Cachaça será protegida em acordo comercial entre Mercosul e União Européia

 

A cachaça é um dos 36 produtos tipicamente brasileiros protegidos pelo acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, fechado no fim do mês passado e que pode movimentar muito o mercado.

O acordo entre o Mercosul e a UE irá proteger comercialmente a cachaça e mais 36 produtos brasileiros

cachaça entrou para a lista dos 36 produtos do Brasil que serão protegidos comercialmente na Europa. Este acordo entre Mercosul e UE foi fechado no fim do mês de junho, durante um encontro em Bruxelas, na Bélgica.

Esta negociação entre o Mercosul e a União Europeia é ainda preliminar e deve passar por revisões e, primordialmente, ainda não está em vigor e precisa passar pela aprovação de todos os países envolvidos na UE.

Todavia a pauta prevê a proteção de produtos com indicação geográfica e daí entram na lista cachaças de regiões como SalinasAbaíra e Paraty, assim como o queijo Canastra, o algodão colorido da Paraíba, a linguiça Maracaju e café Alto da Mogiana.

Portanto isso significa que só poderão ser vendidos na UE produtos que venham realmente daquela região como, por exemplo, cachaças que de fato são produzidas na região de Paraty.

Com intuito de garantir essa proteção foi destacado, pelo prévio acordo, que expressões como “tipo, “estilo” e “imitação” estão proibidos.

PRINCÍPIOS DO ACORDO ENTRE MERCOSUL E UE

Este acordo acordo comercial está em pauta desde 1999 entre Mercosul e União Europeia. Ademais, caso ele entre em vigor, os países do Mercosul também concordam em dar o mesmo tipo de proteção aos produtos europeus.

Isso significa, por exemplo, que Champagne só será o vinho produzido na região francesa, parmesão só será o queijo produzido na Itália e por aí vai.

Salvo que esta negociação irá movimentar um mercado de 750 milhões de consumidores e um PIB de US$17 trilhões, segundo o secretário de comércio exterior, Marcos Troyjo.

Se por um lado o acordo vai facilitar a exportação de muitos produtos brasileiros, em contrapartida também irá facilitar a importação de produtos típicos importados para o mercado nacional.

INDICAÇÕES GEOGRÁFICAS DA CACHAÇA

Há dois tipos de indicações: Indicação de Procedência (IP) e Denominação de Origem (DO), sobretudo elas têm como objetivo valorizar os produtos tradicionais.

IP se refere ao nome de um país, cidade, ou região conhecida pela produção de um determinado produto.

Enquanto o DO reconhece um país, cidade, ou região cujo produto tem certas características específicas graças a seu médio geográfico.

Porquanto figuram na lista 36 produtos brasileiros que conseguiram a proteção, sendo que a cachaça da região de Salinas (IP), a da microrregião de Abaíra (IP) e a cachaça de Paraty (IP).

A lista completa dos produtos e mais informações sobre o acordo você pode encontrar aqui.

 

Este post foi feito em parceria com o Mapa da Cachaça: www.mapadacachaça.com.br

Congresso Brasileiro da Cachaça reunirá os maiores especialistas do setor

Cadeia produtiva se reunirá em Vitória nos dias 05 e 06 de setembro.

Durante os dias 05 e 06 de Setembro, acontecerá em Vitória – ES o Congresso Brasileiro da Cachaça. O evento terá início às 13:00 e término às 23:00, contando com uma série de especialistas do setor.

De acordo com um dos organizadores, Adão Cellia, proprietário da marca Princesa Isabel, o evento busca uma integração dos produtores em nível nacional. Desse modo, estarão aptos a discutir problemas que ocorrem no setor, trocar experiências e discutirem novas ideias.

O Congresso Brasileiro da Cachaça preparou uma equipe espetacular para os debates, prometendo aos participantes de dois dias intensos de imersão nos assuntos do setor com a presença de alguns dos maiores especialistas do assunto no Brasil.

Paralelamente, no Centro de Convenções de Vitória – onde o Congresso acontecerá – teremos também o Salão de Negócios da Cachaça. Para uma melhor organização, os palestrantes estarão espalhados em quatro painéis diferentes, sendo os temas: “Cachaça: Patrimônio Nacional”, “Porque as cachaças são tão diferentes?”, “Por que a cachaça ainda sofre tanto preconceito” e “Comercialização e exportação”.

Primeiro Painel – Cachaça: Patrimônio Nacional

Nesse momento se busca evidenciar a importância da Cachaça como um Patrimônio Nacional do Brasil. Trabalhando-a como um símbolo nacional essencial para a formação de um Estado Nacional. Um outro assunto que será abordado é importância que o pequeno produtor possui no setor. As palestras voltadas a esse tema acontecerão das 16:30 às 18:30 no dia 05 de Setembro e conta com grandes palestrantes como Gilberto Freyre Neto, presidente do Instituto Gilberto Freire em Pernambuco.

Segundo Painel – Porque as cachaças são tão diferentes?

Esse painel também apresenta debates muito interessantes, tratando assuntos como, por exemplo, a diferença entre a cachaça artesanal e a cachaça industrial. Além disso, a palestrante Aline Marques Bortoletto da ESALQ em São Paulo, traz uma discussão muito pertinente, que busca entender se as madeiras podem ou não corrigir os defeitos da cachaça. Uma série de outros questionamentos sobre a causa das cachaças serem diferentes também serão levantados por especialistas no assunto e acontecerá das 19:00 às 21:30, fechando as palestras do dia 05.

Terceiro Painel – Por que a cachaça ainda sofre tanto preconceito?

Com um título um tanto chamativo, o terceiro painel abrirá as palestras do dia 06 de Setembro. Buscando entender um pouco sobre a razão de um destilado tão nobre não receber o seu devido respeito, os palestrantes trazem questionamentos que irão ajudar os produtores a entender as causas desse fenômeno e, consequentemente, combatê-las. Entre os diversos tópicos deste painel, o Jornalista Sidney Maschio apresentará como os meios de comunicação enxergam a cachaça. As palestras começarão às 16:00 e tem o prazo de encerramento para às 18:30, dando espaço para os debates do quarto painel.

Quarto Painel – Comercialização e exportação

Para encerrar as palestras do último dia, o quarto painel busca debater a comercialização da cachaça no mercado externo. O primeiro palestrante será Thyrso Neto, da Cachaça Yaguara, que irá abordar sobre o perfil do cliente da cachaça. Já Fernando Silveira do SEBRAE de Minas Gerais, levará questões para os produtores pensarem no Marketing de suas cachaças. A questão da coquetelaria, e-commerce e a importância das distribuidoras para o pequeno produtor, também são pautas das palestras do quarto painel, que começará às 19:00 e terminará às 21:30.

O Salão de Negócios e Congresso Brasileiro da Cachaça conta com o apoio de institucionais, como a Associação Nacional de Produtores de Cachaça de Qualidade (ANPAQ) e a Academia Brasileira de Cachaça de Alambique (ABCA). O evento é uma grande oportunidade de aprendizado e de negócios aos produtores de cachaça, uma vez que, trata-se de dois dias imersos no setor junto a outros produtores e especialistas no assunto.

O Salão de Negócios chama também a atenção dos consumidores apaixonados pelo destilado, que além de comprar garrafas da bebida, também podem participar do Cachaça Experience. Trata-se de um espaço onde estarão aptos a experimentar diversos drinques, feitos por uma equipe minuciosamente selecionada que conta com os 30 melhores bartenders do Espírito Santo.

Para mais informações sobre o evento, clique aqui. 

Post feito em parceria com o blog cachacagestor.com.br

Superior Taste Award: Cachaça paraibana ganha certificação de qualidade na Europa

A paraibana Pai Vovô, ainda a ser lançada no mercado, recebe mais uma premiação, dessa vez, internacional. 

Oito cachaças foram certificadas pelo ‘Superior Taste Award 2019’, ocorrido em Bruxelas.  A premiação é responsabilidade do The International Taste Institute (anteriormente iTQi), empresa que, desde 2005, realiza anualmente, com a ajuda de experts europeus, a avaliação e certificação do sabor de produtos de consumo.

No International Taste, as avaliações de sabor são feitas por especialistas independentes . Os produtos são testados por grandes painéis entre os mais de 200 Chefs e Sommeliers das mais prestigiadas associações culinárias europeias. Os membros do júri são selecionados por sua experiência comprovada em degustação e em fornecer feedback construtivo. Seus especialistas são reconhecidos em competições Chef & Sommelier ou por instituições renomadas como Le Guide Michelin ou Gault & Millau.

Painel de degustação

O Instituto Brasileiro da Cachaça – IBRAC apoiou o evento no Brasil, ajudando a mobilizar a cadeia produtiva da Cachaça para a participação. “Trata-se de um resultado muito relevante para o fortalecimento da Cachaça no mercado internacional, e consequência da qualidade, diferenciação e versatilidade de nosso produto”, acredita Carlos Lima, diretor executivo do IBRAC.

De acordo com o International Taste Institute, cerca de 15 mil produtos já foram avaliados pela instituição. Neste ano, 1.885 itens do setor de alimentos e bebidas foram certificados e premiados.

Degustação em Bruxelas

Os produtos foram analisados ​​e pontuados de acordo com uma metodologia de teste às cegas. Agora, poderão usar o selo do International Taste Institute por três anos em suas embalagens.

A cachaça Pai Vovô, de São Domingos, no Sertão Paraibano, foi uma das oito premiadas. Está em processo de lançamento e se posiciona como orgânica. Foi premiada recentemente no Concurso de Vinhos e Destilados do Brasil 2019. Tem no seu time o renomado consultor Leandro Marelli, instalações de altíssimo nível e excelente capacidade logística.

O Blog recebeu algumas amostras para degustação e a impressão foi a melhor possível. Trata-se de um produto diferenciado, que justifica plenamente todo o investimento feito. Vamos aguardar seu lançamento para podermos emitir nossa avaliação sensorial. Certamente, fará barulho no mercado e elevará ainda mais o nome e a qualidade da cachaça paraibana.

As cachaças premiadas com o Superior Taste Award 2019 foram:

Cachaça 51

51 Carvalho Americano

Reserva 51 Única

Reserva 51 Rara

Cachaça Tellura Prata

Cachaça Tellula Carvalho

Cachaça Pai Vovô Ouro

Cachaça Da Quinta Prata

 

Post feito com adição de informações do site devotosdacachaça.com.br

Paraíba é destaque no 17º Concurso de Vinhos e Destilados do Brasil

Estado se sobressai cada vez mais na produção de cachaças de excelência

Na noite da terça feira, dia 30/07, o Concurso de Vinhos e Destilados do Brasil, que chegou à sua 17ª edição, divulgou a lista de bebidas premiadas com medalhas, colocando fim a uma longa expectativa.

A fase de provas aconteceu nos dias 17 e 18 de julho, no Hotel Transamérica, em São Paulo. Segundo os organizadores, esta foi a edição com o maior número de destilados inscritos (240, sendo 220 cachaças). Os vencedores receberam medalhas de prata, ouro e grande ouro. Portanto, pode-se afirmar que quem chegou a conquistar medalhas venceu a maior concorrência da história do concurso. Merece todas as congratulações.

Numa prova inconteste de que a cachaça de qualidade, hoje, não é mais restrita a um estado ou região, as medalhas foram distribuídas entre nada menos que 13 estados, do Rio Grande do Sul ao Maranhão.

Baraúna Carvalho, em breve nas gôndolas

A Paraíba, como já se tornou praxe nesses concursos, fez bonito. E muito bonito.  Foi o estado do Nordeste com mais premiações. Ficando, na classificação nacional, em quinto lugar no número de medalhas, atrás de São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Os produtores premiados foram: Prata para a Gregório Premium  (Alagoa Grande). Ouro para Baraúna Carvalho (Alhandra) e Cobiçada Umburana  (Serraria) e Duplo Ouro ou Grande Ouro para a Pai Vovô, de São Domingos.

A cachaça Pai Vovô será lançada em agosto

É bem normal no mundo dos produtores de cachaça que seu produto, antes de ir ao mercado, seja submetido ao crivo dos juízes de algum grande concurso. Assim, no lançamento, elas já nascem premiadas e aproveita-se o marketing da premiação para alavancar as vendas. Foi o que fez o produtor Alexandre Rodrigues, proprietário do Engenho Baraúna, que resolveu testar seu produto em um dos mais competitivos torneios de destilados do país, e conseguiu um enorme êxito, recebendo, simplesmente, uma medalha de ouro por sua cachaça. “Eu nunca havia participado de um concurso e resolvi arriscar esse pra ver no que dava”, afirma o modesto produtor. Isso me impele a participar de mais concursos e ousar em novos produtos, complementa.

A Cachaça Pai Vovô, seguiu a mesma trilha, é cachaça em processo de lançamento e se posiciona como orgânica. Tem no seu time o renomado consultor Leandro Marelli, instalações de altíssimo nível e boa capacidade logística. Certamente, fará barulho no mercado e, certamente, mais metais preciosos virão por aí.

Segue a relação dos vencedores:

Grande Ouro

Cachaça Saracura Carvalho

Cachaça Pai Vovô Ouro

Cachaça Cabaré Extra Premium 15 Anos

Cachaça da Quinta Prata

Cachaça Weber Haus 6 Anos Extra Premium

Cachaça Poço da Pedra Jequitibá Rosa

Cachaça Ypióca 150

Vodka Kovac Prime

Cachaça Harmonie Schnaps

Cachaça Prosa Mineira Reserva

Cachaça Catarina Reserva Cabreúva

Cachaça Dose Clássca Ouro Castanha do Pará

Cachaça Gabrielinha Portal da Baracéia

Guaaja Tiquira Carvalho

Licor Fascínio Casa Bucco

Cachaça Velho Alambique Orgânica Premium Carvalho

Ouro

Cachaça Decisão Amburana e Bálsamo

Fernet Amaro Thoquino

Brasilberg, Casa Underberg

Cachaça Casa Bucco Amburana

Cachaça Brisa Ouro

Cachaça Seleta

Cachaça Catarina Reserva Jequitibá

Cachaça Vila Tapera Soberana

Cachaça Baraúna Carvalho

Cachaça Vecchio Albano Extra Premium

Guaaja Tiquira Amburana

Cachaça Brunholi Extra Premium

Cachaça Ypióca 5 Chaves

Cachaça Weber Haus Premium 7 Madeiras

Gin Nick’s London Dry

Cachaça Cobiçada da Paraíba Amburana

Licor Casa Bucco Café

Cachaça Dom Tápparo 12 anos

Cachaça Fazenda Soledade Prata

Cachaça Sr. Brasil Prata

Cachaça Catarina Única 2015

Cachaça Vila Tapera Peroba do Campo

Aguardente Ypióca 160

Prata

Cachaça Orgânica Sanhaçu Freijó

Cachaça HBS Homero Batista dos Santos

Cachaça Reserva do Coronel Blend

Cachaça do Anjo Blend Especial

Cachaça da Quinta Carvalho

Cachaça Sagrada

Cachaça Filippini Ouro Amburana

Vodka de Cereais Stoliskoff

Dry Gin WH 48

Cachaça Gregório Premium

Cachaça Dom Tápparo Extra Premium 10 anos

Cachaça Tragaluz Brisa da Serra

Cachaça Antonio Rodrigues

Cachaça Papary Prata

Cachaça Wiba! Prata

Weber Haus Prata

Cachaça Margô Premium

Acordo  UE–Mercosul  deverá abrir as portas da Europa à cachaça brasileira

Acordo foi firmado ontem (28) e deverá facilitar a entrada da cachaça em território europeu

O acordo bilateral assinado entre a União Europeia e o Mercosul traz em seu bojo a abertura dos países europeus que compõem o bloco para a cachaça brasileira. O resumo do acordo, emitido ontem pela governo brasileiro, destaca:

Em propriedade intelectual, destacam-se os compromissos logrados em indicações geográficas que beneficiam produtores e consumidores da UE e do MERCOSUL. As indicações geográficas de produtos agrícolas brasileiros, como as de cachaça, vinho e café, serão reconhecidas e protegidas no território europeu

Será que, finalmente, a cachaça ganhará o mundo?

Um grande mercado aberto à cachaça

Pelo tratado, as tarifas impostas à exportação de bebidas alcoólicas  dos países do Mercosul serão reduzidas, através de um regime de quotas. Isso beneficiará diretamente, por exemplo, os vinhos argentinos e a nossa cachaça. A avaliação do Instituto Brasileiro da Cachaça (IBRAC) é de que o reconhecimento e proteção da Indicação Geográfica da Cachaça pelo bloco europeu, que é um dos maiores mercados de exportação do destilado brasileiro, resultará no aumento das vendas externas para a Europa.

Em comunicado oficial, o diretor executivo da IBRAC, Carlos Lima, aponta que a exportação da cachaça para a União Européia fica bem abaixo do potencial, se considerado o montante que o bloco importa de outras bebidas que também são provenientes da cana, a exemplo do rum. Em 2018 a UE importou US$ 1,22 bilhão em bebidas produzidas a partir da cana-de-açúcar. No mesmo ano a exportação de cachaça para o bloco foi de apenas US$ 7,84 milhões.

Outro ponto importante a ser destacado, segundo Carlos Lima, foi a posição do governo brasileiro em relação ao tema da proteção de Indicações Geográficas. Isso  permitirá um avanço nas negociações para que outros países também reconheçam a bebida como tipicamente brasileira. A cachaça é a primeira Indicação Geográfica do Brasil, protegida através do Decreto 4.062/2001. Até o momento, os países que reconhecem a cachaça e a  protegem são: Estados Unidos, México, Colômbia e, mais recentemente,  Argentina.

Ainda, segundo Lima, o acordo vai assegurar que apenas os produtores brasileiros possam fazer uso da denominação Cachaça na União Europeia, o maior mercado consumidor de destilados do mundo.

É importante frisar que o acordo, como um todo, ainda passará pelo crivo do Congresso brasileiro.

O outro lado

Em entrevista ao portal UOL, o ex  Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, avalia que o acordo veio em momento ruim, pois os  dois principais negociadores do grupo – Brasil e Argentina – estão fragilizados política e economicamente. Ele atribui a isso a pressa europeia em fechar o pacto. Ainda, segundo Amorim, é muito provável que alguns itens tragam flagrante desvantagem ao Brasil. O documento final ainda não foi divulgado, há que esperar para ter acesso ao texto formatado pelas partes, para embasarmos melhor nossas opiniões.

Pelo princípio da bilateralidade no acordo, todos os incentivos e benesses para as exportações brasileiras também  terão que ser concedidas às exportações do Bloco Europeu para o Brasil. Assim, para o caso das bebidas alcoólicas, teremos  um mercado com  grandes marcas internacionais entrando no Brasil (vinhos, destilados, cervejas, etc). Como as tarifas serão zeradas ou reduzidas, haverá uma briga forte pelo consumidor brasileiro, o que levará a uma concorrência direta com a cachaça e demais bebidas alcoólicas fabricadas aqui.

Outro ponto a ser salientado é a possível necessidade de maior esforço de adequação dos produtores a eventuais exigências químico-sanitárias dos países europeus, que pode ser imposta à cachaça. Isso levaria a alterações nas especificações do MAPA para a bebida. Cito como exemplo o controle maior do carbanato de etila e dos metais pesados, cujos índices já foram questionados por importadores alemães.

 

Mercado informal

Consultado por este blog, o analista técnico em comércio exterior Marcus Baronni pontuou que é muito provável que uma das contrapartidas que os destiladores europeus deverão impor ao Mercosul será uma maior fiscalização e controle sobre o mercado informal, particularmente das cachaças no Brasil. A informalidade no Brasil hoje gira em torno de 40% e seu combate sempre foi uma luta histórica e inglória dos produtores brasileiros.

Segundo Baronni, os europeus conhecem o mercado brasileiro de destilados e, logicamente, querem aumentar sua base de potenciais consumidores. A extinção da informalidade, ou seu maior controle, beneficiaria diretamente toda a cadeia produtiva da cachaça e, indiretamente, abriria maior mercado aos produtos importados.

 

Só nos resta esperar para ver e entender sobre mais esse capítulo da história de nossa amada CACHAÇA.

Cachaça e Rum: Você sabe as diferenças e semelhanças?

A cachaça e o rum têm a mesma matéria-prima: a cana-de-açúcar. Mas a brasileira cachaça e o caribenho rum  não são a mesma coisa. Aqui, na Confraria do Copo, explicamos as diferenças e semelhanças.

 

CACHAÇA É BRASILEIRA

O nome cachaça está protegido por lei e a sua produção está restrita ao Brasil. De acordo com a legislação brasileira, o Decreto 6871/2009, art. 53, define-se cachaça como:

“A denominação típica e exclusiva da aguardente de cana produzida no Brasil. Sua graduação alcoólica deve ser de 38 a 48 por cento em volume, a vinte graus Celsius. Sua obtenção deve ser pela destilação do mosto fermentado do caldo de cana-de-açúcar com características sensoriais peculiares. Podendo ser adicionada de açúcares até 6 gramas por litro”.

A cachaça e o rum têm na cana-de-açúcar a sua matéria prima

Apesar de ser de origem caribenha e ter como principal região de produção os países da América do Sul e Central, o rum é um destilado que pode ser produzido em qualquer lugar do mundo.

RUM É DO MELAÇO

A principal diferença no processo de produção entre os dois destilados, é que o rum é feito com o caldo cozido da cana, o melaço, um subproduto do processo de produção do açúcar. Já a cachaça, historicamente, sempre foi feita com o suco fresco, que a gente chama de garapa. De acordo com o professor Patterson Patricio de Souza, da Universidade Federal de Minas Gerais, essa diferença no processo resulta em uma composição química própria. Isso diferencia os destilados e traz distintas propriedades sensoriais. Patricio explica que ao cozinhar o caldo da cana, as substâncias presentes no produto, como os ésteres, os aldeídos e o álcool superior são alterados, modificando o sabor final da bebida.

O rum é feito do melaço (mel-de-engenho)

O RHUM AGRICOLE

No entanto, pelo Caribe, em países de colonização francesa, como Guadalupe, Martinica e Haiti, há um tipo especial de rum chamado Rhum Agricole que é feito a partir do caldo de cana espremido na hora. A versão caribenha, apesar de também ter como matéria prima a garapa, apresenta diferenças importantes em relação à cachaça. O teor alcoólico pode chegar a até 70% em algumas regiões e a destilação predominante em colunas de inox, enquanto a maioria dos produtores de cachaça destilam utilizando alambiques de cobre.

A cachaça e o rhum agricole são feitos do caldo de cana, enquanto o rum é feito do melaço ou uma combinação de caldo de cana com melaço.

RUM TEM MAIOR GRADUAÇÃO ALCOÓLICA

Como vimos na nossa legislação, a cachaça pode ter graduação alcoólica entre 38% a 48%. Já o rum pode passar desses limites. Mais uma vez, vamos recorrer ao Decreto 6871/2009, agora apontando o artigo 54 que define o rum.

Pela legislação brasileira, o rum, rhum ou ron é a bebida com graduação alcoólica de 35% a 54% em volume, a vinte graus Celsius. Sua obtenção é a partir do destilado alcoólico simples de melaço, ou da mistura dos destilados de caldo de cana-de-açúcar e de melaço. O envelhecimento deve ser em recipiente de carvalho ou madeira equivalente, conservando suas características sensoriais peculiares.

A cachaça só pode ser produzida no Brasil, já o rum pode ser feito por qualquer país.

 

O CARVALHO E AS OUTRAS MADEIRAS

Tanto a cachaça como o rum podem ser consumidos na sua versão branquinha, aquela que não passa por madeira. No entanto, as duas bebidas têm suas versões armazenadas ou envelhecidas em barris de madeira. E aí está um dos grandes potenciais da cachaça!

A cachaça é uma das poucas bebidas alcoólicas que não envelhecem apenas em carvalho. Madeiras nacionais como amburana, jequitibá, ipê, bálsamo e várias outras são utilizadas para o envelhecimento ou armazenamento da bebida. Cada madeira concede uma cor, um aroma e um sabor característico. O potencial gastronômico dessa particularidade é imenso. Basta imaginar a possibilidades de harmonização com ingredientes e pratos da cozinha brasileira e de outros países.

AS ORIGENS DA CACHAÇA E DO RUM

De acordo com pesquisador Wayne Curtis, autor do livro And a Bottle of Rum: A History of the New World in Ten Cocktails, o rum surgiu no começo do século XVII nas colônias britânicas do Caribe, provavelmente em Barbados. O rum teria sido originado  dos subprodutos da indústria do açúcar, antes considerados lixos indesejados e muitas vezes descartados no mar. Já uma versão rudimentar de cachaça era produzida no litoral brasileiro entre 1516-1532, fazendo da aguardente brasileira o primeiro destilado da América. A cachaça é mais antiga do que o pisco (Peri e Chile), a tequila e mezcal (México), o rum (Caribe) e o bourbon (EUA).

Os holandeses e a cachaça fizeram o rum ganhar o mundo.

As histórias dos dois destilados se entrelaçam, inclusive em terras brasileiras. Os holandeses já produziam destilados de cana-de-açúcar num processo parecido com a fabricação do rum. Isso no início do século XVII.

Com a expulsão dos holandeses de Recife eles levaram a cana e os equipamentos de destilação para o Caribe. Esse pode ser o motivo do rum ter se tornando mundialmente mais famoso do que a cachaça brasileira, pois os holandeses eram ótimos comerciantes. Além disso tinham a estrutura da Companhia das Índias Ocidentais para levar a produção caribenha para a Europa.

 

 

Fontes:  American University Washington e bebidaexpressblog.com.br

De João Pessoa a Campina Grande via Brejo Paraibano: muita história, cachaça e forró

Este blog é sobre cachaças, mas como festa junina, história e  forró  também têm tudo a ver com a Paraíba, eu preparei um misturão com esses elementos.

 

Aproveitando o mote junino, fiz um trajeto para quem quer ir de João Pessoa a Campina Grande pra forrozar no Maior São João do Mundo (programação). O roteiro inclui o Brejo Paraibano, onde você poderá conhecer um pouco da história e das belezas arquitetônicas e naturais da região e, claro,  saborear algumas das melhores marcas de cachaças produzidas  no Brasil.

Pré-requisitos: alguém que dirija e não beba, disposição para degustar cachaças deliciosas e uma boa câmera fotográfica

Sobrado

Engenho Nobre: cachaças premiadas dentro e fora do Brasil

Logo no começo da viagem, na BR-230, Km 71, você encontra o Engenho Nobre. Ele fica às margens da BR,  na região da cidade de Sobrado, mas no sentido Campina – João Pessoa, então você vai ter que fazer um retorno.

O Engenho fabrica as cachaças Sapequinha e as premiadas  Nobre, e Arretada  (medalha de prata no San Francisco Distilled Spirits Competition, 2019). Lá você tem visitação ao engenho, degustação na adega e pode comprar cachaças na lojinha. Os preços são bem inferiores aos encontrados no mercado. O proprietário é um mineiro-paraibano  super simpático e comunicativo (posso passar o contato dos proprietários por e-mail para quem tiver interesse em marcar uma visita).

Alagoa Grande

Seguindo em frente, no Km 112 da BR-230,  você vai sair da BR e pegar a PB-079. O destino é o Brejo paraibano e a cidade,  Alagoa Grande (1865) –  terra de Jackson do Pandeiro. Mas não vá com tanta sede ao pote das cachaças, conheça antes um pouco da cidade.

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Cachaça Volúpia, várias vezes eleita uma das melhores do Brasil

Dê um tempinho para umas fotos no “Pandeirão”, o portal de entrada do município. Você pode visitar o museu Jackson do Pandeiro, que possui vários objetos pessoais do Rei do Ritmo. Visite também o Teatro Santa Ignêz, construído em 1905. Conheça a Casa de Margarida Maria Alves, onde são guardadas a memória e a história dessa que foi a maior líder sindical brasileira de todos os tempos.

Agora as cachaças: siga para o engenho Lagoa Verde, que fabrica a nacionalmente conhecida e multipremiada Cachaça Volúpia. Você terá a visitação ao engenho e poderá se deliciar com um belo café da manhã ou com o famoso almoço regional do restaurante Banguê, que fica na propriedade. O engenho possui várias opções de turismo ecológico. Excelente oportunidade para se contemplar as belezas naturais do Brejo Paraibano. Na hora das compras, há uma elegante lojinha que vende as cachaças do engenho a preços excelentes.

Em Alagoa Grande você também deve ir ao Engenho Gregório de Baixo, que fabrica a ótima cachaça Gregório. Uma potência de 45 graus de teor alcoólico,  mas de suavidade e sabor que impressionam.

Areia

Siga 18 Km à frente, ainda pela PB-079 até a belíssima e histórica cidade de Areia (1846),  berço do pintor Pedro Américo e do escritor José Américo de Almeida. A cidade tem seu centro histórico tombado pelo IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. O conjunto histórico e urbanístico de Areia foi tombado, em 2006. Para o tombamento, o IPHAN baseou-se no valor histórico, urbanístico e paisagístico atribuído ao conjunto, pela ativa participação da cidade nas revoluções ocorridas no século XIX.

Você vai se encantar com a beleza da cidade. Conheça o Teatro Minerva, inaugurado em 1858, vá ao Museu da Rapadura e ao Museu Casa de Pedro Américo. Conheça a antiga Igreja de Nossa Senhora do Livramento, construída em 1861. Curta o clima bucólico da cidade e tire belas fotos nas simpáticas ruas de paralelepípedo com suas casas coloniais. Além disso tudo, a cidade também organiza um São João bem tradicional, com forró pé-de-serra e comidas típicas.

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Cachaça Triunfo: portfólio variado e muitas vezes premiado

A cidade, por si só, já vale a visita, mas nosso passeio inclui cachaças, então siga para o Engenho Triunfo.

O Engenho possui uma ótima infraestrutura turística e é aberto todos os dias para visitas guiadas. Ao fim da visita, há uma degustação de cachaças, além de frutas, caldo-de-cana e até sorvete de cachaça. Você prova e depois, se quiser, compra na loja. Uma variedade incrível de produtos. São belas opções para a sua adega, para presentear e claro, pra tomar umas boas doses também.

Logo depois do Engenho Triunfo, você vai encontrar o Engenho Vaca Brava, da também premiada Cachaça Matuta. Eles fazem visitação guiada, que inclui a loja para degustação e venda de cachaças e outros produtos. É um belo passeio num dos lugares mais bonitos da Paraíba.

Cuidado nas compras

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Ouro na Expocachaça 2019

Areia possui mais de 40 engenhos e você pode encontrar dezenas  de cachaças excelentes com preços super camaradas no comércio local. A variedade é enorme, então aconselho a você procurar as cachaças registradas no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Consulte no rótulo da cachaça se é mostrado o número desse registro. Se não tiver, não compre, pois pode ser um produto clandestino ou sem inspeção sanitária. Essa dica vale para a compra de cachaças em qualquer lugar que você visitar.

Ipueira Carvalho: a melhor da categoria na Expocachaça 2019

Dentre as cachaças da região posso citar as que integram a APCA (Associação dos Produtores de Cachaça de Areia): a Turmalina da Serra (cachaça simplesmente espetacular), Aroma da Serra, Vitória, Princesa do Brejo, Ipueira, Elite e a Cristal de Areia. Vários engenhos também possuem lojinhas na cidade, é só procurar que você encontra.

 

Bananeiras

Invista um pouco mais de tempo (vai valer muito a pena) e dê uma esticada para conhecer outra joia arquitetônica preservada  da Paraíba:  a cidade de Bananeiras (1879). Fica há 50 Km de Areia. Nas pequenas ruas do Centro Histórico, o casario reúne mais de 80 construções tombadas pelo IPHAEP – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Estado da Paraíba. A região foi primeiramente produtora de cana-de-açúcar e depois de café. Em 1852, a produção cafeeira chegou a ser a segunda do Nordeste. Isto tornou a cidade uma das mais ricas da região, riqueza esta expressa na arquitetura de seus casarões

Em meio ao frio que proporciona por sua localidade, com 526 metros de altitude, a cidade consegue transmitir o calor acolhedor a quem a visita.

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Sinônimo do estilo paraibano de se fazer cachaça

Dois engenhos das tradicionais aguardente Rainha e cachaça Cascavel mostram aos turistas suas instalações e explicam sobre o processo de fabricação da cachaça. Como eles ficam na área rural da cidade, em vias sem sinalização, vale passar antes pela Casa do Turista, na Praça Epitácio Pessoa, para perguntar sobre o caminho – se preferir, o lugar oferece guias para acompanhar o passeio.

O engenho Goiamunduba fabrica, desde 1854, a maravilhosa aguardente Rainha, que é a aguardente de cana mais forte comercializada no Brasil. “Forte” entre aspas, pois o produto é tão bem feito e suave que, ao beber, você não sente que está ingerindo 50% de álcool. A Rainha, tecnicamente, não pode ser chamada de cachaça, e sim de aguardente, devido ao seu alto teor alcoólico – isso porque a legislação só considera cachaça se tiver graduação alcoólica entre 38% e 48%.  Mas é uma bebida respeitada por todos os especialistas em cachaça do Brasil, tonando-se sinônimo da produção cachaceira da Paraíba.

 

Alagoa Nova

Retorne para Areia e, já no caminho para Campina Grande, percorra mais 18 quilômetros, até a cidade de Alagoa Nova (1904), pela PB-097. A cidade também investe no tradicional São João, em junho. Agosto é reservado à Festa da Galinha e da Cachaça e também à Rota Cultural Caminhos do Frio. Dessa rota, participam quase todas as outras cidades do Brejo Paraibano. Nossa parada será no engenho Novo e Beatriz, onde se fabrica a também premiada cachaça Serra Preta, que é outra pauleira de 45% de álcool, mas super bem resolvida e equilibrada.

 

Campina Grande

Até Campina Grande (1864) são só mais 30 Km. A essa altura você deve estar num pé e noutro para aproveitar seu São João e beber suas cachacinhas, mas, calma!

Como Campina é a cidade polo de todo o Agreste da Paraíba, vá antes à Feira Central, pertinho, no centro da cidade. Procure a rua das cachaças, que possui vários comércios de bebidas que vendem praticamente todas as marcas produzidas no Estado. É uma ótima opção de compra, além de render fotos excelentes na Feira de Campina Grande, que, desde 2017 é reconhecida pelo IPHAN como Patrimônio Cultural do Brasil.

Em Campina você ainda pode misturar forró e cachaça em vários outros locais, como: Estação do Turista, na Vila do Artesão e no Salão do Artesanato de Campina Grande.

Chegamos ao fim do nosso passeio!

Agora é só se deliciar com esses verdadeiros orgulhos da Paraíba. Curta sua bebida no Parque do Povo, em ótima companhia e ao som de um bom forró pé de serra.

Espalhados pela Paraíba existem vários outros engenhos com excelentes cachaças, esta foi uma amostra. Conheça tudo sobre nossa produção cachaceira acompanhando este blog e a coluna Confraria do Copo, na CBN João Pessoa.

Feliz São João!

Pra falar comigo, escreva um comentário aqui ou mande e-mail mauricio@rotulobrasil.com.br .

O WhatsApp direto é 83 9 8793 6402.

OLX se manifesta sobre venda ilegal de “cachaças” em sua plataforma

No dia 17 de junho último este blog publicou a seguinte matéria: OLX e Mercado Livre ignoram legislação e permitem venda de “cachaça” clandestina. Na postagem denunciamos os fortes indícios de que as duas plataformas ignoravam a legislação e permitiam a venda de “cachaças” clandestinas, com consequente sonegação de impostos e desrespeito aos normativos sanitários do país (leia a íntegra da matéria aqui).  Como resposta, recebemos um posicionamento da plataforma OLX. Confira abaixo:

Posicionamento:

“Em resposta à matéria publicada pelo Confraria do Copo, blog do Jornal da Paraíba, a OLX esclarece que a atividade da empresa consiste na disponibilização de espaço para que usuários possam anunciar e encontrar produtos e serviços de forma rápida e simples. Diariamente, quase 500 mil anúncios são inseridos na plataforma. Toda negociação é realizada fora do ambiente do site, portanto, a empresa não faz a intermediação ou participa de qualquer forma das transações, que são feitas diretamente entre os usuários.

A OLX reforça que a ferramenta foi criada para auxiliar no desenvolvimento social e econômico do país e que os usuários devem respeitar os Termos e Condições de Uso do site (http://go.olxbr.com/termos-condicoes-olx). O anúncio de itens ilegais é expressamente proibido no site (http://go.olxbr.com/produtos-servicos-proibidos-olx).

Vale lembrar que a OLX também disponibiliza um botão de denúncia em todos os seus anúncios, possibilitando que qualquer pessoa denuncie eventuais práticas irregulares ou conteúdos indevidos. Nestes casos, a empresa consegue deletar o anúncio e banir o usuário da plataforma.

A OLX reforça que está sempre à disposição das autoridades para colaborar no que for necessário para a apuração dos fatos”.

jeferson cruz | assistant account executive

OLX e Mercado Livre ignoram legislação e permitem venda de “cachaça” clandestina

As duas plataformas apresentam fortes indícios de que se tornaram um campo fértil à clandestinidade e sonegação de impostos

Reprodução de tela do site Mercado Livre, consultado em 16/06/2019

Procurando repor a minha coleção de cachaças – constantemente sabotada por este que vos escreve -, fui fazer uma pesquisa no Mercado Livre (ML), para adquirir algumas garrafas da minha bebida preferida. Após alguns minutos de busca, comecei a perceber algo estranho: “cachaças” ditas “artesanais” sendo oferecidas a granel em garrafas plásticas de refrigerante ou em botijões de 5 e 20 litros .

– Pode isso?

– Não!!!!!

Teriam que ter a sua comercialização vedada. A legislação vigente proíbe a venda de cachaça para o consumidor final em embalagem contendo mais de 1 litro de bebida. Pior, percebi sinais de que a lei estava sendo transgredida de vários modos por um sem-número de pessoas.

No Mercado Livre, vale tudo?

Com surpresa e tristeza, eu concluí que o ML, supostamente, funciona como ambiente propício para o comércio de aguardentes clandestinas. Aparenta ser um verdadeiro território sem lei, dando a impressão de que vale tudo.

Apesar de ser uma exigência legal, vários são os anunciantes que ofertam aguardentes e que, claramente, não possuem registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Esta é uma situação totalmente inadequada. A venda teria que ser barrada desde o seu nascedouro.

A comercialização desses produtos representa flagrante crime de natureza sanitária, contra a saúde pública, além de possíveis irregularidades por fraude e sonegação fiscal.

Pesquisando mais a fundo, concluí que a prática, além de ser proibida pela legislação brasileira, é vedada pelos próprios termos de uso do ML, que estabelecem:

Não é permitido anunciar e/ou solicitar produtos que não são homologados, aprovados ou registrados pelos órgãos nacionais correspondentes, por exemplo: ANVISAANATELINMETROMAPA ou ANS

É um caso clássico em que a prática passa longe do discurso.

OLX

Indo mais além, constatei que o mesmo ocorre com outra grande plataforma de comércio eletrônico, a OLX. Lá, eu encontrei várias indícios do mesmo desrespeito à Lei: aguardentes sendo comercializadas ilegalmente.

Após a publicação desta matéria, a OLX se manifestou sobre o assunto, confira no final do texto.

Reprodução de tela do site OLX, consultado em 16/06/2019

A OLX, formalmente, também proíbe a comercialização desses produtos, mas não foi isso que encontrei. Nos seus termos de uso, ela determina que, ao cadastrar um anúncio, o usuário deve verificar a listagem de produtos proibidos na OLX. Transcrevo a parte que toca a bebidas alcoólicas:

[…] É proibida a venda de produtos sem a homologação, aprovação e registro de órgãos governamentais como, por exemplo, ANVISA, INMETRO, MAPA, ANATEL […] Proibida, também, a venda de bebidas alcoólicas artesanais, massas alimentícias e fermentos em geral.

Toda cachaça comercializada no país deve (ou deveria) ser registrada junto ao MAPA. Os produtos ofertados nessas plataformas, aparentemente, não apresentam nenhum tipo de controle sanitário, o que denota um problema de saúde pública. O fato é que não há a menor garantia de que as aguardentes colocadas à venda no OLX e ML seguem padrões mínimos de qualidade química ou sanitária. Trata-se de bebidas potencialmente nocivas à saúde humana.

 

Comercialização ilegal

 

Reprodução de tela do site Mercado Livre, consultado em 16/06/2019

Eu me passei por comprador interessado em revender a granel e enviei mensagem para vários anunciantes dessas tais bebidas, perguntando se os produtos eram registrados no MAPA. As respostas que recebi, além de lacônicos NÃO, eram que se tratava de produto “artesanal” e que não precisava de registro (mentira !). Um deles me informou que não tinha registro, mas que havia um “acompanhamento sanitário” da produção, seja lá o que isso signifique.

A verdade é que todos sabem que estão incorrendo em ilegalidade e se aproveitam da leniência desses meios de comercialização para burlar a lei e enganar o consumidor. Some-se a isso a inoperância do poder público em fazer uma fiscalização mais séria e efetiva.

Denunciei ao próprio ML e à OLX essas práticas de comercialização ilegal, mas não obtive nenhuma resposta (já era esperado). A surpresa foi que, quando tentei fazer novas perguntas aos tais anunciantes, percebi  que havia sido bloqueado. O ML me retornou dizendo: Você não pode mais fazer perguntas a esse anunciante, tente com outro. Felizmente as evidências ficaram arquivadas no meu e-mail.

 

A regra é clara

Eu embaso tudo aqui relatado com o que estabelece o Decreto 6871 de 2009, que regulamenta a Lei no 8.918, de 14 de julho de 1994, que dispõe sobre a padronização, a classificação, o registro, a inspeção, a produção e a fiscalização de bebidas. Determina o Cap. XVIII da referida Lei (grifo meu):

DAS PROIBIÇÕES E INFRAÇÕES

Art. 99.  É proibida e constitui infração a prática isolada ou cumulativa do disposto abaixo:

III – produzir ou fabricar, acondicionar, padronizar, envasilhar ou engarrafar e comercializar bebida e demais produtos nacionais abrangidos por este Regulamento sem o prévio registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento;

IV – transportar, armazenar, expor à venda ou comercializar bebida desprovida de comprovação de procedência, por meio de documento fiscal, bem como sem registro junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento […].

 

As plataformas sabem que agem ilegalmente

Posteriormente à decisão de escrever esta postagem, descobri que o problema já é de conhecimento formal do ML, conforme nos esclarece os colegas do site Devotos da Cachaça. Segundo o site, em matéria de maio deste ano, desde 2018 que os responsáveis pela plataforma foram alertados e até agora não foram tomadas medidas efetivas. Leia a reportagem clicando aqui.

É importante salientar que OLX e ML também são utilizados para o comércio de várias marcas legais, que atuam com seriedade e acatam a Lei. Produzem dentro das especificações definidas nas normas pertinentes ao setor da cachaça.

O que não é razoável é que, num mesmo ambiente, concorram pelo consumidor as empresas formais, que pagam impostos e se adequam às exigências legais, e produtores clandestinos, sonegadores de tributos e que fornecem um produto sem nenhum controle sanitário nem o mínimo de respeito com o consumidor final. Dizer que isso é concorrência desleal é querer fazer piada sobre um assunto tão sério.

 

A cachaça merece respeito

Num mercado, literalmente, inundado pela informalidade e clandestinidade, caso os indícios sejam comprovados, a OLX e o ML prestam um verdadeiro desserviço à cachaça de qualidade, produzida dentro da lei. Ao dar abrigo à comercialização de produtos ilegais (o que parece ser o caso), reforçam e fomentam a sonegação, atentam contra a saúde pública, denigrem a imagem do nosso destilado nacional e zombam de todos os que produzem e trabalham legalmente na cadeia produtiva da cachaça, de forma regular, gerando emprego e renda.

Por se tratar de indícios de crime federal, este este editor enviará denúncia à Polícia Federal e ao Ministério Público, juntamente com esta matéria e outras evidências das possíveis ilicitudes encontradas. Vamos solicitar as medidas cabíveis. É uma luta difícil e às vezes inglória, mas a cachaça merece o devido respeito: por quem produz, por quem comercializa e por quem fiscaliza.

CONFIRA O POSICIONAMENTO DA OLX