Maranhão deu um “chega pra lá” em Ricardo na convenção do PMDB

Maranhão _ Moreira Mariz AS

Se enganou quem achou que o senador José Maranhão (PMDB) iria para convenção do partido, neste sábado (30), apenas dizer que acatou democraticamente a decisão da Executiva Municipal, que vai apoiar o prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSD), candidato à reeleição.
Ele não foi fazer só isso. Maranhão foi decidido a peitar o governador Ricardo Coutinho (PSB), a dar um chega pra lá, e mostrar que ainda carrega mágoas do tratamento que ele tem dado à sua legenda.

O senador escolheu a convenção peemedebista da capital para anunciar o rompimento da aliança entre PSB e PMDB, feita no segundo turno da eleição de 2014. Nas falas, mandou recados claros ao governador, que pode “tomar” os cargos e fazer o que achar melhor. Para completar, Maranhão, depois de seis anos afastado de Cartaxo, elogiou a gestão dizendo que a união é o melhor para capital. Ou seja, o senador não contou conversa e “chutou o pau da barraca”.

LEIA MAIS

Ricardo não pode criticar alianças porque já usou e abusou de todas

Se tem uma pessoa que não pode criticar alianças esdrúxulas para ganhar eleição é RC. Em 2004, com altíssimo grau de “esquerdismo”, fez o impensável, esqueceu que Maranhão era representante da “velha política”, que tanto criticou, e conseguiu o objetivo: virar prefeito da capital.

Em 2010, com a mesma regra: “os fins justificam os meios”, fez uma aliança impensável mais uma vez; aliou-se com Cássio e Efraim Morais. PSB, DEM e PSDB juntos. Com o DEM até hoje.

Em 2014, quase isolado, conseguiu apoio de uma ala do PT que estava sendo rifada pelo PMDB e no segundo turno, depois de anos sendo “agredido” por deputados peemedebistas, entre eles Gervásio Maia, e criticando duramente José Maranhão, esqueceu as arestas e se uniram para derrotar Cássio.

Esse breve resumo, mostra que se RC vier com esse discurso de que o chapão é uma aliança com a “política velha”, com a “política tradicional”, blá, blá, blá, vai subestimar a inteligência de alguns mais sensatos.

RC precisou de todos para mostrar que é um bom gestor. Na capital, elevou o grau de exigência do cidadão com relação a obras e serviços públicos. E isso é bom.

Mas alguém tem que lembrar que ele precisou de todos, usou e abusou das alianças, para alertar a si mesmo que não se ganha eleição sozinho.

A conjuntura e a necessidade de frear o empoderamento de RC promoveram o nascimento do chamado “chapão”. É fato. Mas não há demérito nisso. Há política. A mesma que Coutinho fez para se tornar maior liderança política do Estado e fará para conseguir colocar seus projetos em prática.

A propósito dos projetos, se perguntarem sobre os “enlaces”, ele sempre diz que não se aliou a ninguém, mas que foi procurado para estabelecer aliança. Não deixa de ser verdade. Uma verdade interior.

Acordos políticos tem dessas coisas.  Precisam de verdades: a que leva ao objetivo; a que vai para a imprensa, a que pode ser compartilhada entre amigos e a que alimenta a alma.

Tese de “autonomia municipal” garante PMDB de JP com Cartaxo

PMDB-reunião-decide-afastamento-de-Dilma

A estratégia do senador José Maranhão (PMDB) é a mais simples de todas. Lembrar aos aliados atuais e aos que querem apoio do PMDB que é “cada um no seu quadrado”.

Ou seja, na tese dele, os diretórios municipais têm autonomia para decidir quem vai apoiar, de acordo com as realidades locais.

Não dá, de acordo com suas últimas posições dele, para fazer “pacotões”, desrespeitando decisões dos membros das executivas dos municípios. Aquelas, claro, que tem autonomia formalizada.

A regra vale, inclusive, para João Pessoa. Mesmo que a decisão tomada aqui, de alguma forma, repercuta em outras cidades. É uma postura conveniente neste momento, mas que convence.

Caso de JP 

Em outras palavras, no caso aqui de João Pessoa, onde a decisão já é de apoio a Cartaxo, o senador está avisando que não vai negociar uma aliança com os socialistas em troca de apoios em Guarabira, Patos, Campina Grande e outras cidades, mesmo querendo o apoio do PSB nesses locais.

Vale lembrar que nos municípios citados, o PMDB tem candidaturas competitivas e com chances reais de ganhar, com ou sem o PSB. Talvez, no segundo turno, o apoio socialista seja essencial, mas nesta outra etapa, outros acordos são feitos.

Manoel Júnior lembrou disse

Na reunião desta segunda-feira à noite (25), quando aparentemente parecia que Manoel Júnior estava sendo “emparedado” pela cúpula estadual (a favor da aliança com PSB), o deputado federal foi no “nervo”.

Lembrou aos colegas que ele não “meteu o bedelho” na eleição de Campina, nem se meteu na de Guarabira, nem muito menos na de Patos ou Cajazeiras e quer que os diretorianos estaduais respeitem a decisão do executiva municipal. Instância que tem autonomia para tomar a decisão.

Talvez por isso o recuo formal de Raimundo Lira, dos Paulino, mesmo opinando sobre o cenário de JP. Eles, de fato, admitem que não podem interferir diretamente na decisão, apenas influenciar. Algo, que a essa altura do campeonato não devem conseguir mais.

Então, caro leitor, para não me alongar mais. Se Maranhão não quiser usar a “força bruta”, a decisão está tomada. Na capital, o PMDB está com o prefeito de JP, Luciano Cartaxo, candidato à reeleição.

O desenho de um movimento para isolar Manoel Jr.

Manoel

Um movimento dentro do PMDB se desenha para isolar Manoel Júnior (PMDB) e sua decisão de apoiar o prefeito Luciano Cartaxo (PSD). Os defensores da tese vão até criar uma nova candidatura própria para ir, aos poucos, desmontando argumentos do parlamentar.

Maranhão até está “blefando” nessa linha quando diz que a candidatura própria do PMDB está de pé. Só não diz quem será o nome. Não tem nome. Há alguns que até defendem que ele faça o sacrifício. Mas, não parece que vai precisar.

Manoel Júnior alegou que a Executiva Municipal deliberou, por unanimidade, pelo apoio a Cartaxo depois da sua desistência. Falou como se o documento assinado por todos tivesse valor de lei.

Até teria, se quem fizesse a lei no PMDB não fosse o senador Maranhão. Ou alguém lembra de alguma última decisão, fruto de uma norma interna, mas que contrariou a vontade do senador?

LEIA MAIS

Manoel Jr. não quer PMDB de JP com Ricardo e Maranhão vai “levando”

Maranhão. Marco Aurélio Ag. Senado

Já deu para perceber que quem dá boa parte das cartas no PMDB é o senador José Maranhão. Poucos ousam contestar.
Na última semana, contrariando os sinais, não confirmou formação do chapão (PMDB, PSD, PSDB), nem muito menos disse que o candidato a vice do prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSD), será do PMDB.

Também não fechou as possibilidades de negociação com PSB. Deixou tudo escancarado. “Tudo pode acontecer”, disse ele. Nesse jogo, um movimento é claro: Manoel Júnior, que (ainda) pode ser o candidato do PMDB em João Pessoa, não vai deixar seu partido se aproximar de Ricardo Coutinho na capital. Este enlace, ele não quer.

LEIA MAIS

O que o PSB de Ricardo vai oferecer ao PMDB de Maranhão?

Ricardo-Coutinho-Temer-e-Maranhão

A semana começa com a expectativa da reunião entre o senador José Maranhão (PMDB) e o governador Ricardo Coutinho (PSB), na próxima quarta-feira (20). O socialista tenta fazer o peemedebista abandonar a ideia do “chapão” de JP, articulação para  o PMDB indicar um vice na chapa do PSD, do prefeito Luciano Cartaxo, com apoio do senador Cássio Cunha Lima (PSDB). O vice pode ser o deputado federal Manoel Júnior ou um nome da Executiva Municipal.

Mas o que Ricardo pode oferecer a Maranhão para que ele desvie o caminho e volte a pensar numa aliança com a candidata dele, Cida Ramos? Como não custa nada imaginar, vamos fazer esse exercício.

LEIA MAIS

O perigo do candidato ficar “menor” do que a aliança e do salto subir

saúde_cartaxo

Ninguém tem dúvida que o chapão formado pelo PSD, PMDB e PSDB (com outras legendas menores) para eleição de JP é muito competitiva. São três grupos fortes, que têm um bom capital eleitoral, mirando no mesmo alvo. Num mesmo projeto.

Mas o condutor desse processo, o prefeito Luciano Cartaxo (PSD), candidato à reeleição, precisa evitar que se cristalize a ideia, de fácil proliferação, de que uma possível vitória dele depende, essencialmente, de tais acordos.

Ele está na proa. Candidato “menor” que a aliança perde o rumo e o respeito. E se as alianças são (sem dúvida) importantes politicamente, simbolicamente, não podem se sobrepor ao que mais conta na avaliação do eleitor comum: a capacidade de gestão e de liderar. Cartaxo tem o que mostrar e os troféus não são os senadores Cássio e Maranhão, apesar de suas importâncias no processo.

Para todos os efeitos: são aliados, que aceitaram o “convite” da parceria porque avalizam o trabalho e acreditam na gestão. Nos bastidores, pode até não ser. Mas se deixar “vender” a ideia de que é um “acordão” de cavalheiros para lotear as vagas das próximas eleições, pode ter rebordosa.

Concretizada a formação do bloco, tem a tarefa de evitar que a força da coalizão enfraqueça a liderança. Afinal, ao seu lado, com interesses comuns, mas também com os próprios, estarão dois “tradicionais” líderes.

O salto alto dos aliados

Também se ouve por aí que a formação do “chapão” chancela uma vitória no primeiro turno. Será? É bom arrancar logo cedo o salto alto dos correligionários e apoiadores. É bom não subestimar a capacidade de reação do governador Ricardo Coutinho (PSB).

Aliás, em 2014, foi em Cartaxo e em Maranhão, que Coutinho encontrou a capacidade de reação. Virou o jogo quando a torcida já estava comemorando. Uma torcida grande, uma grande “coalizão”, capitaneada pelos tucanos. O final você já conhece.

 

E se Lira for o nome de Ricardo para o governo em 2018?

liara senado

A eleição para governador está longe. É daqui a dois anos e alguns meses, mas não custa nada fazer projeções. Afinal, decisões de agora estão sendo tomadas com o olhar lá na frente. Por isso, vamos lá.

O senador Raimundo Lira (PMDB), que tem se destacado na sua atuação no Senado, já disse que cogita ser o candidato a governador em 2018, apesar de priorizar sua reeleição para o Senado. O problema é que na disputa por esta vaga, ele terá de “lutar”, no voto, com o senador Cássio Cunha Lima (PSDB) e o governador Ricardo Coutinho (PSB), que já sinalizou que pode deixar o Palácio da Redenção em 2018 para disputar a senatória. São dois pesos pesados e duas vagas. Lira, nesse cenário, vai ter que “ralar” para ganhar.

Resta, então, se não quiser correr riscos e preferir aumentar a margem de possibilidade de continuar como protagonista na política, ser candidato ao governo pelo PMDB. Mas será que Maranhão quer? Será que abre espaço? Aliás, quais os planos do PMDB para Lira, que não parece se contentar mais com um papel coadjuvante?

LEIA MAIS