A Vida Invisível é grande filme. Governo brasileiro é perverso

A Vida Invisível é um grande filme.

Venceu Bacurau no caminho por um indicação ao Oscar. Não sabemos ainda se vai dar certo.

Bacurau é mais forte, mais impactante, mais importante como evento político, melhor cinema. Mas talvez seja brasileiro demais para uma disputa como a do Oscar.

A Vida Invisível parece mais universal.

É um drama que trata com grande sensibilidade da história de duas irmãs. A vida as separa, e a trama segue as duas em busca de um reencontro impossível.

A história de Eurídice e Guida é uma dessas tragédias familiares. Não tem solução. Por isto, é profundamente melancólica.

O filme é ambientado no Rio de Janeiro dos anos 1950. Não esse Rio que o mundo conhece dos cartões postais, mas uma cidade com suas ruelas escuras, suas velhas edificações, suas casas de subúrbio. Sua vegetação úmida e seu calor por vezes insuportável. É nesse Rio que Karim Ainouz põe Eurídice e Guida, seus sonhos e suas tristezas.

No desfecho do filme, Fernanda Montenegro entra em cena por alguns minutos numa atuação absolutamente excepcional.

No dia em que vi A Vida Invisível, foi noticiado que a direção da Ancine havia proibido uma exibição do filme para funcionários da agência.

É difícil de crer.

A Vida Invisível é um grande filme.

O governo brasileiro tem se mostrado perverso com a cultura.

Roberto Carlos em João Pessoa. Que voz! Que banda! Que noite!

Roberto Carlos é um artista imenso, um dos maiores da música popular produzida pelos brasileiros.

Roberto Carlos é um grande cantor.

Roberto Carlos domina o palco como poucos.

Ver Roberto Carlos ao vivo é sempre uma experiência extraordinária.

Pois é. Não foi diferente nesta terça-feira (10), quando o artista fez em João Pessoa o último show da turnê 2019.

Mas houve, sim, uma diferença.

Dessa vez, o Rei cantou num teatro, o Pedra do Reino.

E tudo ficou mais perfeito ainda.

Roberto Carlos traz seu show a João Pessoa desde a década de 1960, no auge da Jovem Guarda. A cidade sempre esteve incluída no seu roteiro. Os lugares onde se apresentou – sejamos verdadeiros – nunca estiveram à altura da sua performance ao vivo. Da qualidade do que oferece ao seu público fidelíssimo. Num teatro, foi a primeira vez. Certamente, algo com que seus fãs sonhavam, mas sabiam que não era possível antes que tivéssemos uma sala do porte do Pedra do Reino.

Em 2019, Roberto Carlos fez uma grande turnê. Percorreu o Brasil e passou por vários países. Seu show tem uma ou outra surpresa (o medley em homenagem ao parceiro Erasmo Carlos, por exemplo), mas, no fundo, tem um formato que sofre poucas alterações. É como o show de Paul McCartney. Ou o dos Rolling Stones. E não precisa ser de outro modo.

O set list reúne somente hits. Grandes hits. Canções que já estão muitíssimo bem guardadas na memória afetiva de quem as ouve. De Emoções a Detalhes, de Como É Grande o Meu Amor por Você a Jesus Cristo, de Outra Vez a Lady Laura. Sua Estupidez – uma das mais bonitas – é menos frequente. Dela, o artista diz que, por cavalheirismo, elegância e ética, jamais revelará para quem foi composta.

O show de Roberto Carlos tem a indescritível emoção de uma grande performance ao vivo, mas traz também a perfeição das execuções em estúdio. A voz do Rei, os arranjos, a condução do maestro Eduardo Lages, o nível excepcional dos músicos, a sonorização – tudo envolve altíssima qualidade e profundo respeito por quem paga caro para assistir ao espetáculo.

Roberto Carlos vem de regiões profundas do ser do Brasil. Quem disse foi Caetano Veloso. É verdade. Seu show confirma.

Roberto Carlos no Pedra do Reino. Que voz! Que banda! Que noite!

Essa voz tamanha, Roberto Carlos canta hoje em João Pessoa

Roberto Carlos canta nesta terça-feira (10) no Teatro Pedra do Reino, do Centro de Convenções. Em João Pessoa, é a primeira vez que ele se apresenta num teatro. Em 2019, não temos seu disco de fim de ano, mas vê-lo ao vivo a duas semanas do Natal é um grande presente para seus fãs.

Durante três décadas, Roberto Carlos fez do disco de fim de ano uma tradição natalina, inserindo dezenas de canções na memória afetiva de milhões de pessoas. A despeito de pertencer a regiões profundas do ser do Brasil, o Rei nunca foi plenamente assimilado pela intelligentsia nacional. Os discos antigos é que eram bons, as canções mais bem feitas são de Erasmo, outros cantores interpretam melhor seu repertório – diziam com frequência os que não se rendiam ao seu talento e à sua importância.

No meio de tudo, havia uma cobrança: é preciso quebrar a tradição do disco de fim de ano com músicas inéditas e produzir algo “fora de série”.

Um dia, aconteceu. Como costuma ocorrer com os que têm carreira longa, o artista deixou de gravar o disco anual de inéditas. Vieram, então, as produções que se enquadram no “fora de série” que lhe cobravam. A lista, extensa, começa ainda nos anos 1990 com Canciones que Amo, dedicado ao repertório de língua espanhola.

O acústico da MTV, já no início dos anos 2000, é um dos melhores. Arranjos impecáveis, modernos, recriando rocks e baladas do passado. Mas não é o único dos vários discos ao vivo. Num deles, em parceria com Caetano Veloso, o Rei presta tributo a Tom Jobim nos 50 anos da Bossa Nova.

Os CDs ao vivo enriqueceram sua discografia. No Rio, em São Paulo, Miami, Jerusalém, Las Vegas. Além do Elas Cantam Roberto Carlos e Emoções Sertanejas, que festejaram o cinquentenário de carreira. Menos mencionados, Amor Sem Limite e Pra Sempre são álbuns de inéditas, enquanto o EP Esse Cara Sou Eu, ainda que parcialmente, trouxe de volta a mística do disco de fim de ano.

Primera Fila, de 2015, foi gravado ao vivo no estúdio dos Beatles, em Abbey Road. Sem seus músicos habituais e com novíssimos arranjos, Roberto Carlos comemorou meio século de presença no mercado hispânico. E o fez em alto estilo.

Hoje, o público pessoense vai vê-lo ao vivo. A vez anterior foi em 2017, na Domus Hall.

Roberto Carlos, 78 anos, 60 de carreira, é um dos maiores artistas do Brasil. Amado por uma legião de fãs que se curvam à beleza de sua voz e à força do seu carisma quando sobe ao palco, abre os braços e canta Emoções.

20 canções imprescindíveis de Roberto Carlos. Que tal essas?

Roberto Carlos canta em João Pessoa nesta terça-feira (10).

O show será no Teatro Pedra do Reino, do Centro de Convenções.

Chance rara de ver o artista no conforto de um teatro, sem os inconvenientes dos grandes espaços nos quais ele costuma se apresentar.

Na coluna de ontem, postei o set list provável.

Na de hoje, trago uma lista de 20 canções imprescindíveis do Rei.

Você concorda com essa escolha?

O Calhambeque

Quero Que Vá Tudo Pro Inferno

Como É Grande o Meu Amor Por Você

Eu Te Amo, Te Amo, Te Amo

As Curvas da Estrada de Santos

Sua Estupidez

Jesus Cristo

Detalhes

Como Vai Você

Proposta

Amigo

Cavalgada

Outra Vez

Café da Manhã

Força Estranha

Emoções

As Baleias

Nossa Senhora

O Caminhoneiro

Esse Cara Sou Eu

Que músicas Roberto Carlos vai cantar terça em João Pessoa?

Vi Roberto Carlos ao vivo inúmeras vezes a partir dos anos 1970.

No Astrea, Espaço Cultural, Forrock, Ronaldão, Domus Hall.

Algumas vezes também no Recife. Geraldão, Classic Hall, etc.

Seu show é impecável. Um dos melhores da música popular brasileira.

Grande voz, imenso carisma, banda perfeita.

Sempre desejei vê-lo no conforto de um teatro. Nunca pensei que fosse acontecer.

Pois bem. Aí está. Roberto Carlos canta nesta terça-feira (10) no Teatro Pedra do Reino, do Centro de Convenções da Paraíba.

Um sonho a realizar.

Uma emoção difícil de se repetir.

*****

Quais são as músicas que o Rei vai cantar em João Pessoa?

Segue, como resposta, o set list de um dos shows da turnê 2019, que marca os 60 anos de carreira desse grande artista.

Foi assim em Nova York, no Radio City Music Hall.

É somente um repertório provável.

A conferir.

Abertura/Medley instrumental

Emoções

Como Vai Você

Cama e Mesa

Detalhes

Desabafo

Lady Laura

Mulher Pequena

Proposta

O Côncavo e o Convexo

O Calhambeque

Un Gatto nel Blu

Essa Mulher

Chegaste

A Distância

El Dia que me Quieras

Amigo

Jesus Cristo

39 anos da morte de Lennon: Yoko protesta contra as armas

Yoko Ono, neste domingo (08), usou uma rede social para fazer um protesto contra o uso de armas de fogo nos Estados Unidos.

Ela postou:

Caros amigos. Todos os dias, 100 norte-americanos são mortos por armas de fogo. Estamos transformando este lindo país em uma zona de guerra. Juntos, vamos trazer de volta a América, terra verde de paz.

A morte de um ente querido é uma experiência que deixa marcas. Depois de 39 anos, Sean, Julian e eu ainda sentimos falta dele. Imaginem as pessoas vivendo a vida em paz. 

Há um número na postagem de Yoko:

Mais de 1,4 milhão de pessoas foram mortas por armas de fogo desde John Lennon.

Neste domingo, faz 39 anos que Lennon foi assassinado em frente ao Dakota, em Nova York.

Yoko Ono, com quem era casado, está com 86 anos.

Jornal O Norte fez título ridículo no assassinato de John Lennon

Neste domingo (08), faz 39 anos do assassinato de John Lennon.

Era uma segunda-feira, feriado de Nossa Senhora da Conceição, e eu fui ao Recife ver O Império dos Sentidos, de Nagisa Oshima.

Na manhã da terça-feira, logo cedo, passei na Disco 7 e voltei para João Pessoa.

Ao chegar em casa, recebi um telefonema de Carlos Aranha, companheiro de redação em A União:

“Soube da morte?” – perguntou.

“Não” – respondi.

“John Lennon” – ouvi dele.

“Como?” – indaguei.

“Assassinado em Nova York” – afirmou.

Corri para o jornal e me tranquei no Departamento de Pesquisa para redigir o necrológio.

No meio da tarde, Gonzaga Rodrigues, nosso diretor técnico, conversou um pouco comigo. Estava chocado, embora os Beatles não fizessem parte das suas audições.

O mundo estava chocado. A primeira visita, como presidente eleito, de Ronald Reagan a Nova York foi esvaziada por causa do assassinato.

Uma multidão se reunira na frente do Dakota, cenário do crime. O edifício de luxuosos apartamentos, 12 anos antes,  havia sido usado por Roman Polanski em O Bebê de Rosemary. Passava a ser duplamente sombrio.

À noite, a redação e a oficina de A União pararam para assistir ao Jornal Nacional.

Quem “desceu” o material escrito por mim foi Agnaldo Almeida, nosso editor.

O título – uma manchetona – também foi dele:

JOHN LENNON ESTÁ MORTO

O caderno B do Jornal do Brasil, que guardo até hoje, veio com:

ÍDOLO DA CANÇÃO MUNDIAL NÃO PÔDE DIZER AS ÚLTIMAS PALAVRAS

A Folha:

A MORTE DE UM BEATLE

O jornal O Norte saiu com um título no mínimo esquisito:

ESPANTO, RAIVA E PENA NO MUNDO. ASSASSINADO LENNON, DOS BEATLES 

Na redação de A União, rimos incrédulos com o que havia de ridículo no título.

Mas nunca descobrimos o autor da “pérola”.

25 anos sem Jobim/Meninos e meninas, eu vi Tom ao vivo!

Era uma sexta-feira, 19 de julho de 1991.

Antônio Carlos Jobim faria o primeiro de dois shows no Teatro Guararapes.

O maior compositor popular do Brasil nunca havia se apresentado em nenhuma cidade do Nordeste.

O Recife era a primeira e seria a única.

Naquela época, não existia Internet, e compra de ingressos era uma coisa complicada. Sobretudo quando o show não era na cidade em que você morava.

No meu caso, havia um agravante: como não dirijo, precisava encontrar alguém que se dispusesse à aventura de pegar estrada para ver Tom ao vivo.

Tentei um, dois, três. Todos diziam não.

A “vítima” acabou sendo o jornalista Fernando Moura.

Para mim e para ele, era dia normal de trabalho nas redações.

Só nos desvencilhamos das nossas obrigações às sete da noite e, num carro velho que Fernando pediu emprestado a um colega, nos mandamos para o Recife.

Chegamos depois das nove, compramos os ingressos e entramos no teatro poucos minutos antes do início do show.

*****

Tom Jobim se apresentava no mundo inteiro com a Banda Nova, formada em meados dos anos 1980.

Era uma reunião de família e amigos.

Tom cantava acompanhado-se ao piano.

Paulo, seu filho, fazia o violão e cantava um pouco.

Jaques Morelenbaum tocava violoncelo. Tião Neto, contrabaixo. Paulo Braga, bateria. Danilo Caymmi, flauta e vocais.

E tinha as vozes femininas: Ana (mulher de Tom), Beth (filha de Tom), Paula (mulher de Jaques), Simone (mulher de Danilo) e Maúcha Adnet.

Sob o comando do Maestro Soberano, o nepotismo era uma coisa do bem!

*****

No meu livro Meio Bossa Nova, Meio Rock’, Roll, escrevi algo sobre o show:

Vejo o mestre da canção no palco do Teatro Guararapes e fico pensando em tudo o que ele fez.

Contemplo Jobim e penso no bem que ele fez ao Brasil com canções que atravessam o tempo como se acabassem de ter sido compostas.

Vejo Jobim de volta para o bis, depois de um show irrepreensível, e imagino o que ele poderá tocar. A plateia faz alguns pedidos, mas a escolha é dele: Eu Sei que Vou te Amar, Estrada do Sol, a suíte Gabriela e Garota de Ipanema. Um bis digno de um grande compositor.

*****

Não era só o bis.

O set list inteiro era uma reunião de clássicos do nosso cancioneiro popular. Músicas que projetaram o Brasil internacionalmente e que estão sempre a nos dizer:

“Vejam! Ouçam! Isto é parte significativa do melhor que o Brasil produziu!”.

Desde aquela noite inesquecível no Recife, 28 anos já se passaram.

Neste domingo (08), faz 25 anos que Tom Jobim morreu num hospital em Nova York.

Suas músicas permanecem blindadas à ação do tempo.

Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, Antônio Carlos Jobim, Tom Jobim ou, simplesmente, Tom, direcionou a sua arte ao que é belo, e o Brasil há de ser sempre grato a ele.

25 anos sem Jobim/Tom e suas dez canções popularíssimas

Domingo (08) que vem faz 25 anos da morte de Antônio Carlos Jobim.

O maior compositor popular do Brasil escreveu dezenas e dezenas de canções que atravessam o tempo intactas.

Quais são as que você prefere?

Quais são as mais conhecidas?

Um leitor sugeriu uma lista com 10 músicas imprescindíveis e popularíssimas de Tom.

Quais são elas?

Creio que são essas:

GAROTA DE IPANEMA

CHEGA DE SAUDADE

DESAFINADO

ÁGUAS DE MARÇO

CORCOVADO

WAVE

SAMBA DE UMA NOTA SÓ

SAMBA DO AVIÃO

A FELICIDADE

SE TODOS FOSSEM IGUAIS A VOCÊ

*****

Tom Jobim deitado no telhado tocando flauta foi fotografado pelo mestre Evandro Teixeira. 

25 anos sem Jobim/O Maestro Soberano em dez discos

Domingo (08) faz 25 anos da morte de Antônio Carlos Jobim, o maior compositor popular do Brasil.

Segue meu top 10 dos seus discos.

Vamos (re) ouvi-los?

The Composer of Desafinado Plays. O primeiro disco. Gravado nos Estados Unidos. Só tem clássicos. Parece uma compilação.

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The Wonderful World of Antônio Carlos Jobim. As músicas de Tom sob a batuta do grande Nelson Riddle, o maestro de Frank Sinatra.  the-wonderful-world

Francis Albert Sinatra & Antônio Carlos Jobim. Sinatra e Jobim juntos. The Voice se rende à Bossa Nova.

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Stone Flower. Com Wave Tide, faz parte de uma trilogia de discos dedicados aos temas instrumentais.

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Matita Perê. De Águas de Março à suíte Crônica da Casa Assassinada. Meio popular, meio erudito. A capa é da edição americana.

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Elis & Tom. Um encontro histórico. Gravações tensas que resultaram num dos grandes discos da nossa música popular.

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Urubu. Um lado de canções. Um lado de temas instrumentais para grande orquestra. Do Tom ecológico às saudades do Brasil.

urubu

Terra Brasilis. Um disco absolutamente primoroso de clássicos revisitados.

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Passarim. Tom e a Banda Nova, família e amigos no estúdio e no palco. A última fase do compositor.

passarim

Antônio Brasileiro. A despedida do maestro soberano. Um inventário lançado semanas antes da sua morte.

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