Um Corpo que Cai, de Hitchcock, é um filme contemplativo. E para ser contemplado

No Facebook, sou convocado a escolher um filme que me marcou. Trago o desafio do Face aqui para a coluna.

Eis o cartaz criado por Saul Bass:

vertigo

Um pequeno texto sobre o filme:

“Um Corpo que Cai” (Vertigo) é obra de um artista maduro. Alfred Hitchcock estava perto dos 60 anos quando o realizou e já tinha feito quase todos os seus grandes filmes. Na Inglaterra e na América.

Mas era detestado por uma parcela considerável da crítica americana, que só enxergava seus méritos comerciais, e ainda não havia sido recuperado pelos críticos franceses da geração de François Truffaut.

“Vertigo” não tem nada de revolucionário. Não veio para reescrever gramática nenhuma, nem para transformar nada. Mas, a despeito de não ter provocado rupturas, exerceu uma gigantesca influência sobre muito do que se viu no cinema depois dele. Para o bem e para o mal.

“Vertigo” tem a assinatura de um realizador com total domínio do seu ofício. Hitchcock conhecia há muito todos os segredos do cinema e fez um filme para ser contemplado. Em sua narrativa que se desenvolve lentamente, enquanto James Stewart segue Kim Novak pelas ruas de São Francisco. No tom onírico que justifica o que na trama atenta contra a verossimilhança.

Hitchcock pode ter feito dois ou três filmes tão bons quanto “Vertigo” em sua longa trajetória. Não mais.

Quando “Vertigo” bateu “Cidadão Kane”, de Orson Welles, numa dessas escolhas dos melhores filmes de todos os tempos, fiz a seguinte comparação:

“Kane” rompe. “Vertigo” consolida. Welles sacode. Hitchcock entorpece.

E o trailer oficial: