Box com 15 CDs faz justiça à arte de Jackson do Pandeiro

Em crise, a indústria fonográfica há muito investe nos seus acervos para atingir o público que ainda tem o hábito de comprar CD. Nessa aposta, lança caixas que parecem inacreditáveis num tempo de poucas vendas. A mais recente é “Jackson do Pandeiro, O Rei do Ritmo”.

O box da Universal Music foi recebido como um dos grandes lançamentos do ano. E é. São 15 discos que reúnem, não a íntegra, mas boa parte das gravações feitas por esse paraibano de Alagoa Grande entre a década de 1950 e o início da de 1980.

Não é à toa que Jackson ficou conhecido como o rei do ritmo. Ele de fato se notabilizou por uma muito peculiar divisão rítmica que marcava o seu jeito de cantar e tocar o instrumento que incorporou ao seu nome artístico.

Foi grande cantando forró e também muita música de carnaval (frevos e sambas). E exerceu notável influência sobre artistas como Gilberto Gil, Alceu Valença, João Bosco, Lenine e Xangai. Era urbano, enquanto Luiz Gonzaga era rural.

Os dois – Gonzaga e Jackson – se completam para orgulho da nação nordestina.

Questões autorais impediram que os discos fossem relançados em seus formatos originais. Apenas dois estão no box da Universal. Os demais (13 CDs) estão distribuídos em seis coletâneas duplas e uma simples. Os registros da fase Philips estavam bem preservados e permitiram uma remasterização muito boa.

O nome do produtor e pesquisador musical Rodrigo Faour não pode ser esquecido. Sem ele, não haveria a preciosa caixa de Jackson do Pandeiro.

“Jackson do Pandeiro, O Rei do Ritmo” é um lançamento cinco estrelas!