Ato político em Monteiro pode virar o marco da pré-campanha de Lula

A visita de Lula à Paraíba era para ser um ato simbólico, que reforçasse e marcasse a paternidade da obra de Transposição do Rio São Francisco. Uma espécie de reconhecimento político dos paraibanos.

Era uma tentativa de diminuir o tamanho do que eles chamam de “apropriação discursiva” da obra por adversários do PT e de Lula. Entre eles, o presidente Temer, a cúpula do PMDB, que já foi inteiramente do governo petista, o senador Cássio Cunha Lima e outros tucanos.

Para os petistas, como o ex-presidente foi o líder que teve “coragem” de tomar a decisão política de iniciá-la, era inadmissível perceber integrantes do atual governo omitirem nos discursos o nome do ex-presidente.

A vinda dele e de Dilma não passaria disso.

Mas parece que, de fato, havia uma vontade popular de reconhecer a iniciativa do ex-presidente. Talvez, se os governistas tivessem ao menos feito uma lembrança no último dia 10, esse “desejo” não crescesse tanto.

O dinheiro da obra é do povo. Todos sabem. Mas, infelizmente, povo e políticos alimentam, de acordo com suas conveniências, a prática de venerar quem foi eleito para agir em benefício de todos, com o suado dinheiro de todos.

Governistas omitiram o reconhecimento e agora petistas querem gritar para que a lembrança fique viva.

Para isso, encontrou aqui na PB uma comoção, gratidão e uma esperança enorme depois de cinco anos de dura seca; amenizada nos últimos dias com chuvas pontuais.

Aqui, também encontrou apoio “institucional” do governo Ricardo Coutinho (PSB) – que no último dia 10  agradeceu ao ex-presidente diante de tucanos e peemedebistas, em solenidade oficial – e uma ação permanente para trazer as maiores lideranças da “esquerda” do país, artistas e críticos do impeachment, que engrossaram o caldo.

Também tem as comendas aprovadas na AL para os ex-presidentes Lula e Dilma: cidadão pessoense para ele e medalha Epitácio Pessoa para os dois, que é a maior do Legislativo do Estado. Uma espécie de formalização da homenagem.

A ideia de que era um momento histórico pegou e Monteiro será a cidade mais visitada deste fim de semana. Paraibanos que nunca foram lá, vão para casa de amigos, alugaram quartos de pousadas em cidades da região do Cariri.

De várias cidades do Estado sairão vans, ônibus e veículos particulares. Os visitantes esperam ver o rio, Lula, Chico Buarque e alimentar suas paixões.

O plantio de árvores nas margens do rio Paraíba, em Monteiro, a carreata até o centro e o discurso no palco devem virar marco da pré-campanha que Lula e os petistas desenham. Isso se uma dia ela virar campanha.

 

Depois dos espetáculos

Ao fim dos espetáculos políticos, a gente espera que todos se preocupem em cuidar da água, com ações para sua preservação e perenização dos rios; com efetiva realização do esgotamento sanitário nas cidades onde a água vai passar (em algumas cidades, fizeram uma emenda) e com a proteção de reservatórios e do leito do rio Paraíba e seus “braços”, como o Taperoá.

Ainda esperamos um plano completo de replantio da mata que margeia o rio e ações para evitar o assoreamento que já deveria estar sendo colocado em prática (em todo RSF e aqui na PB).

Depois da festa, esperamos ver um plano governamental de fiscalização do roubo de água. Tão comum nas Várzeas de Sousa. Área que uma dia, como se espera agora, iria ser redenção daquela região sertaneja. Hoje, está praticamente abandonada.

 

 

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