Safadão, Chico César e a polêmica do cachê

Wesley Safadão esteve no noticiário dos últimos dias por causa do cachê de R$ 575 mil que recebeu (e anunciou que vai doar) para cantar no São João de Caruaru. É muito para o poder público pagar? Sim. A parceria público-privada é o caminho para viabilizar esse tipo de show nas nossas festas populares.

Mas não é disso que quero falar.

Vi muita gente dizer que o absurdo não é pagar R$ 575 mil de cachê. O absurdo é pagar R$ 575 mil de cachê a Wesley Safadão. Não concordo.

No Facebook, a propósito de uma queixa de Joquinha Gonzaga, que se diz sem mercado, Chico César mencionou o tempo em que, como gestor público, lutou contra o forró de plástico.

Disse assim: “Eu tentei peitar a máfia do mercado quando fui gestor de cultura na Paraíba. Muita gente não gostou, poucos entenderam”.

Não entendo de máfia do mercado. Mas entendo um pouco e desconfio de critérios estéticos usados como argumento para incluir um e excluir outro. Ou, pior: incluir porque é politicamente alinhado, excluir porque não é.

Um dia, na juventude, ansioso para ouvir a condenação, perguntei a um dos nossos maiores artistas o que ele achava da má música brasileira. Sabem o que ele me respondeu? Que a música popular do Brasil é grande por causa de todos os que a fazem. Inclusive os que pensamos que não são bons. Simples assim.