Paula, sugerindo nudez total, na cama com Chico Buarque

Paula.

O nome dela é Paula Priscila.

Jovem, bela, preocupada com direitos humanos.

Amiga virtual com quem estive duas ou três vezes em dias de show de Chico Buarque.

Paula ama Cauby Peixoto, Maysa, Dick Farney, Tom Jobim, a Bossa Nova.

Paula ama Vinícius e Nelson Rodrigues.

Mas acho que Chico Buarque é que é seu grande amor.

Em isolamento social, nos surpreendeu com essa foto postada no facebook.

Deitada sobre as obras de Chico, sugerindo estar completamente nua, mas coberta pelos CDs do artista.

O que o nosso amado Nelson Rodrigues diria dessa foto? – perguntei pra ela.

A resposta, muito inteligente, guardo comigo.

Governo testa campanha contra isolamento social. É verdade!

Começo a sexta-feira (27) com uma notícia da Folha:

PROPAGANDA DO GOVERNO BOLSONARO PEDE FIM DO ISOLAMENTO

É isso mesmo.

O governo do presidente Jair Bolsonaro está testando uma campanha na contramão do isolamento social a que estamos submetidos na luta contra o novo coronavírus.

“A divulgação de uma política leniente com a propagação do novo coronavírus no país virou objeto de um vídeo de divulgação institucional da Presidência de Jair Bolsonaro. Nele, a volta ao trabalho de regime de confinamentos é estimulada, contrariando orientações globais sobre o tema” – diz o texto assinado por Igor Gielow.

A matéria informa que a peça publicitária foi distribuída em forma de teste para as redes bolsonaristas.

Informa também que, em postagem no Facebook, o senador Flávio Bolsonaro, primogênito do presidente, “foi o responsável por dar o chute inicial desta etapa da campanha #BrasilNaoPodeParar”.

Vejam o vídeo.

Presidente Bolsonaro insiste no erro, e o Jornal Nacional acerta!

Nesta quarta-feira (25), o Jornal Nacional dedicou um blocão à repercussão do pronunciamento que Jair Bolsonaro fez na noite anterior sobre o coronavírus, em cadeia de rádio e televisão.

O presidente foi no mínimo irresponsável (para uns, criminoso; para outros, insano) ao questionar a necessidade do isolamento social, e o mais importante noticioso da televisão brasileira respondeu à altura.

Foi devastador, contundente, demolidor, sem precisar romper com o cânone.

Mostrou todos os lados, do presidente às mais duras críticas feitas a ele por políticos e autoridades da área de saúde.

Vejo nas redes sociais bolsonaristas surtados batendo pesado na Globo por causa do JN desta quarta-feira. Provocariam risos se o assunto não fosse tão sério.

O que o Jornal Nacional faz é jornalismo. Não foi diferente ontem.

Meus amigos de esquerda não gostam quando digo isso, pago um preço por dizer, mas é assim mesmo que penso.

A Globo tem suas posições, você pode concordar ou não com elas, mas isso é outra conversa.

Vendo o JN, pensei na garotada das gerações Y e Z que hoje ocupa legitimamente as redações.

Pensei sobretudo em jovens jornalistas que chamam a Globo de Globolixo, e ouvi uma voz dizendo assim:

“Meninos, meninas, prestem atenção, vejam e, se puderem, aprendam como é que se faz jornalismo”.

O Jornal Nacional desta quarta-feira foi uma aula.

Informou, opinou (sim, também!), e deu um recado claro à população.

Vou traduzir com minhas palavras:

Não obedeça ao presidente Jair Bolsonaro, que ele não tem juízo!

Fique em casa!

Bolsonaro corre o risco de cair ao fazer uma loucura bem grande!

Um bolsonarista veio me dizer que o presidente está errando feio.

Respondi: “Bolsonaro só está lá porque vocês votaram nele”.

Ao que ele me disse: “Vocês petistas são da radicalização”.

Lá fui eu explicar que não sou petista, não sou lulista, mas votei em Haddad.

Isso foi na segunda-feira (23).

No mesmo dia, o jornalista Reinaldo Azevedo elogiou o tom do presidente na videoconferência com governadores do Nordeste. Afinal, havia alguma moderação.

Uma das raras inteligências da direita brasileira, Reinaldo teve, no entanto, o cuidado de dizer que, em se tratando de Bolsonaro, era melhor esperar uns dois ou três dias.

Bastou um dia.

Na noite desta terça-feira (24), o presidente Jair Bolsonaro surpreendeu muita gente com um pronunciamento insano em cadeia de televisão.

A mim, tenho dito com frequência, jamais surpreenderá.

O que tem feito até agora ainda é pouco para um homem com o seu perfil.

Ontem, dizem os analistas, ele deu uma rasteira no núcleo militar, que tenta contê-lo, e juntou-se ao chamado Gabinete do Ódio na produção do que vimos pela televisão.

Amanhã, ninguém sabe!

A tese que defendo, e já faz tempo, é que o presidente Jair Bolsonaro se autoinviabilizará.

Cometerá uma loucura tão grande, mas tão grande mesmo, que não reunirá mais condição alguma de permanecer no cargo que ocupa com o voto de quase 58 milhões de brasileiros.

Se isto ocorrer, o Brasil terá se livrado de um imenso problema.

São João de Campina Grande é adiado. Devia ter sido cancelado

Nesta segunda-feira (23), a Prefeitura de Campina Grande anunciou o adiamento do São João da cidade.

A festa seria realizada de cinco de junho a cinco de julho.

Foi adiada por causa da pandemia do novo coronavírus.

Uma outra data foi anunciada.

A Prefeitura pretende fazer o São João entre nove de outubro e oito de novembro.

Minha opinião?

Devia ter sido cancelado.

Vou justificar com um verso de Caetano Veloso:

PRAIAS, PAIXÕES FEVEREIRAS

NÃO DIZEM O QUE JUNHOS DE

FUMAÇA E FRIO

Câncer gay, AIDS, Covid-19, gente famosa e anônima infectada

Ando lembrando da AIDS em seus primeiros tempos.

Na imprensa, os registros iniciais davam conta da existência de um câncer gay. Quando o nome AIDS já fora adotado, em alguns havia um entendimento: você só pega se for gay. Se não for, não tem perigo. Depois, compreenderam todos que o problema não era grupo de risco, mas comportamento de risco.

Estar infectado era uma sentença de morte. Mas era possível evitar, pensávamos. Bastava fazer sexo seguro. Ou não compartilhar seringas no uso de drogas injetáveis. Havia, porém, um problema: as transfusões de sangue, sobre as quais ainda não se tinha o necessário controle. O cartunista Henfil e seu irmão músico Chico Mário, hemofílicos, estavam entre os primeiros não anônimos que o Brasil perdeu.

Ali, em meados dos anos 1980, como eu, muitos se perguntavam sobre quando a AIDS nos privaria de gente famosa que admirávamos. Também sobre quando morreriam os anônimos próximos a nós, um parente, um amigo. Na TV Cabo Branco, a repórter Ruth Avelino foi a primeira a entrevistar um paciente. Ele, um jovem ator de teatro, contou tudo, mas não quis mostrar o rosto. Morreu pouco depois, vencido por um severo quadro infeccioso.

Lauro Corona, galã das novelas da Globo, morreu rapidamente. Cazuza, ídolo do rock nacional da década de 1980, ainda travou longa batalha contra o vírus, enquanto gravava discos e fazias turnês. Rock Hudson talvez tenha sido a primeira celebridade mundial a morrer em consequência do HIV. Freddie Mercury, o maravilhoso cantor do Queen, se foi um pouco mais tarde.

Não pretendo estabelecer o que não existe, semelhanças entre as duas doenças – a AIDS e a Covid-19 -, mas, ao menos num aspecto, esta de agora está me remetendo àquela de três décadas e meia atrás: no temor de vermos as pessoas de quem gostamos – famosas ou anônimas – infectadas pelo vírus.

Dias atrás, pensei em escrever algo sobre esse tema, mas fui vencido pela velocidade da pandemia. Horas depois, soube que Tom Hanks estava infectado, junto com a mulher dele. Hanks, celebridade em escala planetária, grande e querido ator, fora contaminado e se colocara em quarentena, à espera da evolução da doença.

*****

Ninguém, com o mínimo de bom senso, pode dizer “bem feito!” ou “eu acho é pouco!”. Ninguém, com o mínimo de bom senso, pode desejar que as pessoas contraiam a Covid-19. Mas a verdade é que, no Brasil, no centro do poder, estamos diante de um caso extremamente didático e profundamente irônico.

Refiro-me ao que ocorreu com os que acompanharam (comitiva e pessoal de apoio) o presidente Jair Bolsonaro em recente viagem aos Estados Unidos para um jantar com Donald Trump. Naquele grupo, já há mais de duas dezenas de infectados a desmentir o presidente que, irresponsavelmente, classificou a pandemia do novo coronavírus como uma fantasia. Também falou em histeria e superdimensionamento.

Os infectados da comitiva presidencial deveriam ter dado a Bolsonaro a real dimensão do problema que o mundo enfrenta. Mas isso não ocorreu. Incapaz de comandar o país, irrecuperável nas bizarrices e na incontinência verbal, incurável no seu ultradireitismo, o presidente continua tratando a Covid-19 como uma gripezinha, enquanto chama o governador João Doria, que parece estar fazendo a coisa certa em São Paulo, de lunático.

Os que creem dirão: Deus tenha piedade de nós!

Sonífera Ilha é um pop bobinho que todos nós adoramos

Foi mais ou menos assim:

Stevie Wonder disse a Gilberto Gil que não gostava muito de I Just Called to Say I Love You.

Achava banal a canção.

Gil, que verteu a música de Wonder para o português, respondeu: Essas é que são as boas.

Lembrei dessa conversa vendo/ouvindo o vídeo oficial da nova versão de Sonífera Ilha, sucesso que lançou os Titãs três décadas e meia atrás.

Em 2020, Sonífera Ilha volta com os Titãs em formato de trio acústico, num vídeo em que o grupo paulistano tem o auxílio luxuoso de amigos e amigas (lá está Fernanda Montenegro!).

É um pop bobinho, bem bobinho, talvez mais banal do que a canção de Stevie Wonder. Mas está colado aos nossos ouvidos desde meados dos anos 1980.

Está bem guardado na nossa memória afetiva.

E todos nós adoramos.

Kenny Rogers morreu. Fez muito sucesso com country estilizado

Morreu o cantor americano Kenny Rogers.

Tinha 81 anos e estava doente há algum tempo.

Sua turnê de despedida, iniciada em 2016, foi interrompida por causa dos problemas de saúde.

Kenny Rogers fez muito sucesso.

Sua música era classificada como country.

Mas, convenhamos, era um country pra lá de estilizado.

Fiquemos como um pouco de Rogers.

Eduardo Bananinha é pura ironia do general Hamilton Mourão

Foda-se a China!

Foi o que li na noite desta quinta-feira (19) nas redes sociais.

O autor do post pode ser um bolsonarista surtado.

Li também que a China vai ter que pagar pelo que fez com o mundo.

Aí já não está muito longe do que disse Eduardo Bolsonaro, o Zero Três do presidente Jair Bolsonaro.

O embaixador da China no Brasil jogou duro, mas reagiu à altura.

Disse o que era preciso ser dito.

Disse o que Eduardo Bolsonaro merecia ouvir.

O filho “intelectual” do presidente não pode atacar a China, um país amigo e grande parceiro comercial do Brasil, do jeito que ele fez.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, agiu certo. Desculpou-se em nome da casa legislativa que preside.

O chanceler Ernesto Araújo, como de costume, agiu errado. Sugeriu que o diplomata chinês precisa pedir desculpas a Eduardo.

Mas nada se compara ao comentário feito em rede social pelo general Hamilton Mourão, o vice:

O problema é que Eduardo é Bolsonaro.

Se fosse Bananinha, não haveria problema algum.

Tá certo, Mourão.

Eduardo Bananinha.

Danado é que isso pega!

Desculpem, mas acho uma graça arrependido de voto em Bolsonaro

Juca Kfouri disse que os arrependidos são bem-vindos.

Falava dos que votaram em Jair Bolsonaro e agora acham que não deveriam ter votado.

É um comportamento nitidamente cristão o do jornalista, e às vezes não é fácil ser cristão.

Ou, então, é politicamente estratégico o que Kfouri escreveu.

Não sei.

Tenho dificuldade de assimilar certos arrependimentos.

O de Lobão, por exemplo.

Lobão pode ser louco, mas burro ele não é.

E é o cara que fez Me Chama.

Na noite da vitória de Bolsonaro (28 de outubro de 2018), o roqueiro apareceu num vídeo diante de um caixão.

Comia mortadela e ridicularizava a Lei Rouanet.

Era o velório do PT.

Ou da esquerda brasileira.

Era uma comemoração pela vitória de Bolsonaro.

Uma cena absurda, imperdoável, somente compatível com o pior do ultradireitismo nacional e com os mais mesquinhos sentimentos de ódio.

Agora, Lobão anda dizendo que está arrependido de ter votado em Bolsonaro.

Não devia.

Devia ter usado a sua inteligência para não ter votado.

Lembro disso agora por causa de outros arrependimentos, mais recentes.

O do governador João Doria.

O da deputada Janaína Paschoal.

Gente como Lobão, Doria, Janaína – essa gente elegeu Bolsonaro, colocando o Brasil num impasse cuja saída ainda não vislumbramos.

Desculpem, mas acho uma graça que estejam arrependidos!