Entre Linhas

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Em fases distintas, Campinense e Treze se enfrentam pela primeira vez na história pela Série D; confira histórico do duelo em Brasileiros

Clubes já se enfrentaram seis vezes pelas três principais séries nacionais, mas vão estrear o clássico na Série D

Por Pedro Alves

Foto: Daniel Lins

O maior clássico da Paraíba, o Clássico dos Maiorais, entre Campinense e Treze, jamais foi disputado pela Série D do Campeonato Brasileiro. Fato que vai acabar neste sábado, quando Raposa e Galo se enfrentam pela primeira vez pela Quarta Divisão nacional. Apesar de nunca terem duelado na Série D, o confronto já foi visto algumas vezes no Campeonato Brasileiro. São 6 confrontos até aqui nas três principais divisões. 

 

Primeiramente vamos relembrar o mais recente. Foi em 2004 o último encontro dos Maiorais no Brasileirão. Finalistas do Campeonato Paraibano daquele ano, que foi vencido pela Raposa, Campinense e Treze foram os representantes do estado na Série C do Campeonato Brasileiro, àquela altura a mais marginal divisão do cenário nacional. 

 

Na primeira fase, Raposa e Galo ficaram no mesmo grupo, ao lado de Baraúnas e Potiguar, ambos de Mossoró. Ou seja, foi um confronto particular entre Campina Grande e Mossoró. E deu Campina. Campinense e Treze passaram de fase no grupo. A Raposa caiu na fase seguinte, em um mata-mata contra o Porto de Caruaru. Já o Treze chegou até a quarta fase, a última antes da fase final, mas acabou eliminado nos pênaltis pelo Limoeiro-CE.

 

Mas vamos falar do clássico daquele ano na Série C. Na verdade foram dois. No primeiro, pela 2ª rodada da primeira fase, no dia 8 de setembro, um empate sem gols. No segundo jogo, pela 4ª rodada, no dia 29 do mesmo mês, um confronto bem movimentado. Mais um empate, mas agora por 2 a 2. Maurício e Fabinho marcaram para a Raposa, enquanto que Júlio César e Miltinho fizeram os do Galo. Treze e Campinense ainda se enfrentaram mais duas vezes pela Série C, em 2003. 

Miltinho, um dos autores do gol do Galo em 2004, com a camisa do Treze daquele ano; meia foi morto em 2017, mas segue vivo nas lembranças dos torcedores do trio de ferro da Paraíba

Na Terceirona, foram dois empates e uma vitória para cada lado. O Campinense marcou seis gols, enquanto que o Treze balançou as redes quatro vezes. 

 

O Clássico dos Maiorais mais pomposo da história, no entanto, foi em 1979, pela primeira divisão nacional, na época chamada de Copa Brasil. Aquele foi o ano com a maior representatividade da história do futebol brasileiro na elite. Além de Galo e Raposa, o Botafogo-PB também esteve no torneio. 

 

Os três paraibanos, aliás, estiveram no mesmo grupo. E foi disputado na ocasião o primeiro e único Clássico dos Maiorais pela primeira divisão. Melhor para o Campinense, que bateu o Treze no Amigão por 1 a 0, com gol do grande atacante Alberi, um dos maiores ídolos da história do ABC. 

Alberi marcou o gol da vitória da Raposa em 1979

Houve também um clássico pela segunda divisão. Em 1980, Campinense e Treze jogaram pela chamada Taça de Prata, a Série B da época. Se enfrentaram pela primeira rodada da primeira fase. Mais um 2 a 2 para conta. Mauro marcou duas vezes para a Raposa, enquanto que Porto e Jairo Mendonça fizeram os tentos trezeanos. 

 

No total de confrontos em campeonatos brasileiros, que foram 6, o Campinense venceu 2 jogos, o Treze 1, e ainda foram registrados 3 empates. 

 

E na Série D?

 

Teremos ao menos mais dois Clássicos dos Maiorais neste ano. O primeiro, neste sábado, às 15h. O segundo pelo returno da primeira fase da Série D. 

 

Para este sábado, há um favoritismo claro. O Campinense chega com a moral do título estadual e, mais do que isso, com a fase bancando qualquer análise. A Raposa está jogando mais bola e é um time mais maduro do que o rival. A tabela atual do Grupo 3 da Série D não são só números, como às vezes pode ser. É um retrato fiel da realidade.

 

A Raposa tem 7 pontos, é o atual terceiro colocado e é um dos favoritos do grupo a passar de fase. Desenha no gráfico da temporada uma evolução clara. Mas clássico é clássico e vice-versa. 

 

O Treze, pelo contrário, teve seu melhor momento lá no início da temporada, onde soube ser competitivo numa competição difícil como a Copa do Nordeste. Depois, o time só piorou. Foi mal no Campeonato Paraibano e caiu ainda na repescagem, de maneira justa. Uma degringolada vertiginosa. 

 

Atravessa um momento de reformulação dentro da Série D, que para ser bem sincero parece até surtir algum efeito. Mas é complicado chegar ao sucesso com muita mudança dentro da competição que se joga. O time até tem alguns bons momentos nos jogos, mas a equipe de Tuca Fernandes não consegue ganhar. E, no fim das contas, ainda está se conhecendo em campo. Vai em busca da primeira vitória na D. Perfeito seria se fosse sobre seu maior rival. A chance será dada neste sábado pelos tropeiros deuses do futebol que olham sempre pela Rainha da Borborema.