Após quase 6 anos, homem acusado de mandar matar padrinhos no casamento será julgado

Com infinidade de recursos, empresário conseguiu postergar julgamento e diminuir ‘clamor popular’

Foto: reprodução TV Paraíba

Hoje a Justiça começa a julgar, no Tribunal do Júri, o empresário Nelsivan Marques de Carvalho. Ele é suspeito de ter mandado matar o casal de padrinhos Washington Luiz Alves de Menezes e Lúcia Santana Pereira, no dia do seu próprio casamento –  29 de março de 2014, em frente a uma casa de recepção em Campina Grande. Da data do crime até aqui, são quase 6 anos de recursos para tentar evitar que o júri ocorresse.

Mas, além de tentar provar a tese da inocência, ao postergar a realização do júri a defesa conseguiu obter um outro ‘bônus’: diminuir o clamor popular em torno do caso. Tática, obviamente, legítima e constantemente usada em outros processos do tribunal do júri. Em um caso de grande repercussão como o de Nelsivan, que foi destaque inclusive no programa Fantástico, da Rede Globo, a estratégia da defesa não poderia ser diferente.

O empresário permaneceu preso desde a época do crime até agora. Recorreu ao TJ, STJ e ao STF para não ir a júri popular. Os indícios de participação dele nas mortes são fortíssimos. Mas em outros casos, nem sempre os réus permanecem encarcerados. Muitos utilizam recursos para adiar os julgamentos e passam anos e anos longe das grades; uma lógica processual que pode fazer toda a diferença no resultado do julgamento. E, em alguns casos, resultar na absolvição dos réus.

Além de Nelsivan, irão sentar no banco dos réus Aleff Sampaio dos Santos e Maria Gorete Alves Pereira, também acusados de envolvimento no duplo homicídio. Dos seis denunciados pelo MP, três já foram julgados. Franciclécio de Fárias Rodrigues foi condenado a 54 anos e seis meses de reclusão em regime inicialmente fechado. Gilmar Barreto da Silva foi condenado a 37 anos e quatro meses de prisão. Já Samuel Alves da Silva deverá cumprir uma pena de 42 anos de reclusão.

As mortes

De acordo com a denúncia do MP, as vítimas chegaram no local da festa e deixaram o vigia, Lindon Jhonson da Silva, responsável por cuidar de seu veículo. Terminada a cerimônia, Washington Luiz Alves de Menezes e Lúcia Santana Pereira se despediram dos noivos, por volta das 21h, e foram embora, seguindo em direção ao seu carro, quando foram assassinados. Segundo o MP, os crimes teriam sido encomendados pelo noivo, Nelsivan Marques. Ele teria mandado executar as vítimas para assumir o controle de uma faculdade particular da cidade.

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