Odebrechet fez tucanos e petistas “afinarem” discurso

 

As delações da Odebrechet colocaram luz no submundo da nossa política. Muitos de nós sabíamos que era assim. Mas tudo sempre esteve circulando às escuras, naturalizando-se para perpetuação de mandatos e enriquecimento com dinheiro de impostos.

Surpreende mais assistir em horário nobre os detalhes dos esquemas do que o próprio esquema. Afinal, o ditado “não tem almoço de graça é conhecido”.

Com um pouquinho de consciência dá para saber que nenhuma empresa doa R$ 2 milhões, R$ 800 mil ou 300 de graça para uma campanha eleitoral. E mais, um montante como esse não sai da margem de lucro, mas da margem do superfaturamento, do sobrepreço para pelo cidadão.

As delações da Odebrechet “afinaram” os discursos de petistas e tucanos. Eles falam do mesmo jeito, usando as mesmas palavras. Para os tucanos, a vergonha é ainda maior porque eles estavam até um dia desses se proclamando baluartes da moralidade.

Agora, dizem como petistas: “todas as doações foram legais e declaradas a Justiça Eleitoral”. Ou: ” as delações são uma peça de ficção”. E ainda : “A Justiça irá irá estabelecer a verdade”. Ou: “eu não conheço, não encontrei ou pedi dinheiro ilegal”.

O nome na lista não torna ninguém culpado antes do tempo. Mas de fato mancha e muito a imagem para as próximas eleições. Até que saia uma decisão que inocente algum envolvido, ele terá que ser habilidoso para encarar seu eleitor. Separar o joio do trigo é necessário, mas não será fácil fazê-lo agora.

Aqui na Paraíba quem mais vai sofrer é o senador Cássio Cunha Lima, que está ativo na vida pública e política; vai para reeleição ano que vem.

Veja também:  Delação: Odebrecht doou para Cássio, mas esperava a Cagepa de bandeja
Lista de Fachin: veja no gráfico como PMDB, PT e PSDB lideram denúncias
Saiba o que os delatores da Odebrecht disseram de Cássio, Vital e Lindbergh

Sua margem de movimento é pequena e terá que ser pragmático, certeiro numa aliança que lhe permita ter fôlego diante de adversários raivosos e fazendo questão de colocar holofotes nas suspeitas.

Se inocente, terá problemas com a demora natural da investigação no STF. Um definição só sairá em no mínimo 3 anos.Até lá, se inocente, ou se o delator não tiver prova, terá dificuldade de estancar a “sangria”.

Cássio e os tucanos de primeira linhagem foram pedreira na vidraça petista. Ganharam projeção nacional como acusadores puros e, não tenha dúvida, vão pagar o preço agora.

Ilustração: NB Brasil

Depois da pirotecnia feita com as águas do Velho Chico, será a hora de “cair na real”

Felizmente, a água do Rio São Francisco vai chegar ao açude Epitácio Pessoa, em Boqueirão. Vai evitar que Campina Grande, a segunda maior cidade do Estado, entre em colapso no abastecimento.

O açude está com 3% da capacidade e técnicos, diariamente, observam se a água tem boa qualidade. O reservatório é fonte de abastecimento para mais 18 cidades, totalizando 700 mil habitantes.

Felizmente, a água vai chegar no seu destino para acabar com a pirotecnia política que se fez em torno dessa chegada. O oba-oba chega ao fim para que população, gestores, autoridades caiam na real.

Afinal, o racionamento nas cidades não acaba agora e será preciso muito planejamento para não vermos um bem tão precioso se perder por causa da nossa conhecida incompetência de gestão.

A população de Monteiro, por exemplo, continua com racionamento. Mesmo a água passando por lá. Fizeram tanta festa e esqueceram de avisar a população que o sofrimento não acabaria de imediato.

Na zona rural, agricultores passam sede a alguns metros do canal. O Ministério da Integração alega que a obra foi entregue e não tem nada a ver mais com isso. Cabe, segundo órgão, ao Estado e aos municípios providenciarem o sistemas de abastecimento. Paga ou não, os agricultores esperam por solução.

Leito do Rio PB

Aos trancos e barrancos, a preciosa água do São Francisco passa pelo leito do Rio Paraíba. O governo do Estado diz que fez a limpeza e desobstruiu tudo. Não foi o que vimos em quilômetros de caminhada.

Entulho, cercas, poços e amontoados de areia, queimadas foram obstáculos que a água encontrou. O São Francisco desceu rio Paraíba abaixo e está sendo maltratado pela “emenda” que foi feita para isso. Mas tudo bem, a prioridade é colocar água no Boqueirão, seja como for e, felizmente, isso vai acontecer.

Atenção. Não tem nada de pessimismo e gosto ruim. É apenas realismo.

Nossas autoridades terão que ser muito eficientes. Precisam proteger o rio PB, que está com suas margens devastadas e seu leito, em muitas partes, assoreado. Precisa cuidar dos açudes, que também não têm suas margens protegidas por mata nativa e ainda recebem esgotos. Cadê o plano de proteção ? Enfim, a pirotecnia vai acabar. Felizmente.

O que Galdino tem a dizer depois da quarentena?

Os ex-presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba, Adriano Galdino (PSB), foi à tribuna da Casa ontem (05) para “chorar”. Reclamar de algo que só ele sabe e que só ele viu.

Disse que tem muito a dizer, muito a desabafar, mas não disse nada. O seu máximo foi registrar que antes de deixar a presidência foi estimulado por muitos a dar uma “golpe” e quebrar o acordo que levaria seu sucessor, Gervásio Maia (PSB), ao comando da casa.

Só confirmou a especulação que surgiu à época, negada por ele.

Mas Galdino disse que iria abrir o jogo depois de uma suposta quarentena. O que ele tem a dizer? Precisa ter coragem de fazê-lo.

Se o ex-presidente não falar algo relevante, ficará e se cristalizará o que todos falam nos bastidores: Galdino perdeu cargo, prestígio; perdeu poder e agora está choramingando.

Talvez tenha feito um acordo para  manter os seus; talvez tenha esperado uma Secretaria do governo.

Não conseguiu e agora quer falar.

No fim das contas, ele não vai fazer nada? Só ameaça? Só recado? Um preposto do governo deve intervir e evitar esse moído na base. Principalmente para proteger o seu virtual candidato ao governo, Gervásio Maia. Aliás, Gervásio precisa melhorar sua relação dentro de Casa. Estão esperando que alguém puxe o coro. Mas isso é assunto pra outro post.

 

Manoel Júnior será cobrado por mais empenho

Daqui a exatamente um ano, o vice-prefeito de João Pessoa, Manoel Júnior (PMDB), pode assumir a titularidade do cargo. Isso se o prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSD), pedir sua descompatibilização para se candidatar ao governo do Estado.

Mas o presentão que ele pode receber não será, assim, “de graça”. Nos bastidores, “cartaxistas” já dizem que é hora de ele cair em campo. Empenhar-se mais para pavimentar uma possível candidatura de Luciano.

Duas ações são essenciais, segundo eles: trabalhar dentro do PMDB, lembrando que o partido é totalmente governo e que se Cartaxo for para o embate eleitoral, a prefeitura estará na mão da legenda.

Também será cobrado dele habilidade para aparar arestas, dirimir as dissidências e agregar.

Manoel Júnior também terá outra tarefa, não menos importante: iniciar uma peregrinação no Estado para pedir apoio dos prefeitos, vice-prefeitos e lideranças peemedebistas para uma virtual candidatura de Cartaxo.

Talvez, ele até já esteja fazendo isso, mas não o suficiente. Por isso, em breve, ele será cobrado por mais empenho.

Quem vai ficar com Temer no ano da eleição? Renan já abandonou o barco

A pesquisa Datafolha divulgada na última sexta-feira (01) mostrou que a reprovação do governo Michel Temer (PMDB), que já era ruim, agora, é péssima. A popularidade é vergonhosa.

Tão ruim quanto a de Dilma, antes do impeachment. A diferença é que a ex-presidente não tinha apoio no Congresso e dos investidores; os comandantes do mercado financeiro não acreditavam numa mudança. Para completar, Dilma não tinha mais liderança.

Temer respira por veias finas de expectativas de melhora, bombeadas por projetos que, em tese,vão dar mais confiança aos investidores. Tudo, por enquanto, na seara da especulação. A base ainda tem dúvida se vale a pena tanto “esforço” e por isso a pergunta que fica é: quem vai ficar com Temer no ano da eleição?

LEIA MAIS

Alguém ainda acredita no que o PMDB “fala” ou decide antes da última convenção?

Alguém ainda acredita no que o PMDB da Paraíba “fala” ou decide antes da última convenção partidária? Não dá para levar a sério, né? A mais de um ano de uma eleição é brincadeira. No máximo, vale uma manchete num dia de poucos fatos políticos, ou para agradar A ou B.

O PMDB já provou que faz isso para negociar o passe, para se valorizar e pedir mais.

É um partido ainda forte, mas continua sem rumo. Um senador manda e na frente dele ninguém contesta. O outro sabe o que quer, mas talvez não queira. O vice-prefeito se decidiu, mas tem apoios duvidosos. O deputado federal se frustrou com o dono da legenda, mas não tem coragem de sair do partido. Outras lideranças tentam apaziguar com frases prontas e amenas. Outros estão preocupados, mesmo, é com seus currais eleitorais.

No fundo, o PMDB não terá candidatura própria e, se tiver, será num primeiro turno para garantir a negociação na segunda etapa.

Essa história de candidatura própria não cola mais. Principalmente quando o candidato “escolhido” é o senador José Maranhão. Nem os peemedebistas querem mais o senador como candidato. Não é uma questão de idade, como querem rebater alguns. É uma questão de perfil. O momento é outro. Maranhão já deu sua contribuição como governador e insistir só faz apagar a possibilidade de outras lideranças do próprio partido conquistarem seus espaços.

O PMDB paraibano tem sido um bom coadjuvante nos últimos tempos e não sabe ainda quando poderá, mais um vez, ser um protagonista. Pelo andar da carruagem, pode esperar sentado nas várias reuniões midiáticas e sem futuro que seus integrantes fazem de tempos em tempos.

Correria para levar água para CG adianta transposição e escancara “remendos”

Açude Camalaú: abertura feita para acelerar a passagem da água para o leito do rio Paraíba. Foto: Laerte Cerqueira

O ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho, prometeu que a água chegaria à Paraíba nos primeiros dias de março; e assim foi feito. Com menos “bombas” do que o previsto nos reservatórios em Pernambuco, com remendo na barragem que se rompeu, felizmente, ela chegou.

Correram para deixar o canal até Monteiro pronto. Mas está lá, pra todo mundo ver: paredes desmoronando. Em pelo menos dois trechos, antes de chegar na área urbana. Bastou uma chuva e a terra desceu. Já retiram o barro, mas as marcas da fragilidade estão lá.

O governo Federal promete que a água vai chegar em Campina Grande em abril e num esforço concentrado move-se terra, pedras, leitos, montanhas. O governo Estadual é responsável pela execução. É questão de honra. É agenda política. É pressão. As consequências naturais? Veremos no futuro.

Deixaram CG ficar refém da transposição e ela está com corda no pescoço. O racionamento veio tarde. Apostaram na chuva. Agora, para evitar que culpados se multipliquem, o esforço é concentrado e até, dizem especialistas, inconsequente.

Os responsáveis pelas ações negam. Devem fazer isso, mas não podem exigir cegueira crítica.

Abertura no açude Poções para a água passar mais rapidamente, “rasgo” pela serra em Camalaú para que ela siga seu curso. As obras são, claramente, necessárias nas condições atuais de desespero, mas são “emendas”.

Mostram que se Campina Grande não tivesse na iminência de um colapso, o caminho deveria ser o mais natural  possível e não da forma que está sendo.

Em, Monteiro a população reclama que o racionamento ainda é severo mesmo com a água chegando a Poções, açude que abastece a cidade.

Em Camalaú, pescadores estão com medo da água “ir embora” quando atingir o nível do “rasgo” feito para lançar o rio São Francisco no PB.

Tem tudo para dar certo e a torcida é coletiva, mas é inegável que são remendos para salvar a Rainha da Borborema.  Como os obstáculos visíveis no meio do caminho, a água, talvez, chegará em CG em abril, mas não espere um “mar salvador”.

A região metropolitana da Rainha da Borborema vai penar por muito meses ainda. Estamos falando de 19 municípios com racionamento severo.

A correria é tanta que esqueceram de planejar como vão atender a população da zona rural da cidades onde a água já passou. Os trabalhadores rurais ainda estão respeitando e ainda não colocaram bombas clandestinas. A maioria tem até consciência disso, mas muitos estão com “sede”. O que fazer? Os poços secaram. Os carros-pipa foram cancelados.

A Aesa – Agência Estadual de Gestão das Águas está cadastrando a população ribeirinha do “novo” rio. Mas por lá, tudo é uma incógnita. Não sabem quando serão efetivamente beneficiados. Campina é a prioridade.

A obra impressionante, inacreditável. Mas desconfiados como somos da cultura da emenda, da nossa incapacidade de gestão, dá até medo que vai acontecer com essa água.

De qualquer forma, a felicidade é tão grande no Cariri que é difícil não se contaminar com o otimismo.

 

Ato político em Monteiro pode virar o marco da pré-campanha de Lula

A visita de Lula à Paraíba era para ser um ato simbólico, que reforçasse e marcasse a paternidade da obra de Transposição do Rio São Francisco. Uma espécie de reconhecimento político dos paraibanos.

Era uma tentativa de diminuir o tamanho do que eles chamam de “apropriação discursiva” da obra por adversários do PT e de Lula. Entre eles, o presidente Temer, a cúpula do PMDB, que já foi inteiramente do governo petista, o senador Cássio Cunha Lima e outros tucanos.

Para os petistas, como o ex-presidente foi o líder que teve “coragem” de tomar a decisão política de iniciá-la, era inadmissível perceber integrantes do atual governo omitirem nos discursos o nome do ex-presidente.

A vinda dele e de Dilma não passaria disso.

Mas parece que, de fato, havia uma vontade popular de reconhecer a iniciativa do ex-presidente. Talvez, se os governistas tivessem ao menos feito uma lembrança no último dia 10, esse “desejo” não crescesse tanto.

O dinheiro da obra é do povo. Todos sabem. Mas, infelizmente, povo e políticos alimentam, de acordo com suas conveniências, a prática de venerar quem foi eleito para agir em benefício de todos, com o suado dinheiro de todos.

Governistas omitiram o reconhecimento e agora petistas querem gritar para que a lembrança fique viva.

Para isso, encontrou aqui na PB uma comoção, gratidão e uma esperança enorme depois de cinco anos de dura seca; amenizada nos últimos dias com chuvas pontuais.

Aqui, também encontrou apoio “institucional” do governo Ricardo Coutinho (PSB) – que no último dia 10  agradeceu ao ex-presidente diante de tucanos e peemedebistas, em solenidade oficial – e uma ação permanente para trazer as maiores lideranças da “esquerda” do país, artistas e críticos do impeachment, que engrossaram o caldo.

Também tem as comendas aprovadas na AL para os ex-presidentes Lula e Dilma: cidadão pessoense para ele e medalha Epitácio Pessoa para os dois, que é a maior do Legislativo do Estado. Uma espécie de formalização da homenagem.

A ideia de que era um momento histórico pegou e Monteiro será a cidade mais visitada deste fim de semana. Paraibanos que nunca foram lá, vão para casa de amigos, alugaram quartos de pousadas em cidades da região do Cariri.

De várias cidades do Estado sairão vans, ônibus e veículos particulares. Os visitantes esperam ver o rio, Lula, Chico Buarque e alimentar suas paixões.

O plantio de árvores nas margens do rio Paraíba, em Monteiro, a carreata até o centro e o discurso no palco devem virar marco da pré-campanha que Lula e os petistas desenham. Isso se uma dia ela virar campanha.

 

Depois dos espetáculos

Ao fim dos espetáculos políticos, a gente espera que todos se preocupem em cuidar da água, com ações para sua preservação e perenização dos rios; com efetiva realização do esgotamento sanitário nas cidades onde a água vai passar (em algumas cidades, fizeram uma emenda) e com a proteção de reservatórios e do leito do rio Paraíba e seus “braços”, como o Taperoá.

Ainda esperamos um plano completo de replantio da mata que margeia o rio e ações para evitar o assoreamento que já deveria estar sendo colocado em prática (em todo RSF e aqui na PB).

Depois da festa, esperamos ver um plano governamental de fiscalização do roubo de água. Tão comum nas Várzeas de Sousa. Área que uma dia, como se espera agora, iria ser redenção daquela região sertaneja. Hoje, está praticamente abandonada.

 

 

Lira tenta avisar que o PMDB da PB não tem dono

Sempre que se fala em escolhas para eleição,  o PMDB escancara suas rachaduras. Pode ser perto ou longe das disputas. O que muda é o tamanho e o estrago que elas provocam.

Nos últimos dias, uma fissura tem ficado evidente, entre o que quer o senador Raimundo Lira e seu grupo e para onde está indo o grupo do senador José Maranhão.

De maneira bem simples: Lira está e quer ficar com o governador Ricardo Coutinho (PSB) e Zé está e quer ficar com o prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSD), afinal, mantendo-se onde está, tem perspectiva de assumir o governo municipal em 2018, com o vice-prefeito, Manoel Júnior.

O cenário ainda é confuso e opaco, mas há quem já veja que será preciso duelar, ou que já temos o início de uma disputa.

Apesar das mensagens serem sempre subliminares, com recados que passam distante de frases com alvos certos, eles sempre passam de raspão em declarações divergentes.

Nos últimos dias, por exemplo, ouvimos o senador Raimundo Lira dizer que decisões estaduais passam pela Executiva Nacional, que é preciso dialogar com os seus membros. Uma lembrança que o PMDB da Paraíba não tem dono e que precisa respeitar os mais “graduados”.

Hoje (10),  Antônio Sousa, membro da Executiva Municipal e sempre afinado com Maranhão, deu uma declaração com endereço certo, avisando a Lira que as decisões locais são tomadas por aqui, sem passar por ninguém em Brasília.

“Venhamos e convenhamos” todo mundo acha que o partido tem dono, sim, e é o senador José Maranhão, que, nos últimos anos, tem determinado para onde o PMDB vai, com quem se alia e quais são as diretrizes.

No encontro com jornalistas, nesta terça-feira (10), Lira registrou, sem titubear, que não tem interesse de deixar a legenda, que suas posições serão respeitadas e não levarão a isso. Lira deixou bem claro e fez questão de ressaltar que é respeitado na legenda, é da Executiva Nacional, tem direito de voto e é ouvido por lá. Também manda recado.

Lira ganhou projeção, respeito e espaço como representante do PMDB Nacional e vai querer que isso se reverta em respeito às suas decisões e posições aqui na Paraíba.

Percebe que vai ter que brigar dentro de seu própria legenda para não perder todo o know-how que já conquistou e não esquece, claro, que isso passa por boas alianças, que revertam em votos, para uma possível disputa à reeleição e fortalecimento no cenário político do futuro próximo.

Emerson Panta e Berg Lima não podem agir com “amadorismo”

Os prefeitos de Santa Rita, Emerson Panta (PSDB), e de Bayeux , Berg Lima (Podemos), não podem agir com amadorismo. Não têm tempo e,  em algumas situações, nem condições.

Estão gerindo duas das maiores cidades do Estado, nas quais se plantou uma expectativa grande, um desejo de renovação, de novas práticas e de autonomia em relação a João Pessoa. A população quer ter orgulho de onde vive.

Os moradores esperam que alguém desenterre “a cabeça de burro” que pode estar embaixo das suas terras e que, no dito popular, impede que alguém avance, progrida.

Berg, felizmente, depois de ver o erro que cometeu, agiu como gestor. Reabriu a única Upa da cidade, que atende até 300 pessoas por dia.  O fechamento foi de uma impulsividade que não cabe a ele, na posição que está.

Pensou em “manchar” a imagem do gestor que ficou para traz e tomou uma medida que prejudicou uma cidade inteira. Midiatizou um ato, talvez por influencia de assessores, mas não fez o mais importante: apresentar um solução rápida, administrativa.

No início, a tendência é compreender o “fechamento” por causa da falta de estrutura e medicamentos. Mas Berg foi eleito para dar soluções a isso.

Se não fosse assim, tinha deixado o prefeito anterior. Ao buscar o caminho mais fácil, fechar  a Upa, deu de cara com uma opinião pública que espera mais dele. Afinal, problemas bem maiores terá que enfrentar.

Berg foi em busca de parcerias para solucionar o problema da cidade na qual foi eleito para administrar. Ainda bem que agiu rápido. Mas viveu seu primeiro desgaste e sua primeira prova de fogo.

Santa Rita

Em Santa Rita, foi “pequeno” o que Panta fez ou mandou fazer. Não deu para entender o motivo daquela “exposição” na praça de veículos sucateados, que seriam da frota da cidade.

Imagina isso: servidores sem salário, escolas à mingua e postos de saúde fechados. O gestor gasta seu tempo e o tempo de seus servidores para denegrir a imagem do prefeito anterior. Aliás, venhamos e convenhamos, algo que nem precisa mais.

Panta ganhou com 70% dos votos, uma vitória surpreendente. Recebeu o aval porque acreditam que a escolaridade dele, sua experiência como médico, irão ajudar a cidade a sair do buraco.

No caso dos carros, poderia ter trocado a exposição por uma auditoria bem feita, com apresentação de denúncia no MP, mas, com uma atitude a mais: apresentar um planejamento de que como irá colocar para funcionar as ambulâncias e ônibus escolares, num curto espaço de tempo.

É isso que devem estar esperando pacientes e estudantes e seus pais.

Panta assumiu um cenário de terra arrasada e não precisa dessa espetacularização. O médico precisa mesmo é dizer como pagará os salários atrasados dos servidores, pois a dívida é da gestão e não do gestor.

Netinho irá responder na Justiça. E para que Panta não cometa os erros do antecessor, precisa de mais profissionalismo e não de espetáculo.

São alguns exemplos de atos que talvez tenham aparecido mais que atitudes concretas e  mais importantes para o povo das  duas cidades, nessa primeira semana.

Panta e Berg têm responsabilidade grande  porque a confiança é grande. Então, não há espaço para amadorismo.