Prefeito interino de Patos, Ivanes Lacerda cria Conselho Gestor para administrar cidade

Conselho reúne entidades comunitárias, igrejas, MP e empresários

Foto: Ascom

Depois de promover uma exoneração coletiva de servidores comissionados, cancelar contratos precários e cortar diárias e gratificações, o prefeito interino de Patos, Ivanes Lacerda (MDB), decidiu criar um Conselho Gestor para auxiliá-lo na Administração do município. O órgão é formado por 19 entidades, como igrejas, associações comunitárias, Ministério Público e a Câmara de Dirigentes Lojistas da cidade.

A proposta é de que o Conselho passe a se reunir a cada 15 dias para discutir os problemas da cidade. Na prática, o órgão consultivo deve ‘dividir as responsabilidades’ das decisões da gestão municipal e, ao mesmo tempo, respaldá-las diante da opinião pública. Entre as pautas que deverão estar presentes nos encontros, claro, está o caos financeiro enfrentado pelo município ao longo dos últimos anos. A participação na nova entidade não é remunerada.

“Buscar em conjunto com a Sociedade, Entidades de Representação Social e com o Poder Legislativo, soluções para os inúmeros problemas do município de Patos, bem como, formas que melhorem a gestão municipal. Ressaltando assim, a intenção deste Governo Municipal em primar pela participação popular na condução da atividade municipal”, discorre a Portaria que criou o Conselho.

Histórico de mudanças

Ivanes Lacerda chegou ao comando da prefeitura após a renúncia de Sales Junior (PRB). Sales havia assumido o posto depois da renúncia do então prefeito interino Bonifácio Rocha, em abril deste ano. Vice-prefeito de Patos, Bonifácio Rocha assumiu a gestão da cidade após o afastamento do prefeito Dinaldinho Wanderley (PSDB) da prefeitura, em desdobramento à Operação Cidade Luz.

Bonifácio encontrou um ‘rombo” financeiro de R$ 50 milhões na Prefeitura e baixou um pacote de medidas de cortes de gastos, a exemplo da demissão de comissionados e prestadores, além de reduzir despesas com energia, água, telefone e combustível. Apesar das medidas, não conseguiu equilibrar as finanças do município.

 

Empresária ‘fantasma’ investigada na Famintos tinha irmã fictícia com empresa milionária

Segundo o MPF as empresárias seriam fictícias, mas os milhões recebidos em contratos com prefeituras eram ‘reais’

A história é até confusa e quase inacreditável, mas merece ser contada. As investigações realizadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal revelam que a empresária fictícia Delmira Feliciano Gomes, dona da empresa distribuidora de merenda escolar Delmira Feliciano Gomes ME, investigada na Operação Famintos, tinha uma irmã também fictícia. Trata-se, de acordo com a denúncia do MPF apresentada à Justiça, de Darliane Feliciano Gomes.

E as coincidências não param por aí. Darliane, segundo o MPF, também teria sorte no ramo empresarial e em contratos com prefeituras paraibanas. Ela seria uma das responsáveis pela empresa HNM Comércio de Alimentos LTDA, que foi aberta no dia 10 de novembro de 2011 e teria recebido de lá para cá mais de R$ 1,7 milhão de prefeituras do Estado.

A empresa HNM Comércio de Alimentos, porém, não está entre as investigadas pela Operação Famintos e, segundo a Polícia Federal, ainda não é possível dizer que a irmã fictícia de Delmira (Darliane) tenha sido criada pelo mesmo esquema.

 

As duas pessoas fictícias possuem dados semelhantes a duas irmãs, moradoras de Campina Grande. Mas em depoimento à Polícia Federal elas disseram que não tinham conhecimento da existência das ‘fantasmas’ (Delmira e Darliane) e nunca tiveram qualquer envolvimento nas supostas fraudes.

O caso da Delmira

A empresa foi criada em 2013 e participou de 20 licitações em Campina Grande, saindo vitoriosa em 18 delas. Com uma proprietária fictícia, o empreendimento era representado por procuração por Frederico de Brito Lira e Flávio Souza Maia, segundo a Polícia Federal.

“Nesse cenário, há evidências de que Flávio Souza Maia atua como longa manus do seu patrão Frederico de Brito Lira no controle da pessoa jurídica Delmira Feliciano Gomes ME, de modo que ambos, notadamente o segundo, foram os responsáveis por constituir a empresa de fachada e por criar a pessoa fictícia Delmira Feliciano Gomes”, narra um outro trecho da representação do MPF.

Famintos 1

As investigações foram iniciadas a partir de representação junto ao MPF, que relatou a ocorrência de irregularidades em licitações na Prefeitura de Campina Grande (PB), mediante a contratação de empresas “de fachada”. Com o aprofundamento dos trabalhos pelos órgãos, constatou-se que desde 2013 ocorreram contratos sucessivos, que atingiram um montante pago de R$ 25 milhões. Dois secretários municipais (Administração e Educação) foram afastados pela Justiça.

A CGU, durante auditoria realizada para avaliar a execução do PNAE no município, detectou um prejuízo de cerca de R$ 2,3 milhões, decorrentes de pagamentos por serviços não prestados ou aquisições de gêneros alimentícios em duplicidade no período de janeiro de 2018 a março de 2019.

SOS Transposição teve grito de ‘Lula Livre’, boneco gigante e carta do ex-presidente

Evento em Monteiro reuniu presidente nacional do PT, ex-presidenciável Fernando Haddad, deputados e senadores do Nordeste

O objetivo do evento era, segundo os organizadores, reivindicar a retomada das obras do Eixo Leste da Transposição do São Francisco e o retorno do bombeamento das águas para a Paraíba. Mas inevitavelmente a mobilização teve, também, uma enxurrada de críticas ao Governo Federal (não apenas com relação à Transposição) e a defesa do ex-presidente Lula, condenado na Operação Lava Jato.

Durante os discursos, os apoiadores gritaram o tradicional ‘Lula Livre’ e até um boneco gigante do ex-presidente participou da caminhada. “A luta pela liberdade do Lula é a luta pela liberdade do povo brasileiro. Não vamos ter o resgate da democracia se Lula não tiver um julgamento justo”, defendeu Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT, durante o seu discurso.

A presidente petista entregou uma carta ao ex-governador Ricardo Coutinho (PSB) que teria sido escrita pelo ex-presidente na prisão, em Curitiba. O documento relembrava a inauguração simbólica da obra, há mais de dois anos. “Hoje só posso estar com vocês em pensamento, mas muito em breve estarei em carne e osso”, dizia a carta.

As obras da Transposição do São Francisco se arrastam desde a gestão do ex-presidente Lula. Em fase de testes há dois anos, o projeto enfrenta problemas nos canais e desde fevereiro deste ano não consegue fazer chegar água na Paraíba.

Críticas à Lava Jato

Nem mesmo o ministro (ex-juiz) Sérgio Moro e o procurador chefe da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol, ficaram de fora das críticas dos manifestantes. “Justiça não se faz com trapaças”, dizia uma das faixas levadas por manifestantes.

Haddad diz que Bolsonaro é “sangue ruim”, durante ato pela Transposição

Petista participou de evento ao lado de outras lideranças políticas e não poupou críticas ao Governo Federal

“Bolsonaro é ruim. É sangue ruim. É um cara que não gosta de gente, não gosta do povo. Deveria estar aqui prestando conta do porquê de ter parado a obra”. A declaração é do ex-candidato à presidência da República, Fernando Haddad (PT), ao participar da mobilização SOS Transposição neste domingo (01), na cidade de Monteiro.

Discursando para uma plateia de simpatizantes e pessoas ligadas a movimentos sociais, ele não poupou críticas ao presidente Jair Bolsonaro (PSL) e disse que “a mentira” ganhou as últimas eleições.

O SOS Transposição reuniu deputados federais e lideranças políticas dos Estados da Paraíba, Rio Grande do Norte e Pernambuco – sob a articulação do ex-governador Ricardo Coutinho (PSB).

A mobilização teve por objetivo alertar para a paralisação das obras do Eixo Leste da Transposição, cujo bombeamento não traz água para a Paraíba desde o mês de fevereiro deste ano.