Conversa Política

Angélica Nunes
Laerte Cerqueira

Estado e municípios da PB devem garantir condições para aluno da rede pública estudar e aprender em 2021

Por LAERTE CERQUEIRA 

O Governo do Estado publicou no Diário Oficial de domingo (07) o plano de retomada de aulas presenciais. É dividido em quatro fases.

Se tudo ocorrer como planejado, sem aumento considerável de casos de Covid-19 no Ensino Infantil e anos iniciais do Ensino Fundamental, a cada seis meses aumenta o número de alunos que estarão na sala de aula. Começa com 30% e vai até 90%.

No mínimo, considerando que a vacinação de todos só deve ocorrer ano que vem, serão dois anos no sistema híbrido.

O que isso representa de imediato? Uma possível ampliação da distância entre a qualidade do ensino das escolas privadas e públicas. Uma distância que já é gigante. Explico.

Com estrutura, capacitação e efetivação de protocolos sanitários de segurança, as escolas privadas vão voltar ao sistema presencial mais rapidamente e se a necessidade for de aula virtual, os alunos e professores estão prontos. Tem equipamentos, tem internet, tem apoio. O resto é hábito e criatividade.

Mas o sistema público está pronto? Ninguém garante.  Soluções rápidas foram dadas para oferecer aulas virtuais aos alunos das redes municipal e estadual. Mas, pelos vários relatos, não foram suficientes. Principalmente nos sistemas municipais.

Equipamentos e compromisso 

Estado e prefeituras devem fazer todos os esforços para proporcionar o mínimo de condição de aprendizado para o aluno e de ensino para professores. De maneira objetiva: internet, computador, celular, tablet, aparelhos de televisão, antenas,  reforço escolar virtual ou presencial, acompanhamento.

Nessa linha, sociedade e órgãos de controle têm que cobrar soluções para que as aulas virtuais não sejam apenas para cumprir tabela. Mais uma simulação brasileira.

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No Plano, o Governo da PB admite, de maneira indireta, que as aulas virtuais serão uma realidade de médio e longo prazos. Então, de fato, precisamos de uma educação real. Com garantias de aprendizado, sem desculpas.

Durante todo o ano passado esperamos a pandemia passar. Não passou. A realidade impõe aos prefeitos e aos gestores da Educação da PB a criação de alternativas para não testemunharmos uma tragédia educacional, em um Estado que tem mais de 500 mil analfabetos e alguns milhares de analfabetos funcionais.

É preciso mais 

No futuro, não podemos dizer, apenas, que a pandemia aumentou a evasão, que a pandemia pariu uma geração de “desqualificados” para o mercado de trabalho. Mas diremos que o Estado brasileiro, com exceções, claro, foi incapaz de diminuir o impacto nocivo na Educação de uma geração.

Não há dúvida que, na situação que estamos, um retorno massivo as aulas presenciais seria uma tragédia para professores, educadores e família. Mas nem eles nem os governos podem se contentar com a situação como se fosse algo sem solução.

Há, no âmbito estadual, e em algumas prefeituras, um esforço para abrir caminhos com soluções, mas já vimos que é preciso mais, mais e mais. E essa  luta é da sociedade. Afinal, seremos nós que sofreremos as consequências do prejuízo educacional que a falta de ação ou a ação ineficaz vai nos trazer.