Prefeitura lança plano para reabrir comércio, mas como fiscalizar regras de distanciamento?

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A reabertura do comércio em Campina Grande, assim como nas demais cidades brasileiras, é uma necessidade indiscutível. Todo mundo concorda que empresas e trabalhadores precisam voltar ao trabalho para diminuir os impactos provocados pela pandemia do coronavírus. Mas o cerne da questão é como e quando deverá ocorrer esse retorno. Em Campina a prefeitura lançou uma cartilha com a proposta de reabertura gradativa dos estabelecimentos.

Pelo documento, as lojas do Centro da cidade reabrirão as portas na próxima segunda-feira (06), com horário de funcionamento reduzido (10h às 16h). Os shoppings e galerias seguiriam o mesmo movimento – a partir do dia 13 – e escolas e academias ficariam com o reinício das atividades sob análise. A proposta vai ser apresentada e discutida na próxima sexta-feira (03), durante uma reunião com empresários, Ministério Público e autoridades da Saúde.

O plano estabelece ainda que o funcionamento gradual dos estabelecimentos observe regras de distanciamento social, como a manutenção da distância mínima entre os clientes, limitação de acesso e uso de equipamentos de proteção individual. As regras seriam fiscalizadas por equipes do Procon, Vigilância Sanitária, Ministério Público e outros órgãos. Mas surge a questão: essas equipes serão capazes de exigir o cumprimento desses condicionamentos?

A prática tem demonstrado que não. O decreto municipal que proíbe o funcionamento de restaurantes e bares está em vigor, mas alguns donos de estabelecimentos (sobretudo em bairros mais afastados) teimam em mantê-los funcionando. As filas nas agências bancárias, nos últimos dias, tem sido outro exemplo. Embora as recomendações indiquem que evitemos aglomerações, as filas se formam aos montes nas calçadas. A verdade é que é praticamente impossível fiscalizar todos os estabelecimentos (e consumidores) ao mesmo tempo.

O plano merece ser discutido. Não há problema algum nisso. Mas aplicar o seu cronograma, nesse momento, parece temeroso. Se não há como exigir o cumprimento de suas normas, não é plausível que entreguemos à ‘consciência’ de cada um a sua prática. Até porque as ruas demonstram, todos os dias, que não somos um povo acostumado a adotar boas práticas.

Cortejado por outros partidos, vereador de Campina Grande confirma saída do MDB

Foto: Arquivo Jornal da Paraíba

O MDB de Campina Grande está menor. Talvez não quantitativamente, mas numa perspectiva analítica. O partido perdeu o seu único representante no Legislativo municipal, o vereador Olímpio Oliveira (sem partido). E quem acompanha o cotidiano da política campinense sabe: a legenda deixará de ter um vereador com atuação destacada na Câmara. Assíduo, com intervenções pertinentes e firmes, Olímpio é agora cortejado por outras legendas.

Mas ele precisa escolher um novo ‘ninho’ até o próximo sábado (04), quando termina o prazo da legislação eleitoral para que candidatos este ano tenham domicílio e legenda definidos. A missão, porém, não é das mais fáceis.

Embora tenha recebido convites de partidos da base aliada do prefeito Romero Rodrigues  (PSD) e também da oposição, o ex-emedebista terá que encontrar uma legenda que lhe dê segurança e combatividade para a disputa. No grupo oposicionista, alguns temem a chegada dele por considerá-lo muito ‘pesado’ eleitoralmente. Se decidir caminhar para a base governista, Olímpio terá que convencer seus seguidores (eleitores) da mudança de posicionamento.

Uma alternativa cogitada é o PSL, partido do deputado federal Julian Lemos. Mas a legenda enfrenta uma crise em todo o país depois da saída do presidente Jair Bolsonaro e do surgimento de investigações de ‘candidaturas laranjas’ em alguns Estados. Olímpio, que não encontrou espaço para ‘crescer’ no MDB, precisa agir rápido.

Secretário de Saúde de Campina cria ‘antídoto’ contra fake news durante pandemia

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Quando assumiu o cargo de secretário de saúde de Campina Grande, no início deste mês, o advogado Filipe Reul talvez não soubesse que teria o desafio de enfrentar a pandemia mundial do coronavírus. Naquele momento a doença ainda parecia ‘distante’ da Paraíba. Mas os dias se passaram e logo ficou claro que a Covid – 19 é uma realidade amarga a ser combatida pela saúde pública em todo o país. E, obviamente, também em Campina Grande.

A missão, porém, não parece ter assustado o recém-nomeado secretário. Ele tem acompanhado, pessoalmente, as ações de prevenção à doença. Tem participado de discussões, defendido o isolamento social e aconselhado o prefeito Romero Rodrigues (PSD).

Nesta segunda-feira (30) ele inovou. Criou uma espécie de ‘antídoto’ contra a divulgação de fake news – pelo menos através da radiofonia. Usando a internet, o secretário participou de uma entrevista coletiva em cadeia com todas as emissoras da cidade, em tempo real. A iniciativa deverá se repetir duas ou três vezes por semana, para atualizar os números e orientar a população sobre cuidados com a doença.

Talvez o secretário campinense tenha entendido o que muitos, inclusive o presidente da República, ainda insistem em não compreender. Na guerra contra a pandemia, a informação correta é fundamental para conscientizar as pessoas e, claro, minimizar as ‘baixas’. Filipe tem saído na frente.

Em tempos de isolamento social, forró propõe abraço à distância e une artistas do Nordeste

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O debate ‘político’ em torno da conveniência ou não das medidas de isolamento social, promovido em grande parte pela decisão do presidente Jair Bolsonaro em não seguir as recomendações das autoridades de saúde e do próprio Ministério da Saúde, tem invadido o país. Mas no Nordeste surge um outro movimento, que não é político, mas utiliza o forró para difundir a ideia de ‘abraço à distância’. A proposta tem unido dezenas de artistas da região e já tem, inclusive, um hino: a música “Pra gente se abraçar”, do cantor e compositor baiano Del Feliz.

O clipe da canção, publicado nas redes sociais, tem a participação de vários artistas e forrozeiros paraibanos, a exemplo de Flávio José, Ton Oliveira e Genival Lacerda; mas traz também a participação de outros artistas consagrados da região, como Santanna e Waldonys.

“Quem diria que um dia, justamente por que eu te amo eu não ia querer te beijar. Quem diria então, que lavar as mãos, significaria cuidado consigo e com o outro também. Que o abraço de longe, de longe fosse um gesto prudente de quem de verdade quer bem”, diz um dos trechos da música. “Nunca foi tão importante estarmos juntos, ainda que mantendo distância. A humanidade nunca esteve tão assustada, mas a força do amor e da empatia prevalecerão”, comentou Del Feliz, autor também da música “Eu sou o São João”, premiada ano passado no Troféu Gonzagão.

Diante de milhares de mortes na Europa e da escalada de casos do coronavírus no Brasil, o ‘abraço à distância’ proposto pelos artistas nordestinos é o exemplo do quanto a cultura pode ajudar a promover boas práticas e ideias. Nesse caso, em específico, é a cultura contribuindo para salvar vidas.

Confira a música:

A ‘sorte’ do Brasil é que quase ninguém mais leva em conta o que diz o presidente

Foto: Isac Nóbrega/PR

O pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro ontem, em rede nacional, provocou protestos de milhares de brasileiros, mas não causou surpresa. É que a população já está acostumada, desde o início do atual Governo, com declarações controversas, inoportunas e sem qualquer base científica dadas pelo presidente. Tem sido assim, inclusive, desde a chegada da pandemia do coronavírus ao Brasil. Um dia ele fala em “gripezinha”, no outro, concede entrevista de máscara e convoca as pessoas a seguirem as recomendações sanitárias.

No caso específico de ontem, a esperança é de que o pronunciamento que defendeu a reabertura de escolas e do comércio, contrariando o próprio Ministério da Saúde e as experiências vividas por outros países, não provoque tantos efeitos. É que para a ‘sorte’ dos brasileiros quase ninguém mais leva em consideração o que diz o presidente.

As pessoas, nesse instante, precisam ouvir o que dizem os especialistas em saúde pública; e não Bolsonaro. E o exemplo tem sido dado por governadores e prefeitos brasileiros, após o pronunciamento. Praticamente todos têm redobrado as recomendações de isolamento social, para evitar uma catástrofe provocada pela doença.

E eles, governadores e prefeitos, mais do que ninguém terão que lidar com os efeitos econômicos da pandemia. Afinal, são os gestores locais que irão ver, daqui a alguns dias, os impactos na arrecadação dos municípios. Mas não há muito o que ser feito… além de continuar seguindo as orientações de quem entende de saúde pública e, claro, não seguir o que disse o presidente.

Ficar em casa, durante pandemia do coronavírus, é uma atitude humanitária

Foto: Arquivo Jornal da Paraíba

Nunca uma atitude simples foi tão importante para a vida de milhões de pessoas. Ficar em casa, nesse período de pandemia provocada pelo coronavírus, é uma atitude humanitária. É muito mais que seguir as orientações das autoridades de saúde. É decidir pela propagação extrema e rápida de um vírus que já provocou a morte de milhares de pessoas pelo mundo, ou contribuir para a minimização de seus efeitos.

Os especialistas em saúde pública e os Governos têm reiterado o pedido de isolamento social, mas muitos ainda relutam em seguir as recomendações. De ontem para hoje, o Estado tem usado as forças policiais para ‘pressionar’ as pessoas a deixarem bares e aglomerados, sobretudo em Campina Grande e João Pessoa. Mas, não tem sido suficiente.

Temos até bons exemplos, como o de uma idosa de 108 anos de Campina Grande que comemorou o aniversário com a ajuda da internet. Mas festas de casamento e outros eventos privados continuam marcados, sob o argumento frágil de que se forem cancelados haverá prejuízos financeiros e danos emocionais para os envolvidos – quando, na verdade, a realização desses encontros pode contribuir para a disseminação em massa de uma doença que pode acabar com a vida de muitos paraibanos.

Com um caso confirmado da doença e mais de 180 sendo investigados, a Paraíba está, como todos os Estados brasileiros, na iminência de viver a fase mais aguda da pandemia. Nos próximos meses, milhares de paraibanos poderão ter que buscar as unidades de saúde à procura de atendimento.

Permanecer em casa, nesse momento, pode ajudar a salvar vidas. É um ato humano, de amor ao próximo, que precisa ser propagado. E vale reforçar: fique em casa! O Brasil, a Paraíba e sua cidade precisa disso.

Ronaldo Filho anuncia apoio e reforça pré-candidatura de Bruno dentro do grupo de Romero

Romero tem dito que até o fim de abril o nome escolhido pelo grupo será anunciado. Bruno tem até 4 de abril para se filiar a um partido

Foto: Arquivo Jornal da Paraíba

Por meio de uma rede social, o ex-vice-prefeito de Campina Grande, Ronaldo Cunha Lima Filho, anunciou hoje (17) apoio à pré-candidatura do ex-deputado Bruno Cunha Lima (sem partido) à prefeitura campinense, dentro do grupo do prefeito Romero Rodrigues (PSDB).

O gesto surge num momento de intensa disputa pela indicação do nome que disputará a prefeitura em outubro pelo grupo governista e tem, claro, um peso significativo. Basta lembrar que Ronaldo Filho, além de ser irmão do ex-senador Cássio Cunha Lima (PSDB), foi o companheiro de chapa de Romero em 2012, dando início aos oito anos do grupo na gestão municipal.

 

Na semana passada Bruno se reuniu, em Brasília, com o ex-senador Cássio – e tem travado uma verdadeira peregrinação em busca de apoios, dentro e fora de Campina Grande.

Ele foi o candidato a deputado federal mais votado nas últimas eleições em Campina Grande e tem se mostrado empolgado, mas ainda tem um desafio pela frente: escolher até 4 de abril uma legenda que lhe garanta a oportunidade de disputar a prefeitura.

Ontem o prefeito Romero Rodrigues disse que todos os pré-candidatos estão mantidos no páreo e a escolha vai depender de pesquisas, apoios e entendimentos internos na base aliada. O gesto de Ronaldo Filho pesará em pelo menos dois desses itens e reforça, sem dúvidas, a postulação do ex-deputado.

O desabafo de Ivonete, o São João e o conciliador Romero Rodrigues

Semana começou com desabafo da presidente da Câmara, mas terminou com afago durante anúncio do São João de Campina

Foto: José Geusinerio

O prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues (PSD), tem exercido como nunca a sua capacidade de conciliar interesses divergentes dentro de sua base. A semana teve início com um desabafo público da presidente da Câmara, vereadora Ivonete Ludgério (PSD), ao falar sobre o processo de escolha do nome que será o candidato do grupo nas eleições deste ano, mas acabou com afagos entre os dois durante o anúncio da programação do Maior São João do Mundo.

“Não existe guerra. Sempre acompanho o prefeito Romero e continuaremos. Mas precisamos participar das decisões porque somos dois soldados nessa batalha: eu e o deputado (Manoel Ludgério)”, disse Ivonete, ao comentar a foto acima.

O gesto de Romero foi antecedido por uma visita ao casal, logo após as queixas públicas na Câmara e nas redes sociais. Ele não perdeu tempo e atuou como um bombeiro para debelar as chamas em sua base.

A capacidade de conciliar do prefeito será testada nos próximos meses. Além de Manoel, que não desistiu de sua pré-candidatura, estão em plena disputa pela indicação do grupo o ex-deputado Bruno Cunha Lima (sem partido) e o secretário Tovar Correia Lima (PSDB).

Será preciso muita conversa, paciência e articulação de Romero para evitar um ‘racha’ dentro do grupo. Se conseguir unir todos em uma única chapa, o gestor merecerá o título de ‘Romero, o conciliador’ e estará apto para ajudar na unificação de palestinos e israelitas.

São João 2020 marcará despedida de Romero da prefeitura de Campina e será ‘vitrine política’

Festa projeta políticos em anos eleitorais e atrai a atenção do eleitorado

Foto: Ascom

Na próxima sexta-feira, dia 6 de março, será anunciada a programação oficial do Maior São João do Mundo, de Campina Grande. A edição deste ano marcará a despedida do prefeito Romero Rodrigues (PSD) da prefeitura, após dois mandatos. Mas, como em todo ano eleitoral, também servirá de ‘vitrine’ para quem vai disputar nas urnas o voto popular.

Nos últimos anos a festa tem enfrentado desafios. Se não bastasse a crise na economia brasileira, que afastou visitantes dos principais destinos turísticos do país, o evento passou pelo ‘pânico das agulhadas’, em 2018; e também viu parte de suas barracas ser destruída por um incêndio no mesmo ano.

No início do ano passado a empresa que realizava o São João foi afastada da festa, depois de virar um dos alvos da ‘Operação Fantoche’, da Polícia Federal. Mesmo assim, a festa bateu recordes de público e atraiu milhares de forrozeiros.

Para 2020, a prefeitura tinha a esperança de ampliar e transferir o evento para outro espaço, mas o projeto não saiu do papel. Entre as atrações já confirmadas estão Elba Ramalho, Santanna e Xand Avião –  um indicativo de que o objetivo é atender as expectativas de todos os públicos.

Mantido no Parque do Povo, o São João 2020 vai mais uma vez atrair multidões e dezenas de candidatos ansiosos por aparições públicas. Sobrarão apertos de mão e sorrisos. Para Romero, será uma despedida. Aliás, certamente ele sabe que sairá ‘maior’ da prefeitura caso deixe a gestão com boas impressões da população sobre a festa.

Após arquivamento, deputado quer renovar pedido de impeachment na Assembleia

Eventual novo pedido, se mais uma vez arquivado, pode gerar descrédito diante da opinião pública

Foto: Ascom ALPB

A reação do deputado Wallber Virgolino (Patriotas) à decisão que arquivou o pedido de impeachment do governador João Azevêdo (Cidadania) e de sua vice, Lígia Feliciano (PDT), foi instantânea. Ele anunciou que deve entrar, ainda essa semana, com um novo pedido na Assembleia. Mas a medida deve ser analisada com cuidado pelos deputados oposicionistas.

Ao justificar o arquivamento do pedido, o presidente da ‘Casa’, deputado Adriano Galdino (PSB), afirma que seguiu o entendimento da Procuradoria da Assembleia. Esta não encontrou, conforme o parecer apresentado, documentos que pudessem comprovar as denúncias, nem declaração de impossibilidade de apresentar tais documentos – conforme exigência da Lei Federal nº 1079/50.

Antes mesmo do parecer pelo arquivamento, a proposta já havia sido descartada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A presidente, deputada  Pollyanna Dutra (PSB), chegou a dizer ser contra a medida por não ver indícios de que tenham sido praticados crimes de responsabilidade.

O fato é que a apresentação de mais um pedido, sem o acompanhamento de provas consistentes que o fundamentem, pode resultar em mais um arquivamento e, também, no descrédito perante a opinião pública. O afastamento de um governador e de sua vice dos cargos precisa ter base jurídica clara, com fatos que indiquem a participação efetiva dos dois em crimes de responsabilidade – embora a decisão de afastar ou não tenha componentes políticos diversos. Para os oposicionistas, o descrédito certamente não seria um bom negócio.