Lei que estabelece limites para contratação de artistas cheira a censura

Vejo que uma nova lei proíbe gestores públicos paraibanos de contratar artistas cujas músicas apresentem conteúdo homofóbico, racista e machista.

Homofobia, racismo e machismo são coisas absolutamente abomináveis! Claro que são! Mas desconfio de leis como esta!

Vou entrar no debate fazendo um passeio pela tradição do nosso cancioneiro popular. Que tal?

O teu cabelo não nega, mulata, porque és mulata na cor, mas como a cor não pega, mulata, mulata quero o teu amor.

Essa pode? Ou é racista? Ficaria um gestor público da Paraíba proibido de contratar um tributo a Lamartine Babo por causa do conteúdo racista de uma letra como esta?

Sim, e aquele tributo a Luiz Gonzaga? Pode ser pago com dinheiro público? Talvez não possa porque tem conteúdo homofóbico. Vejam a letra:

Cabra que usa pulseira, no pescoço medalhão, cabra com esse jeitinho, no sertão do meu padrinho, cabra assim não tem vez não. 

É, mas tem aquele espetáculo sobre Ary Barroso. Ah, esse não pode porque contém ofensa às mulheres. Vejam a letra:

O meu pedaço me domina, me fascina, ele é o tal, por isso não levo a mal…passou a brincadeira, e ele é pra mim.

Querem saber o que acho?

Leis como esta cheiram a censura!

Censura cheira a estados totalitários!

Amanhã, vão proibir o artista porque ele pensa diferente, porque ele não reza, etc.

Antes do texto, tem o áudio de um velho samba regravado por Gilberto Gil. É “Minha Nega na Janela”. Seria enquadrado facilmente nessa nova lei por racismo e ofensa às mulheres.