Prisão de Cunha deixa governo em alerta, é simbólica e “educativa”

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A prisão do ex-deputado Eduardo Cunha deixa o governo do PMDB em alerta. Ele sabe muito, muito sobre peemedebistas e colegas. Sessões pararam na Câmara e nas Comissões. O governo ficou atônito.

A expectativa, claro, é por uma delação premiada. O que não parece simples porque Cunha terá que falar e provar muito para obter benefícios. Há quem defenda que ele não deve recebe-los em nenhuma hipótese.

Moro deferiu o pedido de prisão, diferentemente do STF, alegando que ele solto pode interferir na ordem pública, que poderia usar a dinheirama espalhada pelo mundo, ou até fugir, já que ele tem passaporte europeu.

A prisão é preventiva, sem data final, deve se estender até a prisão da condenação em primeira instância. Como as provas contra ele em vários processos são robustas, incluindo esse das contas no exterior que o levou à detenção, uma condenação em 2º instância é provável.

O peso do cárcere pode, sim, estimular uma delação.

É simbólica

Até agora, com exceção políticos de expressão mediana, só empresários foram presos. O episódio na vida de Cunha hoje (19) mostra uma Brasil que muitos gostariam de estar vivo para ver.

Um político influente, que enriqueceu com lavagem de dinheiro, propina, corrupção – segundo os investigadores – foi preso e pode cumprir uma pena na cadeia.

Quantos Cunhas têm o país? Centenas, só em Brasília. A prisão de Eduardo Cunha é simbólica e não deixa de ser educativa porque pode colocar um freio (um pequeno freio).

São rotinas e práticas comuns à política brasileira na sua relação com o empresariado que são desveladas. Propina, extorsão, lavagem de dinheiro, enriquecimento ilícito.  Vimos os maiores empresários do país na cadeia. Agora, Cunha mostrou que peixe grande na política vai preso. A porteira está aberta.

 

 

Mais um ministro de Temer fala demais e deixa governo numa saia justa

 

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O ministro da Saúde, Ricardo Barros, já é figura conhecida. Vive colocando o governo em enrascada com suas declarações, no mínimo, equivocadas. Geddel Vieira Lima, da Secretaria Geral, foi o penúltimo a falar o que não deve. Defendeu a “anistia” aos praticantes de Caixa 2, quando o clima é de cerca aos instrumentos que levam à corrupção. Mas o último foi demais: o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes.

Em evento do seu partido neste domingo (25), fazendo campanha para um “amigo” tucano, falou demais e, no mínimo, alimentou a tese de partidarização e controle político da Lava Jato. Morais anunciou que esta semana teríamos “Lava Jato”, ou seja, mais uma etapa. E não é que hoje prenderam o ex-ministro petista, Antônio Palocci !

A antecipação do fato só aumentou a convicção político-ideológica de alguns que acham que o governo quer ou está controlando a Lava Jato. Entre os menos desconfiados, coloca em evidência um sinal amarelo: no mínimo, o ministro da Justiça está sabendo que vai ter operação antes dela acontecer. O que não é normal, segundo especialistas. A não ser em casos de “controle” do governo.

O ministro coloca o governo Temer, mais uma vez, numa saia justa. Em nota negou que soubesse de algo, que há politização ou controle. Não convenceu. Quis aparecer para imprensa, quis ser pavão e conseguiu chamar atenção da pior maneira possível. Agora, Temer que já tem um incêndio enorme para apagar vai ter que usar seu jato d’agua para eliminar mais um foco de polêmica, aceso por mais um de seus ministros.

 

Goste ou não, Temer é o presidente e se ele fracassar na economia é a gente que paga

Os protestos continuarão acontecendo, a tese do “golpe” deve permanecer, o PT pode recriar as “Diretas já”. Mas, goste ou não, Temer é o presidente e o fracasso dele na economia – motivo pelo qual o governo Dilma se fragilizou – será pago por todos nós. Ou melhor, pela maioria. Em especial, a classe média e os mais pobres- o que já está acontecendo.

Na lista de desafios do presidente, que assume com quase 70% de rejeição, o primeiro é melhorar a economia e consequentemente a vida da população. Não será fácil, segundo especialistas. É que as medidas precisam passar por um Congresso poroso e as ações não trazem resultados imediatos. O governo Temer não tem tempo e a população, ressabiada, desconfiada, vai cobrar a fatura.

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Governo Temer é um campo minado e bombas políticas não param de explodir

 

Foto: Lula Marques

O teor das delações do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, não traz nenhuma novidade para muitos políticos. Fazendo usufruto ou não das propinas travestidas de doações legais, a classe política brasileira conhece bem como funciona negócio.

Está (ou estava) tudo naturalizado. A população engolia as campanhas milionárias. Dinheiro retirado, sem pena, dos serviços essenciais, negligenciados Brasil afora. A Justiça Eleitoral fingia que não via. Afinal, ninguém nunca se importou em saber a origem dinheiro, apenas se era declarado ou não. E, claro, boa parte era declarado.

As esperanças de muitos políticos envolvidos é que as delações não passem de palavras ao vento, sem provas e sem rastros. Para alguns, a sorte não será generosa.

Nesta quinta-feira (16), mais um ministro de Temer pediu pra sair: Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), do Turismo. Já foi ministro de Dilma e ex-presidente da Câmara. O peemedebista não aguentou a pressão. É peça recorrente na Lava Jato e esteve na lista de 26 nomes citados por Sérgio Machado na delação, agora, liberada para todo mundo ler.

Alves é alvo de dois pedidos de abertura de inquérito feitos pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao STF, que ainda não se pronunciou.

Ele é só mais uma peça podre do governo interino. Um governo que não conseguiu, em 30 dias, uma sequência tranqüila de três dias com uma pauta positiva na economia. A última tentativa foi de apresentar o projeto que estabelece teto para os gastos públicos. Uma tentativa abafada pela crise política interminável. Estamos numa esteira. Correndo, correndo, suando, olhando nuvens carregadas, sem sair do lugar.

Sem condições de resolver as bombas políticas, o governo Temer continua encurralado, como o de Dilma. Até quando ele aguenta? Quem será o próximo ministro?

 

Complicando    O ministro do TCU, Vital do Rêgo Filho, pode até se salvar, se ninguém conseguir provar que ele esteve envolvido em esquemas de recebimento de propina e pedágio, quando senador influente do PMDB. Mas é inegável que a situação dele só piora quando delatores fazem referência ao seu nome. Delcídio, Gim Argelo e, agora, Sérgio Machado.

Destino da Água    A Frente Parlamentar da Água da AL/PB realiza audiência pública nesta sexta-feira em São José de Piranhas, Alto Sertão. O presidente da Frente é o deputado estadual Jeová Campos, que propôs uma discussão sobre o destino e melhor aproveitamento da água.

O esgoto vai se misturar    Se não está na pauta, já passou da hora dos parlamentares discutirem o lançamento do esgoto de muitas cidades em rios e reservatórios que vão receber água do SF. O problema acontece nos Eixos Norte e no Leste. Retirar a sujeira era condição para ter acesso à água, mas pelo vistos será mais uma norma descumprida. A obra da transposição está quase concluída, mas o trabalho de esgotamento sanitário em algumas cidades não passa dos 10%.

Aplicativo da campanha    O pré-candidato a prefeito de João Pessoa pelo PTB, Wilson Filho, lança nesta sexta-feira (17), às 9 horas, aplicativo de celular para campanha. Na ferramenta, ele vai receber propostas e sugestões dos eleitores que podem ser incluídas no programa de governo. Mesmo com ajuda da tecnologia, Wilson diz que vai continuar com as reuniões e plenárias nos bairros.