Maranhão deu um “chega pra lá” em Ricardo na convenção do PMDB

Maranhão _ Moreira Mariz AS

Se enganou quem achou que o senador José Maranhão (PMDB) iria para convenção do partido, neste sábado (30), apenas dizer que acatou democraticamente a decisão da Executiva Municipal, que vai apoiar o prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSD), candidato à reeleição.
Ele não foi fazer só isso. Maranhão foi decidido a peitar o governador Ricardo Coutinho (PSB), a dar um chega pra lá, e mostrar que ainda carrega mágoas do tratamento que ele tem dado à sua legenda.

O senador escolheu a convenção peemedebista da capital para anunciar o rompimento da aliança entre PSB e PMDB, feita no segundo turno da eleição de 2014. Nas falas, mandou recados claros ao governador, que pode “tomar” os cargos e fazer o que achar melhor. Para completar, Maranhão, depois de seis anos afastado de Cartaxo, elogiou a gestão dizendo que a união é o melhor para capital. Ou seja, o senador não contou conversa e “chutou o pau da barraca”.

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O chapão é para barrar “superpoderes” de RC

A propósito dos últimos fatos do cenário político de João Pessoa e declarações sobre alianças, ficamos instigados a fazer alguns registros. Nada de verdades absolutas, apenas observações e reflexões.

Um delas tem a ver com o chamado “chapão”, que uniu o prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSD), o senador Cássio Cunha Lima (PSDB) e o PMDB comandado pelo senador José Maranhão (esse último ainda em cima do muro).

De fato, o grupo se juntou porque quer dar um tombo seguro no governador Ricardo Coutinho (PSB). Ou melhor, quer evitar que Coutinho se fortaleça ainda mais.

Ele tem uma boa avaliação e imprimir, por tabela, uma derrota na principal cidade do Estado, seu reduto, é essencial para o futuro de todos do chapão: Cássio, Maranhão (lideranças consagradas), que perdem espaço com a atuação socialista, e Cartaxo, que busca ampliar, para todo Estado, seu raio de influência.

Ricardo com “superpoderes” é péssimo para todos eles.

No caso de Cássio, por exemplo, RC forte prejudica projetos de reeleição da senatoria e o fortalecimento de seu grupo político, dos seus espaços de atuação.

Pensando nisso, ficou mais fácil “esquecer” que Maranhão foi o responsável por arrancá-lo do Palácio da Redenção, em 2009. A aliança, agora, é mais que estratégica. É manutenção de poder.

Se um dia foi conveniente para o tucano se juntar com Ricardo para se vingar do peemedebista, agora é preciso se juntar com o peemedebista para derrotar RC.

No caso de Cartaxo, com Ricardo forte na capital, ele terá muito mais trabalho em se tornar uma quarta força política do Estado. Ficará amarrado e o projeto de ser governador terá que ser adiado para um cenário incerto.

No caso de Maranhão, impera a desconfiança, o medo da ingratidão e da suposta falta de “consideração” de RC. Essa altura, Maranhão até queria partilha, mas está começando a acreditar que RC só divide quando o projeto dele se estabelece. Não confia.

O que há de errado nesse método? Para mim, nada. Mas é preciso estar disposto a aceitar e pagar o preço.

No final das contas, o grupo está realmente com “medo” de uma vitória de RC, por meio de Cida Ramos. O governador, por sua vez, já está afinando o “tom” do discurso. Lembrou nesta quarta (27) que a aliança não é a favor do povo, mas uma ação orquestrada, motivada por “ódio e inveja”, por revanchismo. Foi a primeira alfinetada para diluir os efeitos simbólicos do chapão. Falo disso em breve.

Manoel Jr. não quer PMDB de JP com Ricardo e Maranhão vai “levando”

Maranhão. Marco Aurélio Ag. Senado

Já deu para perceber que quem dá boa parte das cartas no PMDB é o senador José Maranhão. Poucos ousam contestar.
Na última semana, contrariando os sinais, não confirmou formação do chapão (PMDB, PSD, PSDB), nem muito menos disse que o candidato a vice do prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSD), será do PMDB.

Também não fechou as possibilidades de negociação com PSB. Deixou tudo escancarado. “Tudo pode acontecer”, disse ele. Nesse jogo, um movimento é claro: Manoel Júnior, que (ainda) pode ser o candidato do PMDB em João Pessoa, não vai deixar seu partido se aproximar de Ricardo Coutinho na capital. Este enlace, ele não quer.

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