MP apura pedido de propina de ‘delator’ da Calvário para campanha de Romero Rodrigues

Prefeitura de Campina afirma que nunca teve contratos com organizações sociais investigadas. Prefeito diz que jamais recebeu recursos

O Ministério Público está investigando um suposto pedido de propina, no valor de R$ 150 mil, feito por um dos delatores da Operação Calvário, Daniel Gomes da Silva, para a “estruturação da campanha” do prefeito Romero Rodrigues à prefeitura de Campina Grande. A informação faz parte da representação, feita pelo Gaeco do Ministério Público, com os pedidos de busca e apreensão e de prisão no âmbito da Operação Juízo Final, desencadeada nesta terça-feira (17).

De acordo com o MP, a solicitação de “adiantamento de propina” teria sido pedida por Jovino Machado Neto. Em contrapartida, o município de Campina Grande aprovaria leis que possibilitassem a atuação de Organizações Sociais na gestão municipal. No documento, não há a especificação de para qual campanha o suposto pedido teria sido realizado.

 

Em nota, a prefeitura de Campina Grande informou que o município jamais teve contratos firmados com Organizações Sociais investigadas pela Operação Calvário. De acordo com a prefeitura, a gestão municipalizou serviços e hospitais. “Caso houvesse minimamente qualquer procedência em relação à citação do Sr. Daniel Gomes, a contrapartida apontada na colaboração premiada do empresário – a contratação da OS Cruz Vermelha no âmbito do Município de Campina Grande – teria sido consolidada, o que JAMAIS ocorreu. Até mesmo uma lei aprovada e que permitia a terceirização de serviços em várias áreas foi revogada pelo prefeito, tão logo assumiu em 2013, de forma unilateral e firme, sem deixar brechas para quaisquer iniciativas nesse sentido”, relata a nota.

“O prefeito Romero Rodrigues jamais aceitou contribuição financeira para qualquer de suas campanhas em troca de possíveis favores futuros a grupos empresariais”, diz outro trecho da nota enviada pela Coordenação de Comunicação da Prefeitura de Campina Grande. O blog ainda não conseguiu contato com o advogado Jovino Machado Neto, citado no documento pelo MP.

Outros municípios

A representação feita pelo MP elenca uma lista de municípios onde, segundo as investigações, as Organizações Sociais investigadas na Calvário teriam o interesse de firmar possíveis contratos. Não há informação, no entanto, de que esses municípios chegaram a contratar as entidades.

 

Confira a nota oficial da Prefeitura de Campina Grande

N O T A

​A Prefeitura de Campina Grande vem a público prestar os seguintes esclarecimentos a respeito de uma possível citação do nome do prefeito Romero Rodrigues na colaboração premiada do Sr. Daniel Gomes, da Cruz Vermelha, citando suposta doação de R$ 150 mil para uma de suas campanhas eleitorais em Campina Grande:

1) O prefeito Romero Rodrigues jamais aceitou contribuição financeira para qualquer de suas campanhas em troca de possíveis favores futuros a grupos empresariais.

2) Caso houvesse minimamente qualquer procedência em relação à citação do Sr. Daniel Gomes, a contrapartida apontada na colaboração premiada do empresário – a contratação da OS Cruz Vermelha no âmbito do Município de Campina Grande – teria sido consolidada, o que JAMAIS ocorreu. Até mesmo uma lei aprovada e que permitia a terceirização de serviços em várias áreas foi revogada pelo prefeito, tão logo assumiu em 2013, de forma unilateral e firme, sem deixar brechas para quaisquer iniciativas nesse sentido.

3) O prefeito Romero Rodrigues rechaça, veementemente, qualquer insinuação sobre seu envolvimento, direto ou indireto, em quaisquer esquemas de desvios de dinheiro público e, nesse caso particular, a própria opção político-ideológica de seu governo em prol do fortalecimento do patrimônio do Município evidencia a nítidaimprocedência da informação.

4) Bem ao contrário de investir recursos públicos na contratação de Organizações Sociais suspeitas, o prefeito Romero Rodrigues fez a opção, sim, pelo caminho oposto, na área de Saúde: municipalizouos hospitais Pedro I e Dr. Edgley, além de promover a aquisição patrimonial da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), hoje transformada em Centro Especializado de Reabilitação – uma das referências no Brasil na atenção às crianças e jovens com deficiência.

5) Na prática, o caminho por municipalizar serviços mostrou-se muito mais saudável do ponto de vista institucional e menos danoso ao erário do que a opção fácil e perigosa da terceirização, na avaliação do prefeito.

6) Colocando-se inteiramente à disposição da Justiça e das autoridades para prestar todo e qualquer esclarecimento a respeito de qualquer informação que diga respeito à sua conduta na vida pública, o prefeito Romero Rodrigues, de peito aberto e consciência tranquila, reafirma sua confiança nos rumos das investigações, principalmente quando se tratar de separar o joio do trigo e confirmar a lisura e inocência dos que estão sendo levianamente levados à vala comum das suspeitas e acusações sem provas e consistência.

Coordenadoria de Comunicação da Prefeitura de Campina Grande

STJ afasta dois conselheiros do TCE investigados na Operação Calvário

Três conselheiros do órgão são investigados e foram alvos de mandados de busca e apreensão

Foto: Ascom

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) afastou, por 120 dias, os conselheiros do Tribunal de Contas da Paraíba (TCE) Artur Cunha Lima e Nominando Diniz, investigados durante a operação Juízo Final – desdobramento da Operação Calvário. De acordo com a Polícia Federal, a decisão aconteceu com base nos elementos de prova e documentações apreendidas nesta terça-feira (17).

Os conselheiros do Tribunal de Contas do Estado que se tornaram alvos da operação foram Arthur Cunha Lima, André Carlo Torres e Nominando Diniz. Os três foram presidentes da corte. Os conselheiros são citados na ação que investiga o desvio de recursos públicos através do uso de organizações sociais. A lista inclui principalmente a Cruz Vermelha Brasileira e o IPCEP. A assessoria de imprensa do TCE informou que uma reunião está marcada para acontecer em instantes, para discutir o assunto.

A operação

A ação desencadeada nesta terça-feira (17) tem o objetivo, de acordo com a Polícia Federal, de combater uma organização criminosa atuante em desvio de recursos públicos destinados aos serviços de saúde no Estado da Paraíba, por meio de fraudes em procedimentos licitatórios e em concurso público, corrupção e financiamento de campanhas de agentes políticos, bem como superfaturamento em equipamentos, serviços e medicamentos.

A operação, realizada em conjunto com o o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado GAECO/PB, Ministério Público Federal e Controladoria-Geral da União – CGU, apura desvio de recursos públicos na ordem de R$ 134,2 milhões, dos quais mais de R$ 120 milhões teriam sido destinados a agentes políticos e às campanhas eleitorais de 2010, 2014 e 2018.

Golpe do precatório: TJPB alerta para ligações que cobram taxas para liberação de dinheiro

Tribunal vai pedir que Ministério Público apure golpes. Mais de R$ 43 milhões foram pagos nos primeiros nove meses de 2019

Foto: Ascom

O Tribunal de Justiça da Paraíba está alertando credores de precatórios para a atuação de golpistas. Eles entram em contato por telefone com as vítimas (credores) e exigem o pagamento de ‘taxas’ e ‘despesas’ para uma suposta liberação dos valores. A prática está sendo denunciada por familiares de credores paraibanos e será investigada pelo Ministério Público.

A mãe do bancário Lúcio Flávio foi uma das vítimas. Ele informou que ela recebeu a ligação de um homem se passando por servidor do Tribunal de Justiça da Paraíba. “Esse homem orientou minha mãe a ligar para outra pessoa, um procurador, em Brasília. Ela falou comigo e, diante das informações, entrei em contato com o suposto servidor do Tribunal. Ele me colocou para falar com o suposto procurador, que dizia ser responsável pela liberação dos precatórios, informando que tinha uma despesa cartorária a ser paga, no valor de R$ 1.4 mil e que seria emitida uma guia para o pagamento”, relatou o bancário.

Credores devem desconfiar de ligações

O gerente de precatórios do Tribunal, João Paulo Lins, lembrou que os credores devem desconfiar de propostas que tendem a solicitar vantagens ou valores. João Paulo lembrou que existe um canal de atendimento aberto com todos os credores de precatórios, que é a Geprecat, funcionando no horário das 12h às 19h, de segunda a quinta, e na sexta, das 7h às 14h. “A única forma oficial de comunicação que existe entre o Tribunal e os credores são as publicações efetuadas através da edição eletrônica do Diário da Justiça”, alertou.

O pagamento de precatórios é feito através de depósito em conta bancária no nome do próprio credor.  Os dados bancários devem coincidir com os contidos no processo. Se for indicada uma conta bancária de terceiro, esse dinheiro fica provisionado, não havendo o pagamento.

Preservação dos dados

Em julho deste ano a presidência do Tribunal de Justiça publicou o Ato nº 051/2019, determinando a instituição do sigilo no acesso aos autos de precatórios para o resguardo dos dados sensíveis (informações pessoais) neles contidos, no âmbito do Poder Judiciário da Paraíba. A lista de credores é pública, mas dados como conta bancária, endereço e documentação pessoal são sigilosos.

Volume de recursos

Nos primeiros nove meses deste ano, somente em relação aos precatórios de beneficiários do Estado, foram pagos mais de R$ 61 milhões, atendendo 2.625 pessoas. Dados da Gerência de Precatórios revelam que, no tocante às preferências dos municípios, o período teve 116 beneficiários, com pagamento de aproximadamente R$ 2,4 milhões. Considerando o pagamento pela ordem cronológica, 830 precatórios foram pagos, atingindo um valor aproximado de R$ 43,4 milhões.

Cozinheira de Campina Grande aparece como dona de empresa milionária investigada na Calvário

Uma das empresas forneceu livros para prefeitura de João Pessoa na gestão do ex-governador Ricardo Coutinho

Foto: Ascom

Entre as várias formas de desvios e fraudes investigadas na Operação Calvário, que apura pagamento de propina em contratos da Saúde e da Educação com Organizações Sociais na Paraíba, o Ministério Público e a Polícia Federal estão investigando a atuação de ‘laranjas’ em empresas suspeitas de terem relação com familiares do ex-governador Ricardo Coutinho (PSB), alvo de mandado de prisão expedido pela Justiça ontem (17). Um desses casos é de uma cozinheira, que mora no bairro do Pedregal em Campina Grande. As informações estão na decisão do desembargador Ricardo Vital, que determinou as prisões de 17 pessoas investigadas na Operação Juízo Final.

De acordo com as investigações, Sonaly Dias Barros seria proprietária da empresa L & M Lojão do Escritório LTDA desde 2012 e já figurou como sócia da empresa Alpha & Beta Construções e também da empresa Soluções AP LTDA, citada pela Revista Época por supostas irregularidades no fornecimento de livros para a prefeitura de João Pessoa entre os anos de 2007 e 2010 – quando o ex-governador Ricardo Coutinho era prefeito da Capital. Mais de R$ 1,7 milhão foram pagos na aquisição de livros, de acordo com o MP.

Além de Sonaly Dias, o MP apura se a investigada Denise Krummenauer Pahim também serviu de ‘laranja’ para o suposto ‘esquema’. Denise foi um dos alvos de mandados de prisão preventiva expedidos pela Justiça.

Confira o trecho da decisão da Justiça

 

Outro lado: 

O advogado Eduardo Cavalcanti, que faz a defesa do ex-governador Ricardo Coutinho, informou que ainda está tomando ciência do conteúdo e acompanhando as medidas que estão sendo executadas.

A operação Juízo Final

A ação desencadeada nesta terça-feira (17) tem o objetivo, de acordo com a Polícia Federal, de combater uma organização criminosa atuante em desvio de recursos públicos destinados aos serviços de saúde no Estado da Paraíba, por meio de fraudes em procedimentos licitatórios e em concurso público, corrupção e financiamento de campanhas de agentes políticos, bem como superfaturamento em equipamentos, serviços e medicamentos.

A operação, realizada em conjunto com o o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado GAECO/PB, Ministério Público Federal e Controladoria-Geral da União – CGU, apura desvio de recursos públicos na ordem de R$ 134,2 milhões, dos quais mais de R$ 120 milhões teriam sido destinados a agentes políticos e às campanhas eleitorais de 2010, 2014 e 2018.

 

Governador exonera Edvaldo Rosas e Cláudia Veras, investigados em ‘esquema’ na Calvário

Ex-secretária de saúde do Estado foi presa nesta terça-feira. Já Edvaldo Rosas também é investigado por envolvimento no esquema

Foto: Secom

Após mais uma fase da Operação Calvário, que abalou nesta terça-feira (17) a política paraibana, o governador João Azevêdo (sem partido) exonerou a ex-secretária de saúde do Estado, Cláudia Veras, e o ex-presidente estadual do PSB, Edvaldo Rosas – ambos alvos na operação Juízo Final do Gaeco e da Polícia Federal.

Cláudia Veras deixa a Secretaria de Executiva de Desenvolvimento e da Articulação Municipal, após ser presa preventivamente. Já Rosas deixa a Secretaria de Governo e também  foi alvo de mandado de busca e apreensão nesta terça-feira.

De acordo com as investigações do Gaeco, a ex-secretária de saúde teria tido participação ativa no esquema de desvios de recursos públicos e pagamento de propina, investigado na Calvário. Já Edvaldo Rosas é apontado como beneficiário direto de propinas. A exoneração de Rosas foi feita a pedido.

Em votação secreta, Assembleia Legislativa da Paraíba decide revogar prisão de Estela Bezerra

Deputada havia sido presa preventivamente na manhã desta terça-feira, na Operação Calvário

Foto: Blog Pleno Poder

A Assembleia Legislativa da Paraíba decidiu, na noite desta terça-feira (17), revogar a prisão preventiva da deputada estadual Estela Bezerra (PSB), investigada no esquema de fraudes descoberto pela Operação Calvário. A decisão foi tomada pela maioria dos deputados, em votação secreta, seguindo um entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) que permite aos legislativos estaduais revogarem prisões de membros das ‘Casas’ – assim como ocorre no Congresso Nacional. Trinta deputados votaram. 25 deputados votaram pela não manutenção da prisão.

“O que estamos votando aqui é tão somente as prerrogativas dadas aos deputados na Constituição, que diz que um deputado só pode ser preso em flagrante delito, ou se tiver autorização do Legislativo. Não estamos contrariando a decisão do Tribunal de Justiça, estamos apenas exercendo nosso direito constitucional”, observou o presidente da Assembleia, Adriano Galdino (PSB).

Estela é apontada pelo Ministério Público, juntamente com a deputada Cida Ramos (PSB), como uma das articuladoras do suposto esquema que teria desviado recursos da saúde pública da Paraíba nas gestões do ex-governador Ricardo Coutinho (PSB).  No início da tarde, a Assembleia Legislativa do Estado divulgou uma nota oficial sobre o tema:

Nota

Durante o ano de 2019 a Assembleia Legislativa da Paraíba se notabilizou por encampar um novo pacto constitucional na Paraíba que primou pela convivência harmoniosa entre os Poderes, sem que nenhum destes perdesse sua autonomia, liberdade e prerrogativas.

Isso trouxe tranquilidade administrativa para todos os entes do Estado, ao tempo em que permitiu que cada um atuasse com plena autonomia, mesmo diante de fatos que poderiam desestabilizar o Estado paraibano, como é sabido por todos.

Em maio deste ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu estender as Assembleia Legislativas a prerrogativa de reverter prisões decretadas pelo Poder Judiciário contra parlamentares estaduais. Com isso, deputados estaduais passaram a seguir a mesma regra prevista na Constituição Federal para deputados federais e senadores.

Diante da realização da VII fase da “Operação Calvário” deflagrada nesta terça-feira, 17, na qual foi pedida pelo Ministério Público e acatada pela Justiça, a prisão da deputada estadual Estela Bezerra (PSB), a Assembleia Legislativa da Paraíba aguarda ser notificada oficialmente pelo Poder Judiciário para se reunir e deliberar sobre o assunto.

O presidente da Casa Epitácio Pessoa, deputado Adriano Galdino, destaca que não se trata de apenas uma garantia para os deputados estaduais, mas de uma prerrogativa do Poder Legislativo, que já estava na Constituição do Brasil e na Constituição da Paraíba.

Governo diz que está colaborando com investigações da Calvário. PSB defende Ricardo Coutinho

Um dos mandados de busca foi cumprido na Granja Santana e teve como alvo o governador João Azevêdo

Foto: Ascom

Em uma nota de menos de cinco linhas, o Governo da Paraíba se pronunciou na tarde desta terça-feira (17) sobre a Operação Juízo Final – desdobramento da Operação Calvário, que apura fraudes milionárias na Saúde e na Educação da Paraíba. Mais cedo, o ex-governador Ricardo Coutinho (PSB) usou as redes sociais para dizer que provará ser inocente. Um dos 54 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça teve como alvo o governador João Azevedo (sem partido) e foi cumprido na Granja Santana. Até agora, 13 pessoas foram presas.

“O Governo do Estado, diante das operações de buscas e apreensões ocorridas nesta terça-feira (17) nas dependências da administração estadual, por conta da Operação Calvário, vem esclarecer que desde o início da atual gestão tem mantido a postura de colaborar com quaisquer informações ou acesso que a Justiça determinar em seus processos investigativos”, diz a nota do Governo do Estado.

PSB diz acreditar em Ricardo Coutinho

Também por nota, o Partido Socialista Brasileiro (PSB) disse apoiar as investigações, mas reiterou a confiança na conduta do ex-governador Ricardo Coutinho e nos demais investigados, alvos de mandados de prisão nesta terça-feira.

Com prisão decretada, Ricardo diz que vai se apresentar à Justiça e provar inocência

Ex-governador usou as redes sociais para falar sobre a Operação Calvário pela primeira vez. Ele teve prisão decretada

Foto: Francisco França/Secom

O ex-governador Ricardo Coutinho (PSB) usou as redes sociais para fazer o seu primeiro pronunciamento sobre a decisão da Justiça, que decretou a sua prisão no âmbito da Operação Calvário. Ele disse que vai retornar à Paraíba e se apresentará à Justiça, para provar ser inocente.

Confira a nota na íntegra

 

 

Esquema investigado na Calvário financiou campanhas de Ricardo ao Governo do Estado

Decisão que mandou prender ex-governador Ricardo Coutinho narra pedidos milionários de propina na Saúde

Foto: Francisco França/Secom

A decisão que mandou prender o ex-governador Ricardo Coutinho (PSB), a deputada estadual Estela Bezerra (PSB) e outras 15 pessoas relata fatos escandalosos – supostamente praticados durante as duas gestões socialistas no Governo da Paraíba. De acordo com a investigação do Ministério Público, o próprio ex-governador chegou a pedir por várias vezes propina de contratos na Saúde pública do Estado. Os recursos teriam como finalidade o financiamento das campanhas políticas de 2010, 2014 e 2018.

Em um dos trechos, o investigado Daniel Gomes relata com riqueza de detalhes como os pedidos eram feitos, com os recursos sendo retirados de contratos milionários com a Cruz Vermelha e o IPCEP – organizações sociais contratadas para administrar hospitais paraibanos.

Três conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PB) também são investigados. Eles, além do governador João Azevedo (sem partido), foram alvos de mandados de busca e apreensão.

Confira alguns trechos da decisão:

 

 

 

Outro lado: 

O advogado Eduardo Cavalcanti, que faz a defesa do ex-governador Ricardo Coutinho, informou que ainda está tomando ciência do conteúdo e acompanhando as medidas que estão sendo executadas. O advogado da deputada Cida Ramos, Getúlio de Souza, afirmou que acompanhou o cumprimento do mandado de busca e apreensão na casa da parlamentar e que ela não deve comparecer à sessão da Assembleia Legislativa nesta terça-feira. “A deputada está muito tranquila no que tange a essa fase da operação. E quantas e quantas vezes ela for solicitada, ela irá colaborar com a Justiça, até porque ela não tem nada a esconder”, afirmou.

O Tribunal de Contas do Estado disse, através da assessoria de imprensa, que ainda não tem um posicionamento sobre a investigação. Após sessão da câmara do órgão, os conselheiros vão se reunir e uma nota pode ser divulgada ainda nesta terça. A outra possibilidade é a de que a corte se manifeste oficialmente na sessão do Pleno, na quarta.

O Partido Socialista Brasileiro (PSB) informou, por e-mail, que no momento não vai emitir nenhum nota de posicionamento. A assessoria de comunicação da prefeitura do Conde também não vai se posicionar sobre o caso até que obtenha mais detalhes sobre o caso. A assessoria da deputada estadual Estela Bezerra ainda não se pronunciou sobre o caso, assim como o Governo do Estado.

Os alvos

Além do ex-governador, a deputada Estela Bezerra (PSB), o ex-procurador geral do Estado Gilberto Carneiro e outros agentes políticos e ex-auxiliares da gestão socialista também tiveram as prisões decretadas pela Justiça.

Veja a lista dos alvos de mandado de prisão:

1. Ricardo Vieira Coutinho (PSB)
2. Estela Bezerra (PSB)
3. Márcia Lucena (PSB)
4. Waldson de Souza
5. Gilberto Carneiro
6. Cláudia Veras
7. Coriolano Coutinho
8. Bruno Miguel Teixeira
9. José Arthur Viana
10. Breno Dornelle Pahim
11. Francisco das Chagas Pereira
12. Denise Krummenauer Pahim
13. David Clemente Correia
14. Márcio Nogueira Vignoli
15. Valdemar Ábila
16. Vladmir dos Santos Neiva
17. Hilário Ananias Queiroz Nogueira

 

Gaeco e Polícia Federal fazem buscas na Granja Santana e em alvos do TCE. Veja lista dos conselheiros

Operação acontece nesta terça-feira. Ex-governador Ricardo Coutinho ainda não foi preso

Foto: Ascom

Equipes do Gaeco e da Polícia Federal também cumpriram mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça na Granja Santana, residência oficial do governador da Paraíba, e também em residências ligadas a conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PB). As buscas fazem parte da Operação Juízo Final, desencadeada nesta terça-feira (17) – em desdobramento da Operação Calvário.

Os conselheiros do Tribunal de Contas do Estado que se tornaram alvos da operação foram Arthur Cunha Lima, André Carlo Torres e Nominando Diniz. Os três foram presidentes da corte. Os conselheiros são citados na ação que investiga o desvio de recursos públicos através do uso de organizações sociais. A lista inclui principalmente a Cruz Vermelha Brasileira e o IPCEP.

Na ação a Justiça determinou a prisão do ex-governador Ricardo Coutinho (PSB). A determinação foi do desembargador Ricardo Vital, atendendo a um pedido feito pelo Ministério Público Além do ex-governador, a deputada Estela Bezerra (PSB), o ex-procurador geral do Estado Gilberto Carneiro e outros agentes políticos e ex-auxiliares da gestão socialista também tiveram as prisões decretadas pela Justiça.

Veja a lista dos alvos de mandado de prisão:

1. Ricardo Vieira Coutinho (PSB)
2. Estela Bezerra (PSB)
3. Márcia Lucena (PSB)
4. Waldson de Souza
5. Gilberto Carneiro
6. Cláudia Veras
7. Coriolano Coutinho
8. Bruno Miguel Teixeira
9. José Arthur Viana
10. Breno Dornelle Pahim
11. Francisco das Chagas Pereira
12. Denise Krummenauer Pahim
13. David Clemente Correia
14. Márcio Nogueira Vignoli
15. Valdemar Ábila
16. Vladmir dos Santos Neiva
17. Hilário Ananias Queiroz Nogueira

A operação

A ação desencadeada nesta terça-feira (17) tem o objetivo, de acordo com a Polícia Federal, de combater uma organização criminosa atuante em desvio de recursos públicos destinados aos serviços de saúde no Estado da Paraíba, por meio de fraudes em procedimentos licitatórios e em concurso público, corrupção e financiamento de campanhas de agentes políticos, bem como superfaturamento em equipamentos, serviços e medicamentos.

A operação, realizada em conjunto com o o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado GAECO/PB, Ministério Público Federal e Controladoria-Geral da União – CGU, apura desvio de recursos públicos na ordem de R$ 134,2 milhões, dos quais mais de R$ 120 milhões teriam sido destinados a agentes políticos e às campanhas eleitorais de 2010, 2014 e 2018.

Cerca de 350 Policiais Federais, além de Procuradores da República e auditores da CGU dão cumprimento a 54 mandados de busca e apreensão e 17 mandados de prisão preventiva, nos estados da Paraíba, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Goiânia e Paraná.

De acordo com as investigações, organizações socias, dentre outras, organizaram uma rede de prestadores de serviços terceirizados e de fornecedores, com a celebração de contratos com sobre-preço na gestão dos Hospitais de Trauma, de Mamanguape/PB e o Metropolitano em Santa Rita/PB.

De modo a se blindar de fiscalização do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba, a organização pagou reiteradamente vantagens indevidas, valendo-se de contratos de “advocacia preventiva” ou contratos de “advocacia por êxito”, de modo a ocultar ou dissimular a natureza, origem, disposição e movimentação dos valores.

Verificou-se ainda o uso eleitoral dos serviços de saúde, com direcionamento de atendimentos e fraude no concurso de pré-seleção de pessoal do Hospital Metropolitano no ano de 2018.

Após a constatação de que agente político, que ocupou cargo de alto escalão no executivo estadual, encontra-se fora do país, foi solicitada a inclusão do seu nome na difusão vermelha da Interpol.

Os investigados irão responder, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes poderão responder pelos crimes previstos de organização criminosa, fraude em licitação, corrupção passiva e ativa.