Covid-19 15:09

Pressão da economia e de religiosos derrubou classificação de bandeiras da Paraíba 

Por LAERTE CERQUEIRA e ANGÉLICA NUNES 

Foto: Reprodução/TV Cabo Branco

Se fosse seguir à risca a classificação de bandeiras do Plano Novo Normal, o decreto que começou a valer hoje, praticamente, “fecharia” dezenas de atividades econômicas e igrejas no estado.

São 210 cidades nas bandeira laranja e 13 na bandeira vermelha. Entre as medidas previstas no plano: shoppings, bares e comércio com as portas fechadas; celebrações religiosas pela internet, escolas, em todas as séries, de maneira remota.

A classificação foi criada, ano passado, para servir como diretriz nas tomadas de decisão do estado e como orientação para prefeitos que não tinham um parâmetro.

Funcionou na realidade de 2020, com auxílio emergencial de R$ 600 ativo, com medidas econômicas do governo federal para manter uma parte dos empregos, com a esperança de que era uma ‘onda’ que passaria.

A realidade nova, sem auxílio emergencial do governo federal, com grandes e pequenos empreendedores praticamente quebrados e sem ajuda rápida, eficiente e compensatória, essa classificação existe como letra morta.

O decreto que começa a valer hoje mostrou isso. A pressão dos setores econômicos, dos religiosos e de uma parte da população derrubou as bandeiras laranja e vermelha. O comércio abre normal, bares e restaurantes até às 22h, cultos e missas vão acontecer com 30% do público.

O governador João Azevêdo (Cidadania) e o prefeito de João Pessoa (PP) e autoridades de saúde usam a “estabilidade” no número de mortes, ocupação de leitos e internação para justificar uma flexibilização mais larga do que a que estávamos antes da antecipação dos feriados.

A informação ajuda a dar uma justificativa técnica para um momento que exigiu decisão com ingredientes políticos. Ninguém quer o ônus de uma decisão mais dura agora. Difícil assumir a fatura, quando a corda está esticada.

É aquele respiro para dizer: “a gente restringiu,  fechou nos fins de semana por mais de um mês, agora, com números mais favoráveis, podemos demostrar que não estamos alheios à quebradeira”.

No caso da permissão das celebrações religiosas, com a presença de 30% de fiéis, é também uma sinalização à marcação permanente e críticas irrefreáveis dos religiosos.

Também ajudaram na decisão, o avanço na vacinação, a queda na taxa de transmissão da Covid-19. Contra essa defesa os números de casos e mortes que continuam nas alturas, mesmo com a estabilidade, como dizem as autoridades.

De alguma forma, gestores também ganham fôlego. Podem dizer que abriram leitos em pouco tempo e, agora, vão “trabalhar” para quer as medidas mais flexíveis não sejam uma porteira aberta para o avanço do coronavírus. Sinalizam para uma boa parte da sociedade já sufocada. Sabem que tudo é risco.

Por outro lado, garantem que vão fiscalizar os “infratores” dos estabelecimentos comerciais e igrejas porque o que estamos vendo são muitos pagando pela irresponsabilidade de alguns.

E, para maioria, o recado dos gestores em todo o país é simples. “Esticamos de um lado, esticamos de outro, temos que ceder, então, se cuide, cuide dos seus, que a pressão é grande, não dá para deixar tudo fechado por muito tempo, nem fiscalizar. Salve-se”.

 

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