Comprar o carro dos sonhos pode virar um tremendo pesadelo em Jampa

Quando o dinheiro chegou no montante suficiente para o carro novo, ele foi a todas as concessionárias de João Pessoa. Em cada uma, tapete vermelho, cafezinho tirado na hora, test-drive, desconto de fábrica, IPVA ‘grátis’, promessa e juras de revisões baratíssimas

E tudo isso para o freguês viver a alegria de rodar no top, o melhor e mais bonito do mundo, a última palavra em tecnologia automotiva. O céu, enfim. Por que não comprá-lo? “Comprei-o-o”. Negócio fechado, pagamento à vista. Comprou o que diziam ter o maior valor de revenda, filé, ouro em pó, primeira de luxo.

“Quando recebo o carro?”, perguntou. “Ligo amanhã cedo e lhe digo a hora de vir pegar”, garantiu o vendedor. Aí Aí começou o inferno! O vendedor mais insistente, justamente aquele que ligava duas, três por dia para ganhar o freguês, após a compra ficou mais difícil de ser encontrado do que político depois de eleição.

Durante uma semana, nas poucas vezes em que conseguiu falar com alguém da loja, recebeu a informação de que o carro seria entregue no dia seguinte, como sem falta. “É o Detran que está demorando no emplacamento”, explicou-lhe um gerente. “Como assim? Eu não vou emplacar o carro aí”, reagiu o cidadão.

“Sem o emplacamento aqui, a gente não pode lhe entregar o carro”, informou o gerente. “Meu amigo, eu lhe comprei um carro, não uma placa. Placa eu boto onde eu quiser”, retrucou, já irritado, o ludibriado. Que ficou mais p ainda ao ser informado sobre o preço do serviço: R$ 1.300.

Ele já calculara com o seu corretor de seguros e sabia que não gastaria mais do que R$ 750 com taxas e despachante para emplacar. “Vou aí agora mesmo pegar meu dinheiro de volta”, avisou. E foi. Pense uma confusão! Não sei o final, só sei que a pessoa enganada foi bater no Procon, na Polícia, quase infartou e a bronca continua.

O caso é real. Passou-se – ou ainda está passando – em uma revendedora que não tem concorrência na Grande João Pessoa. Só ela venda carros daquela marca por aqui  e, apesar do pouco tempo na praça, já está ficando mal-afamada por essas e outras pegadinhas, malandragens, espertezas

Quem me contou a história foi o rapaz do seguro. Ainda bem. Cliente antigo dele, encontrei-o positivo e operante em pleno sábado. “Amigo, estou aqui na loja da comprando um Vá pesquisando pra mim as seguradoras e depois me traga as propostas pra gente licitar”, pedi.

Ele: “Seu Rubens, o senhor está onde mesmo? Se for na loja da, vejo-me na obrigação de lhe contar uma história pro senhor não cair nesse agá”. Afastei-me do birô do vendedor para ouvir. Ouvi. Voltei. E me despedi do jovem que me atendia, advertindo-lhe que não insistisse em me reter porque não faríamos negócio e pronto.

Lá fora, entrando no carro velho que daria de entrada, lembrei-me do meu saudoso amigo irmão Toinho Hilberto. “É preciso ter cuidado, compadre. Muitas vezes a mercadoria é muito boa, mas o tabuleiro é sujo”, ensinava ele.

3 Comente Comprar o carro dos sonhos pode virar um tremendo pesadelo em Jampa

  1. Francisco Disse:

    Vc poderia falar a concessionária, para outras pessoas não cai nessa enrolação

  2. Alysson Disse:

    Os quatro primeiros parágrafos descrevem exatamente o que passei alguns anos atrás numa famosa concessionária da cidade, que acumula prêmios de excelência, atendimento classe A etc. etc. etc. Pena que não posso dizer o nome. Mas fica a dica: …zzz…

  3. Bruno Thiago Disse:

    Do que adianta fazer Jornalismo para ter medo de mostrar a marca?

    Nos dias de hoje é preciso ter coragem ou INVESTIGAR a denúncia e não públicar de “disse / me-disse”

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