“American Graffiti” é George Lucas antes de “Star Wars”

AMERICAN GRAFFITI

George Lucas

De 1973. O título em português é “Loucuras de Verão”, mas, nesse caso, prefiro o original. O jovem George Lucas, em seu segundo filme, já fizera ficção científica (em “THX 1138”), mas ainda não iniciara a franquia “Star Wars”, que o tornaria multimilionário.

A história de “American Graffiti” se passa em 1962, durante uma noite agitada numa cidadezinha da Califórnia. Rapazes e moças se divertem num ritual de despedida. Alguns vão para a universidade no dia seguinte.

Parece banal, mas não é. Fala do momento em que encaramos as responsabilidades da vida adulta. Fala também da geração de Lucas.

Harrison Ford faz sua estreia, numa ponta. Richard Dreyfuss, um dos rapazes, ficaria famoso em seguida. E Ron Howard trocaria a carreira de ator pela de diretor.

A trilha sonora é uma delícia!

George Lucas dizia que queria ganhar dinheiro com coisas como “Star Wars” para voltar a realizar filmes como “THX 1138” e “American Graffiti”. Não cumpriu a promessa.

Graffiti

Box com 15 CDs faz justiça à arte de Jackson do Pandeiro

Em crise, a indústria fonográfica há muito investe nos seus acervos para atingir o público que ainda tem o hábito de comprar CD. Nessa aposta, lança caixas que parecem inacreditáveis num tempo de poucas vendas. A mais recente é “Jackson do Pandeiro, O Rei do Ritmo”.

O box da Universal Music foi recebido como um dos grandes lançamentos do ano. E é. São 15 discos que reúnem, não a íntegra, mas boa parte das gravações feitas por esse paraibano de Alagoa Grande entre a década de 1950 e o início da de 1980.

Não é à toa que Jackson ficou conhecido como o rei do ritmo. Ele de fato se notabilizou por uma muito peculiar divisão rítmica que marcava o seu jeito de cantar e tocar o instrumento que incorporou ao seu nome artístico.

Foi grande cantando forró e também muita música de carnaval (frevos e sambas). E exerceu notável influência sobre artistas como Gilberto Gil, Alceu Valença, João Bosco, Lenine e Xangai. Era urbano, enquanto Luiz Gonzaga era rural.

Os dois – Gonzaga e Jackson – se completam para orgulho da nação nordestina.

Questões autorais impediram que os discos fossem relançados em seus formatos originais. Apenas dois estão no box da Universal. Os demais (13 CDs) estão distribuídos em seis coletâneas duplas e uma simples. Os registros da fase Philips estavam bem preservados e permitiram uma remasterização muito boa.

O nome do produtor e pesquisador musical Rodrigo Faour não pode ser esquecido. Sem ele, não haveria a preciosa caixa de Jackson do Pandeiro.

“Jackson do Pandeiro, O Rei do Ritmo” é um lançamento cinco estrelas!

Lucy Alves brilha em “Velho Chico”. E uma história de Sivuca

A novela “Velho Chico” confirma o talento múltiplo de Lucy Alves. Já faz algum tempo que ela brilha como cantora e instrumentista. Agora também se destaca como atriz, atuando com muita desenvoltura ao lado de profissionais da teledramaturgia.

Sempre que vejo Lucy Alves, lembro de uma história de dez anos atrás, que quero contar aqui.

O ano era 2006. Fui ao apartamento de Sivuca e Glorinha Gadelha assistir ao DVD “O Poeta do Som”, que ainda não havia sido lançado. Um luxo. Ver ao lado de Sivuca, ouvindo a música e os comentários que ele ia fazendo sobre cada número gravado um ano antes no palco do Teatro Santa Roza.

Quando chegou a vez do número com o grupo Clã Brasil (“Visitando Zabelê”, tema composto por Glorinha), Sivuca me disse: “preste muita atenção nessa menina, ela é um grande talento”.

A menina ainda não se chamava Lucy Alves, mas já se destacava à frente do grupo formado com sua família.

Claro que lembrei de Sivuca quando a vi no “The Voice…”. E lembro novamente agora quando a vejo em “Velho Chico”.

Lula é líder de grandeza incomparável, diz Caetano em artigo

Brilhante, instigante, inteligentíssimo o extenso artigo de Caetano Veloso na revista online “Fevereiro”. Chama-se “Um voto”. Começa lá longe, no voto dele no marechal Lott, contra Jânio, e vem até o Brasil de Dilma. Contém as inquietações do artista sobre o destino do Brasil.

Deve ser lido com calma, na íntegra, posto que provoca reflexões muito oportunas sobre os impasses brasileiros. Mas caio na tentação de transcrever um pequeno trecho. Para provocar e estimular a sua leitura:

“Não quero ver o Brasil cindido. Estou certo de que desejo muito mais a grandeza do Brasil do que a prova da teoria da mais-valia ou o êxito total do capitalismo. Minhas motivações são de sonho de afirmação nacional, na crença de que podemos criar algo que ensine ao mundo a ternura de que falam tanto Mangabeira (Unger) quanto (Eduardo) Gianetti.

A volta de Lula? O pensamento sobre 2018 trouxe a hipótese. Lula é um líder de grandeza incomparável, talvez só Getúlio. Seu discurso em resposta à estranha decisão do juiz Moro de expedir uma condução coercitiva para levá-lo a depor sem que ele tivesse se negado a fazê-lo mostrou um político potente. Pouco depois, ele já aparecia como um ex-líder. Entristece, mas a fórmula de liderança populista é algo que me sugere retrocesso a velhos males latino-americanos”.

Morre guitarrista que ajudou Elvis a inventar o rock

Morreu o guitarrista que ajudou Elvis Presley a inventar o rock. Scotty Moore tinha 84 anos. Ele morreu nesta terça-feira (28) na sua casa em Nashville, nos Estados Unidos.

Scotty Moore estava com Elvis e o baixista Bill Black no estúdio da Sun Records em Memphis, na gravação de “That’s All Right Mama”. Para muita gente, aquele registro, de julho de 1954, é o marco zero do rock.

Foi naquela gravação que Elvis Presley fundiu o R & B dos negros com o country & western dos brancos e deu início a uma revolução.

Admirado pelos Beatles e pelos Rolling Stones, Scotty Moore trabalhou com Elvis de 1954 a 1968. Na despedida, num especial da NBC, foi parceiro de Elvis numa outra invenção: o unplugged, formato de show que a MTV difundiria com tanto sucesso na década de 1990.

 

Trilha sonora de “Velho Chico” é tão diferente como a novela

O volume 1 da trilha da novela “Velho Chico” está disponível em sua versão física. Chama atenção pela qualidade do repertório escolhido. Não poderia ser diferente numa novela em que a música tem importância capital.

Do mesmo modo que “Velho Chico” tem ousadias estéticas, sua trilha se diferencia das de outras novelas. Traz até Elomar, o grande compositor baiano, que é totalmente avesso a televisão.

Gravações antigas se misturam com outras registradas especialmente para a trilha. Tema de abertura, “Tropicália”, de Caetano Veloso, foi recriada com um vigoroso arranjo de cordas.

Um dos momentos mais tocantes é a “Suíte Correnteza”, na versão do disco ao vivo “Cantoria”, de Elomar, Geraldo Azevedo, Vital Farias e Xangai. É nessa suíte que está o belo tema “Barcarola do São Francisco”, de Geraldo Azevedo.

Vital Farias aparece, como autor, em “Veja Margarida”, cantada por Marcelo Janeci. E Chico César, como intérprete, na “Serenata”, de Schubert. As duas faixas foram gravadas para a trilha.

Surpreendente: Geraldo Vandré está na novela com seu “Réquiem para Matraga”, mas esta não aparece no disco. Deve ter ficado para o segundo volume.

Bud Spencer (com Terence Hill) lotou as matinês dos anos 1970

Bud Spencer e Terence Hill

Morreu aos 86 anos Bud Spencer, que fez dupla com Terence Hill nos filmes da série Trinity, muito populares na década de 1970.

Tenho que confessar: nunca gostei de westerns italianos, muito menos de westerns italianos cômicos. Mas não posso deixar de reconhecer a imensa popularidade da dupla que fez milhões de fãs pelo mundo.

Faço o registro da morte de Bud Spencer em respeito a essa legião. Terence Hill está vivo. Tem 77 anos. Os dois nasceram na Itália apesar dos nomes artísticos em inglês.

Livro de jornalista baiana fala de famílias homoafetivas

Famílias homoafetivas

Uma dica de leitura no Dia Internacional do Orgulho LGBT: “Famílias Homoafetivas: a insistência em ser feliz”. O livro, da jornalista baiana Lícia Loltran, fala de mulheres que constroem famílias com outras mulheres.

Segundo a Autêntica Editora, responsável pelo lançamento, a obra apresenta histórias que formam e transformam, sobre os encontros, as descobertas, as alegrias e as tristezas de mulheres que romperam com paradigmas de uma sociedade patriarcal e desconstruíram imagens criadas por estereótipos e generalizações.

As distintas vivências, os relacionamentos, a superação de preconceitos, a aceitação, a maternidade, são temas tratados nas histórias das personagens contadas em cada capítulo do livro.

“Elas mudaram a minha vida. Passei a lutar ainda mais em meu nome, em nome delas, de suas crianças, de todas as famílias homoafetivas e de tudo o que passam ou já passaram”, diz Lícia Loltran, uma jornalista baiana nascida em Juazeiro. Para escrever o livro, Lícia viajou pelo Brasil em busca das trajetórias desconhecidas dessas mulheres que formaram famílias com outras mulheres.

Trailer oficial de “Aquarius” é divulgado. Estreia será em setembro

O trailer oficial de “Aquarius”, estrelado por Sônia Braga, foi divulgado nesta segunda-feira (27). O segundo longa-metragem de Kleber Mendonça Filho (o primeiro é “O Som ao Redor”) tem estreia marcada para o dia primeiro de setembro.

No Festival de Cannes, Kleber e elenco foram notícia por causa do protesto contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Mas o protesto passa, e o filme fica.

Os paraibanos Fernando Teixeira e Buda Lira estão no elenco e aparecem no trailer. Vejam.

 

Safadão, Chico César, forró de plástico. Com a palavra, Pedro Osmar

No meu post anterior, escrevi sobre o cachê de Wesley Safadão, forró de plástico, Chico César, etc.

Compartilhei no Facebook, e o compositor Pedro Osmar, nosso querido guerrilheiro cultural, fez um comentário que transcrevo a seguir:

“Isso me cheira a ficar em cima do muro quando o assunto é ‘máfia do mercado’! O mercado mafioso é esse que protege uns poucos (de grandes cachês, com qualidade altamente duvidosa) e exclui a maioria dos artistas brasileiros, antigos e novos, de médios e pequenos cachês e que se fundamenta num trabalho cultural e politico melhor definido ao lado do povo que precisa de um futuro para se sustentar. Mercado são os meios de comunicação atrelados à essa máfia das empresas que contratam artistas e tem no poder público um de seus braços e pernas…pagar e receber R$575 mil reais por um show de baixa qualidade desse ‘Safadon’, de baixíssimo nível de informação, é uma safadeza só, putaria mesmo que ninguém merece. E quem decide essas contratações? Quando o então secretário de cultura da Paraíba, Chico César, opinou e se posicionou contra a contratação de artistas de forró de plástico pelo governo do estado foi uma postura altamente qualificada, consciente, de um gestor que não era apenas um executivo, mas sim um artista que nunca deixou dúvidas sobre suas intenções. Considerando que a SECULT não teria condições de investir em eventos que precisem contratar artistas que tenham esse nível de cachê. Vez em quando essa conversa vem à tona, revelando uma carniça administrativa que o estado brasileiro democrático não comporta e nem suporta. Não dá para ver e saber disso e ficar tirando uma de ‘joão sem braço’, que não sabe de nada. Sejamos sérios e sinceros com a verdade. As populações merecem essa atenção e cuidado”.