Famintos: ex-chefe de gabinete de Renan diz que vereador administrava empresa investigada

Ao ser interrogado pela Justiça, porém, vereador negou administrar empreendimento. Confira os depoimentos na íntegra

Foto: G1PB

Entre os interrogatórios realizados pela Justiça na semana passada, durante a fase de instrução do processo da Operação Famintos, estão o do vereador de Campina Grande, Renan Maracajá (PSDC), e do ex-chefe de gabinete dele, André Nunes Oliveira Lacet. Em juízo, André afirmou que era o parlamentar que administrava a empresa Comercial Lacet, uma das investigadas por participação em licitações supostamente fraudadas para distribuir merenda em Campina Grande.

“A pedido de Renan essa empresa foi colocada no meu nome. Antes de ser no meu nome, não era no nome dele. Foi no nome dele, passou para o nome de outra pessoa e dessa pessoa passou para o meu. Em toda a trajetória ele sempre foi o administrador. Eu nunca tive escritório na empresa e nunca exerci nenhuma atividade administrativa. Eu não tenho gerência, nem administração, nem ciência do que era feito. Eu não sei nem como funciona um procedimento licitatório. Nunca participei de licitação”, disse o ex-chefe de gabinete.

Confira na íntegra o depoimento de André Lacet 

Por outro lado, Renan negou qualquer tipo de envolvimento em fraudes licitatórias e disse que, após ser eleito vereador em 2016, passou o comando da empresa. “Quando eu me elegi vereador, passei a empresa para frente. André falou comigo, porque eu já conhecia do ramo, já fui da empresa. E perguntou se eu podia dar uma ajuda, porque ele não conhecida do ramo. O ramo dele era outro, mas queria ficar com a empresa. E eu disse sem problema. Se surgir alguma dúvida, alguma situação. Aí eu sempre ajudava quando ele me perguntava”, afirmou.

Durante o interrogatório o juiz da 4ª Vara Federal, Rodrigo Costa Vidor, perguntou se Renan teria alguma relação com as licitações disputadas pela empresa investigada. E ele respondeu: “Não. nenhum”.

Confira a íntegra do depoimento de Renan

O caso 

O vereador Renan Maracajá e o ex-chefe de gabinete dele, André Nunes Lacet, estão entre os 16 denunciados pelo MPF por envolvimento em fraudes em licitações, no âmbito da Operação Famintos.  “Embora Renan Tarradt Maracajá formalmente não seja mais sócio da Lacet, ele ainda administra a empresa, de modo que Renan Oliveira Felix e André Nunes de Oliveira Lacet (também preso) são, ao que tudo indica, “laranjas” utilizados para ocultar o controle de Renan Tarradt Maracajá sobre a pessoa jurídica. Isso foi confirmado por meio dos documentos apreendidos na residência de Renan Tarradt Maracajá e na sede da Lacet Comercial quando da execução das medidas de busca e apreensão cumpridas por meio da Operação Famintos”, relatou o MPF, ao pedir a prisão preventiva do vereador.

Ainda segundo as investigações, Renan teria participação ativa na divisão das licitações para distribuir merenda escolar nas escolas municipais campinenses. Ele chegou a ser monitorado por policiais federais e teve conversas grampeadas, com autorização da Justiça. O advogado do vereador Renan Maracajá, Rodrigo Lima, disse que o depoimento do parlamentar condiz com a verdade e ele vai provar ser inocente ao final do processo.

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