Flagrado com dinheiro na cueca, prefeito da Paraíba disse que tinha “direito” a propina

PF diz que prefeito de Uiraúna recebeu R$ 40 mil em propina, mas reclamou que pagamento deveria ser de R$ 58 mil “e uns quebradinhos”

Foto: Reprodução de documento da Polícia Federal

Flagrado carregando dinheiro na cueca, o prefeito da cidade de Uiraúna, João Bosco Fernandes, chegou a reclamar dos recursos recebidos – supostamente propina, de acordo com a Polícia Federal. Em um dos encontros gravados entre o gestor e um empresário, responsável pelas obras da Adutora Capivara, o prefeito teria dito que “eu tô atrás de receber o que eu tenho direito. Tô atrás do seu não”. A conversa faz parte da representação feita pela Polícia Federal, com pedido de prisão dele e de outros investigados na Operação Pés de Barro, deflagrada no último sábado (21). 

No encontro, realizado na sede do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) em João Pessoa, o empresário entregou R$ 40 mil em propina ao prefeito, conforme a Polícia Federal. Mas ele argumentou que o pagamento deveria ter sido de “cinquenta e oito mil e uns quebradinhos”.

 

 

No total, pelo menos 15 entregas de dinheiro estão sendo investigadas. Algumas delas teriam como destinatário o próprio prefeito João Bosco, preso neste sábado. Outras, o deputado federal Wilson Santiago, afastado do cargo por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). Evani Ramalho e Israel Nunes de Lima, ambos assessores de Santiago, e Severino Batista do Nascimento Neto, motorista de Bosco, também foram presos.

A operação

A operação tem como base um acordo de colaboração premiada. O colaborador disse à Polícia Federal que teria sido pressionado a pagar propinas de 10% ao deputado e 5% ao prefeito. Este último teria passado a receber os recursos a partir de 2017. As vantagens ilícitas, de acordo com a Polícia Federal, viriam de suposto superfaturamento das obras da Adutora de Capivara. O sistema adutor deve se estender do município de São José do Rio do Peixe-PB ao município de Uiraúna-PB, no Sertão da Paraíba.

As obras contratadas, inicialmente, pelo montante de R$ 24,8milhões já teriam permitido, de acordo com as investigações, a distribuição de propinas no valor R$ 1,2 milhão.

Nota do deputado Wilson Santiago:

Na manhã de hoje fomos surpreendidos por Operação da Polícia Federal. A operação em questão foi baseada na delação do empresário George Ramalho, o qual foi preso em abril de 2019 na Operação Feudo. Segundo as informações preliminares, o delator iniciou no segundo semestre de 2019 a construção de um roteiro, que servisse como base para acordo que lhe favorecesse na operação que foi alvo de prisão. O delator busca a todo momento, construir relações que possam nos implicar de forma pessoal e criminalizar o trabalho parlamentar.

Fica evidente, que o delator usa um princípio jurídico que veio para ser um instrumento de promoção de justiça, como artifício para favorecimento pessoal e evitar condenação na Operação Feudo. Temos certeza que esse tipo de ação criminosa será coibida. Não podemos aceitar que a ação política fique refém dessas práticas. Dessa forma, tomaremos as medidas cabíveis para que a verdade venha à tona, com o esclarecimento das questões objeto da investigação e nossos direitos sejam restabelecidos. Estamos à disposição da Justiça para colaborar em todo o processo.

Nota do prefeito de Uiraúna:

O prefeito constitucional de Uiraúna, João Bosco Nonato Fernandes, foi surpreendido na manhã desse sábado (21) com a ação da Polícia Federal em sua residência e na residência de pessoas ligadas ao deputado federal Wilson Santiago, contudo não se absteve em nenhum momento de colaborar com as investigações e cooperar com o Trabalho do Ministério Público Federal.

O Processo tramita em sigilo. O prefeito está nesse momento sendo conduzido à capital João Pessoa, acompanhado de seus advogados, para prestar os devidos esclarecimentos que forem necessários à Polícia Federal. Os advogados de defesa do prefeito no entanto não tiveram ainda acesso ao conteúdo dos autos na íntegra, por tanto maiores esclarecimentos só serão passados após análise total dos fatos.
O prefeito João Bosco Nonato Fernandes e seus advogados estão confiantes de que a inocência do mesmo acerca das acusações será provada e a verdade reestabelecida tão breve seja possível.

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