Se estivesse vivo, Kurt Cobain faria 50 anos hoje

Se estivesse vivo, Kurt Cobain, o líder do Nirvana, faria 50 anos nesta segunda-feira (20).

Quando se matou aos 27, em 1994, estava entediado e velho.

Brian Jones, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison – Cobain entrou nessa estatística boba dos que morrem aos 27.

Com os muitos excessos que cometeu e a inadaptação ao mainstream em que se viu jogado junto com sua banda, é sempre difícil imaginá-lo aos 50.

O sucesso o colocou num mundo que combatia – um status com o qual Cobain não se sentia à vontade e que, até hoje, incomoda muitos dos seus fãs.

Kurt Cobain parece, de fato, com aqueles caras que são tão loucamente intensos que não podem viver muito. Como – sem querer comparar os dotes musicais – um Charlie Parker.

Da carreira meteórica e conturbada, ficou, no mínimo, um dos grandes discos do rock. Não é pouco. Nevermind, que começa com o poderosíssimo hit Smells Like Teen Spirit, tem a força do verdadeiro rock’n’ roll. A despeito de ser rústico, primitivo, é absolutamente antológico.

Anterior ao Nevermind, Bleach é cru em demasia e traz a banda em busca dos seus caminhos. Posterior ao Nevermind, In Utero contém um dilema: o que fazer depois de um disco tão bom?

Se você gosta de rock e ainda não parou para ouvir o Nirvana de Nevermind, pode acreditar, não faz ideia do que está perdendo.

Tem uma lacuna a preencher!

O John Lennon que o mundo conhece deve muito a Yoko Ono

Os Beatles se separaram há quase cinco décadas, mas milhares de fãs ainda abominam Yoko Ono por atribuir a ela o fim do quarteto. Nunca fiz parte dos que viam a mulher de John Lennon com maus olhos. Sempre achei que ela, como artista de vanguarda, apontou novos caminhos para ele. Alguns, ainda na época do grupo. Outros, depois da separação. Yoko ia para o estúdio com John (as imagens do documentário “Let It Be” registram) e o influenciava em ousadias como “Revolution 9”. A tentativa de fazer música avan-garde que temos no “White Album” certamente não existiria sem Ono, que, embora não creditada, é, de fato, coautora da faixa.

John Lennon era sete anos mais novo do que Yoko Ono. Ele, nascido em outubro de 1940. Ela, em fevereiro de 1933. Os dois, crianças da guerra, conforme assinalava o livro “A Balada de John & Yoko”, editado há uns 35 anos pela revista Rolling Stone. No momento em que Lennon nasceu, Liverpool era bombardeada pelos alemães. Ono cresceu num país devastado pela guerra. Filha de uma família abastada, criada longe do pai, entre um professor que lhe apresentou a Bíblia e um criado que dava aulas de budismo. No meio, havia um piano. Quando os dois se conheceram, em meados dos anos 1960, Yoko não parecia destinada a se aproximar do universo do rock.

John e Yoko se encontraram em novembro de 1966 na Indica Gallery, em Londres. Ele foi à pré-inauguração da exposição dela. Lennon subiu uma escada que havia no meio da sala, olhou por um pequeno telescópio preso a uma tela pendurada no teto e leu a palavra “sim”. Também estava escrito: pregue um prego. Ele perguntou se poderia fazer isto. Ela disse que não. Afinal, a exposição ainda não estava aberta ao público. A história está no livro da Rolling Stone. E em muitos outros. Lenda ou realidade? Se for lenda, que prevaleça sobre a realidade quando aquela é melhor do que esta. Aprendemos com John Ford no clássico “O Homem que Matou o Facínora”.

Antes mesmo que os Beatles acabassem, o casal gravou três discos experimentais. “Two Virgins”, “Life With the Lions” e “Wedding Album” são trabalhos radicalíssimos que se contrapõem ao que John Lennon fazia ao lado de Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr. Mas que enriquecem a trajetória do artista que ele era e, indiretamente, do grupo ao qual seu nome esteve vinculado durante toda a década de 1960. John não era o melhor músico dos Beatles, mas a personalidade mais importante, inquieta, polêmica e controvertida. Yoko desempenhou papel fundamental na consolidação da sua figura pública e do que o mundo guarda da sua memória.

Yoko conduziu John por caminhos que talvez ele não tivesse trilhado sem ela. Nas exposições, nos filmes experimentais. Mas Lennon também levou Ono para os rocks e baladas do seu universo. O disco duplo “Sometime in New York City”, de 1972, confirma. É panfletário e ingênuo, mas irresistível. Flagra o casal em seu momento de mais intensa militância política em Nova York. Gritando contra as injustiças, a guerra. Sonhando com um mundo melhor. “A guerra acabou, se você quiser”, dizem os versos da canção natalina que ouvimos até hoje. John Lennon foi assassinado em 1980. Yoko envelheceu cuidando da memória dele. Neste sábado (18), ela faz 84 anos.

Maestro paraibano faz intercâmbio em Yale

Somente quatro brasileiros foram selecionados para o Programa de Intercâmbio Internacional da American Choral Directors Association. Entre eles, está o maestro paraibano Eduardo Nóbrega. Eduardo é professor do Departamento de Educação Musical da UFPb, maestro do Coral Gazzi de Sá e diretor do Festival Paraibano de Coros.

O intercâmbio ocorrerá na Universidade de Yale (USA) de três a oito de março. Em seguida, Eduardo Nóbrega participará da Conferência Nacional de Maestros de Corais de Minneapolis, em Minnesota.

O convite surgiu por causa do trabalho que Eduardo realiza à frente do Coral Gazzi de Sá e como diretor do Festival Paraibano de Coros, evento de dimensão nacional realizado há mais de dez anos em João Pessoa.

Nessa viagem, o maestro paraibano vai conhecer o movimento coral dos Estados Unidos, a metodologia empregada nos ensaios e terá a oportunidade de trabalhar a prática com os corais americanos.

Zuckerberg faz discurso ideal, mas está longe da realidade!

Mark Zuckerberg publicou nesta quinta-feira (16) uma carta em que dialoga com os usuários do Facebook. Defende o conceito de uma comunidade global.

Fundador e CEO da rede social, Zuckerberg reage às críticas feitas ao Facebook.

O Face promove censura? Estimula discursos de ódio? Difunde notícias falsas? Acabou contribuindo com a eleição de Donald Trump?

Qual pode ser o seu papel no projeto de uma comunidade global?

Para a construção dessa comunidade global, Zuckerberg defende cinco mandamentos:

Comunidades solidárias. Comunidades seguras. Comunidades informadas. Comunidades civicamente engajadas. Comunidades inclusivas. 

Muito bom como lista de propósitos!

Tomemos o exemplo brasileiro. O que nós, usuários do Facebook, temos visto?

O que, na prática, o Face tem feito entre nós, um país mergulhado numa crise econômica e num impasse político, a não ser contribuir significativamente para acentuar as nossas divisões e a intolerância dos extremos?

Em que medida o Face que nós frequentamos, onde fazemos “amigos”, produz conteúdos que contribuem com a construção dessa comunidade global que possa melhorar o mundo?

O mundo de Zuckerberg, com suas comunidades solidárias, é belo e irreal como a letra de Imagine, essa balada do beatle John, que nós tanto amamos! Mas que nada pode fazer pelo caos do Espírito Santo quando é executada nas ruas por um motorista solitário!

O mundo está doente, disse o Papa Paulo VI. Faz tempo. Foi nos anos 1960, creio.

A frase continua valendo. Ou vale ainda mais!

As redes sociais têm um papel a desempenhar. O discurso de Mark Zuckerberg trata disso. É interessante como documento sobre a contemporaneidade. Inquieta, mas propõe caminhos difíceis nesse mundo convulsionado.

O progresso agora exige que a humanidade se una não como cidades ou nações, mas como uma comunidade global.

A frase de Zuckerberg parece mais com os versos utópicos de Lennon do que com a vida real!

Morre Tibério Gaspar, autor de “Sá Marina”

O compositor Tibério Gaspar morreu nesta quarta-feira (15) no Rio de Janeiro. Aos 73 anos, teve uma infecção generalizada.

Tibério Gaspar marcou a Era dos Festivais com suas canções, entre o final dos anos 1960 e o início dos 1970. Principalmente na dupla que formou com o pianista Antônio Adolfo (na foto, Tibério é o da esquerda, Adolfo ao piano).

Sá Marina foi composta pelos dois. Grande sucesso na voz de Wilson Simonal, depois gravada por Stevie Wonder numa versão em inglês.

Também compuseram Teletema e BR-3.

Fiquemos com Sá Marina interpretada por Wilson Simoninha.

RIP Tibério Gaspar!

As Muriçocas são do povo. Apoio a políticos maculou bloco

Encontrei Fuba casualmente nos corredores da TV Cabo Branco. Fazia tempo que não conversávamos.

Acabei dizendo algo que estava guardado comigo há muitos anos:

O apoio das Muriçocas do Miramar a políticos prejudicou o bloco.

Vou entrar no túnel do tempo:

Fevereiro de 1987. Na quarta-feira que antecedia o carnaval, fui abordado, também nos corredores da TV Cabo Branco, pelo repórter Saulo Moreno. Ele tinha uma sugestão:

Vamos cobrir um bloco novo que vai descer a Epitácio Pessoa numas carroças.

Era um pessoal ligado à professora Vitória Lima.

Eu topei. Mandei cobrir. Pouca gente. Nada indicava ainda que, ali, estava nascendo um fenômeno absolutamente espontâneo e muitíssimo importante para a vida da cidade de João Pessoa.

O resto é história. Não preciso contar. Está aí há 30 anos.

Desde então, como cidadão e jornalista, acompanho com grande interesse e muito respeito a trajetória do bloco e o papel que desempenhou na consolidação da prévia carnavalesca Folia de Rua.

Não é preciso recorrer a teses sociológicas para compreender o significado de manifestações como essa que nasceu no bairro do Miramar e conquistou uma cidade.

Conquistou como expressão verdadeira e genuína de um povo, com sua alegria fugaz, com a beleza de sua música.

Desci a avenida várias vezes e sei que não tem preço.

É tão bonito que você não sabe se cai na folia ou se fica parado a contemplar.

MURIÇOCAS ENGAJADAS

Chegaram as eleições municipais de 2004. O bloco decidiu apoiar uma candidatura a prefeito. E desceu a avenida numa espécie de quarta-feira de fogo fora de época.

A convicção de que Ricardo Coutinho era o melhor candidato (como, de fato, comprovaria em sua muito bem-sucedida gestão) não me impedia de enxergar o equívoco.

O bloco não pertencia aos 60 (ou pouco mais) por cento de eleitores que votaram nele.

O bloco não pertencia nem aos seus fundadores.

O bloco pertencia ao povo de João Pessoa.

Não podia e não pode, portanto, permitir que, a cada campanha, seja qual for o candidato, se produza uma quarta-feira de fogo fora de época.

Partidos e políticos representam pedaços. Mesmo que grandes pedaços. As Muriçocas do Miramar conquistaram o direito de representar o todo. O todo é o povo de João Pessoa, que canta com orgulho o hino do bloco e se vê nos versos escritos por Fuba.

Esse vínculo da população com as Muriçocas é um patrimônio que não pode ser maculado por campanhas políticas. Precisa ser preservado!

Já é hora de João Pessoa ter espaços pet friendly? Acho que sim!

Hoje, peço licença ao leitor para falar sobre cães.

Pet friendly, especificamente. Você sabe o que é isso?

Saindo da Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo, dou de cara, num dos corredores daquele centro comercial, com uma mulher e seu belo golden retriever. Um típico passeio de sábado à tarde.

Não resisto. Abordo a jovem e, em poucos segundos, lá estou eu recebendo as lambidas do cão. O golden – como costumam dizer – é tudo de bom!

Faz uns seis anos.

Foi a primeira vez em que pensei seriamente sobre a possibilidade de você levar seu cão para passear nesses lugares.

Shoppings, lojas, bares, restaurantes, padarias, cafés. Hotéis, pousadas, por que não?

Sei que não é tão simples.

Sei que é preciso considerar a resistência de quem não gosta de cachorros, mas vejo que os chamados espaços pet friendly estão crescendo. Graças a quem está atento ao papel que esses bichinhos desempenham nas vidas das pessoas. E, também, aos negócios que envolvem o mundo pet, que não são nada desprezíveis.

(a beagle foi fotografada por Urias Nery)

Os interessados no assunto podem, por exemplo, baixar o aplicativo do Guia Pet Friendly, de Cris Berger.

Chamou minha atenção. É uma plataforma sobre lugares pet friendly que ela, Cris, visita e recomenda.

Em outras palavras, como está dito lá: onde seu melhor amigo de quatro patas é bem-vindo.

Cris Berger já lançou livros com indicações sobre esses lugares. Primeiro, em São Paulo. Depois, no Rio de Janeiro. É um trabalho muito interessante.

JOÃO PESSOA

Mas o que pretendo mesmo, com esse texto, é ajudar a trazer a discussão para João Pessoa.

Temos espaços pet friendly na cidade, e eu simplesmente não conheço?

Ou: quando teremos, afinal, nossos espaços pet friendly?

Você já pensou em levar seu cão para um passeio dominical num shopping? Eu já!

Fica, então, a sugestão para os nossos legisladores.

E, naturalmente, para os donos dos lugares que podem se transformar, sim, em espaços pet friendly.

Creio que a cidade sairia ganhando!

Mulata é racismo? Pois salve a mulatada, como canta Martinho da Vila!

A parlamentar socialista vai num evento de teatro de bonecos e, ao discursar, diz assim:

Teatro de bonecos e bonecas!

Quem me contou foi um amigo, socialista como ela.

Custo a crer! Tento não me convencer de que falta inteligência ao politicamente correto!

Mas falta!

Lembro dessa história por causa da MULATA.

Não pode mais! É racismo!

Querem banir Tropicália de um bloco de carnaval (ou baniram?) por causa do verso “os olhos verdes da mulata”.

Caetano Veloso, autor da música, já falou ao The Economist“Penso em mim como mulato, eu amo a palavra”.

Puxa! Fiquei lembrando das músicas que serão banidas. Vão censurar Elizeth Cardoso cantando Mulata Faceira? E Mulata Assanhada na voz de Elza Soares? E Olhos Verdes com Dalva de Oliveira? E Lá Vem o Brasil Descendo a Ladeira com Moraes Moreira? Ah!, são muitas!

Nas redes sociais, vejo textos e mais textos sobre o assunto. A origem da palavra. É essa. É aquela. É racismo. Não é.

Os que agora censuram o uso da palavra MULATA parecem muito com os que, na ditadura, censuraram o Tiro ao Álvaro, de Adoniran. O contexto é outro, os motivos são outros, mas, no fundo, fazem a mesma coisa.

Fecho com Caetano Veloso:

Sou um mulato nato, no sentido lato, mulato democrático do litoral

E com Martinho da Vila:

José do Patrocínio

Aleijadinho

Machado de Assis que também era mulatinho

Salve a mulatada brasileira!

“Strawberry Fields Forever” e “Penny Lane” fazem 50 anos!

O single (no Brasil, compacto simples) dos Beatles com Strawberry Fields Forever e Penny Lane está fazendo 50 anos.

Nos Estados Unidos, foi lançado no dia 13 de fevereiro de 1967. No Reino Unido, no dia 17.

As duas canções (uma de John Lennon, outra de Paul McCartney) eram o prenúncio de algo extraordinário que estava em gestação: o álbum Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, lançado em junho daquele ano.

Strawberry Fields Forever e Penny Lane são reminiscências da infância em Liverpool. Os Beatles fazem a música nova do presente falando do passado.

Strawberry Fields Forever, embora assinada por Lennon/McCartney, foi composta por John Lennon a partir das lembranças que ele tinha de um orfanato do Exército da Salvação.

O registro inicial não indicava que a canção pudesse se transformar num dos pontos altos da discografia do grupo e num marco indiscutível do rock psicodélico. Os diversos registros (há até um bootleg com eles) confirmam que a canção cresceu no estúdio, enquanto era gravada. E, aí, temos que somar a melodia enigmática de John ao arranjo deslumbrante de George Martin.

Seguem áudio e vídeo, para reouvir e rever.

Penny Lane, igualmente atribuída à dupla Lennon/McCartney, foi composta por Paul McCartney.

A letra fala de uma rua de Liverpool. É uma balada com as marcas do inspirado melodista que Paul sempre foi, desde muito jovem. O solo de trompete de David Mason remete ao barroco e às influências da música erudita que os Beatles, via George Martin, incorporaram ao trabalho deles.

Vamos rever o vídeo oficial.

Strawberry Fields Forever e Penny Lane se completam em suas diferenças. São tão belas que formam um compacto sem lado B. Na época, a canção de Lennon provocou uma certa estranheza em alguns ouvintes, o que não ocorreu com a de McCartney. A passagem do tempo as fez igualmente poderosas.

Foram gravadas para o Sgt. Pepper, mas acabaram ficando de fora.

Flagram os Beatles num impasse. Depois do LP Revolver, após o fim das turnês, o que restaria a eles?

A resposta veio nesse single agora cinquentenário.

Com todos os significados que encerram, Strawberry Fields Forever e Penny Lane continuam fascinantes!