Denúncia 11:48

Sem obras complementares, R$ 9 bi investidos na Transposição não terão efetividade, diz MPF

Procuradora da República em Monteiro, Janaína Andrade, defendeu ações para beneficiar população do Cariri

Foto: Edvaldo José

Inaugurada há dois anos e com um investimento de R$ 9 bilhões, a Transposição do Rio São Francisco ainda está em fase de testes no Eixo Leste e tem tido poucos efeitos práticos para a população do Cariri paraibano.  Com o bombeamento suspenso desde fevereiro deste ano, os ribeirinhos sofrem com a falta de água. Para a procuradora da República em Monteiro, Janaína Andrade, caso ações complementares não sejam adotadas todo o investimento feito estará comprometido.

“Na minha avaliação o prejuízo vai ser todo o valor investido. Para o Cariri paraibano, a água da transposição não teve efetividade, não tem efetividade. Se não houver recuperação do leito do Rio Paraíba, se não houver a inclusão da população da zona rural e a recuperação das barragens, a Transposição não terá efetividade na região do Cariri e os R$ 9 bilhões até então investidos não terão uma aplicação efetiva”, alertou a procuradora.

Moradores de Monteiro denunciaram o abandono da obra. Segundo os relatos, o canal apresenta rachaduras e plantas têm surgido às margens e no concreto da obra, que hoje está 98,7% concluída.  De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Regional, porém, as rachaduras registradas estariam sendo provocadas pela alta temperatura na região.

Foto: Edvaldo José

MPF faz vistoria na Transposição

Uma equipe do Ministério Público Federal (MPF) está vistoriando o canal da Transposição em Monteiro. O objetivo é analisar a dimensão dos problemas apresentados pelos moradores e verificar possíveis causas que teriam feito surgir fissuras ao longo da obra. O relatório dos engenheiros ainda não foi concluído, mas há suspeitas de que os problemas podem ser estruturais.

“Os danos que temos observado nas paredes dos canais não são característicos de uma estrutura de concreto que está sofrendo variação térmica. Na verdade, são pequenas fissuras, desmoronamento de taludes e falta de drenagem pluvial, o que pode indicar falha de infraestrutura”, observou Janaína Andrade.

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