretor de melhor filme do século XXI, David Lynch já tem 70 anos

Saiu a lista dos 100 melhores filmes do século XXI. Foi organizada pelo BBC Culture a partir das escolhas de 177 críticos de diversos países.

O vencedor: “Cidade dos Sonhos”, de David Lynch.

Lynch, de 70 anos, tinha 55 quando realizou “Cidade dos Sonhos”, filme estranho, belo, instigante, de difícil assimilação. Uma grande escolha!

Há um brasileiro na lista: “Cidade de Deus”, de Fernando Meirelles. É o número 38. A inclusão corresponde ao prestígio do filme.

Não vou discutir a lista. Listas são muito subjetivas. A gente sempre acha que poderiam ser diferentes.

Que “Hugo Cabret” vale mais do que “O Lobo de Wall Street”, que “Inteligência Artificial” não é o melhor Spielberg do período, que “Bastardos Inglórios” não é tão brilhante quanto “Kill Bill”.

O que chama minha atenção é a pressa de fazer uma lista com os melhores filmes do século XXI. Ora, o século XXI mal começou!

Não há tempo suficiente para dizermos, nem ao menos, se um filme do século atual já é um clássico!

 

 

 

Academia de Cinema faz eleição, divulga vencedor, mas não revela números

A Academia Paraibana de Cinema realizou nesta quinta-feira (25) eleição para ocupar a cadeira deixada vaga com a morte do cineasta Linduarte Noronha, ocorrida no início de 2012.

O vencedor foi Cláudio Marzo Cavalcanti de Brito. Ele disputou com José Nilton e Ricardo de Albuquerque Moreira.

A comissão eleitoral divulgou o nome do vencedor no início da noite, mas não revelou os números da eleição.

Conversei com um dos integrantes da comissão que presidiu o pleito e ouvi dele que esta é a posição da comissão: não divulgar os números da eleição.

Estranho. Muito estranho.

Que motivos levariam à não divulgação dos números de uma eleição?

Isso é compatível com as regras que devem prevalecer num país democrático? Com a transparência que exigimos de todos?

Por mais fechada que seja a entidade, é justo e correto que ela não revele os números de um pleito?

Em que condições se deu a disputa para preencher a cadeira que era ocupada por uma figura tão importante como Linduarte Noronha?

O realizador de Aruanda é um nome que orgulha a Paraíba. Com seu filme, ele projetou o nosso estado nacionalmente. Até internacionalmente.

Se a Academia Paraibana de Cinema se pretende séria, se tem respeito por quem está fora dela, esses números não podem ser escondidos.

Os números envergonhariam a academia?

Eles não seriam representativos nem ao menos do conjunto da entidade?

Eles seriam insuficientes para dar legitimidade ao pleito?

Ficam as perguntas. Aguardamos as respostas.

Mas esperamos, sobretudo, pela divulgação dos números!

Academia preenche cadeira de Linduarte Noronha. Processo eleitoral é tenso

A Academia Paraibana de Cinema realiza eleição nesta quinta-feira (25) para preencher a cadeira que era ocupada pelo cineasta Linduarte Noronha, que morreu no início de 2012.

Alguns membros da academia estão insatisfeitos com o processo eleitoral. Eles não tornam público, mas revelam em conversas privadas.

A queixa principal: os candidatos não estariam à altura de ocupar a cadeira de Linduarte, o realizador de Aruanda, filme marco do cinema documental brasileiro e de reconhecida influência na linguagem do Cinema Novo.

Aruanda

A publicação de um artigo no jornal A União pelo cineasta Alex Santos foi entendida como claro apoio a um dos candidatos. Provocou mal estar. O texto foi duramente questionado por um militante histórico do cinema paraibano. Bem como o uso do jornal oficial para tal fim.

Observando de fora, penso que não deveria ser este o clima desejado para a escolha de quem vai ocupar a cadeira de Linduarte Noronha.

Não combina, definitivamente, com essa grande figura que um dia Glauber Rocha chamou de Santo Linduarte!

John Lennon/Plastic Ono Band é o melhor disco solo de um ex-beatle

No Facebook, alguns amigos me convocam para escolher um disco que me marcou. Trago o desafio do Face aqui para a coluna.

Eis a capa:

John Lennon Plastic Ono Band, de John Lennon

Um pequeno texto sobre o disco:

Em 1970, “John Lennon/Plastic Ono Band” surge como um dos grandes discos do rock. A crueza das melodias, a concisão das letras, os arranjos mínimos, o grito primal transportado do divã de Arthur Janov para o estúdio, os temas cruciais que afligiam o artista e sua geração.

Após a dissolução dos Beatles, ninguém (nem o George Harrison de “All Things Must Pass”, nem o Paul McCartney de “Band on the Run”, muito menos Ringo Starr) fez nada parecido.

E ainda havia “God”, em cuja letra negava tudo e todos. A religião, os mitos, os heróis, os ídolos. Elvis, Dylan, Beatles – ninguém é poupado.

Na parte final da canção, John pronuncia a frase que se tornaria emblemática para uma geração: o sonho acabou.

As ideias generosas que marcaram a década de 1960 não seriam postas em prática num mundo pragmático e desigual.

E o vídeo com a canção “God”:

Ir à parada LGBT é pouco. O político precisa ter o direito de assumir que é gay

João Pessoa realizou a parada do orgulho LGBT.

Vejo que candidatos às eleições municipais de outubro marcaram presença.

Foram em busca de votos ou pelo real significado da manifestação?

Costumam ir em ano não eleitoral?

O envolvimento dos políticos, do jeito que ele se deu, pode até ser importante, mas não é tudo.

Antes de concluir, vou ao passado:

No início dos anos 1980, Marta Suplicy conquistou projeção nacional falando de sexo na TV Mulher, um programa matinal da Rede Globo. Muito da imagem que ela construiu veio dali. Da liberdade com que abordava temas tão importantes, mas tão evitados, da coragem revelada em algumas posturas, etc.

Muitos anos depois, Marta maculou a sua biografia ao insinuar, numa disputa eleitoral em São Paulo, que seu adversário era gay e que isso era negativo. Lembram?

Menciono Marta Suplicy como ilustração de como essas coisas se dão na política brasileira.

Volto ao presente para concluir:

Ir à parada LGBT é importante, mas não é tudo.

Bom mesmo será quando o candidato (não me refiro a militantes da causa) puder assumir a sua homoafetividade sem que isso lhe tire votos.

Ou o seu ateísmo (FHC perdeu a eleição para Jânio Quadros porque disse que era ateu).

Ou a defesa que faz do aborto (feministas mudam o discurso durante a campanha com medo do eleitor conservador).

Aí, sim! Teremos um grande avanço no nosso processo civilizatório! E no nosso jogo político!

O que há por enquanto ainda é muito pouco!

Beijo de Olívia e Miguel em “Velho Chico” lembra Yoná e Othon Bastos em “Deus e o Diabo”

Gosto do que “Velho Chico” tem de diferente, se pensarmos nos padrões da telenovela brasileira.

O ritmo da narrativa, a direção de fotografia, o tom teatral do elenco, a edição mais lenta, a trilha sonora.

Vejo muito do Cinema Novo em “Velho Chico”. Do próprio Glauber Rocha. É bom que isso ocorra na novela das nove da Globo. Como nesta segunda-feira (22), justamente nos 35 anos da morte de Glauber.

Em 1964, em “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, Glauber filmou o beijo de Yoná Magalhães e Othon Bastos com a câmera na mão, girando em torno do casal, que, por sua vez, também girava. Depois, sonorizou a cena com a Bachiana No 5 de Villa-Lobos.

Pois bem. Não há como não ver Glauber e o beijo de “Deus e o Diabo” no primeiro beijo de Olívia e Miguel, que foi ao ar nesta segunda em “Velho Chico”

Vejam. Comparem.

 

Morreu Geneton Moraes Neto. Era sinônimo do melhor jornalismo!

Morreu nesta segunda-feira (22) aos 60 anos o jornalista Geneton Moraes Neto.

Caetano e Geneton

Estive com ele pela primeira vez no Recife, no dia cinco de agosto de 1982. Dois dias depois, Caetano Veloso faria 40 anos, e, num hotel em Boa Viagem, fomos apresentados enquanto esperávamos pelo artista para uma entrevista coletiva.

Guiados por Jomard Muniz de Britto, nosso mestre, tínhamos objetivos diferentes. Eu participaria da coletiva. Ele colheria um depoimento exclusivo de Caetano sobre Glauber Rocha.

Na minha memória afetiva, Geneton está muito associado a Caetano, Gil, Jomard, aos tropicalistas de um modo geral. Ao Recife e aos meus vínculos com essa cidade de tradições culturais tão fortes.

Mas está associado principalmente a um exercício jornalístico de grande qualidade que ele desenvolveu por onde passou, sobretudo na Rede Globo.

Jornalismo memorialista. Sua obsessão pelas pautas ligadas à memória sempre me pareceu muito atraente, bem como seu gosto pelas entrevistas.

A pesquisa histórica, os temas políticos, a investigação – tudo em Geneton era feito com as marcas de quem tinha admirável domínio de um ofício tão aviltado quanto o nosso.

De quem de fato dignificava o jornalismo!

Muitas lembranças dele: Geneton entrevistando Roberto Carlos, ou o maestro George Martin. Os livros, os longos textos em seu blog. A voz em off no Fantástico com o sotaque pernambucano que nunca perdeu.

Nosso último encontro foi há uns dois anos na sede da TV Cabo Branco, em João Pessoa. Falamos do seu Canções do Exílio e do filme que estava realizando sobre Glauber.

Que coincidência! Quis o destino que Geneton Moraes Neto nos deixasse no mesmo 22 de agosto e na mesma Clínica São Vicente onde, há 35 anos, morria Glauber Rocha!

Na foto, Geneton, adolescente, entrevista Caetano na primeira passagem pelo Recife após o exílio londrino.

 

Toots Thielemans, que gravou com Sivuca e Elis Regina, morre aos 94 anos

O mundo da música está de luto. O belga Toots Thielemans, mestre da gaita cromática, morreu nesta segunda-feira (22) aos 94 anos.

Thielemans, em sua longa carreira, tocou com os grandes nomes da música internacional. Gente como Frank Sinatra, Quincy Jones, Ella Fitzgerald, Stevie Wonder e Paul Simon.

Seu instrumento pode ser ouvido também no cinema. A gaita do tema de “Perdidos na Noite”, composto por John Barry, é de Toots, que tocava guitarra e era um grande improvisador.

A sua “Bluesette” entrou para a história do jazz.

Toots Thielemans teve uma ligação profunda com a música brasileira. Gravou discos com Elis Regina e com Sivuca, além dos dois volumes de “The Brasil Project”, nos quais acompanhava estrelas da MPB em números que são verdadeiros clássicos do nosso cancioneiro.