Ir à parada LGBT é pouco. O político precisa ter o direito de assumir que é gay

João Pessoa realizou a parada do orgulho LGBT.

Vejo que candidatos às eleições municipais de outubro marcaram presença.

Foram em busca de votos ou pelo real significado da manifestação?

Costumam ir em ano não eleitoral?

O envolvimento dos políticos, do jeito que ele se deu, pode até ser importante, mas não é tudo.

Antes de concluir, vou ao passado:

No início dos anos 1980, Marta Suplicy conquistou projeção nacional falando de sexo na TV Mulher, um programa matinal da Rede Globo. Muito da imagem que ela construiu veio dali. Da liberdade com que abordava temas tão importantes, mas tão evitados, da coragem revelada em algumas posturas, etc.

Muitos anos depois, Marta maculou a sua biografia ao insinuar, numa disputa eleitoral em São Paulo, que seu adversário era gay e que isso era negativo. Lembram?

Menciono Marta Suplicy como ilustração de como essas coisas se dão na política brasileira.

Volto ao presente para concluir:

Ir à parada LGBT é importante, mas não é tudo.

Bom mesmo será quando o candidato (não me refiro a militantes da causa) puder assumir a sua homoafetividade sem que isso lhe tire votos.

Ou o seu ateísmo (FHC perdeu a eleição para Jânio Quadros porque disse que era ateu).

Ou a defesa que faz do aborto (feministas mudam o discurso durante a campanha com medo do eleitor conservador).

Aí, sim! Teremos um grande avanço no nosso processo civilizatório! E no nosso jogo político!

O que há por enquanto ainda é muito pouco!