Hector Babenco, cineasta de “Pixote” e “Carandiru”, morre aos 70 anos

O cineasta Hector Babenco morreu no final da noite desta quarta-feira (13) aos 70 anos de uma parada cardíaca. Estava internado no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, para fazer uma cirurgia. Argentino, Babenco começou a fazer filmes no Brasil na década de 1970.

Na sua filmografia, destacam-se “Lúcio Flávio, O Passageiro da Agonia” (1977), “Pixote, A Lei dos Mais Fraco” (1981), “O Beijo da Mulher Aranha” (1985) e “Carandiru” (2003).

“O Beijo da Mulher Aranha” concorreu ao Oscar e deu projeção internacional ao diretor.

Quando Babenco começou a fazer cinema no Brasil, o país vivia sob a ditadura militar, e a produção artística era submetida à censura. O Cinema Novo havia acabado, e os sobreviventes do movimento lutavam por um lugar no mercado.

Com “Lúcio Flávio” e, sobretudo, “Pixote”, Babenco obteve o respeito da crítica e do público. E mostrou que tinha intimidade com temas que afligiam o Brasil.

Em “Pixote”, ficção e realidade se confundiram num desfecho trágico. O garoto Fernando Ramos da Silva foi retirado de uma situação não muito diferente da do personagem principal e transformado em ator. Mais tarde, acabou executado pela polícia num episódio que envergonha o Brasil.

Babenco fez cinema antes e depois da Era Collor, que dizimou a produção nacional. Conviveu com a luta pelo mercado no pós Cinema Novo e buscou afirmar-se outra vez a partir do que foi chamado de “retomada”.

Reencontrou o sucesso quando realizou “Carandiru”.