Ipojuca Pontes matou Fidel num artigo há 10 anos. E Fidel continua vivo!

Fidel Castro, Prime Minister of Cuba, smokes a cigar during his meeting with two U.S. senators, the first to visit Castro's Cuba, in Havana, Cuba, Sept. 29, 1974. (AP Photo)

Neste sábado (13), Fidel Castro faz 90 anos. Lembrei de Ipojuca Pontes. Explico o motivo.

Os problemas de saúde tiraram Fidel Castro do poder uma década atrás. Raul, o irmão, assumiu o governo e está lá até hoje. Fidel, de vez em quando, é fotografado recebendo alguma visita ou com o jornal do dia nas mãos. Continua vivo.

Pois bem. Em dezembro de 2006, o cineasta paraibano e ex-ministro da Cultura Ipojuca Pontes escreveu num artigo que Fidel estava morto e que faltava o governo cubano escolher o momento certo de fazer o anúncio.

Transcrevo Ipojuca:

“Por que a camarilha do PC cubano esconde a morte clínica de Castro? Por dois motivos: primeiro, por não saber precisamente o que fazer, visto que facções dentro do governo se dividem entre abrir um pouco ou fechar ainda mais o regime policial vigente. Na prática, a ilha nunca esteve tão controlada com exército, agentes da DGI e a polícia fechando o cerco sobre a população que, há décadas, mantém culto obrigatório ao Deus-tirano. Como agirá o povo de Cuba depois de anunciada oficialmente a morte de Castro? Ficará inerte? Irá se insurgir? A ilha-cárcere vai tolerar mais décadas de fome e miséria? (Em particular, desconfio que sim).”  

Quando li esse artigo, entendi que o problema de Ipojuca Pontes não eram só as posições de um deplorável reacionarismo que defendia. Nem ter ajudado a dizimar a produção cinematográfica brasileira quando foi ministro de Collor. O maior problema de Ipojuca Pontes era não ser crível.

No quesito Fidel Castro, ao longo de uma década, Ipojuca já foi desmentido muitas vezes. Deve ser novamente neste sábado, quando Fidel chegar vivo aos 90 anos!