João faz ‘charme’, mas deve nomear mais votado para o MP

Há 14 anos o Procurador Geral de Justiça escolhido na Paraíba é o mais votado na lista tríplice

Foto: Kleide Teixeira

O governador João Azevedo (PSB) tem feito “charme” e afirmado que ainda não tem pensado sobre a indicação do futuro Procurador Geral de Justiça (PGJ), do Ministério Público. Na semana passada, ao ser perguntado se indicará o mais votado na lista tríplice ele disse que vai “analisar as condições” e “se houver a possibilidade de respeitar, vamos respeitar”.

Mas a incógnita deixada por João não possui sentido. É que a notoriedade do Ministério Público, sobretudo depois da Operação Lava Jato, não permite mais esse tipo de conduta. Embora seja plenamente possível, do ponto de vista legal, não nomear o mais votado na lista tríplice traria um desgaste infinitamente maior do que ter de conviver com alguém ‘menos alinhado’ com a Gestão estadual.

Para se ter uma ideia, a última vez que o primeiro colocado na lista tríplice não foi nomeado na Paraíba foi em 2005, na gestão do ex-governador Cássio Cunha Lima. Na época ele nomeou a procuradora Janete Ismael, quando o mais votado pela instituição havia sido o à época promotor Fred Coutinho.

Hoje, com um MP muito mais independente, esse tipo de postura revelaria o que o governador João, certamente, não quer parecer: um gestor que desrespeita a vontade das instituições que compõem o Estado. E mais. Em tempos de Operação Calvário, que tem como alvo aliados próximos ao Governo, a não indicação do mais votado poderia ‘ser entendida’ como a busca por manter o ‘controle’ da instituição e, consequentemente, das investigações. Algo que, certamente, o governador João Azevedo não gostaria que acontecesse.

Este ano concorrem à vaga de Procurador Geral de Justiça o atual procurador-geral, Francisco Seráphico Ferraz Filho; e os promotores João Geraldo Barbosa, Antônio Hortêncio Rocha Neto e Francisco Bergson Formiga. A eleição será realizada no próximo dia 29 de julho. A lista com os três nomes mais votados será encaminhada ao governador e, mesmo fazendo “charme”, João deverá nomear o mais votado.

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