Médica alerta: água de Boqueirão está envenenando a população

A médica Adriana Melo, na tribuna da Assembleia

A médica Adriana Melo, na tribuna da Assembleia

A médica e pesquisadora Adriana Melo, de Campina Grande, mundialmente conhecida e respeitada por seus estudos sobre a relação entre vírus da zika e microcefalia, disse hoje (29) em João Pessoa que fornecer água do açude Epitácio Pessoa, de Boqueirão, para consumo humano, é o mesmo que envenenar a população.

Segundo Adriana Melo, “dar de beber às pessoas a água do Boqueirão é envenenar a população que consome”. Ressaltou que mesmo a água tratada apresenta uma toxidade em padrões lesivos ao organismo humano. A sua afirmação faz coro com a recomendação de pesquisadores e cientistas do Instituto Butantã e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) que em setembro deste ano analisaram a qualidade da água de Boqueirão e igualmente desaconselham o consumo.

A análise da água fez parte de um amplo trabalho de pesquisa para identificar outras possíveis causas da microcefalia e origens ou fontes diversas das doenças disseminados pelo mosquito da dengue. O estudo foi coordenado pelo Ipesq (Instituto de Pesquisa Professor Joaquim Amorim Neto), que tem sede em Campina Grande, com a participação do Butantã e da UFRJ e apoio da Secretaria Municipal de Saúde daquela cidade.

Adriana Melo, presidente do Ipesq, participou na tarde desta terça-feira de audiência pública na Assembleia Legislativa sobre a calamidade da seca no interior da Paraíba e suas consequências. Uma das mais graves é o esgotamento do açude Epitácio Pessoa e o uso da água que resta em Boqueirão (cerca de 5% da capacidade total) para abastecer a população de Campina e de mais 18 municípios do Compartimento da Borborema.

A audiência pública foi proposta pela deputada Daniella Ribeiro (PP), que tem dedicado boa parte de sua atuação à crise hídrica na sua cidade de origem e região. Mônica Lopes, do Butantã, apresentou o resultado de análise da água de Boqueirão: toxinas em profusão que quando não matam peixe impedem sua reprodução. Ela disse ainda que a água do Hospital Pedro I, de Campina Grande, também não deve ser consumida.

Fabiano Thompson, professor da UFRJ, na mesma linha de exposição de Adriana e Mônica afirmou que jamais daria água de Boqueirão para um filho seu beber. Ele fez parte do grupo de pesquisa que coletou e examinou amostras de água também dos açudes de Araçagi e Cacimba de Dentro, que da mesma forma estariam com a sua potabilidade comprometida.

O contraponto do governo

João Mota, diretor de Operações da Cagepa, presente à audiência pública na Assembleia, rebateu as afirmações dos pesquisadores. Além de lembrar o esforço da empresa, desde 2013, para se preparar para o racionamento (troca de toda a frota de veículos de Campina Grande, de todos os hidrômetros, eliminação de vazamentos etc.), disse que a amostra de água analisada foi de carros-pipa e de poços. João Fernandes, da Aesa (Agência Executiva das Águas), por seu turno, usou argumentos semelhantes para fazer o contraponto e garantiu que a água boa de beber para Campina Grande e região vai chegar. “Porque vai chover, só não sei dizer quando”, disse.

8 Comente Médica alerta: água de Boqueirão está envenenando a população

  1. Paraibano decepcionado Disse:

    O Diretor João Mota deve não morar sequer na paraíba, pois sequer conheçe
    que o açude Boqueirão, assim como tantos outros inclusive o Gramame-mamuaba em João Pessoa recebem altas cargas de metais pesados e agrotóxicos utilizados em cultivos sobretudo de hortaliças. Isto é comprovado através de exames .
    Recentemente no Jornal da Paraiba 22 de nov. de 2015 no G1 em ’26/6/2012 e publicaram que água da CAGEPA estariam contaminadas com cafeina e herbicida atrazine. Segundo pesquisa da UNICAMP e UFPB. Esta informação inclusive está divulgada no livro ‘O que voce presisa saber sobre a agua de João pessoa”, publicado em 2014 pelo Dr. Professor Trcisio Cordeiro da UFPB.
    O MPF, estaria inclusive investigando esta informação e solicitou da UFPB, maiores informações.
    Portanto, este ‘pseudo-gestor’ deveria ter mais responsabilidades com o que diz, contestando o que as análises laboratoriais demonstram.

  2. João Bezerra da Costa Disse:

    Eu não entendo o porque da cagepa não trasportar água de gramame e/ou Araçagi para C. Grande em carros pipa . A água seria transportada até a estação de tratamento Gravatá em Queimadas e distribuída para o consumo. A grande vantagem seria a melhora da qualidade da agua, daria emprego para os caminhoneiros , aumentava o consumo de diesel. Quem vai pagar por esse trabalho não é o governo nem tão pouco a Cagepa e sim a população através dos recibos d’água, claro e evidente que seria estabelecido uma tarifa para a cobertura das despesas pelo transporte. Solução paliativa existe, falta só determinação por parte da Cagepa

  3. jairo alves Disse:

    Gostaria que os governos estaduais e municipais parassem de falar desculpas evasivas e encontrassem um plano B e não pensar somente em um milagre do céu. Vai chover sim, pode ser amanhã, depois de amanhã, daqui a um ano ou até daqui a cem anos. E aí, vamos esperar até lá?

  4. Alfredo Disse:

    Sem prevenção só dá nisso, blá,bla,bla uma cidade como Campina deveria ter uma estação de captação e tratamento das águas das chuvas e um local para armazenar na época das vacas gordas, tanta terra próxima inutilizada só construindo loteamentos e água que é bom!…

  5. Ronildo Disse:

    O plano B já existe, A transposição do Rio São Francisco, pena que não reúnem esforços para concluir, pois se quiserem finalizar, conseguiriam em menos de um mês. Só teria que ter mais investimento!!

  6. Cláudio Aguiar Disse:

    E possível que a água de boqueirao pode estar contaminada a nível de está prejudicando aos consumidores. Mas, em minha opinião a afirmação deve está respaldada no comparativo entre os resultados das análises atuais da água e os parâmetros de potabilidade determinado pela resolução 357 do CONAMA.

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