Defensor da moral, Silas Malafaia é indiciado por lavagem de dinheiro e corrupção

Jhonathan Oliveira

Conhecido por ser um ‘paladino da moral’, o pastor Silas Malafaia foi indiciado pela Polícia Federal por lavagem de dinheiro no inquérito da Operação Timóteo, que apura um esquema de corrupção nas cobranças de royalties da exploração mineral. Segundo a PF, líder religioso recebeu um cheque de R$ 100 mil de um dos escritórios investigados e depositou em uma conta pessoal.

O indiciamento aconteceu em 16 de dezembro, mas foi descoberto apenas na quinta-feira (23), após a revista ‘IstoÉ’ ter acesso ao inquérito da investigação. Em entrevista ao G1, Malafaia voltou a dizer que o repasse foi um doação legal, direcionada à igreja. Ele garantiu que declarou o dinheiro e pagou os impostos

Pastor disse que a doação foi legal e que todos impostos foram declarados Foto: Lula Marques/Agência PT

Os que querem ficar ricos caem em tentação, em armadilhas e em muitos desejos descontrolados e nocivos, que levam os homens a mergulharem na ruína e na destruição, pois o amor ao dinheiro é raiz de todos os males. Algumas pessoas, por cobiçarem o dinheiro, desviaram-se da fé e se atormentaram a si mesmas com muitos sofrimentos” (trecho do livro de Timóteo, que batizou a operação)

“O que eu faço com ofertas que recebo pessoais? Depositei na minha conta. Declarei e paguei os tributos. Se [o dinheiro] tivesse entrado e eu sacado, podiam desconfiar. Agora, não me deem atestado de burrice. Se eu fosse corrupto, eu não ia depositar na minha conta”, afirmou o pastor.”Minha defesa vai ser mostrar minha declaração do imposto de renda. Não sou obrigado, mas estou abrindo meu sigilo fiscal, apresentando o extrato da conta bancária. Tenho certeza que o juiz vai me tirar disso. Agora, o delegado fez questão de me atingir nisso”, completou.

Apesar dos argumentos de Malafaia, para a PF, os R$ 100 mil foram desviados de prefeituras e repassados como propina, o que justifica a polícia ter indiciado por corrupção ativa e peculato.

Além de Silas Malafaia, outras 49 pessoas que estariam ligadas ao esquema também foram indiciadas. Entre elas estão o ex-diretor de Procedimentos Arrecadatórios do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), Marco Antônio Valadares Moreira, indiciado como líder da organização criminosa. No total, os valores involvidos no esquema de corrupção e de desvios de impostos sobre mineração ultrapassam os R$ 66 milhões.

Timóteo

A operação ocorreu em 11 estados e no DF. Ela foi batizada de Timóteo em referência a um dos livros da Bíblia (leia trecho acima), fazendo uma ligação clara à participação de Silas Malafaia. A organização criminosa, de acordo com a PF, agia junto a prefeituras para obter parte dos 65% da chamada Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) repassada aos municípios.

Goste ou não, Temer é o presidente e se ele fracassar na economia é a gente que paga

Os protestos continuarão acontecendo, a tese do “golpe” deve permanecer, o PT pode recriar as “Diretas já”. Mas, goste ou não, Temer é o presidente e o fracasso dele na economia – motivo pelo qual o governo Dilma se fragilizou – será pago por todos nós. Ou melhor, pela maioria. Em especial, a classe média e os mais pobres- o que já está acontecendo.

Na lista de desafios do presidente, que assume com quase 70% de rejeição, o primeiro é melhorar a economia e consequentemente a vida da população. Não será fácil, segundo especialistas. É que as medidas precisam passar por um Congresso poroso e as ações não trazem resultados imediatos. O governo Temer não tem tempo e a população, ressabiada, desconfiada, vai cobrar a fatura.

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Pode acreditar: ministro quer “taxação extra” para sustentar o Sus

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Assim que assumiu, o ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP/RR), concedeu uma entrevista à Folha de São Paulo e disse que a União não tem condições de bancar os serviços de saúde para todos os brasileiros, por meio do Sus. Ou seja, não tem condições de cumprir a Constituição. Foi criticado e teve que voltar atrás, sendo “malhado” pelos próprios integrantes do governo.

Ontem (06), saiu com mais uma de impressionar. Daquelas de achar que estamos olhando para trás. A proposta do excelentíssimo  é uma espécie de plano de saúde popular, com custos menores e com um cobertura hospitalar mais modesta, menos serviços do que aqueles definidos pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Ou seja, uma taxação extra por meio de um plano “genérico” de saúde.

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