De João Para João. A Paraíba ainda se divide entre liberais e perrepistas

No dia (26/07) do aniversário de morte do presidente João Pessoa, uma postagem do teatrólogo Tarcísio Pereira no Facebook chama minha atenção. Ele diz que, apesar dos convites, não quis apresentar nesta data o espetáculo “De João Para João”.

As razões do autor e ator: fez um espetáculo com um compromisso artístico e não em função de data; e o respeito a familiares e admiradores do ex-presidente. Muito digno.

Outra postura digna a mencionar: dias atrás, o jornalista e membro da Academia Paraibana de Letras Abelardo Jurema, que é sobrinho-neto de João Pessoa, escreveu sobre a peça. Discordou, criticou, mas o fez com absoluto respeito ao trabalho do teatrólogo. Postura, aliás, compatível com o perfil de Abelardo.

Tarcísio Pereira, por sua vez, respondeu às críticas do jornalista, mas recomendou a leitura do artigo de Abelardo Jurema.

Tolerância é algo que chama minha atenção. Sobretudo quando o assunto é João Pessoa. Sim, porque a Paraíba ainda tem traços marcantes da velha divisão entre liberais e perrepistas.

Quando fui editor de A UNIÃO, em 2010, não enxerguei, no governo, nenhum grande desejo de marcar os 80 anos do assassinato de João Pessoa. E vi a divisão dentro do próprio jornal: o superintendente (Nelson Coelho) era perrepista, e o diretor técnico (Wellington Aguiar), liberal.

Ariano Suassuna – claro – era perrepista. Nos anos 1980, o filme “Parahyba, Mulher Macho” desencadeou uma onda perrepista. O debate sobre a mudança do nome da capital volta sempre embalado pelo perrepismo.

Os liberais, há muito, me parecem em desvantagem. Como se as conquistas de 30 de nada tivessem valido.