Das 97 escolas da Prefeitura da Capital, apenas 26 têm biblioteca

Audiência pública na CMJP também comemorou o Dia Nacional do Livro Infantil

A rede pública de educação do município de João Pessoa tem biblioteca em apenas 26 das suas 97 escolas. Nos outros 71 educandários sem biblioteca, o que existe são “salas adaptadas”. Além disso, em vez de bibliotecários, professores são improvisados na função.

As revelações foram feitas ontem (18) por Gilberto Cruz, diretor de Gestão Curricular da Secretaria Municipal de Educação e Cultura (Sedec), em audiência na Câmara da Capital, convocada pelo vereador Lucas de Brito (PSL) para debater a implementação da Lei Federal 12.244/2010, que obriga toda instituição de ensino, pública ou privada, a instalar pelo menos uma biblioteca até o ano 2020.

A sessão da qual o representante da Prefeitura de João Pessoa participou foi proposta também para comemorar o Dia Nacional do Livro Infantil e nela Gilberto Cruz lamentou que a PMJP enfrente “uma burocracia no sistema de financiamento à Educação que nos deixa ‘amarrados’ sem fazer encaminhar o processo de contratação de pessoas qualificadas para trabalhar em nossas bibliotecas”.

Nos termos da Lei 12.244/2010, além da obrigatoriedade de uma biblioteca, as escolas terão que contratar bibliotecários e oferecer um acervo de livros que corresponda a, pelo menos, um título para cada estudante matriculado.

Também presente ao debate, o estudante Luís Felipe da Silva, vice-presidente do Centro Acadêmico de Biblioteconomia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), alertou que o cumprimento da lei não pode ser atestado pela instalação de meros depósitos de livros, em vez de bibliotecas dignas do nome. E lembrou ainda a necessidade de a cidade ter a sua própria biblioteca.

Lucas de Brito reconheceu que a situação atual não dá motivo para comemorações e criticou o fato de João Pessoa ser a terceira capital mais antiga do Brasil e ainda não ter uma biblioteca pública municipal. O vereador advertiu, de outro lado, que o município não pode deixar para se ajustar à norma (a Lei 12.244/2010) de última hora.

“Isso é algo que tem que ser pensado e encaminhado agora, prevendo recursos para a efetivação da universalização de bibliotecas e a contratação de profissionais bibliotecários através de concurso público”, disse, sugerindo à Sedec que, enquanto não se instala a biblioteca municipal, os alunos das escolas mantidas pela PMJP disponham de transporte para frequentar a Biblioteca do Espaço Cultural.

  • Com Haryson Alves, da Secom/CMJP e foto de Juliana Santos

3 Comente Das 97 escolas da Prefeitura da Capital, apenas 26 têm biblioteca

  1. Newton Mota Disse:

    Rubão, o descaso para com o ensino público é assustador. Não tenho conhecimento de um filho de vereador, prefeito, deputado estadual e governador, que estude na escola pública. E o descaso é tão grande e absurdo, que bastaria um convênio entre o poder público municipal e o Senador Federal, para que a criançada, adolescentes etc., tenham acesso “on line” a uma das mais completas bibliotecas do Mundo, a do Senado Federal, E de graça ! Mas, e os computadores, tablets !? Diriam os poderosos, é tudo caro, não dá !? E assim, caminha o nosso capenga ensino público, uma verdadeira fábrica de semialfabetizados. E haja penitenciárias a serem construídas.

  2. Se o próprio município não tem sua Biblioteca Pública, o que resta para nossas Escolas.
    Na Escola Municipal Índio Piragibe, onde trabalho desde 2015, temos um espaço adequado e revitalizado no ano que passou, por nós professores e funcionários.
    Mas infelizmente não tem funcionalidade, pois não existe um funcionário para atender as demandas, para fazer fazer nossa biblioteca ter vida digna de seu nome.
    Existe sim, aquela situação de: pega- se a chave para levar os alunos para desfrutar dos livros, realizar leituras e apresentações das mesmas.
    O movimento vivo da Biblioteca, com o empréstimo dos livros para os discentes, infelizmente não temos. Tentamos com todas as nossas forças fazer a Biblioteca viva, mas falta o recurso humano para isso. Não falo em um “funcionário adaptado”, como ocorre em muitas escolas. Precisamos sim, de um entendedor do espaço.
    Todos clamam pela abertura digna de nossa biblioteca.

  3. Sandro Nascimento Disse:

    Uma triste realidade! Infelizmente a matéria diz a verdade. É raro entrar em uma escola pública, aqui, em João Pessoa e encontrar uma biblioteca e as vezes quando tem, esses espaços, muitas vezes, são restritos aos alunos. É de extrema importância que toda escola tenha sua própria biblioteca e sem esquecer que não basta apenas ter, mas também, funcionar!
    E sem dúvida, é uma vergonha para o Estado da Paraíba, o fato de João Pessoa não ter sua biblioteca PÚBLICA!!!!!!!! Recife tem sua biblioteca municipal e é um espaço esplêndido!

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