Aos 75 anos, Ney Matogrosso permanece atento aos sinais

Ney Matogrosso faz 75 anos nesta segunda-feira (01/08).

O surgimento dele foi um acontecimento extraordinário naquele remoto ano de 1973. A voz incomum, o figurino, o rosto pintado, a performance no palco, o repertório. Secos & Molhados. Parecia impossível no Brasil da Era Médici.

O grupo arrebatou público e crítica e fez apenas dois discos. Como seria Ney sem os Secos & Molhados?

A estreia foi em 1975, num disco chamado “Água do Céu – Pássaro”. Sozinho, ele era ainda melhor.

Da Continental (uma gravadora de médio porte) para a Warner (uma multinacional do disco), Ney foi consolidando sua carreira. O estouro mesmo veio em 1981, já num terceiro selo, no disco que tem “Homem com H”, do paraibano Antônio Barros.

“Pescador de Pérolas”, de 1987, foi outro marco. Ao vivo, ao lado de músicos como Arthur Moreira Lima (piano), Paulo Moura (sax e clarinete), Raphael Rabello (violão) e Chacal (percussão), Ney trocou de figurino e de repertório. Mostrou que também sabia ser contido e cantar os clássicos do cancioneiro popular.

Em sua longa carreira, com uma extensa discografia, Ney Matogrosso foi dos Secos & Molhados a Villa-Lobos. De Cartola a Cazuza. De Tom a Chico. Tudo muito bem feito, com uma inconfundível marca de qualidade. Nos estúdios e nos palcos.

Ney é clássico e contemporâneo. E, como no título do seu projeto mais recente, permanece atento aos sinais.