Eduardo Cunha diz que é vítima e renuncia à presidência da Câmara

Charge: Chico Caruso/O GLOBO

Com instantes de muita emoção, agradecendo à família e acusando de ser vítima de uma ação orquestrada, o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB) leu a carta de renúncia.

Cunha afirmou que é hora da Câmara retomar o protagonismo que tinha quando ele estava à frente da Casa e aceitou a abertura de processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

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Logo depois da audiência pública nesta quarta-feira (15), na Praça do Povo do Espaço Cultural, em JP, a presidente afastada Dilma Rousseff  concedeu entrevista à imprensa. Quatro perguntas. Apenas quatro questões feitas por jornalistas sorteados, entre dezenas deles que ocuparam o Teatro Paulo Pontes. Era quatro ou nada, disse um assessor.  Dilma não sentou no sofá colocado no meio do palco. Em pé, rodeada pelos profissionais, respondeu as perguntas. A fisionomia variava entre o abatimento e a força – as palavras e os seus alvos determinavam o perfil.

DILMA 2 compactado

A presidente afastada começou falando da possibilidade de um plebiscito, no qual a população poderia escolher se queria ou não novas eleições. Dilma afirmou que não cabe a ela fazer a convocação de um referendo, mas do Legislativo – Senadores e Deputados. Não negou, nem afirmou querer a consulta popular. Mas afirmou que prefere consulta à tomada do poder pela “usurpação”. Segundo ela, as instituições brasileiras foram atacadas por processos parasitários.

Conspiração de Temer e Cunha

Respondendo a segunda pergunta, afirmou que está ficando cada vez mais clara a relação entre o presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), e o presidente interino, Michel Temer (PMDB).  Ela insinuou que a ligação dos políticos foi construída com dois objetivos: implantar uma “solução Temer” e barrar a Lava Jato.

Acho que esse toma lá da cá já deu o que tinha que dá”

A presidente afirma que o presidencialismo de coalizão fracassou. E usou como exemplo ministros que foram de seu governo e que pularam de barco e hoje fazem parte da gestão Temer. Segundo ela, se voltar ao Palácio do Planalto, terá de fazer um ministério diferente, com outro padrão. “Acho que esse toma lá da cá já deu o que tinha que dá”, afirmou.

Dilma criticou “confisco” de recurso do Viaduto do Geisel

Para Dilmdilma 05 compactadoa, parasitas contaminaram a árvore democrática e eles precisam ser “mortos ou extintos”. Fazia referência aos políticos que, segundo ela, conspiraram contra a democracia e o voto popular. Rousseff mostrou descontentamento com as medidas do governo consideradas mesquinhas, como evitar que ela use o avião da Fab.

Também considerou grave o bloqueio que o Ministério das Cidades fez nos recursos (R$ 17,5 milhões) para conclusão do Viaduto do Geisel, em JP. O dinheiro foi liberado por ela antes de sair.

Uma coisa grave aconteceu aqui na Paraíba (…) é uma volta ao passado. O Lula mudou e eu mudei. Nós mudamos as relações com os governadores”

No caso da parcela do governo federal para o Viaduto do Geisel, Dilma só não lembrou que nada disso teria acontecido se ela, nesse um ano e meio de segundo mandato, tivesse atendido aos apelos do governo para liberação do dinheiro. Sentou em cima.