COVID-21? Em pouco mais de um ano, a COVID- 19 ficou mais jovem

A Covid-19 tem mudado, é fato!

Dr. André Telis

Passados cerca de 400 dias, 10 milhões de infectados depois, 317 mil mortos, pouco do que a gente achava que sabia mudou!

Apesar das pessoas com mais de 60 anos ainda estarem entre as que mais morrem e que apresentam maior gravidade, o aumento da proporção de casos graves entre os mais novos tem dado um ar mais jovem à pandemia, os grupos de risco estão aumentando cada vez mais e incluindo gente sem nenhuma comorbidade.  Em São Paulo, por exemplo, 70% dos infectados têm menos de 50 anos, justamente as pessoas que mais circulam por ai e que ainda não receberam a vacina.

A falta de dados oficiais não permitem visualizar bem essas números

Mas é fácil perceber o número de jovens que estão tendo a forma grave da doença. Muitos estão morrendo e ainda uma parcela significativa deles têm ficado com sequelas limitantes. Os dados são das secretarias de saúde dos estados.

Nessa semana, durante um dos muitos plantões que fiz em UTI covid, tive a curiosidade e fui atrás. Entre os inúmeros doentes que estavam graves numa UTI privada, dos 68 intubados, 18 tinham menos de 50 anos, o que corresponde a 27%. Em janeiro, não passava de 20%.

Mas se apesar de termos mais jovens nas utis e os idosos ainda continuarem na liderança no quesito morrer, o que representa uma pandemia com uma cara mais jovem?

Representa que a ocupação dos leitos dura mais tempo. A média de permanência de cada paciente que vai para UTI saltou de 10 para 14 dias. Mais leitos são necessários, mais recursos consumidos e consequentemente, a chance do colapso vai se confirmando.

Projeção de dados de mortes diárias no Brasil
http://www.healthdata.org

 

Calmaria

Felizmente alguns projeções indicam que a pandemia pode dar um arrefecimento nos próximos meses. A expectativa é que agora em abril os números possam se estabilizar e se tivermos sucesso na vacinação, nas medidas de isolamento, é bem provável que num ótimo cenário, o número de mortes caia significativamente depois de maio.

 

Não vejo a hora…

Tudo isso tem sido extremamente exaustivo, vocês devem conseguir imaginar quão difíceis têm sido nossos dias.

Se antes falávamos de pais e avós que morriam sozinhos, hoje já temos falado sobre filhos e irmãos mortos pela nova doença que já mata mais pessoas que coração, câncer e até acidentes.

 

Hoje tenho sofrido mais um pouco, se é que é possível. Foi a hora de falar de um aluno que partiu!

Lucas foi meu aluno em 2016. Sempre tão dedicado e cordial, podíamos vislumbrar um futuro brilhante no que ele resolvesse fazer. Tão jovem, tão cheio de sonhos, com tantas vidas para salvar.  

Lucas foi brilhar pertinho de Deus, onde não existe dor, sofrimento e nem angústia.