Tudo o que você precisa saber para envelhecer a sua cachaça em casa

Nesse post você vai aprender todos os segredos para envelhecer a sua própria cachaça em casa e se tornar um mestre no assunto.

O processo de envelhecimento natural da cachaça consiste em armazená-la em barris ou dornas, o que produz alterações químicas e sensoriais. Nesse processo ocorrem diversas reações químicas que resultam em diferenças bastante significativas sensorialmente: coloração, sabor e aroma. As bebidas mais tradicionais passam por esse processo, tais como, whisky, vinho, tequila, run, conhaque e, claro, a cachaça!

A cachaça, diferentemente dos outros destilados que são envelhecidos em madeira de carvalho, pode ser envelhecida em mais de 30 tipos de madeiras (muitas delas raras), isto traz identidade e autenticidade ao destilado nacional.

Falaremos aqui sobre processo de envelhecimento, os resultados sensoriais que cada madeira proporciona, as curiosidades e os cuidados que se deve ter ao adquirir o seu barril ou dorna de madeira para sua reserva pessoal.

 

Quais recipientes de madeira existem para envelhecimento da cachaça?

Um recipiente de madeira é utilizado nos processos de fermentação ou maturação da cachaça e outras bebidas. Porém, para o envelhecimento da cachaça é adequado utilizar os barris específicos para este fim, em razão da sua composição, feitos especialmente para obter melhores resultados no processo.

A denominação do recipiente varia conforme tamanho ou forma, além de Barril (como é conhecido), pode ser também chamado em alguns casos de Ancorote, Corote, Tonel ou Dorna. A Dorna é a variação de um Barril posicionado na vertical.

Como é o processo de envelhecimento da cachaça?

Há quem diga que envelhecer cachaça é uma ciência, uma arte e uma paixão.

Na cachaça estocada apenas em tonéis de inox temos aromas e sabores primários e secundários, oriundos da cana de açúcar e fermentação. No caso do envelhecimento em recipientes de madeira, o objetivo é maximizar o processo para obter características de aroma, sabor e coloração à bebida, o que irá melhorar a sua experiência sensorial.

O processo de envelhecimento da cachaça ocorre, na prática, porque a bebida precisa de oxigênio que somente a porosidade da madeira pode proporcionar. Quando estocada em barril de madeira, os componentes secundários da cachaça sofrem reações químicas lentas e contínuas.

Envelhecimento da cachaça

Essa oxidação é provocada pelas trocas gasosas entre o interior do barril e o ar externo, através dos poros da madeira, modificando a composição e as características da bebida.

As mudanças na bebida ocorre devido aos seguintes fatores:

  • o contato da bebida com as paredes do barril;
  • o tipo de madeira utilizada;
  • as condições do ambiente a ser estocado;
  • o tempo de estocagem;
  • o tamanho do barril.

Desse modo, quanto maior o barril, menor será o contato da bebida com a madeira, portanto, menor será a evaporação e menor será a reação química, além de obter uma menor coloração. Por outro lado, quanto menor o barril, a bebida terá mais contato com a madeira, assim as reações químicas serão mais intensas e obterá maior coloração.

Dependendo da madeira em que é envelhecida, a cachaça incorpora as nuances, assumindo um tom levemente amarelado a amarelo turvo, passando pelo dourado brilhante, chegando ao ouro velho, fosco e discreto.

Então vamos aos tipos de madeiras para entendermos o que cada uma proporciona para sua experiência.

Dicas que valem ouro

ANTES DA COMPRA: Não compre barris em lojinhas de artesanato ou em beira de estrada, Adquira o seu barril de quem possa te dar um certificado de procedência da madeira e que possa te garantir o tipo da madeira da qual é feito o barril e só compre de quem pode te dar uma NOTA FISCAL.

PINTAR OU ENVERNIZAR O BARRIL? NUNCA!!!  O que garante a troca entre a Cachaça e as propriedades da madeira é oxigênio que entra pelos poros do barril. Se você colocar qualquer tipo de substancia estranha, isso vai passar para a cachaça ou fechar os poros da madeira, por isso a superfície do barril não pode ter nenhum tipo de substância.

PREPARAÇÃO DO BARRIL – A primeira coisa a fazer com um barril novo é enchê-lo com água. Deixe de 2 a 4 dias. Esse processo vai expandir a madeira e, consequentemente, vedar as emendas, impedindo que a cachaça vaze por elas. É normal que ocorra vazamento nessa fase, mas isso tende a desaparecer na medida em que a madeira do barril vai expandindo. Sempre vá completando com água, de modo que o barril fique sempre cheio.

PRIMEIRA CACHAÇA – No primeiro enchimento do barril, coloque uma cachaça safada mesmo, baratinha. Isso por dois motivos: o primeiro é para que essa cachaça penetre na madeira e expulse a água que está impregnada nela, o segundo é que a  madeira nova vai deixar um gosto muito forte na bebida e talvez você nem consiga saborear. Deixe de 10 a 15 dias. Depois disso, descarte essa cachaça e coloque uma boa cachaça branca.

QUAL CACHAÇA USAR PARA O ENVELHECIMENTO – Use uma cachaça forte, acima dos 42%, eu aconselho até uma Rainha com 50%, isso porque, devido à evaporação enquanto a cachaça está sendo envelhecida, o teor alcoólico tende a cair de 2 até 6%.

TEMPO DE ENVELHECIMENTO – Bom, lembre-se que você está envelhecendo a bebida num barril pequeno, isso faz com que a Cachaça interaja com a madeira de uma forma muito rápida. Então nada de deixar 2 anos, 3 anos.Deixe por 3 meses e faça provas semanais, pois o processo é bem mais rápido do que você pode imaginar.

ONDE GUARDAR O BARRIL – Nada de local aberto ou exposto ao vento, calor ou ao sol, coloque num lugar ensombreado, como um armário ou na despensa da sua casa.

RETIRADA – Quando você considerar que a cachaça já está do seu gosto, então é hora de retirar. Nesse ponto, você deverá retirar toda a cachaça envelhecida do barril e engarrafá-la, nada de beber pela metade e deixar a outra metade dentro do barril, isso causará excesso de oxidação e acidificação do líquido. Após retirar o conteúdo e engarrafar, você deve reiniciar imediatamente um novo ciclo, antes que a madeira do barril seque.

Tipos de madeiras para envelhecer cachaça

No Brasil há uma diversidade enorme de madeiras para envelhecer sua cachaça, em torno de 30 tipos de madeiras, muitas delas difíceis de se encontrar. Portanto vamos detalhar o resultado que as principais madeiras disponíveis proporcionam:

Madeiras para envelhecer cachaça

A cachaça pode ser envelhecida no Carvalho e em mais de 30 tipos de madeiras diferentes

Amburana (Umburana, Imburana)

Barril de Amburana incorpora um sabor agradável e menos adstringente à bebida. O envelhecimento neste tipo de barril reduz a acidez e diminui o teor alcoólico, resultando numa cachaça mais suave e adocicada, com toque de aroma de baunilha, cravo, canela e outras especiarias, dependendo do tempo de maturação e se o barril passou por tosta ou não. Sua coloração fica levemente amarelada.

Bálsamo

Barril de Bálsamo, também conhecida como Cabreúva, possui alta resistência a fungos e insetos xilófagos. A madeira transfere aromas intensos, trazendo notas herbáceas e de especiarias, como anis, cravo e erva-doce, traz também a sensação de picância ao destilado. A cachaça assume uma cor dourada com tons esverdeados.

Carvalho (Europeu e Americano)

Barril de Carvalho transfere à cachaça um sabor amadeirado e seco, muito semelhante aos tradicionais whiskys escoceses. Ele também garante a cor dourada e um sabor suave, agradável, de baixa acidez e levemente adocicado. O Barril de Carvalho é o que oferece maior atividade oxidante.

Castanheira

Barril de Castanheira, também conhecida como Castanha-do-Pará, tem propriedades semelhantes ao Carvalho Europeu, transmite à bebida uma cor amarelada, suavidade, um leve gosto adocicado e além de um aroma e sabor característico do próprio fruto da castanheira.

Jequitibá

Barril de Jequitibá, de modo geral, é o que incorpora menos aroma e cor à cachaça, conservando melhor a cor e o sabor original, mas amaciando e reduzindo a acidez. Por isso, ela é ideal para quem prefere um aroma mais fraco, menos amadeirado na bebida.

 

 

Envie suas perguntas aqui na minha coluna ou no meu whatsapp: 83 9 8793 6402  e, também, no Instagram @mauriciocarneirio083

Maior bartender do Brasil dá 7 dicas de caipirinhas com cachaças paraibanas

O bartender Laércio Zulu, reconhecido pelo trabalho que realiza para a valorização dos coquetéis com ingredientes nacionais, conta 7 dicas para preparar uma caipirinha deliciosa.

caipirinha é uma das estrelas principais na coquetelaria quando o assunto é drinks com cachaça. E não poderíamos deixar de perguntar para um especialista: quais são as dicas para fazer uma boa caipirinha?

Para falar do nosso orgulho nacional, nada melhor do que conversar com um dos caras que mais trabalha com coquetéis com essa pegada bem brasileira, o bartender Laércio Zulu. A paixão dele é tanta que tem inclusive um canal no Youtube para falar sobre o assunto.

Laércio Zulu

Zulu, coquetelaria brasileira usando cachaça como base

ZULU E A VALORIZAÇÃO DA COQUETELARIA BRASILEIRA

Antes de mais nada, Zulu trabalha nas criações do bar Candeeiro, nos Jardins, lugar onde o Nordeste e a literatura de cordel são as inspirações para os pratos e drinks. Ademais, é claro, na carta você encontra muitos coquetéis com excelentes cachaças, gins nacionais e uma boa caipirinha. Dentre as cachaças estão as melhores do Brasil, com especial atenção às deliciosas cachaças brancas paraibanas.

Para o bartender, que tem na carreira o título de vencedor no World Class (um dos concursos mais importantes do segmento), entre os segredos para fazer caipirinha são uma boa maceração com os limões, gelo e, claro, uma boa cachaça.

CONFIRA 7 DICAS PARA FAZER A CAIPIRINHA PERFEITA:

1. Corte os limões de uma maneira que fique mais fácil macerar

Segundo Zulu, se você fizer tiras finas ao cortar o limão, ou cortar em cubinhos menores, facilita na hora de macerar. Portanto o suco da fruta sai mais fácil e você não aplica tanta força na casca – o que evita aquele amargor na bebida. Usar limões frescos também é essencial. Ah, não é necessário tirar a parte branca do limão, ela não vai amargar a sua caipirinha.

2. Use um copo mais baixo

Caipirinhas limão e caju

O copo também é fator importante para fazer uma caipirinha perfeita. Foto: Estúdio Couve

Para o bartender, os copos baixos, ou aquele típico copo de caipirinha mesmo, são os melhores para servir o coquetel. Segundo Zulu, o drink fica sempre fresco, porque você consome ele mais rápido, e sempre na temperatura ideal com os sabores bem vivos.

Pode-se fazer o coquetel em um copo longo, mas o gelo derrete mais e os sabores vão se perdendo, porque o consumo pode ser mais lento.

3. Gelo, sempre

Certamente você já pensou que aquele monte de gelo que colocam nos coquetéis são para ‘enganar’ o cliente, mas entenda: o gelo é seu amigo.

Zulu explica que, além de o gelo conservar uma temperatura ideal para a caipirinha, é essencial colocar gelo picado no topo do copo – isso ajuda a criar um efeito térmico que segura mais a temperatura do drink.

4. Use açúcar granulado

É muito comum pela comodidade usar o chamado xarope simples de açúcar para preparo de coquetéis. O xarope nada mais é do que proporções iguais de açúcar e água. No entanto, o açúcar cristal em contato com o limão ajuda na hora de macerar e propicia a formação daquele suco fresco ideal para o coquetel.

5. Use uma dose de uma boa cachaça pura

De acordo com o bartender, não existe uma regra específica de que caipirinha ‘não pode ser feita com cachaça envelhecida’, isso é mito. Porém, para a receita tradicional com limão, é mais garantido harmonizar com uma boa cachaça pura, que não passou por madeira, como as tradicionais e encorpadas cachaças brancas da Paraíba. São cachaças de sabor complexo, com aroma herbáceo e frutado, excelentes requisitos para compor uma caipirinha inesquecível.

Para usar cachaças que têm aroma e sabor mais acentuados por alguma madeira, exige uma expertise maior de quem executa.

É provável que se você usar uma cachaça envelhecida em bálsamo, por exemplo, o sabor tânico da madeira junto com o suco do limão deixe ainda mais potencializado o sabor azedo e amargo – o que pode desagradar alguns paladares.

As cachaças que passaram por madeiras como carvalho e amburana são geralmente mais adocicadas, trazendo baunilha e especiarias, por isso são mais recomendadas para caipifrutas preparadas com morango ou jabuticaba.

6. Conheça seus ingredientes

As receitas mais simples podem ser as mais difíceis de acertar porque cada ingrediente tem seu protagonismo. Por isso, o equilíbrio entre suco de limão, açúcar e cachaça é fundamental.

Observe o teor alcoólico da cachaça que vai usar como base para fazer sua caipirinha. As cachaças com teor alcoólico mais acentuado (45-48%) podem fazer do coquetel uma bomba etílica ou cachaças muito amenas (38-40%) podem fazer da sua caipirinha uma bebida sem graça.

Se sua cachaça já é naturalmente doce reduza a quantidade de açúcar. Se o limão estiver mais azedo do que o normal, acrescente mais açúcar. Faça testes até achar sua combinação perfeita.

As cachaças que seguem a Escola Caipira costumam funcionar bem com a receita tradicional da caipirinha por trazerem aromas frutados e adocicados da cana e da fermentação que harmonizam bem com limão.

Nenhuma caipirinha vai ser exatamente igual a outra, mas você deve conhecer bem todos os seus ingredientes para evitar surpresas ruins.

7. Batida ou mexida?

James Bond, shaken not stirred

James, podia trocar essa vodca por uma cachaça e pedir uma Caipirinha: “stirred, not shaken”.

Os bares com muito volume de pedidos acabam fazendo a caipirinha na sua versão batida na coqueteleira – não tem problema, é uma forma de ganhar agilidade.

No entanto, geralmente, ao bater o gelo na coqueteleira junto com outros ingredientes você acaba tendo um coquetel mais diluído e menos alcoólico. A precisão também diminui ao bater, principalmente se várias caipirinhas são preparadas na mesma ‘batida’.

Outro problema ao bater na coqueteleira é extrair em excesso os óleos da casca do limão, deixando sua caipirinha muito amarga. Por isso, a dica final é: a caipirinha deve ser um coquetel mexido e não batido.

Caipirinha é um coquetel mexido

receita clássica da caipirinha diz que ela deve ser um coquetel mexido – é a melhor forma de se preparar porque garante controle do bartender ao extrair o suco do limão e misturar todos os ingredientes de forma delicada e harmônica.

E há também outro detalhe importante para defendermos o preparo do coquetel mexido.

Como o próprio nome diz, caipirinha é coquetel do interior do Brasil, do caipira, do campo, do povo… Ela deve ser preparada individualmente para cada cliente, montada e mexida com carinho como quem quer agradar um cliente especial.

É parte do ritual de preparo inclusive o bartender deixar um palitinho de madeira, um talinho de cana-de-açúcar ou até mesmo uma colher de chá ao servir o coquetel – dessa forma, o cliente poderá continuar mexendo sua caipirinha ao seu agrado e ritmo num esforço colaborativo entre bartender e consumidor para buscar a experiência perfeita.

 

Este post foi escrito com base no blog devotosdacachaca.com.br

Cachaça será protegida em acordo comercial entre Mercosul e União Européia

 

A cachaça é um dos 36 produtos tipicamente brasileiros protegidos pelo acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, fechado no fim do mês passado e que pode movimentar muito o mercado.

O acordo entre o Mercosul e a UE irá proteger comercialmente a cachaça e mais 36 produtos brasileiros

cachaça entrou para a lista dos 36 produtos do Brasil que serão protegidos comercialmente na Europa. Este acordo entre Mercosul e UE foi fechado no fim do mês de junho, durante um encontro em Bruxelas, na Bélgica.

Esta negociação entre o Mercosul e a União Europeia é ainda preliminar e deve passar por revisões e, primordialmente, ainda não está em vigor e precisa passar pela aprovação de todos os países envolvidos na UE.

Todavia a pauta prevê a proteção de produtos com indicação geográfica e daí entram na lista cachaças de regiões como SalinasAbaíra e Paraty, assim como o queijo Canastra, o algodão colorido da Paraíba, a linguiça Maracaju e café Alto da Mogiana.

Portanto isso significa que só poderão ser vendidos na UE produtos que venham realmente daquela região como, por exemplo, cachaças que de fato são produzidas na região de Paraty.

Com intuito de garantir essa proteção foi destacado, pelo prévio acordo, que expressões como “tipo, “estilo” e “imitação” estão proibidos.

PRINCÍPIOS DO ACORDO ENTRE MERCOSUL E UE

Este acordo acordo comercial está em pauta desde 1999 entre Mercosul e União Europeia. Ademais, caso ele entre em vigor, os países do Mercosul também concordam em dar o mesmo tipo de proteção aos produtos europeus.

Isso significa, por exemplo, que Champagne só será o vinho produzido na região francesa, parmesão só será o queijo produzido na Itália e por aí vai.

Salvo que esta negociação irá movimentar um mercado de 750 milhões de consumidores e um PIB de US$17 trilhões, segundo o secretário de comércio exterior, Marcos Troyjo.

Se por um lado o acordo vai facilitar a exportação de muitos produtos brasileiros, em contrapartida também irá facilitar a importação de produtos típicos importados para o mercado nacional.

INDICAÇÕES GEOGRÁFICAS DA CACHAÇA

Há dois tipos de indicações: Indicação de Procedência (IP) e Denominação de Origem (DO), sobretudo elas têm como objetivo valorizar os produtos tradicionais.

IP se refere ao nome de um país, cidade, ou região conhecida pela produção de um determinado produto.

Enquanto o DO reconhece um país, cidade, ou região cujo produto tem certas características específicas graças a seu médio geográfico.

Porquanto figuram na lista 36 produtos brasileiros que conseguiram a proteção, sendo que a cachaça da região de Salinas (IP), a da microrregião de Abaíra (IP) e a cachaça de Paraty (IP).

A lista completa dos produtos e mais informações sobre o acordo você pode encontrar aqui.

 

Este post foi feito em parceria com o Mapa da Cachaça: www.mapadacachaça.com.br

Congresso Brasileiro da Cachaça reunirá os maiores especialistas do setor

Cadeia produtiva se reunirá em Vitória nos dias 05 e 06 de setembro.

Durante os dias 05 e 06 de Setembro, acontecerá em Vitória – ES o Congresso Brasileiro da Cachaça. O evento terá início às 13:00 e término às 23:00, contando com uma série de especialistas do setor.

De acordo com um dos organizadores, Adão Cellia, proprietário da marca Princesa Isabel, o evento busca uma integração dos produtores em nível nacional. Desse modo, estarão aptos a discutir problemas que ocorrem no setor, trocar experiências e discutirem novas ideias.

O Congresso Brasileiro da Cachaça preparou uma equipe espetacular para os debates, prometendo aos participantes de dois dias intensos de imersão nos assuntos do setor com a presença de alguns dos maiores especialistas do assunto no Brasil.

Paralelamente, no Centro de Convenções de Vitória – onde o Congresso acontecerá – teremos também o Salão de Negócios da Cachaça. Para uma melhor organização, os palestrantes estarão espalhados em quatro painéis diferentes, sendo os temas: “Cachaça: Patrimônio Nacional”, “Porque as cachaças são tão diferentes?”, “Por que a cachaça ainda sofre tanto preconceito” e “Comercialização e exportação”.

Primeiro Painel – Cachaça: Patrimônio Nacional

Nesse momento se busca evidenciar a importância da Cachaça como um Patrimônio Nacional do Brasil. Trabalhando-a como um símbolo nacional essencial para a formação de um Estado Nacional. Um outro assunto que será abordado é importância que o pequeno produtor possui no setor. As palestras voltadas a esse tema acontecerão das 16:30 às 18:30 no dia 05 de Setembro e conta com grandes palestrantes como Gilberto Freyre Neto, presidente do Instituto Gilberto Freire em Pernambuco.

Segundo Painel – Porque as cachaças são tão diferentes?

Esse painel também apresenta debates muito interessantes, tratando assuntos como, por exemplo, a diferença entre a cachaça artesanal e a cachaça industrial. Além disso, a palestrante Aline Marques Bortoletto da ESALQ em São Paulo, traz uma discussão muito pertinente, que busca entender se as madeiras podem ou não corrigir os defeitos da cachaça. Uma série de outros questionamentos sobre a causa das cachaças serem diferentes também serão levantados por especialistas no assunto e acontecerá das 19:00 às 21:30, fechando as palestras do dia 05.

Terceiro Painel – Por que a cachaça ainda sofre tanto preconceito?

Com um título um tanto chamativo, o terceiro painel abrirá as palestras do dia 06 de Setembro. Buscando entender um pouco sobre a razão de um destilado tão nobre não receber o seu devido respeito, os palestrantes trazem questionamentos que irão ajudar os produtores a entender as causas desse fenômeno e, consequentemente, combatê-las. Entre os diversos tópicos deste painel, o Jornalista Sidney Maschio apresentará como os meios de comunicação enxergam a cachaça. As palestras começarão às 16:00 e tem o prazo de encerramento para às 18:30, dando espaço para os debates do quarto painel.

Quarto Painel – Comercialização e exportação

Para encerrar as palestras do último dia, o quarto painel busca debater a comercialização da cachaça no mercado externo. O primeiro palestrante será Thyrso Neto, da Cachaça Yaguara, que irá abordar sobre o perfil do cliente da cachaça. Já Fernando Silveira do SEBRAE de Minas Gerais, levará questões para os produtores pensarem no Marketing de suas cachaças. A questão da coquetelaria, e-commerce e a importância das distribuidoras para o pequeno produtor, também são pautas das palestras do quarto painel, que começará às 19:00 e terminará às 21:30.

O Salão de Negócios e Congresso Brasileiro da Cachaça conta com o apoio de institucionais, como a Associação Nacional de Produtores de Cachaça de Qualidade (ANPAQ) e a Academia Brasileira de Cachaça de Alambique (ABCA). O evento é uma grande oportunidade de aprendizado e de negócios aos produtores de cachaça, uma vez que, trata-se de dois dias imersos no setor junto a outros produtores e especialistas no assunto.

O Salão de Negócios chama também a atenção dos consumidores apaixonados pelo destilado, que além de comprar garrafas da bebida, também podem participar do Cachaça Experience. Trata-se de um espaço onde estarão aptos a experimentar diversos drinques, feitos por uma equipe minuciosamente selecionada que conta com os 30 melhores bartenders do Espírito Santo.

Para mais informações sobre o evento, clique aqui. 

Post feito em parceria com o blog cachacagestor.com.br

Superior Taste Award: Cachaça paraibana ganha certificação de qualidade na Europa

A paraibana Pai Vovô, ainda a ser lançada no mercado, recebe mais uma premiação, dessa vez, internacional. 

Oito cachaças foram certificadas pelo ‘Superior Taste Award 2019’, ocorrido em Bruxelas.  A premiação é responsabilidade do The International Taste Institute (anteriormente iTQi), empresa que, desde 2005, realiza anualmente, com a ajuda de experts europeus, a avaliação e certificação do sabor de produtos de consumo.

No International Taste, as avaliações de sabor são feitas por especialistas independentes . Os produtos são testados por grandes painéis entre os mais de 200 Chefs e Sommeliers das mais prestigiadas associações culinárias europeias. Os membros do júri são selecionados por sua experiência comprovada em degustação e em fornecer feedback construtivo. Seus especialistas são reconhecidos em competições Chef & Sommelier ou por instituições renomadas como Le Guide Michelin ou Gault & Millau.

Painel de degustação

O Instituto Brasileiro da Cachaça – IBRAC apoiou o evento no Brasil, ajudando a mobilizar a cadeia produtiva da Cachaça para a participação. “Trata-se de um resultado muito relevante para o fortalecimento da Cachaça no mercado internacional, e consequência da qualidade, diferenciação e versatilidade de nosso produto”, acredita Carlos Lima, diretor executivo do IBRAC.

De acordo com o International Taste Institute, cerca de 15 mil produtos já foram avaliados pela instituição. Neste ano, 1.885 itens do setor de alimentos e bebidas foram certificados e premiados.

Degustação em Bruxelas

Os produtos foram analisados ​​e pontuados de acordo com uma metodologia de teste às cegas. Agora, poderão usar o selo do International Taste Institute por três anos em suas embalagens.

A cachaça Pai Vovô, de São Domingos, no Sertão Paraibano, foi uma das oito premiadas. Está em processo de lançamento e se posiciona como orgânica. Foi premiada recentemente no Concurso de Vinhos e Destilados do Brasil 2019. Tem no seu time o renomado consultor Leandro Marelli, instalações de altíssimo nível e excelente capacidade logística.

O Blog recebeu algumas amostras para degustação e a impressão foi a melhor possível. Trata-se de um produto diferenciado, que justifica plenamente todo o investimento feito. Vamos aguardar seu lançamento para podermos emitir nossa avaliação sensorial. Certamente, fará barulho no mercado e elevará ainda mais o nome e a qualidade da cachaça paraibana.

As cachaças premiadas com o Superior Taste Award 2019 foram:

Cachaça 51

51 Carvalho Americano

Reserva 51 Única

Reserva 51 Rara

Cachaça Tellura Prata

Cachaça Tellula Carvalho

Cachaça Pai Vovô Ouro

Cachaça Da Quinta Prata

 

Post feito com adição de informações do site devotosdacachaça.com.br

Paraíba é destaque no 17º Concurso de Vinhos e Destilados do Brasil

Estado se sobressai cada vez mais na produção de cachaças de excelência

Na noite da terça feira, dia 30/07, o Concurso de Vinhos e Destilados do Brasil, que chegou à sua 17ª edição, divulgou a lista de bebidas premiadas com medalhas, colocando fim a uma longa expectativa.

A fase de provas aconteceu nos dias 17 e 18 de julho, no Hotel Transamérica, em São Paulo. Segundo os organizadores, esta foi a edição com o maior número de destilados inscritos (240, sendo 220 cachaças). Os vencedores receberam medalhas de prata, ouro e grande ouro. Portanto, pode-se afirmar que quem chegou a conquistar medalhas venceu a maior concorrência da história do concurso. Merece todas as congratulações.

Numa prova inconteste de que a cachaça de qualidade, hoje, não é mais restrita a um estado ou região, as medalhas foram distribuídas entre nada menos que 13 estados, do Rio Grande do Sul ao Maranhão.

Baraúna Carvalho, em breve nas gôndolas

A Paraíba, como já se tornou praxe nesses concursos, fez bonito. E muito bonito.  Foi o estado do Nordeste com mais premiações. Ficando, na classificação nacional, em quinto lugar no número de medalhas, atrás de São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Os produtores premiados foram: Prata para a Gregório Premium  (Alagoa Grande). Ouro para Baraúna Carvalho (Alhandra) e Cobiçada Umburana  (Serraria) e Duplo Ouro ou Grande Ouro para a Pai Vovô, de São Domingos.

A cachaça Pai Vovô será lançada em agosto

É bem normal no mundo dos produtores de cachaça que seu produto, antes de ir ao mercado, seja submetido ao crivo dos juízes de algum grande concurso. Assim, no lançamento, elas já nascem premiadas e aproveita-se o marketing da premiação para alavancar as vendas. Foi o que fez o produtor Alexandre Rodrigues, proprietário do Engenho Baraúna, que resolveu testar seu produto em um dos mais competitivos torneios de destilados do país, e conseguiu um enorme êxito, recebendo, simplesmente, uma medalha de ouro por sua cachaça. “Eu nunca havia participado de um concurso e resolvi arriscar esse pra ver no que dava”, afirma o modesto produtor. Isso me impele a participar de mais concursos e ousar em novos produtos, complementa.

A Cachaça Pai Vovô, seguiu a mesma trilha, é cachaça em processo de lançamento e se posiciona como orgânica. Tem no seu time o renomado consultor Leandro Marelli, instalações de altíssimo nível e boa capacidade logística. Certamente, fará barulho no mercado e, certamente, mais metais preciosos virão por aí.

Segue a relação dos vencedores:

Grande Ouro

Cachaça Saracura Carvalho

Cachaça Pai Vovô Ouro

Cachaça Cabaré Extra Premium 15 Anos

Cachaça da Quinta Prata

Cachaça Weber Haus 6 Anos Extra Premium

Cachaça Poço da Pedra Jequitibá Rosa

Cachaça Ypióca 150

Vodka Kovac Prime

Cachaça Harmonie Schnaps

Cachaça Prosa Mineira Reserva

Cachaça Catarina Reserva Cabreúva

Cachaça Dose Clássca Ouro Castanha do Pará

Cachaça Gabrielinha Portal da Baracéia

Guaaja Tiquira Carvalho

Licor Fascínio Casa Bucco

Cachaça Velho Alambique Orgânica Premium Carvalho

Ouro

Cachaça Decisão Amburana e Bálsamo

Fernet Amaro Thoquino

Brasilberg, Casa Underberg

Cachaça Casa Bucco Amburana

Cachaça Brisa Ouro

Cachaça Seleta

Cachaça Catarina Reserva Jequitibá

Cachaça Vila Tapera Soberana

Cachaça Baraúna Carvalho

Cachaça Vecchio Albano Extra Premium

Guaaja Tiquira Amburana

Cachaça Brunholi Extra Premium

Cachaça Ypióca 5 Chaves

Cachaça Weber Haus Premium 7 Madeiras

Gin Nick’s London Dry

Cachaça Cobiçada da Paraíba Amburana

Licor Casa Bucco Café

Cachaça Dom Tápparo 12 anos

Cachaça Fazenda Soledade Prata

Cachaça Sr. Brasil Prata

Cachaça Catarina Única 2015

Cachaça Vila Tapera Peroba do Campo

Aguardente Ypióca 160

Prata

Cachaça Orgânica Sanhaçu Freijó

Cachaça HBS Homero Batista dos Santos

Cachaça Reserva do Coronel Blend

Cachaça do Anjo Blend Especial

Cachaça da Quinta Carvalho

Cachaça Sagrada

Cachaça Filippini Ouro Amburana

Vodka de Cereais Stoliskoff

Dry Gin WH 48

Cachaça Gregório Premium

Cachaça Dom Tápparo Extra Premium 10 anos

Cachaça Tragaluz Brisa da Serra

Cachaça Antonio Rodrigues

Cachaça Papary Prata

Cachaça Wiba! Prata

Weber Haus Prata

Cachaça Margô Premium

De João Pessoa a Campina Grande via Brejo Paraibano: muita história, cachaça e forró

Este blog é sobre cachaças, mas como festa junina, história e  forró  também têm tudo a ver com a Paraíba, eu preparei um misturão com esses elementos.

 

Aproveitando o mote junino, fiz um trajeto para quem quer ir de João Pessoa a Campina Grande pra forrozar no Maior São João do Mundo (programação). O roteiro inclui o Brejo Paraibano, onde você poderá conhecer um pouco da história e das belezas arquitetônicas e naturais da região e, claro,  saborear algumas das melhores marcas de cachaças produzidas  no Brasil.

Pré-requisitos: alguém que dirija e não beba, disposição para degustar cachaças deliciosas e uma boa câmera fotográfica

Sobrado

Engenho Nobre: cachaças premiadas dentro e fora do Brasil

Logo no começo da viagem, na BR-230, Km 71, você encontra o Engenho Nobre. Ele fica às margens da BR,  na região da cidade de Sobrado, mas no sentido Campina – João Pessoa, então você vai ter que fazer um retorno.

O Engenho fabrica as cachaças Sapequinha e as premiadas  Nobre, e Arretada  (medalha de prata no San Francisco Distilled Spirits Competition, 2019). Lá você tem visitação ao engenho, degustação na adega e pode comprar cachaças na lojinha. Os preços são bem inferiores aos encontrados no mercado. O proprietário é um mineiro-paraibano  super simpático e comunicativo (posso passar o contato dos proprietários por e-mail para quem tiver interesse em marcar uma visita).

Alagoa Grande

Seguindo em frente, no Km 112 da BR-230,  você vai sair da BR e pegar a PB-079. O destino é o Brejo paraibano e a cidade,  Alagoa Grande (1865) –  terra de Jackson do Pandeiro. Mas não vá com tanta sede ao pote das cachaças, conheça antes um pouco da cidade.

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Cachaça Volúpia, várias vezes eleita uma das melhores do Brasil

Dê um tempinho para umas fotos no “Pandeirão”, o portal de entrada do município. Você pode visitar o museu Jackson do Pandeiro, que possui vários objetos pessoais do Rei do Ritmo. Visite também o Teatro Santa Ignêz, construído em 1905. Conheça a Casa de Margarida Maria Alves, onde são guardadas a memória e a história dessa que foi a maior líder sindical brasileira de todos os tempos.

Agora as cachaças: siga para o engenho Lagoa Verde, que fabrica a nacionalmente conhecida e multipremiada Cachaça Volúpia. Você terá a visitação ao engenho e poderá se deliciar com um belo café da manhã ou com o famoso almoço regional do restaurante Banguê, que fica na propriedade. O engenho possui várias opções de turismo ecológico. Excelente oportunidade para se contemplar as belezas naturais do Brejo Paraibano. Na hora das compras, há uma elegante lojinha que vende as cachaças do engenho a preços excelentes.

Em Alagoa Grande você também deve ir ao Engenho Gregório de Baixo, que fabrica a ótima cachaça Gregório. Uma potência de 45 graus de teor alcoólico,  mas de suavidade e sabor que impressionam.

Areia

Siga 18 Km à frente, ainda pela PB-079 até a belíssima e histórica cidade de Areia (1846),  berço do pintor Pedro Américo e do escritor José Américo de Almeida. A cidade tem seu centro histórico tombado pelo IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. O conjunto histórico e urbanístico de Areia foi tombado, em 2006. Para o tombamento, o IPHAN baseou-se no valor histórico, urbanístico e paisagístico atribuído ao conjunto, pela ativa participação da cidade nas revoluções ocorridas no século XIX.

Você vai se encantar com a beleza da cidade. Conheça o Teatro Minerva, inaugurado em 1858, vá ao Museu da Rapadura e ao Museu Casa de Pedro Américo. Conheça a antiga Igreja de Nossa Senhora do Livramento, construída em 1861. Curta o clima bucólico da cidade e tire belas fotos nas simpáticas ruas de paralelepípedo com suas casas coloniais. Além disso tudo, a cidade também organiza um São João bem tradicional, com forró pé-de-serra e comidas típicas.

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Cachaça Triunfo: portfólio variado e muitas vezes premiado

A cidade, por si só, já vale a visita, mas nosso passeio inclui cachaças, então siga para o Engenho Triunfo.

O Engenho possui uma ótima infraestrutura turística e é aberto todos os dias para visitas guiadas. Ao fim da visita, há uma degustação de cachaças, além de frutas, caldo-de-cana e até sorvete de cachaça. Você prova e depois, se quiser, compra na loja. Uma variedade incrível de produtos. São belas opções para a sua adega, para presentear e claro, pra tomar umas boas doses também.

Logo depois do Engenho Triunfo, você vai encontrar o Engenho Vaca Brava, da também premiada Cachaça Matuta. Eles fazem visitação guiada, que inclui a loja para degustação e venda de cachaças e outros produtos. É um belo passeio num dos lugares mais bonitos da Paraíba.

Cuidado nas compras

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Ouro na Expocachaça 2019

Areia possui mais de 40 engenhos e você pode encontrar dezenas  de cachaças excelentes com preços super camaradas no comércio local. A variedade é enorme, então aconselho a você procurar as cachaças registradas no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Consulte no rótulo da cachaça se é mostrado o número desse registro. Se não tiver, não compre, pois pode ser um produto clandestino ou sem inspeção sanitária. Essa dica vale para a compra de cachaças em qualquer lugar que você visitar.

Ipueira Carvalho: a melhor da categoria na Expocachaça 2019

Dentre as cachaças da região posso citar as que integram a APCA (Associação dos Produtores de Cachaça de Areia): a Turmalina da Serra (cachaça simplesmente espetacular), Aroma da Serra, Vitória, Princesa do Brejo, Ipueira, Elite e a Cristal de Areia. Vários engenhos também possuem lojinhas na cidade, é só procurar que você encontra.

 

Bananeiras

Invista um pouco mais de tempo (vai valer muito a pena) e dê uma esticada para conhecer outra joia arquitetônica preservada  da Paraíba:  a cidade de Bananeiras (1879). Fica há 50 Km de Areia. Nas pequenas ruas do Centro Histórico, o casario reúne mais de 80 construções tombadas pelo IPHAEP – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Estado da Paraíba. A região foi primeiramente produtora de cana-de-açúcar e depois de café. Em 1852, a produção cafeeira chegou a ser a segunda do Nordeste. Isto tornou a cidade uma das mais ricas da região, riqueza esta expressa na arquitetura de seus casarões

Em meio ao frio que proporciona por sua localidade, com 526 metros de altitude, a cidade consegue transmitir o calor acolhedor a quem a visita.

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Sinônimo do estilo paraibano de se fazer cachaça

Dois engenhos das tradicionais aguardente Rainha e cachaça Cascavel mostram aos turistas suas instalações e explicam sobre o processo de fabricação da cachaça. Como eles ficam na área rural da cidade, em vias sem sinalização, vale passar antes pela Casa do Turista, na Praça Epitácio Pessoa, para perguntar sobre o caminho – se preferir, o lugar oferece guias para acompanhar o passeio.

O engenho Goiamunduba fabrica, desde 1854, a maravilhosa aguardente Rainha, que é a aguardente de cana mais forte comercializada no Brasil. “Forte” entre aspas, pois o produto é tão bem feito e suave que, ao beber, você não sente que está ingerindo 50% de álcool. A Rainha, tecnicamente, não pode ser chamada de cachaça, e sim de aguardente, devido ao seu alto teor alcoólico – isso porque a legislação só considera cachaça se tiver graduação alcoólica entre 38% e 48%.  Mas é uma bebida respeitada por todos os especialistas em cachaça do Brasil, tonando-se sinônimo da produção cachaceira da Paraíba.

 

Alagoa Nova

Retorne para Areia e, já no caminho para Campina Grande, percorra mais 18 quilômetros, até a cidade de Alagoa Nova (1904), pela PB-097. A cidade também investe no tradicional São João, em junho. Agosto é reservado à Festa da Galinha e da Cachaça e também à Rota Cultural Caminhos do Frio. Dessa rota, participam quase todas as outras cidades do Brejo Paraibano. Nossa parada será no engenho Novo e Beatriz, onde se fabrica a também premiada cachaça Serra Preta, que é outra pauleira de 45% de álcool, mas super bem resolvida e equilibrada.

 

Campina Grande

Até Campina Grande (1864) são só mais 30 Km. A essa altura você deve estar num pé e noutro para aproveitar seu São João e beber suas cachacinhas, mas, calma!

Como Campina é a cidade polo de todo o Agreste da Paraíba, vá antes à Feira Central, pertinho, no centro da cidade. Procure a rua das cachaças, que possui vários comércios de bebidas que vendem praticamente todas as marcas produzidas no Estado. É uma ótima opção de compra, além de render fotos excelentes na Feira de Campina Grande, que, desde 2017 é reconhecida pelo IPHAN como Patrimônio Cultural do Brasil.

Em Campina você ainda pode misturar forró e cachaça em vários outros locais, como: Estação do Turista, na Vila do Artesão e no Salão do Artesanato de Campina Grande.

Chegamos ao fim do nosso passeio!

Agora é só se deliciar com esses verdadeiros orgulhos da Paraíba. Curta sua bebida no Parque do Povo, em ótima companhia e ao som de um bom forró pé de serra.

Espalhados pela Paraíba existem vários outros engenhos com excelentes cachaças, esta foi uma amostra. Conheça tudo sobre nossa produção cachaceira acompanhando este blog e a coluna Confraria do Copo, na CBN João Pessoa.

Feliz São João!

Pra falar comigo, escreva um comentário aqui ou mande e-mail mauricio@rotulobrasil.com.br .

O WhatsApp direto é 83 9 8793 6402.

OLX se manifesta sobre venda ilegal de “cachaças” em sua plataforma

No dia 17 de junho último este blog publicou a seguinte matéria: OLX e Mercado Livre ignoram legislação e permitem venda de “cachaça” clandestina. Na postagem denunciamos os fortes indícios de que as duas plataformas ignoravam a legislação e permitiam a venda de “cachaças” clandestinas, com consequente sonegação de impostos e desrespeito aos normativos sanitários do país (leia a íntegra da matéria aqui).  Como resposta, recebemos um posicionamento da plataforma OLX. Confira abaixo:

Posicionamento:

“Em resposta à matéria publicada pelo Confraria do Copo, blog do Jornal da Paraíba, a OLX esclarece que a atividade da empresa consiste na disponibilização de espaço para que usuários possam anunciar e encontrar produtos e serviços de forma rápida e simples. Diariamente, quase 500 mil anúncios são inseridos na plataforma. Toda negociação é realizada fora do ambiente do site, portanto, a empresa não faz a intermediação ou participa de qualquer forma das transações, que são feitas diretamente entre os usuários.

A OLX reforça que a ferramenta foi criada para auxiliar no desenvolvimento social e econômico do país e que os usuários devem respeitar os Termos e Condições de Uso do site (http://go.olxbr.com/termos-condicoes-olx). O anúncio de itens ilegais é expressamente proibido no site (http://go.olxbr.com/produtos-servicos-proibidos-olx).

Vale lembrar que a OLX também disponibiliza um botão de denúncia em todos os seus anúncios, possibilitando que qualquer pessoa denuncie eventuais práticas irregulares ou conteúdos indevidos. Nestes casos, a empresa consegue deletar o anúncio e banir o usuário da plataforma.

A OLX reforça que está sempre à disposição das autoridades para colaborar no que for necessário para a apuração dos fatos”.

jeferson cruz | assistant account executive

UEPB: Laboratório desenvolverá pesquisas para melhoria da cachaça paraibana

Medida agrada aos produtores e deverá aumentar a qualidade das cachaças fabricadas no Estado

A Paraíba é referência nacional na produção de cachaças de qualidade, mas ainda carece de uma estrutura laboratorial que permita fazer análises químicas do destilado. Atualmente, todas as análises para avaliar o perfil químico das cachaças fabricadas por aqui são feitas fora do Estado (ganham com isso os laboratórios sudestinos e o  Instituto de Tecnologia de Pernambuco (ITEP), endereço preferencial dos produtores paraibanos).  Os laudos de análises são fundamentais para a comprovação, junto ao Ministério da Agricultura, de que o produto atende aos parâmetros químicos de qualidade exigidos pela legislação federal, estando apto ao consumo humano.

É importante frisar que cada exame tem um custo aproximado de R$ 600, valor esse que “afugenta” quem quer se legalizar e reforça a informalidade.

O mesmo problema ocorre com as leveduras utilizadas na fermentação do caldo da cana-de-açúcar que será destilado. Essas leveduras, na maioria das vezes, ou são adquiridas comercialmente a altos preços, ou são desenvolvidas no próprio engenho, sem um mínimo de tecnologia, o que não assegura a qualidade do produto final. Leia a importância das leveduras na produção de cachaças nesse meu post.

Laboratório de Microbiologia e Fermentação

Sensível a essa necessidade e buscando minorar nossa carência técnica,  o Centro de Ciências Agrárias e Ambientais (CCAA) da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), Campus de Lagoa Seca, criou o Laboratório de Microbiologia para Fermentação.

Construído dentro do Complexo Agroindustrial do Campus II, o laboratório vai realizar pesquisas com leveduras para fermentação alcoólica. O objetivo final é isolar cepas específicas usadas na fabricação da cachaça nos engenhos de alambique do Estado.

Conforme explicou o diretor do Campus, professor José Félix, o laboratório dará suporte às pesquisas realizadas com fermentação alcoólica para melhorar a qualidade da cachaça produzida na região. A maioria dos produtores de cachaças do Estado, segundo ele, ainda trabalham de forma artesanal e isolados, necessitando de tecnologias e pesquisas no que diz respeito à fermentação do produto.

“Com esse laboratório, vamos poder realizar pesquisas importantes de algumas leveduras específicas que, porventura, possam ocorrer na região, sobretudo no Brejo, isolar e trabalhar com melhorias de leveduras através da biotecnologia”, explica o professor.

O Laboratório, em convênio com a Fapesq, ainda receberá mais R$ 187 mil em equipamentos

O laboratório vai operar em sintonia com o engenho de alambique do CCAA, que já produz licor, vinho e a cachaça Serra da Borborema. Professor Félix ressaltou que a ideia não é comercializar a cachaça, mas criar uma identidade com o produto. Em breve, o laboratório receberá outros equipamentos modernos, graças ao convênio da Instituição com a Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado da Paraíba (Fapesq), em um investimento de R$ 187 mil na unidade.

Um exemplo a ser seguido

O anseio dos que atuam na cadeia produtiva da cachaça na Paraíba é que esse tipo de iniciativa da UEPB seja replicado às outras instituições.  Assim, poderá ser oferecido o suporte técnico necessário à produção de qualidade das cachaças, incitando os produtores informais a legalizarem seus produtos por meio de diminuição de custos e acessibilidade das tecnologias.

Um exemplo que pode ser seguido é o da Universidade Federal de Lavras (UFLA). Lá foi criado o Laboratório de Análises de Qualidade de Aguardente (LAQA). Esse laboratório realiza análises, pesquisas e cursos voltados à aguardente, vende seus serviços à iniciativa privada e se autossustenta com isso.

As análises realizadas no Laboratório seguem os procedimentos estabelecidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em que constam todas as análises exigidas, sendo os laudos emitidos de acordo com os parâmetros estabelecidos pela legislação brasileira, atestando a qualidade do produto comercializado.

Então, parabéns à UEPB e que outras  boas notícias como essa venham em breve, a Paraíba e suas deliciosas cachaças agradecem.