Os Rituais da Cachaça: de onde vem o costume de dar uma “pro santo”?

O ar de sobriedade que adotam os apreciadores da cachaça antes de beber parece até contraditório. Antes de tomar, é obrigatório despejar um pouco da bebida no chão e anunciar: “pro santo”. Mas a contradição se desfaz quando se investiga a fundo a origem dessa tradição tão brasileira.

 

Ouça o áudio Confraria do Copo, onde falamos a respeito dos Rituais da Cachaça.

Jogar uma pro santo é um ritual mais antigo do que o próprio Brasil.

O ritual é conhecido: despeja-se o primeiro gole da bebida no chão e em seguida se diz  “uma cachaça pro santo”. Segundo a cultura popular, a cachaça é oferecida  para o santo em busca de proteção. Essa expressão e o ritual têm influência direta dos colonizadores portugueses e jesuítas.

O costume de derramar bebida no chão, antes de beber, é uma prática muito mais antiga que o próprio Brasil. O gesto nasceu de um ritual chamado “Libação”, que, segundo o jornalista Edson Borges, autor de uma vasta pesquisa sobre a relação entre a cachaça e as religiões, foi criado por gregos e romanos “e consistia em uma oferenda aos deuses para que eles provessem os lares de felicidade, harmonia e fartura”. Tais oferendas eram de vinho, azeite e leite.

No Brasil, a prática foi trazida pelos colonizadores portugueses e jesuítas, e foi incorporada durante o consumo de cachaça pelos escravos.

Com a imposição do consumo da bebida, os portugueses também impuseram São Benedito, filho de um escravo, como padroeiro dos escravos e, por tabela, da aguardente, fazendo nascer daí uma relação bem mais ampla dos negros com o São Benedito, a ponto de surgirem várias  irmandades na Bahia.

A partir daí, a cachaça passou a ser usada, também, em oferendas nas religiões com matrizes africanas, como o Candomblé, com a mesma finalidade da Libação: um pedido de proteção aos orixás.

Falando dos cultos de raízes africanas, existe uma relação entre a cachaça e a figura do Orixá Onilé. Essa divindade representa a base de toda a vida, a Terra-Mãe, tanto na vida como na morte.

Onilé é o primeiro a receber as oferendas e a ser evocado nos ritos dos sacrifícios. Como forma de pedir libertação e proteção em troca de oferendas, derrama-se uma dose de cachaça na terra para agradar o  “santo”, que, na verdade, é o Orixá.

A relação entre cachaça e religiosidade gerou também outras diversas práticas e rituais relacionadas à bebida.

Tem gente que se benze antes de tomar a primeira, por que a cachaça também é chama de água benta. Da mesma forma há os que fazem caretas exageradas, isso pra espantar os maus espíritos.

Na Bahia, no interior de Goiás e de Minas é comum que se sopre ou se abane o copo da cachaça, Segundo dizem, é pra fazer sair o espírito do álcool. Isso é bem interessante por que os alquimistas, na idade média, destilavam o vinho e ao perceberem que o álcool gerado da destilação era inflamável, eles diziam que este era o espírito do vinho.

Existe o ritual de tomar a primeira dose de olhos abertos, para ver o rosto da mulher amada, mas há, também, outro ritual muito interessante que é o de tomar a última dose de olhos fechados. Na região Norte é uma tradição se fazer isso, por que, segundo dizem, se você toma o último trago de olhos abertos, você pode ver o olho da morte no fundo do copo.

Mas com ritual ou sem ritual, sempre beba com moderação. Beba Cachaça de qualidade, registrada e que não te faça mal no dia seguinte, assim o santo vai adorar, pois o ritual da ressaca, nem o diabo merece.

Cachaças paraibanas disputam o maior concurso de destilados do Brasil.

Público pode votar na sua cachaça preferida até o dia 28 de novembro

O maior concurso de cachaças do Brasil, e por tabela, do planeta, o Ranking Cúpula da Cachaça, já começou. E cabe aos paraibanos votar nas suas cachaças preferidas.

O Ranking (que é feito a cada dois anos), como sempre, começa com a Votação Popular, fase mais divertida do certame, já que mobiliza todo o mundo da cachaça, com as campanhas via redes sociais. Essa fase vai até 28 de novembro.

O  IV Ranking Cúpula da Cachaça, que teve início no Dia Nacional da Cachaça (13 de setembro), já registrou mais de 16 mil votos em centenas de diferentes rótulos de cachaça. Na média, são mais de mil votos por dia!

A expectativa dos cúpulos (como são chamados os profissionais ligados à cachaça que fazem parte do grupo que promove iniciativas voltadas para a valorização e a difusão de informações sobre o produto) é de que o número de votantes ultrapasse a marca dos 42 mil, atingida no III Ranking, em 2018.

O IV Ranking Cúpula da Cachaça se divide em três fases. A primeira delas, que segue até o dia 28 de novembro, é a Votação Popular. Dessa fase participam todas as cachaças registradas no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Não há a necessidade de inscrição por parte dos produtores. Todo devoto da cachaça pode entrar na página de votação e preencher os campos com até três cachaças. Só vale votar uma vez. VOTE NA SUA CACHAÇA PARAIBANA PREFERIDA.

Caso o ‘eleitor’ saiba apenas a marca da cachaça que já provou e gostaria de votar, mas não saiba exatamente a variedade da cachaça que ele prefere – se é Ouro, Prata, Premium, Umburana, Carvalho… não há problema. Vale o voto de legenda. Os votos são distribuídos para as variedades da marca escolhida que obtiverem ao menos um voto.

Cúpula da Cachaça

Centenas de produtores têm feito suas campanhas, em especial por meio das redes sociais, ajudando a cumprir o objetivo da Cúpula da Cachaça com o concurso: aumentar a visibilidade da cachaça, atraindo mais interesse do público em geral pelo nosso destilado.

A Votação Popular resultará em uma seleção de 250 rótulos, que formam a lista das 250 Cachaças Mais Queridas do Brasil. Essa lista será enviada para um painel de 50 especialistas, espalhados por todo o país e, após um prazo de algumas semanas, eles enviarão à organização uma lista de 50 rótulos que eles consideram as melhores.

Em fevereiro, a Cúpula da Cachaça se reunirá para até três dias de degustação às cegas. Os especialistas avaliarão quesitos visuais, olfativos e gustativos e farão o ranqueamento das cachaças. Pela primeira vez, será usada uma divisão em três categorias:

a) cachaças que não passam por madeira;

b) cachaças armazenadas e envelhecidas;

c) cachaças premium e extra-premium.

A cachaça melhor pontuada do IV Ranking Cúpula da Cachaça, entre as três categorias receberá o título de Cachaça do Ano, que atualmente pertence à Cachaça Vale Verde 12 Anos.

O Ranking Cúpula da Cachaça adquiriu, a cada edição, uma maior importância como referência para o setor, influenciando decisões de consumidores, varejistas e até importadores no exterior. Isso se deu exatamente porque o Ranking, ao dar voz a consumidores e especialistas, reflete o que se passa, de fato, no dia a dia do mercado. As cachaças ranqueadas são aquelas que conseguem unir qualidade de produto a penetração no varejo.

Cada vez mais, desde a primeira edição, quando foram registrados 4 mil votos no concurso, o Ranking é mais de todo o setor e menos da Cúpula, cujos integrantes – entre os quais esse editor que vos escreve – só entram como julgadores a partir da terceira fase, quando as 50 cachaças que serão ranqueadas já foram selecionadas.

Nenhuma bebida do Brasil conta com um concurso desse porte.

Saiba mais sobre o Ranking clicando aqui.

Para acessar a página de votação, clique aqui.

 

Em parceria com  www.devotosdacachaca.com.br

Congresso Brasileiro da Cachaça define os caminhos futuros do nosso destilado

Congresso Brasileiro da Cachaça lança Carta de Vitória, caminho para o futuro da cachaça

O Congresso Brasileiro da Cachaça, que se realizou nos dias 05 e 06 de setembro, em paralelo ao Salão de Negócios da Cachaça, foi, sem medo de exagero, um marco para o setor, apontando caminhos que foram cristalizados na ‘Carta de Vitória’, aprovada no encerramento do encontro.

O testemunho mais contundente do sucesso do Congresso foi prestado pela ex-presidente da Confraria de Cachaça Copo Furado, Cláudia Fernandes, durante a sessão de encerramento do evento.

“Tenho participado há mais de 20 anos de debates, simpósios e congressos que têm a cachaça como tema. Já ouvi muita gente falando sobre as questões da cachaça. Nenhum, no entanto. atingiu a profundidade desse, que não se limitou a questões culturais ou de produção, mas discutiu o futuro da cachaça também como negócio, com muito realismo”.

As palestras se estenderam por dois dias, com mais de 25 palestrantes das mais diferentes formações, atuações e abordagens se revezando no microfone e discutindo um amplo espectro de temas relativos ao setor – desde questões de produção, passando por distribuição, varejo, coquetelaria, comunicação, marketing, raízes históricas do preconceito, diferenciações de produtos etc…

Em breve, o conteúdo será publicado em versão resumida, para que todos os que não puderam comparecer tenham alguma ideia do que foi debatido. Mas a Carta de Vitória, documento elaborado com o sentido duplo de refletir os debates e apontar compromissos e nortes para o setor de cachaça nos próximos anos, espelha bem os indicativos encontrados nos debates.

A Carta Comentada

A Carta, aprovada por aclamação, é um verdadeiro mapa do caminho que precisa ser seguido, em iniciativas individuais e coletivas, para levar a Cachaça a vencer obstáculos e ocupar mais espaços no mercado de destilados.

A seguir, alguns trechos do texto, que foi co-redigido por desse editor, com comentários.

É mais do que hora de o setor de cachaça encarar os seus reais desafios, sem temores e sem versões triunfalistas e falaciosas.”

Esse trecho reflete a necessidade e a intenção manifestada pelos congressistas de o mercado se posicione com mais realismo.

A Cachaça tem um papel cultural e econômico destacado na sociedade brasileira. No entanto, o espaço que ela ocupa, seja no imaginário ou seja em números de mercado, não reflete essa importância.

Partir desse pressuposto, como a Carta de Vitória faz, é fundamental para que se trace um diagnóstico correto e se estabeleçam as medidas necessárias para um avanço.

Renato Fracino, Gilberto Freyre Neto, Bruno Videira, Dirley Fernandes e Jerônimo Villas Boas

A produção de cachaça atingiu níveis de excelência. Não deixamos nada a dever para qualquer dos outros destilados globais. No entanto, ainda precisamos transpor barreiras construídas por muitos séculos e dificuldades inerentes à nossa própria formação como sociedade.
Já avançamos muito na tarefa diuturna de combater o preconceito contra o nosso destilado nacional. Porém, o preconceito, em certos setores, ainda é uma realidade, como foi levantado por muitos neste Congresso.”

Ao longo dos debates, vários foram os testemunhos da rejeição – algumas vezes aberta, outras, velada – que ainda existe, em alguns setores da sociedade, inclusive a grande mídia, em relação à Cachaça.

Foi debatido como o preconceito se construiu historicamente, o que é fundamental para se descobrir como quebrá-lo. Apesar do inegável avanço, os congressistas concordaram que é necessário muito mais ações, dos mais variados formatos, para miná-lo até o ponto em que ele seja apenas residual. No entanto, a pior forma de abordagem seria negar a existência deste preconceito.

A Cachaça foi “oficializada” pelo Estado como bebida nacional muito recentemente. E o próprio termo “cachaça” ainda era rejeitado, até por alguns produtores, nos anos 1990. O trabalho conjunto para vencer os estigmas ligados à Cachaça é tarefa individual e coletiva, um combate a ser travado a cada dia.

Alexandre Santos, Cauré Portugal, José Otávio Carvalho Lopes, Maria das Graças Cardoso, Aline Bortoletto e Rogélio Brandão

“Informação, conhecimento e compreensão do que é o novo público da Cachaça são a base para a construção de um novo momento. Nesse sentido, é fundamental reconhecer o papel das mulheres na cadeia de produção e comercialização da Cachaça, bem como enquanto consumidoras.”

Esse trecho da carta reafirma conhecimento e informação como as ferramentas preferenciais para a ampliação do público da Cachaça. Quanto mais se divulgue a riqueza histórica da cachaça, as especificidades das regiões de produção, os detalhes da produção, a herança das famílias e o alto nível dos padrões de qualidade, mais rica e sedutora será a experiência do consumo da cachaça.

A referência às mulheres vêm da constatação inequívoca do aumento do interesse desse público pela cachaça, o que leva à necessidade de ajustes nas estratégias de comunicação de todos os produtores.

Outra mudança a ser levada em conta é a redução da faixa etária do consumo. Novamente, esse é um fator que demanda reajustes na comunicação dos produtos e até no planejamento de novos produtos.

É urgente trazer a cachaça para o século XXI. Não há mais espaço para amadorismo em nosso setor. É necessário que a tecnologia disponível seja utilizada para levar adiante a tradição de qualidade de 500 anos do mais antigo destilado das Américas.

O professor Leandro Marelli deu à sua palestra no Congresso o título “Cachaça – Tradição e Modernidade”.  A ideia foi mostrar que a tecnologia pode trabalhar a serviço das tradições de qualidade do nosso destilado. Para além da porteira, o mesmo serve: o setor precisa abraçar estratégias de comunicação e marketing no mesmo nível das utilizadas pelos outros grandes destilados globais, não apenas com foco no produto, como também no cliente.

A disponibilidade de recursos é um limitador, mas se custos fundamentais para o sucesso, como degustações e promoção na ponta do varejo, não estiverem dentro do planejamento da marca – e, em boa parte das vezes, não estão –, a competitividade fica muito reduzida.

Para a cachaça, isso é ainda mais dramático. Eventualmente, um produtor com baixo nível de profissionalismo contamina o mercado com práticas insustentáveis, que dificultam o trabalho daqueles que batalham pela evolução de suas marcas e do setor como um todo.

Nossa tarefa é entregar uma experiência ao consumidor. Isso engloba investir esforços e recursos também fora da porteira. A coquetelaria é uma via que se abre para a ampliação do público consumidor de cachaça. Um mundo de sabores e possibilidades!”

Além da reafirmação da importância do trabalho fora da porteira, esse trecho afirma a coquetelaria com cachaça como uma porta de entrada hoje fundamental para o mundo da cachaça, assim como é para todos os demais destilados globais. A coquetelaria brasileira cada vez se desenvolve e se especializa mais, em busca de uma identidade brasileira. A Cachaça tem tudo para se beneficiar desse processo e cabe ao setor investir esforços para intensificá-lo.

O Cachaça Experience, que aconteceu em paralelo ao Congresso Brasileiro da Cachaça comprovou que a organização do evento soube mensurar essa oportunidade que se abre.

(Os debates) foram ricos e indicam rumos para o avanço do setor. No entanto, é preciso muito mais diálogo, busca de consensos e atuação coletiva, envolvendo todas as entidades representativas, para removermos os entraves do nosso mercado.”

Esse trecho fala da necessidade de uma continuidade do clima de diálogo que marcou os dois dias do Congresso, nos quais os debates se estenderam para bem além do recinto do Congresso. O evento, aliás, teve a participação de representantes de dezenas de entidades, entre as quais o Ibrac (Instituto Brasileiro da Cachaça), como partícipe dos debates, a Anpaq (Associação Nacional dos Produtores e Integrantes da Cadeia Produtiva e de Valor da Cachaça de Alambique), como coorganizadora, e o Sebrae, como apoiador.

Uma costura para a qual teve importância fundamental o produtor Adão Celia, da cachaça Princesa Isabel, de Linhares (ES), o idealizador do Congresso Brasileiro da Cachaça e principal responsável pela complexa teia institucional.

Unidos, construiremos as respostas e atingiremos aquele que é nosso objetivo em comum: ampliar o público da cachaça, conquistar mais e mais corações para o destilado nacional brasileiro.”

A carta termina com um chamado para a atuação coletiva e individual em nome de um objetivo básico: a ampliação do público consumidor. Parece singelo, mas o significado dessa convocação é mais profundo: propõe que não se mire apenas na competição pelo mercado consumidor restrito que temos atualmente. Essa competição, claro, vai continuar a existir, mas, a par disso, é necessário esforço coletivo na direção de fazer crescer o bolo. O chamamento é para que todos compreendam que, em um ambiente de negócios em que marcas entrantes vão ampliar muito a oferta, fazer crescer a demanda é uma questão de sobrevivência.

Como disse Fernando Silveira, do Sebrae, em sua palestra, “Coopetir” – dividir conhecimentos, práticas, custos e responsabilidades em busca de um avanço coletivo para a categoria – pode ser uma das chaves do sucesso no mercado da cachaça

Há espaço para ampliar o público da cachaça. Os novos devotos podem ser conquistados entre os que temem a pujança dos destilados, entre os que consomem outros destilados na crença errônea de que são superiores à cachaça e entre os que são consumidores e consumidoras de coquetéis e que estarão abertos à cachaça se ela for adotada por seus bartenders preferidos.

Adão Celia lê a Carta de Vitória, no encerramento do Congresso

Mas, para isso, é preciso adotar as estratégias corretas em todas as áreas. A Carta de Vitória é uma boa ferramenta a indicar os caminhos para esse fim. Na Paraíba, sede do II Congresso Nacional da Cachaça, em 2021, talvez já possamos mensurar os resultados.

Segue a íntegra do documento.

Íntegra da Carta

É mais do que hora de o setor de cachaça encarar os seus reais desafios, sem temores e sem versões triunfalistas e falaciosas.

A produção de cachaça atingiu níveis de excelência. Não deixamos nada a dever para qualquer dos outros destilados globais. No entanto, ainda precisamos transpor barreiras construídas por muitos séculos e dificuldades inerentes à nossa própria formação como sociedade.

Já avançamos muito na tarefa diuturna de combater o preconceito contra o nosso destilado nacional. Porém, o preconceito, em certos setores, ainda é uma realidade, como foi levantado por muitos neste Congresso.

Os caminhos para atingirmos um novo patamar de valorização da Cachaça são muitos e complexos. Mas informação, conhecimento e compreensão do que é o novo público da Cachaça são a base para a construção de um novo momento. Nesse sentido, é fundamental reconhecer o papel das mulheres na cadeia de produção e comercialização da Cachaça, bem como enquanto consumidoras.

É urgente trazer a cachaça para o século XXI. Não há mais espaço para amadorismo em nosso setor. É necessário que a tecnologia disponível seja utilizada para levar adiante a tradição de qualidade de 500 anos do mais antigo destilado das Américas.

Profissionalizar o nosso setor é uma responsabilidade e um compromisso que toda a cadeia produtiva da cachaça deve assumir. Isso se traduz desde a atividade no campo, passando pelo alambique e chegando aos distribuidores e à ponta do varejo.

Produzir cachaça de alta qualidade é uma difícil missão. Mas é preciso ainda mais: nossa tarefa é entregar uma experiência ao consumidor. Isso engloba investir esforços e recursos também fora da porteira. A coquetelaria é uma via que se abre para a ampliação do público consumidor de cachaça. Um mundo de sabores e possibilidades!

São indispensáveis o respeito e a compreensão dos papéis de cada ator na cadeia da cachaça, do campo ao copo. Uma relação de parceria entre distribuidores e produtores é imprescindível para que a cachaça chegue à mesa do cliente e tenhamos um mercado saudável.

Os debates do I CONGRESSO BRASILEIRO DA CACHAÇA  foram ricos e indicam rumos para o avanço do setor. No entanto, é preciso muito mais diálogo, busca de consensos e atuação coletiva, envolvendo todas as entidades representativas, para removermos os entraves do nosso mercado.

Um passo importante foi dado e muitos outros virão. Unidos, construiremos as respostas e atingiremos aquele que é nosso objetivo em comum: ampliar o público da cachaça, conquistar mais e mais corações para o destilado nacional brasileiro.

Viva a Cachaça!

Em parceria com Dirley Fernandes www.devotoscachaca.com.br

Tudo o que você precisa saber para envelhecer a sua cachaça em casa

Nesse post você vai aprender todos os segredos para envelhecer a sua própria cachaça em casa e se tornar um mestre no assunto.

O processo de envelhecimento natural da cachaça consiste em armazená-la em barris ou dornas, o que produz alterações químicas e sensoriais. Nesse processo ocorrem diversas reações químicas que resultam em diferenças bastante significativas sensorialmente: coloração, sabor e aroma. As bebidas mais tradicionais passam por esse processo, tais como, whisky, vinho, tequila, run, conhaque e, claro, a cachaça!

A cachaça, diferentemente dos outros destilados que são envelhecidos em madeira de carvalho, pode ser envelhecida em mais de 30 tipos de madeiras (muitas delas raras), isto traz identidade e autenticidade ao destilado nacional.

Falaremos aqui sobre processo de envelhecimento, os resultados sensoriais que cada madeira proporciona, as curiosidades e os cuidados que se deve ter ao adquirir o seu barril ou dorna de madeira para sua reserva pessoal.

 

Quais recipientes de madeira existem para envelhecimento da cachaça?

Um recipiente de madeira é utilizado nos processos de fermentação ou maturação da cachaça e outras bebidas. Porém, para o envelhecimento da cachaça é adequado utilizar os barris específicos para este fim, em razão da sua composição, feitos especialmente para obter melhores resultados no processo.

A denominação do recipiente varia conforme tamanho ou forma, além de Barril (como é conhecido), pode ser também chamado em alguns casos de Ancorote, Corote, Tonel ou Dorna. A Dorna é a variação de um Barril posicionado na vertical.

Como é o processo de envelhecimento da cachaça?

Há quem diga que envelhecer cachaça é uma ciência, uma arte e uma paixão.

Na cachaça estocada apenas em tonéis de inox temos aromas e sabores primários e secundários, oriundos da cana de açúcar e fermentação. No caso do envelhecimento em recipientes de madeira, o objetivo é maximizar o processo para obter características de aroma, sabor e coloração à bebida, o que irá melhorar a sua experiência sensorial.

O processo de envelhecimento da cachaça ocorre, na prática, porque a bebida precisa de oxigênio que somente a porosidade da madeira pode proporcionar. Quando estocada em barril de madeira, os componentes secundários da cachaça sofrem reações químicas lentas e contínuas.

Envelhecimento da cachaça

Essa oxidação é provocada pelas trocas gasosas entre o interior do barril e o ar externo, através dos poros da madeira, modificando a composição e as características da bebida.

As mudanças na bebida ocorre devido aos seguintes fatores:

  • o contato da bebida com as paredes do barril;
  • o tipo de madeira utilizada;
  • as condições do ambiente a ser estocado;
  • o tempo de estocagem;
  • o tamanho do barril.

Desse modo, quanto maior o barril, menor será o contato da bebida com a madeira, portanto, menor será a evaporação e menor será a reação química, além de obter uma menor coloração. Por outro lado, quanto menor o barril, a bebida terá mais contato com a madeira, assim as reações químicas serão mais intensas e obterá maior coloração.

Dependendo da madeira em que é envelhecida, a cachaça incorpora as nuances, assumindo um tom levemente amarelado a amarelo turvo, passando pelo dourado brilhante, chegando ao ouro velho, fosco e discreto.

Então vamos aos tipos de madeiras para entendermos o que cada uma proporciona para sua experiência.

Dicas que valem ouro

ANTES DA COMPRA: Não compre barris em lojinhas de artesanato ou em beira de estrada, Adquira o seu barril de quem possa te dar um certificado de procedência da madeira e que possa te garantir o tipo da madeira da qual é feito o barril e só compre de quem pode te dar uma NOTA FISCAL.

PINTAR OU ENVERNIZAR O BARRIL? NUNCA!!!  O que garante a troca entre a Cachaça e as propriedades da madeira é oxigênio que entra pelos poros do barril. Se você colocar qualquer tipo de substancia estranha, isso vai passar para a cachaça ou fechar os poros da madeira, por isso a superfície do barril não pode ter nenhum tipo de substância.

PREPARAÇÃO DO BARRIL – A primeira coisa a fazer com um barril novo é enchê-lo com água. Deixe de 2 a 4 dias. Esse processo vai expandir a madeira e, consequentemente, vedar as emendas, impedindo que a cachaça vaze por elas. É normal que ocorra vazamento nessa fase, mas isso tende a desaparecer na medida em que a madeira do barril vai expandindo. Sempre vá completando com água, de modo que o barril fique sempre cheio.

PRIMEIRA CACHAÇA – No primeiro enchimento do barril, coloque uma cachaça safada mesmo, baratinha. Isso por dois motivos: o primeiro é para que essa cachaça penetre na madeira e expulse a água que está impregnada nela, o segundo é que a  madeira nova vai deixar um gosto muito forte na bebida e talvez você nem consiga saborear. Deixe de 10 a 15 dias. Depois disso, descarte essa cachaça e coloque uma boa cachaça branca.

QUAL CACHAÇA USAR PARA O ENVELHECIMENTO – Use uma cachaça forte, acima dos 42%, eu aconselho até uma Rainha com 50%, isso porque, devido à evaporação enquanto a cachaça está sendo envelhecida, o teor alcoólico tende a cair de 2 até 6%.

TEMPO DE ENVELHECIMENTO – Bom, lembre-se que você está envelhecendo a bebida num barril pequeno, isso faz com que a Cachaça interaja com a madeira de uma forma muito rápida. Então nada de deixar 2 anos, 3 anos.Deixe por 3 meses e faça provas semanais, pois o processo é bem mais rápido do que você pode imaginar.

ONDE GUARDAR O BARRIL – Nada de local aberto ou exposto ao vento, calor ou ao sol, coloque num lugar ensombreado, como um armário ou na despensa da sua casa.

RETIRADA – Quando você considerar que a cachaça já está do seu gosto, então é hora de retirar. Nesse ponto, você deverá retirar toda a cachaça envelhecida do barril e engarrafá-la, nada de beber pela metade e deixar a outra metade dentro do barril, isso causará excesso de oxidação e acidificação do líquido. Após retirar o conteúdo e engarrafar, você deve reiniciar imediatamente um novo ciclo, antes que a madeira do barril seque.

Tipos de madeiras para envelhecer cachaça

No Brasil há uma diversidade enorme de madeiras para envelhecer sua cachaça, em torno de 30 tipos de madeiras, muitas delas difíceis de se encontrar. Portanto vamos detalhar o resultado que as principais madeiras disponíveis proporcionam:

Madeiras para envelhecer cachaça

A cachaça pode ser envelhecida no Carvalho e em mais de 30 tipos de madeiras diferentes

Amburana (Umburana, Imburana)

Barril de Amburana incorpora um sabor agradável e menos adstringente à bebida. O envelhecimento neste tipo de barril reduz a acidez e diminui o teor alcoólico, resultando numa cachaça mais suave e adocicada, com toque de aroma de baunilha, cravo, canela e outras especiarias, dependendo do tempo de maturação e se o barril passou por tosta ou não. Sua coloração fica levemente amarelada.

Bálsamo

Barril de Bálsamo, também conhecida como Cabreúva, possui alta resistência a fungos e insetos xilófagos. A madeira transfere aromas intensos, trazendo notas herbáceas e de especiarias, como anis, cravo e erva-doce, traz também a sensação de picância ao destilado. A cachaça assume uma cor dourada com tons esverdeados.

Carvalho (Europeu e Americano)

Barril de Carvalho transfere à cachaça um sabor amadeirado e seco, muito semelhante aos tradicionais whiskys escoceses. Ele também garante a cor dourada e um sabor suave, agradável, de baixa acidez e levemente adocicado. O Barril de Carvalho é o que oferece maior atividade oxidante.

Castanheira

Barril de Castanheira, também conhecida como Castanha-do-Pará, tem propriedades semelhantes ao Carvalho Europeu, transmite à bebida uma cor amarelada, suavidade, um leve gosto adocicado e além de um aroma e sabor característico do próprio fruto da castanheira.

Jequitibá

Barril de Jequitibá, de modo geral, é o que incorpora menos aroma e cor à cachaça, conservando melhor a cor e o sabor original, mas amaciando e reduzindo a acidez. Por isso, ela é ideal para quem prefere um aroma mais fraco, menos amadeirado na bebida.

 

 

Envie suas perguntas aqui na minha coluna ou no meu whatsapp: 83 9 8793 6402  e, também, no Instagram @mauriciocarneirio083

Vai começar o maior concurso de cachaças do planeta

O maior concurso de cachaças do planeta, o Ranking Cúpula da Cachaça, já tem data para começar. É no Dia Nacional da Cachaça, no próximo 13 de setembro.

A Cúpula da Cachaça é formada por 11 especialistas dedicados a iniciativas em prol do destilado nacional, focados em  temas importantes e relevantes para colaborar na luta pelo desenvolvimento de toda a cadeia produtiva da cachaça.

O Ranking (que é feito a cada dois anos), como sempre, começa com a Votação Popular, fase mais divertida do certame, já que mobiliza todo o mundo da cachaça, com as campanhas via redes sociais. Essa fase vai até 28 de novembro.

Esse ano, o concurso vem com novidades pontuais, mas repete a fórmula que deu certo nas três edições anteriores.

Mais uma vez, o certame de cachaças mais abrangente do país terá três fases. A primeira fase – que mobilizou mais de 43 mil votantes na última edição – é a do Voto Popular, na qual os devotos em geral poderão escolher, entre os 4 mil rótulos à disposição no mercado, a sua cachaça favorita. Os votos são feitos pelo site da Cúpula.

As mais votadas entre os apreciadores comporão a lista das 250 Cachaças Mais Queridas do Brasil.

A segunda fase é a Seleção dos Especialistas. Um painel, que esse ano será ampliado para até 50 especialistas, elegerá as cachaças que vão para a Degustação às Cegas. Os membros da Cúpula não farão parte do painel da segunda fase. Nas edições anteriores, apenas cúpulos que poderiam ter conflitos de interesse se abstinham de votar. Dessa vez, a seleção ficará completamente a cargo dos convidados, cujos nomes serão divulgados em novembro.

Serão os especialistas que definirão as cachaças a serem ranqueadas. Só aí entram os cúpulos.

Esses profissionais farão seções de degustação às cegas com os 50 rótulos durante três dias na Cachaçaria Macaúva, em Analândia (SP), em março de 2020 e darão notas às cachaças, seguindo critérios que levam em conta visual, aroma, sabor e personalidade de cada bebida.

O Ranqueamento

Foto: Mateus Verzola

Nesta edição, pela primeira vez as cachaças serão divididas em três categorias no Ranking:

a) cachaças que não passam por madeira;

b) cachaças armazenadas e envelhecidas

c) cachaças premium e extra-premium.

Lembrando que segundo a IN13, que regula os parâmetros da cachaça, envelhecidas são aquelas que “contêm, no mínimo, 50% (cinqüenta por cento) de Cachaça ou Aguardente de Cana envelhecidas em recipiente de madeira apropriado, com capacidade máxima de 700 (setecentos) litros, por um período não inferior a 1 (um) ano”.

Cachaças premium são as que contêm 100% de cachaça envelhecida em madeira por mais de um ano. E extra-premium as que contêm 100% de cachaça envelhecida em madeira por mais de três anos.

A Cachaça do ano

A cachaça mais bem avaliada das três categorias será considerada a Cachaça do Ano. Esse posto, no III Ranking, foi ocupado pela Cachaça Vale Verde 12 Anos.

Como sempre, as notas conferidas pelos jurados nos vários quesitos passará por tratamento estatístico e o resultado será divulgado pela imprensa.

Atendendo a um pedido de muitos produtores, a Cúpula anunciou que vai criar um selo específico para o Ranking, que poderá ser usado pelas cachaças finalistas.

O desempenho da Paraíba

Esse é o quarto ranking da Cúpula da Cachaça e, historicamente, a Paraíba sempre foi muito bem representada pelas cachaças brancas. Em 2018 as cachaças paraibanas obtiveram, dentre todas as concorrentes da categoria Cachaça Branca, o 5° lugar com a Volúpia, 8° lugar com a Serra Limpa e a cachaça Nobre ficou em 14° lugar. A Paraíba ficou empatada com o Rio de Janeiro e São Paulo, como o estado estado melhor ranqueado nessa categoria.

A Paraíba passa a se destacar, também, com as cachaças envelhecidas.

A se conformar uma tendência observada nos últimos dois anos, existe uma expectativa de que algumas cachaças envelhecidas, do nosso estado, também passem a figurar no ranking das que passam por madeira, como as premium e  extra-premium. Isso por que nos últimos concursos nacionais e internacionais, o destaque da Paraíba tem sido maior justamente nas cachaças envelhecidas. Podemos citar, só nesse ano, os concursos de São Francisco, nos EUA, onde a cachaça Nobre Umburana recebeu medalha de prata; a Expocachaça 2019 obtivemos medalha de ouro com a Matuta Umburana, medalha de prata para a Ipueira Carvalho Francês. E no Concurso Nacional de Vinhos e Destilados do Brasil (julho), a Paraíba foi o estado do Nordeste com mais premiações, ficando, na classificação nacional, em quinto lugar no número de medalhas, atrás de São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Os produtores premiados foram: Prata para a Gregório Premium  (Alagoa Grande). Ouro para Baraúna Carvalho (Alhandra) e Cobiçada Umburana  (Serraria) e Duplo Ouro ou Grande Ouro para a Pai Vovô, de São Domingos.

Por isso, é de esperar que mais premiações venham, agora tanto nas cachaças brancas como nas envelhecidas.

 

Leia mais sobre as regras aqui: https://bit.ly/2KJaOjr

Recorde as cachaças premiadas no III Ranking Cúpula da Cachaça clicando aqui.

Será que você sabe qual o tipo de cachaça que bebe?

Sabia que existem duas categorias distintas de cachaça? São elas, a cachaça artesanal e a cachaça industrial. Mas, e aí? Sabe o que difere uma da outra? Fique conosco que, no post de hoje, você vai aprender tudo sobre o assunto.

Existe uma diferença entre elas perante a legislação?

Quando abordamos a questão da legislação brasileira e os critérios técnicos estabelecidos pela ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária -, ambos produtos são classificados da mesma forma. Seja a cachaça industrial, destilada em colunas de inox, ou a cachaça artesanal, destilada em alambiques ou engenho de cobre.

Contudo, entre os dois produtos existe uma gama de diferenças. Sendo o seu grande destaque, principalmente, no processo produtivo e nas qualidades sensoriais percebidas.

A produção da Cachaça Industrial

A cachaça industrial é feita por empresas de grande porte, que tendem a produzir uma altíssima quantidade desta diariamente. Esse processo requer muita cana-de-açúcar, ou seja, a seleção minuciosa dessa matéria prima é algo praticamente impossível de ser realizado, o que implicará diretamente no sabor final do destilado. Além disso, nesse caso, a queima e fermentação são aceleradas com a adição de agentes químicos.

O processo produtivo da cachaça industrial é bem semelhante ao realizado na fabricação de álcool para automóveis. A destilação se dá de forma simples, em colunas de aço de inox, por isso, a cachaça industrial também é conhecida como cachaça de coluna. Na tentativa de agregar mais valor ao destilado, em alguns casos é adicionado açúcar em sua composição. Grande parte das cachaças industriais não são envelhecidas em nenhum tipo de madeira, sendo engarrafadas logo após a sua produção.

Quando falamos sobre degustação, a cachaça industrial não é tão procurada. Assim como grande parte dos produtos industrializados, a sua produção visa atingir altas quantidades, deixando a qualidade um pouco de lado. Sua grande vantagem competitiva se dá nos baixos preços praticados no mercado, uma vez que o seu próprio processo produtivo em larga escala reduz bastante os custos operacionais, comparados ao de uma produção de cachaça artesanal.

A produção da Cachaça Artesanal

Já a cachaça artesanal é confeccionada em alambiques que, por isso, a cachaça de alambique e artesanal, são sinônimos. Nesse processo, ao invés de visarem a quantidade,  costumam prezar pela qualidade de seus produtos. O aroma e sabor são duas preocupações constantes entre os produtores, e esse fato é claramente perceptível durante o processo de confecção da bebida.

A preocupação inicia-se já no processo de plantio da cana. Toda a cana é despalhada e limpa manualmente antes da moagem. Deve, ainda, ser sadia, recém cortada e possuir o maior teor de sacarose possível em seu colmo. Visando maior qualidade no resultado final, o processo ainda deve ser realizado sem queimar a palha. As Cachaças artesanais são naturalmente fermentadas, com leveduras selvagens ou selecionadas. Pode-se, também, ocorrer o uso de fubá de milho ou arroz.

A destilação do seu vinho (o caldo de cana já completamente fermentado) ocorre em um alambique de cobre. Nesse processo ocorre a separação da cabeça, coração e cauda da cachaça . A cabeça, que é um subproduto da cachaça de alambique, e a calda, são descartados, por conterem produtos tóxicos e aproveita-se apenas o coração. O produto final é aquele adquirido no meio do processo, denominado “Coração da cachaça”. 

Além das diferenças citadas acima, a Cachaça Artesanal também recebe uma atenção especial durante o seu processo de envelhecimento. É nessa parte da confecção que ela recebe sua “identidade”. Ou seja, ela descansa em barris de madeiras durante um longo período, até que sofra uma alteração química que interfere no seu aroma e sabor.

Mais do que uma bebida, uma oportunidade

Todo esse cuidado durante a confecção da cachaça artesanal a torna um produto único e diferenciado no mercado. Do seu sabor ao aroma, cada uma possui características específicas que as tornam especiais e raras. Encontrar duas cachaças artesanais iguais é um processo quase impossível. Desse modo, esse produto é perfeito para a degustação. Trata-se não apenas de um destilado, mas de uma experiência que envolve principalmente o olfato e o paladar.

A cachaça é uma das bebidas mais tradicionais do Brasil. O novo mercado que propõe um conceito artesanal para esse segmento oferece aos clientes a oportunidade de provar produtos de alto valor, que carregam em si uma sofisticação abrasileirada que somente uma boa cachaça pode propor. E você, já experimentou um novo sabor hoje?

Maior bartender do Brasil dá 7 dicas de caipirinhas com cachaças paraibanas

O bartender Laércio Zulu, reconhecido pelo trabalho que realiza para a valorização dos coquetéis com ingredientes nacionais, conta 7 dicas para preparar uma caipirinha deliciosa.

caipirinha é uma das estrelas principais na coquetelaria quando o assunto é drinks com cachaça. E não poderíamos deixar de perguntar para um especialista: quais são as dicas para fazer uma boa caipirinha?

Para falar do nosso orgulho nacional, nada melhor do que conversar com um dos caras que mais trabalha com coquetéis com essa pegada bem brasileira, o bartender Laércio Zulu. A paixão dele é tanta que tem inclusive um canal no Youtube para falar sobre o assunto.

Laércio Zulu

Zulu, coquetelaria brasileira usando cachaça como base

ZULU E A VALORIZAÇÃO DA COQUETELARIA BRASILEIRA

Antes de mais nada, Zulu trabalha nas criações do bar Candeeiro, nos Jardins, lugar onde o Nordeste e a literatura de cordel são as inspirações para os pratos e drinks. Ademais, é claro, na carta você encontra muitos coquetéis com excelentes cachaças, gins nacionais e uma boa caipirinha. Dentre as cachaças estão as melhores do Brasil, com especial atenção às deliciosas cachaças brancas paraibanas.

Para o bartender, que tem na carreira o título de vencedor no World Class (um dos concursos mais importantes do segmento), entre os segredos para fazer caipirinha são uma boa maceração com os limões, gelo e, claro, uma boa cachaça.

CONFIRA 7 DICAS PARA FAZER A CAIPIRINHA PERFEITA:

1. Corte os limões de uma maneira que fique mais fácil macerar

Segundo Zulu, se você fizer tiras finas ao cortar o limão, ou cortar em cubinhos menores, facilita na hora de macerar. Portanto o suco da fruta sai mais fácil e você não aplica tanta força na casca – o que evita aquele amargor na bebida. Usar limões frescos também é essencial. Ah, não é necessário tirar a parte branca do limão, ela não vai amargar a sua caipirinha.

2. Use um copo mais baixo

Caipirinhas limão e caju

O copo também é fator importante para fazer uma caipirinha perfeita. Foto: Estúdio Couve

Para o bartender, os copos baixos, ou aquele típico copo de caipirinha mesmo, são os melhores para servir o coquetel. Segundo Zulu, o drink fica sempre fresco, porque você consome ele mais rápido, e sempre na temperatura ideal com os sabores bem vivos.

Pode-se fazer o coquetel em um copo longo, mas o gelo derrete mais e os sabores vão se perdendo, porque o consumo pode ser mais lento.

3. Gelo, sempre

Certamente você já pensou que aquele monte de gelo que colocam nos coquetéis são para ‘enganar’ o cliente, mas entenda: o gelo é seu amigo.

Zulu explica que, além de o gelo conservar uma temperatura ideal para a caipirinha, é essencial colocar gelo picado no topo do copo – isso ajuda a criar um efeito térmico que segura mais a temperatura do drink.

4. Use açúcar granulado

É muito comum pela comodidade usar o chamado xarope simples de açúcar para preparo de coquetéis. O xarope nada mais é do que proporções iguais de açúcar e água. No entanto, o açúcar cristal em contato com o limão ajuda na hora de macerar e propicia a formação daquele suco fresco ideal para o coquetel.

5. Use uma dose de uma boa cachaça pura

De acordo com o bartender, não existe uma regra específica de que caipirinha ‘não pode ser feita com cachaça envelhecida’, isso é mito. Porém, para a receita tradicional com limão, é mais garantido harmonizar com uma boa cachaça pura, que não passou por madeira, como as tradicionais e encorpadas cachaças brancas da Paraíba. São cachaças de sabor complexo, com aroma herbáceo e frutado, excelentes requisitos para compor uma caipirinha inesquecível.

Para usar cachaças que têm aroma e sabor mais acentuados por alguma madeira, exige uma expertise maior de quem executa.

É provável que se você usar uma cachaça envelhecida em bálsamo, por exemplo, o sabor tânico da madeira junto com o suco do limão deixe ainda mais potencializado o sabor azedo e amargo – o que pode desagradar alguns paladares.

As cachaças que passaram por madeiras como carvalho e amburana são geralmente mais adocicadas, trazendo baunilha e especiarias, por isso são mais recomendadas para caipifrutas preparadas com morango ou jabuticaba.

6. Conheça seus ingredientes

As receitas mais simples podem ser as mais difíceis de acertar porque cada ingrediente tem seu protagonismo. Por isso, o equilíbrio entre suco de limão, açúcar e cachaça é fundamental.

Observe o teor alcoólico da cachaça que vai usar como base para fazer sua caipirinha. As cachaças com teor alcoólico mais acentuado (45-48%) podem fazer do coquetel uma bomba etílica ou cachaças muito amenas (38-40%) podem fazer da sua caipirinha uma bebida sem graça.

Se sua cachaça já é naturalmente doce reduza a quantidade de açúcar. Se o limão estiver mais azedo do que o normal, acrescente mais açúcar. Faça testes até achar sua combinação perfeita.

As cachaças que seguem a Escola Caipira costumam funcionar bem com a receita tradicional da caipirinha por trazerem aromas frutados e adocicados da cana e da fermentação que harmonizam bem com limão.

Nenhuma caipirinha vai ser exatamente igual a outra, mas você deve conhecer bem todos os seus ingredientes para evitar surpresas ruins.

7. Batida ou mexida?

James Bond, shaken not stirred

James, podia trocar essa vodca por uma cachaça e pedir uma Caipirinha: “stirred, not shaken”.

Os bares com muito volume de pedidos acabam fazendo a caipirinha na sua versão batida na coqueteleira – não tem problema, é uma forma de ganhar agilidade.

No entanto, geralmente, ao bater o gelo na coqueteleira junto com outros ingredientes você acaba tendo um coquetel mais diluído e menos alcoólico. A precisão também diminui ao bater, principalmente se várias caipirinhas são preparadas na mesma ‘batida’.

Outro problema ao bater na coqueteleira é extrair em excesso os óleos da casca do limão, deixando sua caipirinha muito amarga. Por isso, a dica final é: a caipirinha deve ser um coquetel mexido e não batido.

Caipirinha é um coquetel mexido

receita clássica da caipirinha diz que ela deve ser um coquetel mexido – é a melhor forma de se preparar porque garante controle do bartender ao extrair o suco do limão e misturar todos os ingredientes de forma delicada e harmônica.

E há também outro detalhe importante para defendermos o preparo do coquetel mexido.

Como o próprio nome diz, caipirinha é coquetel do interior do Brasil, do caipira, do campo, do povo… Ela deve ser preparada individualmente para cada cliente, montada e mexida com carinho como quem quer agradar um cliente especial.

É parte do ritual de preparo inclusive o bartender deixar um palitinho de madeira, um talinho de cana-de-açúcar ou até mesmo uma colher de chá ao servir o coquetel – dessa forma, o cliente poderá continuar mexendo sua caipirinha ao seu agrado e ritmo num esforço colaborativo entre bartender e consumidor para buscar a experiência perfeita.

 

Este post foi escrito com base no blog devotosdacachaca.com.br

Cachaça será protegida em acordo comercial entre Mercosul e União Européia

 

A cachaça é um dos 36 produtos tipicamente brasileiros protegidos pelo acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, fechado no fim do mês passado e que pode movimentar muito o mercado.

O acordo entre o Mercosul e a UE irá proteger comercialmente a cachaça e mais 36 produtos brasileiros

cachaça entrou para a lista dos 36 produtos do Brasil que serão protegidos comercialmente na Europa. Este acordo entre Mercosul e UE foi fechado no fim do mês de junho, durante um encontro em Bruxelas, na Bélgica.

Esta negociação entre o Mercosul e a União Europeia é ainda preliminar e deve passar por revisões e, primordialmente, ainda não está em vigor e precisa passar pela aprovação de todos os países envolvidos na UE.

Todavia a pauta prevê a proteção de produtos com indicação geográfica e daí entram na lista cachaças de regiões como SalinasAbaíra e Paraty, assim como o queijo Canastra, o algodão colorido da Paraíba, a linguiça Maracaju e café Alto da Mogiana.

Portanto isso significa que só poderão ser vendidos na UE produtos que venham realmente daquela região como, por exemplo, cachaças que de fato são produzidas na região de Paraty.

Com intuito de garantir essa proteção foi destacado, pelo prévio acordo, que expressões como “tipo, “estilo” e “imitação” estão proibidos.

PRINCÍPIOS DO ACORDO ENTRE MERCOSUL E UE

Este acordo acordo comercial está em pauta desde 1999 entre Mercosul e União Europeia. Ademais, caso ele entre em vigor, os países do Mercosul também concordam em dar o mesmo tipo de proteção aos produtos europeus.

Isso significa, por exemplo, que Champagne só será o vinho produzido na região francesa, parmesão só será o queijo produzido na Itália e por aí vai.

Salvo que esta negociação irá movimentar um mercado de 750 milhões de consumidores e um PIB de US$17 trilhões, segundo o secretário de comércio exterior, Marcos Troyjo.

Se por um lado o acordo vai facilitar a exportação de muitos produtos brasileiros, em contrapartida também irá facilitar a importação de produtos típicos importados para o mercado nacional.

INDICAÇÕES GEOGRÁFICAS DA CACHAÇA

Há dois tipos de indicações: Indicação de Procedência (IP) e Denominação de Origem (DO), sobretudo elas têm como objetivo valorizar os produtos tradicionais.

IP se refere ao nome de um país, cidade, ou região conhecida pela produção de um determinado produto.

Enquanto o DO reconhece um país, cidade, ou região cujo produto tem certas características específicas graças a seu médio geográfico.

Porquanto figuram na lista 36 produtos brasileiros que conseguiram a proteção, sendo que a cachaça da região de Salinas (IP), a da microrregião de Abaíra (IP) e a cachaça de Paraty (IP).

A lista completa dos produtos e mais informações sobre o acordo você pode encontrar aqui.

 

Este post foi feito em parceria com o Mapa da Cachaça: www.mapadacachaça.com.br

Congresso Brasileiro da Cachaça reunirá os maiores especialistas do setor

Cadeia produtiva se reunirá em Vitória nos dias 05 e 06 de setembro.

Durante os dias 05 e 06 de Setembro, acontecerá em Vitória – ES o Congresso Brasileiro da Cachaça. O evento terá início às 13:00 e término às 23:00, contando com uma série de especialistas do setor.

De acordo com um dos organizadores, Adão Cellia, proprietário da marca Princesa Isabel, o evento busca uma integração dos produtores em nível nacional. Desse modo, estarão aptos a discutir problemas que ocorrem no setor, trocar experiências e discutirem novas ideias.

O Congresso Brasileiro da Cachaça preparou uma equipe espetacular para os debates, prometendo aos participantes de dois dias intensos de imersão nos assuntos do setor com a presença de alguns dos maiores especialistas do assunto no Brasil.

Paralelamente, no Centro de Convenções de Vitória – onde o Congresso acontecerá – teremos também o Salão de Negócios da Cachaça. Para uma melhor organização, os palestrantes estarão espalhados em quatro painéis diferentes, sendo os temas: “Cachaça: Patrimônio Nacional”, “Porque as cachaças são tão diferentes?”, “Por que a cachaça ainda sofre tanto preconceito” e “Comercialização e exportação”.

Primeiro Painel – Cachaça: Patrimônio Nacional

Nesse momento se busca evidenciar a importância da Cachaça como um Patrimônio Nacional do Brasil. Trabalhando-a como um símbolo nacional essencial para a formação de um Estado Nacional. Um outro assunto que será abordado é importância que o pequeno produtor possui no setor. As palestras voltadas a esse tema acontecerão das 16:30 às 18:30 no dia 05 de Setembro e conta com grandes palestrantes como Gilberto Freyre Neto, presidente do Instituto Gilberto Freire em Pernambuco.

Segundo Painel – Porque as cachaças são tão diferentes?

Esse painel também apresenta debates muito interessantes, tratando assuntos como, por exemplo, a diferença entre a cachaça artesanal e a cachaça industrial. Além disso, a palestrante Aline Marques Bortoletto da ESALQ em São Paulo, traz uma discussão muito pertinente, que busca entender se as madeiras podem ou não corrigir os defeitos da cachaça. Uma série de outros questionamentos sobre a causa das cachaças serem diferentes também serão levantados por especialistas no assunto e acontecerá das 19:00 às 21:30, fechando as palestras do dia 05.

Terceiro Painel – Por que a cachaça ainda sofre tanto preconceito?

Com um título um tanto chamativo, o terceiro painel abrirá as palestras do dia 06 de Setembro. Buscando entender um pouco sobre a razão de um destilado tão nobre não receber o seu devido respeito, os palestrantes trazem questionamentos que irão ajudar os produtores a entender as causas desse fenômeno e, consequentemente, combatê-las. Entre os diversos tópicos deste painel, o Jornalista Sidney Maschio apresentará como os meios de comunicação enxergam a cachaça. As palestras começarão às 16:00 e tem o prazo de encerramento para às 18:30, dando espaço para os debates do quarto painel.

Quarto Painel – Comercialização e exportação

Para encerrar as palestras do último dia, o quarto painel busca debater a comercialização da cachaça no mercado externo. O primeiro palestrante será Thyrso Neto, da Cachaça Yaguara, que irá abordar sobre o perfil do cliente da cachaça. Já Fernando Silveira do SEBRAE de Minas Gerais, levará questões para os produtores pensarem no Marketing de suas cachaças. A questão da coquetelaria, e-commerce e a importância das distribuidoras para o pequeno produtor, também são pautas das palestras do quarto painel, que começará às 19:00 e terminará às 21:30.

O Salão de Negócios e Congresso Brasileiro da Cachaça conta com o apoio de institucionais, como a Associação Nacional de Produtores de Cachaça de Qualidade (ANPAQ) e a Academia Brasileira de Cachaça de Alambique (ABCA). O evento é uma grande oportunidade de aprendizado e de negócios aos produtores de cachaça, uma vez que, trata-se de dois dias imersos no setor junto a outros produtores e especialistas no assunto.

O Salão de Negócios chama também a atenção dos consumidores apaixonados pelo destilado, que além de comprar garrafas da bebida, também podem participar do Cachaça Experience. Trata-se de um espaço onde estarão aptos a experimentar diversos drinques, feitos por uma equipe minuciosamente selecionada que conta com os 30 melhores bartenders do Espírito Santo.

Para mais informações sobre o evento, clique aqui. 

Post feito em parceria com o blog cachacagestor.com.br

Superior Taste Award: Cachaça paraibana ganha certificação de qualidade na Europa

A paraibana Pai Vovô, ainda a ser lançada no mercado, recebe mais uma premiação, dessa vez, internacional. 

Oito cachaças foram certificadas pelo ‘Superior Taste Award 2019’, ocorrido em Bruxelas.  A premiação é responsabilidade do The International Taste Institute (anteriormente iTQi), empresa que, desde 2005, realiza anualmente, com a ajuda de experts europeus, a avaliação e certificação do sabor de produtos de consumo.

No International Taste, as avaliações de sabor são feitas por especialistas independentes . Os produtos são testados por grandes painéis entre os mais de 200 Chefs e Sommeliers das mais prestigiadas associações culinárias europeias. Os membros do júri são selecionados por sua experiência comprovada em degustação e em fornecer feedback construtivo. Seus especialistas são reconhecidos em competições Chef & Sommelier ou por instituições renomadas como Le Guide Michelin ou Gault & Millau.

Painel de degustação

O Instituto Brasileiro da Cachaça – IBRAC apoiou o evento no Brasil, ajudando a mobilizar a cadeia produtiva da Cachaça para a participação. “Trata-se de um resultado muito relevante para o fortalecimento da Cachaça no mercado internacional, e consequência da qualidade, diferenciação e versatilidade de nosso produto”, acredita Carlos Lima, diretor executivo do IBRAC.

De acordo com o International Taste Institute, cerca de 15 mil produtos já foram avaliados pela instituição. Neste ano, 1.885 itens do setor de alimentos e bebidas foram certificados e premiados.

Degustação em Bruxelas

Os produtos foram analisados ​​e pontuados de acordo com uma metodologia de teste às cegas. Agora, poderão usar o selo do International Taste Institute por três anos em suas embalagens.

A cachaça Pai Vovô, de São Domingos, no Sertão Paraibano, foi uma das oito premiadas. Está em processo de lançamento e se posiciona como orgânica. Foi premiada recentemente no Concurso de Vinhos e Destilados do Brasil 2019. Tem no seu time o renomado consultor Leandro Marelli, instalações de altíssimo nível e excelente capacidade logística.

O Blog recebeu algumas amostras para degustação e a impressão foi a melhor possível. Trata-se de um produto diferenciado, que justifica plenamente todo o investimento feito. Vamos aguardar seu lançamento para podermos emitir nossa avaliação sensorial. Certamente, fará barulho no mercado e elevará ainda mais o nome e a qualidade da cachaça paraibana.

As cachaças premiadas com o Superior Taste Award 2019 foram:

Cachaça 51

51 Carvalho Americano

Reserva 51 Única

Reserva 51 Rara

Cachaça Tellura Prata

Cachaça Tellula Carvalho

Cachaça Pai Vovô Ouro

Cachaça Da Quinta Prata

 

Post feito com adição de informações do site devotosdacachaça.com.br