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ECMO: uma estratégia já conhecida para tratar a covid-19

 

Os efeitos do coronavírus nos pulmões não são totalmente conhecidos

 

membrana de oxigenação extracorpóreaVocê deve ter escutado falar em ECMO essa semana. Mas você sabe o que é isso?

Apesar da maioria dos pacientes que são infectados pelo novo coronavírus permanecerem assintomáticos ou com sintomas leves, uma parcela dos contaminados pode ter consequências graves nos pulmões.

Cerca de 5% dos pacientes infectados vão apresentar efeitos pulmonares mais severos. Eles evoluem de uma pneumonia grave para um quadro de falência respiratória aguda. Nesses casos, uma das funções dos pulmões que é levar oxigênio ao sangue e retirar o gás carbônico, fica gravemente comprometida e essa seria umas das principais causas de morte.

A chamada Síndrome da angústia respiratória aguda grave é extremamente grave. Estima-se que até 10% dos casos graves de COVid-19 possam evoluir para esse quadro.

Para esse grupo de pacientes, a respiração mecânica convencional não consegue fornecer oxigênio adequado. Os pulmões já estão lesados e a própria ventilação pode ser um fator de risco adicional.

Então pode-se utilizar uma técnica já conhecido pela cirurgia cardíaca chamada de ECMO – do inglês ( oxigenação por membrana extracorpórea).

Como funciona isso?

O sistema consiste em fazer com que o sangue seja oxigenado em uma membrana fora do corpo do paciente. Seria uma espécie de “diálise” dos pulmões. Onde uma máquina faz as funções de pulmão durante um período.

Funcionamento da ECMOEntão sangue é bombeado através de uma bola para fora do corpo através de uma cânula que é introduzida em uma veia calibrosa do paciente e passa por uma membrana onde é  oxigenado. Daí então ele volta ao corpo de um paciente por outra cânula que é introduzida noutra veia do paciente (geralmente jugular).

A ECMO exige muito do corpo e não é indicada para todos os pacientes, por isso tem sido usada com muito cuidado. Um protocolo internacional determina as condições dos pacientes que podem ser submetidos ao tratamento.

Apesar dos prováveis benefícios, é um procedimento bem caro. Os custos do aparelho associado ao de manutenção – que exige uma equipe extremamente experiente e treinada – são bem altos, chegando até a cerca de 100 mil reais por paciente.

Não é qualquer pessoa que se beneficia do aparelho.

Portanto, é importante dizer que é um procedimento que pode ajudar pacientes muito selecionados e que apesar disso, tem uma alta mortalidade se for usada em pacientes que não teriam indicação. Os riscos incluem sangramentos que podem ser letais, trombose e infeção. Em alguns estudos, a mortalidade dos pacientes que utilizaram essa técnica foi tão alta quanto 80%.

 

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