Opinião 16:03

STF manda soltar prefeito da Paraíba flagrado com dinheiro na cueca e apoiadores fazem ‘festa’

João Bosco é investigado na Operação Pés de Barro. Eleitores comemoraram nas ruas de Uiraúna

Foto: reprodução

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de Mello, mandou soltar o prefeito da cidade de Uiraúna, no Sertão do Estado, João Bosco Fernandes. Ele foi flagrado em um vídeo, divulgado pela Polícia Federal na Operação Pés de Barro, carregando dinheiro na cueca – supostamente de propina, conforme os investigadores. A investigação apura o pagamento de propina e desvio da obra da adutora capivara.

João Bosco estava preso desde o fim do ano passado. Ontem à noite, quando a decisão foi divulgada, apoiadores dele fizeram uma carreata na cidade – uma nítida demonstração de que a democracia brasileira tem particularidades ainda difíceis de serem compreendidas. Por aqui (no Brasil) é comum eleitores promoverem ‘festas’ quando agentes públicos investigados e presos retornam à liberdade.

Na decisão o ministro determinou o pagamento de uma fiança de R$ 522 mil. João Bosco deverá deixar a penitenciária Hitler Cantalice na próxima segunda-feira, caso consiga pagar o ‘montante’ arbitrado. Os advogados dele disseram que vão recorrer para tentar diminuir o valor da fiança.

A operação Pés de Barro

A operação tem como base um acordo de colaboração premiada. O colaborador disse à Polícia Federal que teria sido pressionado a pagar propinas que variavam entre 10% e 5%. As vantagens ilícitas, de acordo com a Polícia Federal, viriam de suposto superfaturamento das obras da Adutora de Capivara. O sistema adutor deve se estender do município de São José do Rio do Peixe-PB ao município de Uiraúna-PB, no Sertão da Paraíba.

As obras contratadas, inicialmente, pelo montante de R$ 24,8 milhões já teriam permitido, de acordo com as investigações, a distribuição de propinas no valor R$ 1,2 milhão. Além do prefeito João Bosco, o deputado federal Wilson Santiago (PTB) também é alvo da investigação.

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