Filme sobre Janis troca a música pela tragédia pessoal da cantora

“Janis” e “Janis: Little Girl Blue” (em cartaz nos cinemas brasileiros) são os dois documentários de longa metragem sobre Janis Joplin, a maior voz feminina do rock. Quatro décadas separam um do outro.

“Janis” é de 1974. Foi realizado apenas quatro anos após a morte da cantora, ocorrida em outubro de 1970. “Little Girl Blue” é de 2015, 45 anos, portanto, depois da morte de Joplin.

Se não há distanciamento no primeiro, sobra no segundo.

“Janis” é do tempo em que íamos ao cinema ver documentários de rock. O elemento principal é a música. O filme é um retrato de Janis Joplin tirado por ela própria através da sua música e um pouco das suas falas.

“Little Girl Blue” é um retrato de Janis Joplin tirado a partir da opinião dos seus contemporâneos. Conta a história da artista sob a perspectiva da sua tragédia pessoal e não da sua música.

Da garota rejeitada na escola em Port Arthur à estrela destruída pela heroína, o filme parece por em segundo plano o maior legado da cantora, que é a sua música.

Howard Alk era de 1930. Tinha 44 anos quando realizou “Janis”. Amy Berg nasceu nove dias depois da morte de Joplin. Tinha 45 anos quando terminou “Little Girl Blue”.

O olhar contemporâneo de Alk emociona. O olhar distanciado de Berg entristece. Mesmo que os dois filmes se completem, fico com o primeiro.