Nova Lagoa é entregue à população

Prefeitura explicou que o projeto apresentado e aprovado pelo Iphaep foi executado na sua plenitude. O desenho mais “pomposo”, com pier estendido e grades ao redor do Parque Solon de Lucena, era uma peça publicitária, apresentada à imprensa um ano antes da aprovação do projeto original ser avalizado pelo Instituto de Patrimônio Histórico Estadual.

 

Nova Lagoa tem tudo para mudar a forma que população “vive” o Centro de JP

A oposição ao prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSD), vai colocar “gosto ruim” na Nova Lagoa, que será inaugurada no próximo domingo. Vai dizer que falta isso, falta aquilo; que a obra está sendo investigada pelo MPF por suposto superfaturamento. Ela cumpre o seu papel. Principalmente num ano de eleição. Aliás, a prefeitura pode pegar algumas sugestões, caso seja necessário.

Mas os opositores vão ter que aceitar que a obra é muito importante para a cidade. Essencial. Que a iniciativa de Cartaxo de mexer na área, com todas as dificuldades (área tombada, trânsito, logística, preservação do meio ambiente), foi tão importante quanto fazer o alargamento de ruas ou projetar mais avenidas para carros.

A população das grandes cidades deseja, mais do que nunca, “viver” suas cidades, sair dos apartamentos, dos seus muros. A reestruturação da Lagoa precisa permitir isso. Será tarefa de Cartaxo agora e de qualquer gestor que assuma a prefeitura, ano que vem.

A obra resgata o conceito de convivência, entrega o espaço à população, numa das áreas mais importantes de João Pessoa. Lugar que foi aos poucos sendo negligenciado. Visto como “área popular”, onde não era necessária preservação, o cuidado e a atenção permanente. Não é só a reforma de um ponto considerado turístico. Aliás, nunca entendi porque turístico: para quem passava pelo lugar, diariamente, o cenário era de sujeira, desorganização, barulho e com um mau cheiro insuportável.

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Foto: Divulgação

Enfim, o parque

O Parque Solon de Lucena, enfim, poderá ser realmente um parque. Deixa de ser apenas um local de passagem, ou de quem precisa comprar algo no “comércio”, mas poderá, se for cuidado, um ambiente de lazer, uma área para viver a cidade praticando esporte, brincando, namorando, lendo, ou apenas relaxando.

A Lagoa precisa receber o mesmo tratamento que sempre foi dado à praia, onde moram os ricos, onde passeiam e vivem “os abastados”, que têm voz e força para gritar; onde foram as autoridades da cidade depois que deixaram o “velho centro”.

A Lagoa e a Praça da Independência, esta última, inexplicavelmente, negligenciada por muito tempo, formarão um belo circuito de lazer do Centro. É necessário reconhecer esse avanço e lutar para que a preservação e manutenção das áreas não sejam engolidas pela briga política pequena.

Desafios à vista

Mas entregar um espaço bonito e equipado, pronto para atrair pessoas é só uma parte do trabalho. A prefeitura terá desafios de manutenção. Não é só ter funcionário para o trabalho, é educar as pessoas para cuidar do local. Precisará garantir segurança permanente para que os pessoenses e turistas se sintam, realmente, privilegiados em ter um lugar onde não precisem conviver com medo de um assalto, de uma agressão, de se deparar com usuários de drogas descontrolados. Mais do que homens da Guarda Civil e da PM, será preciso câmeras, regras, mudança de cultura.

Politicamente, Cartaxo vai ter que enfrentar as denúncias de irregularidades; a investigação do MPF. Não fugirá disso principalmente agora na campanha. Mas esse é um assunto para outro momento.