Em Itabaiana, população reclama de falta de médico, lixo nas ruas e salários atrasados

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Há quem diga que a situação é caótica, de total abandono. E até os mais cautelosos têm poucos argumentos para defender a atual gestão de Itabaiana, no Agreste de paraibano. É que por lá está difícil para todo mundo.

Desde a semana passada, as escolas municipais estão fechadas porque os professores entraram em greve. Estão sem receber salários. Pais reclamam da qualidade da merenda. “A merenda ruim e a água salobra”, diz dona Severina Tereza, mãe de uma estudante.

Quem precisa de atendimento médico, também está com problemas. Segundo os moradores, faltam médicos nos postos de saúde. “De cada 10, dois estão sem médico”, afirmou Crisante Muniz, agente comunitário de Saúde.

Dona Antônia Emília está há dias em busca de um profissional nos postos. Não consegue. Já sabe que os salários deles estão atrasados e até desconfia que muitos não estão indo atender por causa disso.

Na Policlínica, mais calamidade. Os médicos especialistas, segundo o porteiro, foram dispensados. Todos. Lá não estão sendo realizados atendimentos.

Os atendimentos de urgência também estão prejudicados. É que a oficina mecânica que conserta as ambulâncias do Samu se recusa a “pegar” os veículos porque a prefeitura não está pagando. Resultado, uma única equipe está em “QAP”, mas não tem veículo. Outras equipes foram demitidas.

Para completar o cenário, o lixo se acumula no meio da rua. Os garis também não estão recebendo e aí já sabe, né? Não vão trabalhar.

Na manhã desta terça-feira (18), tentamos falar, por telefone, com alguém da prefeitura mas os celulares estavam desligados. O prefeito Antônio Carlos Rodrigues, do PMDB, não foi reeleito.

O repórter Antônio Vieira, da TV Cabo Branco, também tentou buscar informações para o Blog, mas ninguém o atendeu, nem na Secretaria de Saúde, nem na prefeitura. O Ministério Público já acompanha a situação na cidade e, no caso da Saúde, abriu inquérito para investigar os problemas.

Erros de gestão

Todo mundo sabe que municípios de todo o país sofrem com a queda na arrecadação, com a diminuição de repasses. Mas para chegar a esse ponto tem um ingrediente bombástico: erros na gestão. A crise foi anunciada e prefeituras mais eficientes conseguiram cortar gastos, ajustar as contas, sanar dívidas e, no pior cenário, manteve ‘de pé’ os serviços básicos de saúde, educação, coleta de lixo.

Transição

O pior é que em algumas cidades, a urna fechou, mas a guerra política não. Alguns prefeitos eleitos da Paraíba vão ter que recorrer à Justiça para conseguir fazer uma transição de governo decente com os gestores que estão deixando o cargo. Candidatos derrotados estão deixando um cenário de terra arrasada. É bom lembrar que uma resolução do TCE disciplina a transição das gestões. De acordo com a norma, o prefeito que não possibilitar esse processo pode ter problemas no que se refere a apreciação das suas contas.

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