Jaguaribe Carne volta às canções. Elas cabem nas transgressões de Pedro Osmar?

O grupo Jaguaribe Carne está de volta às canções. É o que se anuncia para a abertura do show de Tom Zé, no próximo sábado em João Pessoa.

Conheço Pedro Osmar, o mentor do grupo, desde 1971. Naquele tempo, ele só compunha canções, Paulo Ró ainda não fazia música, e o Jaguaribe Carne não existia.

Sua primeira safra de canções parece ter sido esquecida. Lembro pelo menos de duas: “Cogito Ergo Sum” e “Sobre o Tema Quase Três e o Mês”. Já revelavam o talento de Pedro.

“Baile de Máscaras”, que Elba Ramalho gravou mais tarde, é de uma fase mais madura.

Em meados dos anos 1970, Pedro Osmar passou um tempo no Rio. Quando voltou, articulou a Coletiva de Música da Paraíba. Nascia o Pedro preocupado com questões além da música, como se viu depois no Fala Jaguaribe e no Musiclube.

Era o começo do guerrilheiro cultural que estaria para sempre associado à figura dele.

Junto, vem o experimentalismo radical de quem ouviu os Beatles de “Revolution 9”, o Caetano Veloso de “Araçá Azul” e a música livre de Hermeto Pascoal. E vem o Jaguaribe Carne.

Em 1977, quando fez um circuito pelos colégios estaduais de João Pessoa (vi pelo menos quatro daqueles shows), Pedro Osmar não era só Pedro Osmar. Já era o Jaguaribe Carne, com o irmão (Paulo Ró) ao seu lado e com o percussionista Vandinho de Carvalho.

E, embora ainda houvesse canção, o tom experimental começava a marcar presença nas performances ao vivo. Depois nos discos.

Acho importante que Pedro tenha adotado o experimentalismo. Mas sempre considerei excessiva essa adoção. Como ouvinte, senti falta das canções. As que Paulo Ró nunca deixou de fazer.

Vamos ver como será essa retomada. Se haverá de fato uma retomada ou se ela ficará circunscrita a um show.

O personagem que Pedro criou para viver na nossa cena cultural é tão naturalmente transgressor que por vezes é difícil crer que caiba alguma canção dentro dele!