Vistoria do MPF constata que rachaduras na Transposição não foram provocadas pelo clima

Relatório técnico foi pedido pela procuradora da República Janaína Andrade. Engenheiros identificaram problemas no canal do Eixo Leste

Ao contrário do que afirmou o Ministério do Desenvolvimento Regional, as rachaduras identificadas ao longo do canal da Transposição das Águas do Rio São Francisco podem não ter relação com fatores climáticos. Pelo menos é o que indicam as conclusões de engenheiros do Ministério Público Federal (MPF), que realizaram uma vistoria entre os dias 21 e 22 deste mês na obra. Os problemas encontrados indicam falhas estruturais no projeto do Eixo Leste da Transposição.

“Em conclusão a esta informação técnica, tenho a expor que os canais da Transposição do São Francisco apresentam uma série de patologias que são incompatíveis com o tempo decorrido desde a construção. A meu ver, tais patologias estão associadas a impropriedades quando da concepção e/ou execução da obra e não a fenômenos naturais ou climáticos da região. Entendo que o excesso de fissuras, trincas e mesmo a ruptura do concreto que reveste o canal por si só é um indicativo de que: ou a qualidade do material ficou aquém daquela desejada (elevado fator água/cimento, condição de cura insatisfatória, etc.) ou existe uma deficiência na concepção das juntas de dilatação e controle”, esclarecem os engenheiros ao analisarem os problemas na obra.

Em outro trecho, os engenheiros salientam que “o “Sistema de Drenagem Externa” possui a finalidade de proteger as obras dos canais da transposição dos efeitos das chuvas intensas e da erosão. Durante a inspeção, foi constatado que vários trechos dos canais de drenagem externa estão completamente danificados (Fotos 14 a 17), comprometendo o direcionamento das águas para todo o sistema”. O documento será encaminhado pelo MPF ao Ministério do Desenvolvimento Regional.

Após denúncias de moradores da cidade de Monteiro, relatando a existência de rachaduras nas paredes do canal e plantas, o Ministério do Desenvolvimento Regional levantou a possibilidade, através de nota, de que os problemas poderiam ser causados pelas altas temperaturas na região do Cariri do Estado.

O caso

As rachaduras e a presença de plantas às margens e dentro do canal foram registradas por moradores de Monteiro, que sofrem com a falta de bombeamento da água da Transposição desde o mês de fevereiro deste ano. Para o MPF, caso obras complementares na Transposição não sejam realizadas, como a revitalização do Rio Paraíba e a recuperação de barragens, o investimento pode não chegar a beneficiar a população do Cariri do Estado.

 

Operação Famintos: CGU investiga contratação de empresas de fachada em CG

CGU diz que constatou-se que desde 2013 ocorreram contratos sucessivos, que atingiram um montante pago de R$ 25 milhões

A Controladoria-Geral da União (CGU) participa, nesta quarta-feira (24), na Paraíba, de duas operações especiais: Feudo, na cidade de Monteiro, e Famintos, no município de Campina Grande. Os trabalhos são realizados em parceria com a Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF). Em ambos, o objetivo é combater irregularidades em licitações e contratações com a utilização de recursos provenientes do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

Os crimes incluem lavagem de dinheiro; falsidade ideológica; fraude em processo licitatório; uso de documentos falsos; sonegação fiscal; fraude na execução de contratos; e desvio de verbas públicas. Todos relacionados à aquisição de gêneros alimentícios e fornecimento de merenda escolar para alunos matriculados em escolas e creches da rede municipal de ensino.

Operação Famintos

As investigações foram iniciadas a partir de representação autuada no MPF, que relatou a ocorrência de irregularidades em licitações na Prefeitura de Campina Grande (PB), mediante a contratação de empresas “de fachada”. Com o aprofundamento dos trabalhos pelos órgãos parceiros, constatou-se que desde 2013 ocorreram contratos sucessivos, que atingiram um montante pago de R$ 25 milhões.

Além da merenda escolar, as contratações incluíam o fornecimento de material de higiene e de limpeza para outras áreas de governo (Saúde, Assistência Social e outras áreas). A CGU, durante auditoria realizada para avaliar a execução do PNAE no município, detectou um prejuízo de cerca de R$ 2,3 milhões, decorrentes de pagamentos por serviços não prestados ou aquisições de gêneros alimentícios em duplicidade no período de janeiro de 2018 a março de 2019.

A Operação Famintos consiste no cumprimento de 34 mandados de busca e apreensão, 14 de prisão temporária e sete de afastamento de cargo ou função pública nos municípios paraibanos de Campina Grande, João Pessoa e Massaranduba. O trabalho conta com a participação de nove auditores da CGU e cerca de 150 policiais federais.

Operação Feudo

As investigações foram iniciadas a partir de levantamento da CGU, que verificou indícios de irregularidades em licitações na Prefeitura de Monteiro (PB), mediante a contratação de empresas de um mesmo grupo familiar. Os valores empenhados, no período de 2015 a 2018, ultrapassaram R$ 93 milhões.

Com o aprofundamento dos trabalhos pelos órgãos parceiros, constatou-se que o grupo, formado por sete empresas, vem atuando no cometimento de crimes contra a administração pública em diversos municípios da Paraíba. O modus operandi inclui a constituição fraudulenta de empresas para participação em licitações, frustrando o caráter competitivo e/ou para utilização em montagem de procedimentos para justificar contratações sem licitação.

A CGU, em auditoria realizada para avaliar a execução do PNAE no município, detectou que o grupo investigado foi beneficiado em licitações e contratos correspondentes ao montante de R$ 5 milhões, nos exercícios de 2017 e 2018.

A Operação Feudo consiste no cumprimento de 29 mandados de busca e apreensão e três de prisão temporária nos municípios paraibanos de Monteiro, Campina Grande, Serra Redonda e Zabelê. O trabalho conta com a participação de sete auditores da CGU e 110 policiais federais.

PNAE

O PNAE tem por finalidade oferecer alimentação escolar e ações de educação alimentar e nutricional a estudantes de todas as etapas da educação básica pública. O Governo Federal repassa, a estados, municípios e escolas federais, valores financeiros de caráter suplementar efetuados em 10 parcelas mensais (de fevereiro a novembro) para a cobertura de 200 dias letivos, conforme o número de alunos matriculados em cada rede de ensino.

Em nota, a prefeitura de Campina Grande afirmou que a distribuição da merenda escolar no município atende a todos os padrões de excelência. Ainda de acordo com a PMCG, a CGU atestou em 2016 a regularidade da execução do programa na cidade.

Com informações da Ascom CGU ** 

Defensora diz que teve nome usado por ex-secretária em cobranças por atendimentos

Em entrevista à TV Paraíba, Gercilena Sucupira Meira assegurou que nunca teve conhecimento das cobranças

Reprodução/TV Paraíba

“Eu tomei conhecimento de que ela estava cobrando dos assistidos da Defensoria Pública ao bel-prazer dela. O que ela achava que devia cobrar. E para ter o ‘Know-how’ de receber do cliente ela usava meu nome. Dizia que era eu que mandava, que pedia que ela cobrasse”. As declarações são da defensora pública da Paraíba e coordenadora da Defensoria Pública em Campina Grande, Gercilena Sucupira Meira, ao falar nesta terça-feira (23) sobre a denúncia apresentada pelo Ministério Público contra ela e a ex-secretária do órgão Maria Goreth Guimarães Sobreira.

De acordo com a defensora, “no momento que eu soube do comportamento, cortei meu vínculo com ela. Ela chegou a usar meu carimbo, falsificou rubricas”, afirmou Gercilena em entrevista à TV Paraíba. A denúncia apresentada pelo MP, por corrupção passiva, foi recebida pelo Tribunal de Justiça do Estado.

Segundo a denúncia, duas mulheres teriam relatado que pagaram pelos serviços do órgão. Uma delas, em 2014, disse ter pago R$ 1,8 mil à ex-secretária e à defensora para a confecção de uma ação de usucapião. Já em 2016 uma outra mulher afirmou ter pago R$ 700 para Maria Goreth providenciar uma escritura de cessão de direitos.

“Perante a autoridade policial competente, as testemunhas indicaram as denunciadas como autoras do crime. As vítimas, ao serem ouvidas, narraram, com riqueza de detalhes, o modus operandi das acusadas e ainda juntaram aos autos os recibos dos pagamentos realizados”, relata a denúncia do MP.

Outro lado

O blog procurou Maria Goreth para falar sobre o assunto, mas ainda não conseguiu localizá-la. Em nota a Defensoria Pública do Estado informou que Maria Goreth não faz mais parte do quadro de servidores da instituição.

“Até o presente momento, a Defensoria Pública do Estado da Paraíba não foi informada oficialmente sobre a denúncia contra as partes citadas. De antemão, a Defensoria Pública da Paraíba rechaça a acusação de um possível “esquema de cobrança” na Instituição e atesta que não existe qualquer acusação de irregularidade nas funções desempenhadas pela defensora pública Gercilena Sucupira Meira na Corregedoria Geral da Instituição, órgão responsável pela fiscalização da atividade funcional e da conduta dos membros e dos servidores da Defensoria Pública”, discorre a nota oficial.

Defensoria Pública diz que secretária acusada de cobrar por atendimentos foi exonerada

Em nota, órgão ressalta que ainda não foi notificado da denúncia do MP

Foto: Ascom

A Defensoria Pública da Paraíba se manifestou, por meio de uma nota, sobre a denúncia apresentada pelo Ministério Público contra a defensora pública Gercilena Sucupira Meira e a ex-secretária do órgão, Maria Goreth Guimarães Sobreira. As duas são acusadas pelo MP de terem recebido valores em atendimentos realizados na sede da Defensoria em Campina Grande.

De acordo com a nota, Maria Goreth não faz mais parte do quadro de servidores do órgão e não há, na Corregedoria da instituição, nenhuma acusação de irregularidade na atuação da defensora Gercilene Sucupira.

“Até o presente momento, a Defensoria Pública do Estado da Paraíba não foi informada oficialmente sobre a denúncia contra as partes citadas. De antemão, a Defensoria Pública da Paraíba rechaça a acusação de um possível “esquema de cobrança” na Instituição e atesta que não existe qualquer acusação de irregularidade nas funções desempenhadas pela defensora pública Gercilena Sucupira Meira na Corregedoria Geral da Instituição, órgão responsável pela fiscalização da atividade funcional e da conduta dos membros e dos servidores da Defensoria Pública”, discorre a nota oficial.

O caso

O Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) recebeu, por unanimidade, uma denúncia apresentada pelo Ministério Público (MP) contra a defensora pública Gercilena Sucupira Meira e a ex-secretária Maria Goreth Guimarães Sobreira. As duas, segundo o MP, teriam recebido R$ 1,8 mil de uma pessoa que procurou os serviços da Defensoria para uma ação de usucapião. O fato teria acontecido em 2014.

Já em 2016, segundo a denúncia, a secretária Maria Goreth teria cobrado e recebido R$ 700 de um outro atendimento, dessa vez para providenciar uma escritura de cessão de Direitos de uma mulher que havia adquirido dos irmãos um bem constante em inventário.

Gercilena Sucupira Meira afirma que nunca teve nenhuma participação nas supostas cobranças apontadas pelo MP. Ela diz que a ex-secretária teria agido sem o consentimento dela. O blog ainda não conseguiu contato com a ex-secretária Maria Goreth.

MP denuncia ‘esquema’ de cobrança por atendimentos na Defensoria Pública da Paraíba

Defensora pública e secretária foram denunciadas por receberem R$ 1,8 mil por uma ação de usucapião. Denúncia foi recebida pelo TJPB

O Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) recebeu, por unanimidade, uma denúncia apresentada pelo Ministério Público (MP) contra uma defensora pública da Paraíba e uma secretária da Defensoria Pública. As duas foram enquadradas por corrupção passiva, acusadas de cobrarem pela realização de atendimentos. As supostas cobranças teriam ocorrido na sede do órgão em Campina Grande.

De acordo com a denúncia apresentada pelo MP, a defensora pública Gercilena Sucupira Meira e a secretária Maria Goreth Guimarães Sobreira teriam recebido R$ 1,8 mil de uma pessoa que procurou os serviços da Defensoria para uma ação de usucapião. O fato teria acontecido em 2014, mas a vítima só denunciou a prática ao descobrir que os serviços não poderiam ser cobrados.

“Nessa senda, as denunciadas indicaram que o procedimento ideal seria interpor uma ação de usucapião e, para realizar o referido trabalho, cobraram o valor de R$ 3 mil. Após breve negociação, a vítima conseguiu diminuir o valor cobrado e efetuou o pagamento de R$ 1,8 mil para realização do serviço, conforme atesta recibo acostado aos autos”, relata a denúncia do MP, assinada pelo sub-procurador geral de Justiça Alcides Orlando de Moura Jansen.

Já em 2016, segundo a denúncia, a secretária Maria Goreth teria cobrado e recebido R$ 700 de um outro atendimento, dessa vez para providenciar uma escritura de cessão de Direitos, de uma mulher que havia adquirido dos irmãos um bem constante em inventário.

“Conquanto a primeira (Gercilena Sucupira) acusada negue ter conhecimento sobre os fatos perpetrados por sua secretária, a segunda denunciada (Maria Goreth) admitiu que cobrava valores para realizar apenas serviços que não eram de competência da Defensoria, e obtemperou que a primeira denunciada tinha ciência de tudo”, afirma a denúncia apresentada pelo MP.

Gercilena Sucupira Meira foi denunciada no artigo 317 do Código Penal (corrupção passiva), enquanto a secretária Maria Goreth Guimarães Sobreira foi enquadrada nos artigos 317 e 69 (concurso material), ambos do Código Penal.

Outro lado

Os advogados da defensora pública Gercilena Sucupira defenderam, no Tribunal de Justiça, que não há provas sobre a materialidade e a autoria da denúncia. Por telefone, ela disse que jamais cobrou por qualquer tipo de atendimento realizado na Defensoria e está tranquila diante da denúncia apresentada pelo MP.

Ainda de acordo com a defensora, ela foi inocentada no procedimento instaurado pela Corregedoria do órgão. “Infelizmente eu contratei uma pessoa que por pouco não me destruiu. Eu não tinha conhecimento de nada. Mas tudo foi resolvido e ela já até se retratou na Corregedoria por conta disso”, afirmou. O blog procurou a secretária Maria Goreth, mas ela não foi localizada. O blog ainda procurou a Defensoria Pública da Paraíba, mas até agora não recebeu nenhum posicionamento oficial sobre o caso.

Sem obras complementares, R$ 9 bi investidos na Transposição não terão efetividade, diz MPF

Procuradora da República em Monteiro, Janaína Andrade, defendeu ações para beneficiar população do Cariri

Foto: Edvaldo José

Inaugurada há dois anos e com um investimento de R$ 9 bilhões, a Transposição do Rio São Francisco ainda está em fase de testes no Eixo Leste e tem tido poucos efeitos práticos para a população do Cariri paraibano.  Com o bombeamento suspenso desde fevereiro deste ano, os ribeirinhos sofrem com a falta de água. Para a procuradora da República em Monteiro, Janaína Andrade, caso ações complementares não sejam adotadas todo o investimento feito estará comprometido.

“Na minha avaliação o prejuízo vai ser todo o valor investido. Para o Cariri paraibano, a água da transposição não teve efetividade, não tem efetividade. Se não houver recuperação do leito do Rio Paraíba, se não houver a inclusão da população da zona rural e a recuperação das barragens, a Transposição não terá efetividade na região do Cariri e os R$ 9 bilhões até então investidos não terão uma aplicação efetiva”, alertou a procuradora.

Moradores de Monteiro denunciaram o abandono da obra. Segundo os relatos, o canal apresenta rachaduras e plantas têm surgido às margens e no concreto da obra, que hoje está 98,7% concluída.  De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Regional, porém, as rachaduras registradas estariam sendo provocadas pela alta temperatura na região.

Foto: Edvaldo José

MPF faz vistoria na Transposição

Uma equipe do Ministério Público Federal (MPF) está vistoriando o canal da Transposição em Monteiro. O objetivo é analisar a dimensão dos problemas apresentados pelos moradores e verificar possíveis causas que teriam feito surgir fissuras ao longo da obra. O relatório dos engenheiros ainda não foi concluído, mas há suspeitas de que os problemas podem ser estruturais.

“Os danos que temos observado nas paredes dos canais não são característicos de uma estrutura de concreto que está sofrendo variação térmica. Na verdade, são pequenas fissuras, desmoronamento de taludes e falta de drenagem pluvial, o que pode indicar falha de infraestrutura”, observou Janaína Andrade.

MP investiga diárias e pagamento de congressos para vereadores do Conde

Gastos da Câmara com diárias em 2018 chegaram a R$ 225,8 mil. Com simpósios e eventos ultrapassaram R$ 52 mil

Gastos excessivos com diárias e pagamento de congressos, simpósios e cursos para vereadores. Esse é o alvo de uma investigação iniciada pelo Ministério Público (MP) para apurar possíveis irregularidades na Câmara de vereadores da cidade do Conde. O MP investiga se, de fato, os vereadores da ‘Casa’ participaram dos simpósios e congressos e como as diárias foram utilizadas pelos parlamentares.

De acordo com o MP, somente no ano passado o Legislativo municipal do Conde gastou R$ 225,8 mil com diárias e R$ 52,3 mil com o pagamento de cursos, simpósios e congressos para os membros da ‘Casa’. Este ano, os gastos já somam R$ 69,7 mil em diárias e R$ 18,1 mil com eventos.

“Considerando, outrossim, que apesar do exarcebado gasto com diárias, há informações de que alguns dos vereadores sequer se fizeram presentes nos eventos contratados pela Casa Legislativa”, discorre a portaria publicada pela promotora Cassiana mendes de Sá.

Presidente alega redução

O atual presidente da Câmara do Conde, vereador Carlos Andre Oliveira (MDB), conhecido como ‘Manga Rosa’, diz que este ano houve redução com esse tipo de gasto. “Eu só posso responder pelos gastos de 2019. Reduzimos as diárias e também esses eventos”, comentou, acrescentando que ainda não foi notificado da instauração do inquérito.

Ainda de acordo com Manga Rosa, em 2019 os vereadores participaram de todos os simpósios e congressos. Em 2018 a presidência do Legislativo do Conde era ocupada pelo vereador Luzimar Nunes (PSDC). O blog ainda não conseguiu contato com ele para falar sobre o assunto.

Ministério Público apura ‘direcionamento’ em licitação da Saúde de Campina Grande

Empresa citada pelo MP teria recebido mais de R$ 8,3 milhões do Fundo Municipal de Saúde desde 2013, conforme dados do TCE

Procedimento foi instaurado no MP em Campina Grande. Foto: Ascom

O Ministério Público instaurou um inquérito civil público para apurar uma denúncia de direcionamento no Pregão Presencial 16.620/2018, realizado pela Secretaria de Saúde de Campina Grande para contratação de uma empresa especializada em manutenção predial, fornecimento de equipamentos e mão de obra. A portaria, assinada pelo promotor do Patrimônio Público Alyrio Batista de Souza Segundo, foi publicada nesta sexta-feira (19).

Ao instaurar o inquérito o representante do MP considera “a notícia de direcionamento do pregão presencial n.º 16.620/2018 realizada pela Secretaria Municipal de Saúde de Campina Grande em favor da empresa NTB Cavalcanti Materiais Cirúrgicos LTDA-ME” e a “imprescindibilidade de melhor investigação da problemática apontada, o que pode autorizar a tutela dos interesses ou direitos a cargo do Ministério Público”.

Dados do Sistema Sagres, do Tribunal de Contas do Estado, mostram que a empresa NTB Cavalcanti Materiais Cirúrgicos LTDA-ME recebeu, do Fundo Municipal de Saúde, mais de R$ 8,3 milhões para fornecimento de equipamentos, mão de obra e materiais para hospitais da cidade, como Pedro I, Doutor Edgley, Unidades de Pronto Atendimento (UPA’s), Centros de Saúde e postos.

Outro lado

A Secretaria de Saúde de Campina Grande informou, em nota, que até o momento não foi notificada do inquérito. No entanto, assegura que todos os pregões realizados obedecem estritamente a legislação vigente, sendo todos os processos informados nos diários oficiais e ainda junto ao Tribunal de Contas do Estado da Paraíba, além do portal da transparência da Prefeitura.

“O referido Pregão foi realizado para registro de preços, não tendo a Secretaria de Saúde obrigação de realizar a contratação, pois se trata de modalidade que serve de base para o poder público ter itens registrados, em caso de necessidade de contratação. O processo ocorreu de forma regular, sem qualquer questionamento ou impugnação, seja pelos demais participantes, seja pelos órgãos de controle. Assim que for notificada da referida denúncia, a Secretaria de Saúde irá prestar todas as informações necessárias e mostrar a licitude dos atos praticados no referido processo”, discorre a nota.

Altas temperaturas podem ter provocado rachaduras na Transposição, diz Ministério

Em nota, Ministério do Desenvolvimento Regional garante que manutenção do canal é feita com regularidade

Foto: Edvaldo José

As altas temperaturas, o sol escaldante do Cariri do Estado e o frio à noite podem ter contribuído com o surgimento de rachaduras no canal da Transposição das Águas do Rio São Francisco no Eixo Leste. A informação é do Ministério do Desenvolvimento Regional, responsável pela execução e manutenção da obra. O caso foi denunciado essa semana por moradores da cidade de Monteiro, que relataram fissuras e a presença de plantas no concreto do canal.

“Em decorrência das altas temperaturas da região durante o dia e constante exposição ao sol, além de baixas temperaturas à noite, é esperado que possam surgir fissuras em placas. Por esse motivo, o trabalho de vistoria é constante”, discorre a nota.

O Ministério ressalta ainda que a Transposição no Eixo Leste está em fase de testes, sendo possível eventuais suspensões no bombeamento da água para ajustes no sistema. De acordo com a Aesa, a água trazida pela Transposição não está sendo bombeada para a Paraíba desde o mês de fevereiro deste ano. A nota do Ministério não diz, entretanto, quando as águas voltarão a chegar no Estado.

“Vale ressaltar que as obras do Projeto São Francisco possuem 477 quilômetros de extensão. No Eixo Norte, com 260 quilômetros, são três estações de bombeamento, 15 reservatórios, oito aquedutos e três túneis. Já o Eixo Leste, com 217 quilômetros, é composto por seis estações de bombeamento; cinco aquedutos; 12 reservatórios e um túnel. Tais estruturas poderão apresentar a necessidade de serviços de reparos e manutenções ao logo de sua operação, assim como qualquer outro empreendimento desse porte”, afirma o Ministério.

Boqueirão

Apesar de não estar recebendo água da Transposição atualmente, o Açude de Boqueirão, que abastece Campina Grande e mais 18 cidades, tem água suficiente para garantir o abastecimento da região pelos próximos meses.

“Interrupções temporárias no bombeamento não afetaram a chegada da água à população na região de Campina Grande, por exemplo, que é atendida pelo sistema desde março de 2017. Neste período, mesmo em fase de pré-operação, o Projeto tem beneficiado mais de um milhão de habitantes em 38 cidades da Paraíba e de Pernambuco, sem custos aos governos estaduais”, informa a nota.

Câmara paga R$ 1 mil por sessão de fotos e presidente não acha caro

Presidente do Legislativo de Puxinanã alega que fez pesquisa de preço antes de contratar serviço de fotografia

A Câmara Municipal de Vereadores da cidade de Puxinanã, município vizinho a Campina Grande, tem investido dinheiro na contratação de um serviço, no mínimo, curioso. A Mesa Diretora da ‘Casa’ tem pago caro pelo serviço de fotografias de sessões realizadas pelo Legislativo municipal. Em um dos casos, foi pago R$ 1 mil a um fotógrafo por fotos no Dia Internacional de Mulher (8 de março) deste ano.

Dados do Tribunal de Contas do Estado (TCE) mostram, porém, que o serviço se repetiu outras vezes. No dia 07 de maio o mesmo fotógrafo foi contratado para registrar mais uma sessão da ‘Casa’, dessa vez por R$ 700. Um outro empenho, disponibilizado pelo sistema Sagres, indica que foram pagos R$ 625 por fotografias feitas durante uma audiência pública.

O presidente da Câmara, vereador Luiz do Nascimento (conhecido como Didi da Farinha), garante que fez uma pesquisa de preços antes de contratar o serviço. Ele avaliou que os valores pagos não são caros e estão dentro dos padrões de preços. “Um pai de família passar o dia todinho tirando foto, editar e colocar lá o material todinho. E fazer questão por isso?”, justificou o vereador.

Análise

Os gastos feitos pela Mesa Diretora da Câmara de vereadores de Puxinanã parecem elevados. O Blog ouviu dois fotógrafos de Campina grande, com ampla experiência nesse tipo de serviço. Ao Blog, os dois disseram que realizariam o serviço até pela metade do preço – ou seja, por R$ 500.

Além disso, o ‘investimento’ nesse tipo de serviço é questionável. Em uma cidade pequena, que já possui poucos recursos para serem investidos em ações que melhorem as condições de vida da população, o Legislativo municipal investir mais de R$ 2,3 mil em fotografias, em apenas três sessões, parece descabido e distante do zelo com o dinheiro público.