Cachaça Volúpia encerra 2019 com chave de diamante

Além do apuro técnico e da qualidade, muitos dos apreciadores da cachaça fazem questão de ter seus produtos envoltos em belas embalagens, que valorizem ainda mais a experiência de consumo.

Os dois lançamentos: Volúpia Diamante a Volúpia Premium

Após grande expectativa de comerciantes, consumidores e dos que atuam na cadeia produtiva da cachaça, a Volúpia lançou sua nova linha de garrafas na noite da última sexta-feira (29).

Os convidados puderam conhecer, em primeira mão, as belíssimas garrafas da “Volúpia Diamante” e  da “Volúpia Premium”, num jantar no Restaurante Nau Frutos do Mar, em João Pessoa/PB.

Na ocasião, o anfitrião Vicente Lemos, proprietário da marca, declarou que aquele momento era o ponto culminante de um sonho acalantado por mais de oito anos. Durante todo esse tempo, ele lutou continuamente para conseguir colocar sua premiada cachaça dentro de uma garrafa própria e exclusiva – e finalmente conseguiu.

 

A história da garrafa

Pioneira no Brasil na inovação das embalagens de suas cachaças, a Volúpia foi a primeira marca a ser engarrafada em recipientes de porcelana, em 1996, conferindo nobreza e refinamento à bebida que, à época, sofria ainda muito preconceito. Com o sucesso desse empreendimento, os concorrentes também passaram a engarrafar as suas bebidas em porcelana e foi daí que surgiu o desejo de que a Volúpia tivesse sua garrafa exclusiva.

Com essa ideia na cabeça, Vicente Lemos contratou um escritório holandês de designe e, em 2014, submeteu seu projeto ao concurso Design Export, sagrando-se um dos vencedores.

Nesse concurso, que ocorre anualmente, os projetos selecionados recebem apoio técnico e financeiro para desenvolver o desenho e o visual dos produtos e embalagens. A iniciativa é da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e do Centro Brasil Design (CBD). O objetivo é incentivar o uso do design pela indústria brasileira como ferramenta estratégica para aumentar e fortalecer as vendas.

Com essa conquista o projeto da garrafa teve seu desenho industrial financiado pelo governo federal e foi patenteada pelo Inpi (Instituto Nacional de Propriedade Industrial). Dessa forma, tornou-se apta para ser levada à linha de produção.

A empresa responsável pela fabricação foi a Premier Pack, companhia paulista especializada em embalagens de vidro. Segundo Cecília Helena Silva, integrante da equipe comercial da empresa, que estava presente ao lançamento, “a Premier  atende a diversas empresas dos segmentos de bebidas, alimentos, perfumaria e cosméticos e está extremamente orgulhosa de ter participado de um projeto tão bonito e que, fatalmente, está destinado ao sucesso”.

De acordo com Vicente Lemos, todo o projeto englobou um desembolso total de cerca de R$ 300 mil, mas este é um investimento que certamente terá rápido retorno. Prova disso é que, segundo ele, apenas no primeiro dia após o lançamento, foram vendidas mais de 3.500 garrafas, o que demonstra que os parceiros comerciais e os consumidores aprovaram completamente os produtos lançados.

 

Qualidade diferenciada

Exclusivo baixo relevo com a logo da marca

Os produtos lançados são a Volúpia Diamante, que é uma cachaça branca armazenada em toneis de jequitibá rosa, com graduação de 40% de volume alcoólico, e a Volúpia Premium, envelhecida por dois anos em carvalho americano, o puro malte das cachaças, e também possui 40% de volume alcoólico.

De acordo com a declaração de Rafael Lemos, diretor comercial da Volúpia, “esta cachaça está posicionada para a faixa de consumidores que buscam um produto mais refinado e de alto valor agregado. Perguntado sobre se existem planos de venda para fora do país ele respondeu: “Antes de buscarmos o mercado externo vamos priorizar nossos esforços no mercado interno, pois ainda temos muita demanda não atendida nas faixas de consumidores de maior poder aquisitivo”.

A garrafa de 700 ml traz seu rótulo impresso no próprio vidro e apresenta um detalhe retrô: um bonito baixo relevo com a logo da Volúpia, um verdadeiro item de colecionador.

Esses produtos somam-se ao variado portfólio da marca, que conta com várias opções de embalagens em vidro e porcelana, o que se tornou um dos diferenciais da Volúpia.

 

Parcerias de longas datas

Dentre os presentes ao evento, havia vários comerciantes que trabalham com a marca Volúpia. Benjamim Ferreira, proprietário de lojas de conveniência na região litorânea de João Pessoa, conversou com o blog e nos falou que seu nicho principal são os turistas. Segundo ele, os clientes já chegam às suas lojas sabendo exatamente o que querem e que a cachaça Volúpia está entre os itens mais procurados: “Trabalho há mais de 25 anos com a Volúpia e hoje ela é uma referência nacional, tanto pela qualidade como por suas embalagens, perfeitas para se dar um belo presente”. Ele complementou dizendo: “O Vicente é um cara muito inovador e sempre está trazendo novidades para a sua cachaça e as garrafas dele fazem toda diferença, é qualidade muito bem apresentada, o que facilita na decisão do consumidor e na hora de fechar a venda”.

O editor com Vicente Lemos, durante o evento.

Já Vicente Lemos, ressaltou que suas parcerias sempre têm vida longa e profícua. Muitos dos seus parceiros são fieis à marca há décadas, concluiu.

 

Uma história de sucesso

A Volúpia é fabricada no Engenho Lagoa Verde, município de Alagoa Grande-PB, localizado a 105 Km da capital, João Pessoa.

O refinamento técnico, os cuidados no processo de fabricação, a capacitação do pessoal e a ótima qualidade da matéria prima fazem com que as moendas e os alambiques da empresa entreguem uma das melhores cachaças do Brasil.

Criada em 1946, pelo patriarca Otávio Lemos de Vasconcelos, a Volúpia vem atravessando o tempo sem perder seu foco na alta qualidade, na ética, na honestidade, nos relacionamentos e no constante compromisso com a inovação. Assim, desde 2003, vem colecionando premiações nacionais, tornando-se uma das cachaças mais premiadas do Brasil.

O sucesso e o reconhecimento nacional da Cachaça Volúpia foram um dos grandes impulsionadores da elevação do nível de qualidade da produção cachaceira paraibana hoje. Certamente, o Sr. Otávio estaria muito orgulhoso de ver sua cachaça tornar-se um produto premium e servida em lindas garrafas com nome de diamante.

Cachaça paraibana premiada nos EUA será lançada em JP

 

Por MAURÍCIO CARNEIRO

A Cachaça Arretada Mandacaru conquista medalha de prata em concurso realizado em São Francisco, na Califórnia (EUA), e torna-se a primeira cachaça paraibana premiada internacionalmente.

Esta semana tive a satisfação e a honra de receber das mãos do Murilo Coelho, proprietário do Engenho Nobre, a unidade 02 da edição limitada de 1500 garrafas da maravilhosa cachaça Arretada Mandacaru, um incrível blend de carvalho francês com carvalho americano, envelhecida por dois anos.
Essa cachaça é, simplesmente, uma das melhores do Brasil. Prova disso é que conquistou a primeira premiação internacional de uma cachaça paraibana. Ela recebeu medalha de prata num dos maiores concursos de destilados dos EUA, a World Spirits Competition 2019 (SFWSC), em São Francisco, na Califórnia.

San Francisco World Spirits Competition

Iniciada  em 2000, a SFWSC é uma das competições mais antigas do gênero e das mais respeitadas dos Estados Unidos e do mundo. Com quase duas décadas de experiência, combina paixão e profissionalismo. Um dos fatores que fizeram com que a SFWSC se tornasse um dos eventos do gênero mais respeitados é o seu seleto corpo de jurados, formado pelos melhores chefs e degustadores, escolhidos através de rígidos critérios de seleção. Cada um com sua história distinta e um paladar extremamente aguçado.

Todo o processo de julgamento é realizado às cegas, o que garante  a integridade e a imparcialidade do concurso. Isso  assegura que cada bebida seja avaliada de forma individualizada, justa e com igual consideração.

Nessa competição de 2019 foram inscritos mais de 5.000 destilados do munto inteiro e a cachaça Arretada Mandacaru, do Engenho Nobre, obteve medalha de prata, no quesito “cachaça”. Isso a habilita a ostentar a medalha de premiação em seu rótulo, atestando sua excelência química e sensorial.

A medalha de prata confirma a qualidade superior da produção paraibana e eleva o nível do nosso destilado. Segundo o produtor Murilo Coelho, “a Paraíba, há muitos anos, é reconhecida como um centro de excelência na produção de cachaças brancas. Se nós fazemos tão boas cachaças brancas, por que não produzimos as envelhecidas com igual qualidade, já que a branca é a base da envelhecida?”.

Esse observação confirma uma tendência na produção estadual, pois, dentre as premiações de cachaças conquistadas pela Paraíba no ano de 2019, todas foram de cachaças que passaram por madeira.

A Cachaça

A Arretada Mandacaru, tem produção limitada de 1.500 garrafas. É uma cachaça envelhecida nas madeiras carvalho francês e americano. Isso lhe confere traços aromáticos suaves, baixíssima acidez e um toque especial das melhores bebidas premium.

“Essas madeiras enriquecem a bebida com novos componentes, agregando complexidade sensorial e permitem que reações físicas e químicas, específicas, aconteçam. Os barris de carvalho não só agregam aromas e taninos à cachaça, mas também, por conta de sua porosidade, permitem que a bebida respire, desenvolva-se e amadureça”, atesta Murilo Coelho.

A cachaça agrega todas as qualidades das duas madeiras, percebe-se, no nariz, a presença de amêndoas, coco intenso, baunilha e especiarias. Na boca, um aveludado ímpar, apesar de toda a potência dos seus 43% de teor alcoólico. No retrogosto traz o adocicado do carvalho  americano. O complemento fica por conta das notas finais de chocolate e baunilha,  que persistem por um longo período.

Uma ótima harmonização para essa cachaça é o café expresso e o chocolate meio amargo, por ser um meio termo entre o doce e o amargo. Eu a harmonizei com sorvete de chocolate e foi uma experiência incrível.

O lançamento

Como é muito comum no negócio das bebidas, os produtores procuram atestar a qualidade de suas criações em concursos nacionais e internacionais, antes de colocarem suas bebidas no mercado. Assim, agregam toda a força do marketing da premiação no lançamento, alavancando suas vendas e intensificando o reconhecimento da excelência da bebida. Isso foi o que fez Murilo.

A cachaça já estava engarrafada e pronta para ser comercializada, mas faltava o principal: a medalha. Após esperar várias semanas pelos selos oficiais da premiação no concurso, finalmente o público paraibano poderá conhecer e se deliciar com essa verdadeira joia da indústria da cachaça da Paraíba.

O lançamento oficial será na próxima quinta feira, dia 21 de novembro, na Casa de Cultura Livre Olho Dágua (R. Dep. Barreto Sobrinho, 344, Tambiá, J. Pessoa), às 20h, com entrada franca.

Além do conteúdo eu chamo atenção para o belo rótulo que estampa a garrafa, uma verdadeira obra de arte. Criação exclusiva da designer Valéria Antunes . A arte retrata de forma esplêndida todo o colorido de nossa nordestinidade, mais um atrativo dessa cachaça, que nos cativa pelo ofato, paladar e visão.

Na ocasião haverá uma apresentação da cachaça pelo Murilo Coelho e uma degustação para os presentes. Aconselho que os leitores não percam essa oportunidade de ter contato com a excelência da produção cachaceira da Paraíba e do Brasil.

Cana-de-açúcar transgênica já é uma realidade. Como isso afeta a cachaça?

Por Maurício Carneiro

Apesar das dúvidas e riscos, a CTNBio coloca no mercado uma variedade de cana aguardada por ruralistas e usineiros. Especialistas apontam falta de estudos sobre os impactos ambientais e à saúde.

Cana Bt

 

Plantas transgênicas têm ajudado a aumentar a produção nos campos brasileiros e no mundo. A primeira cana-de-açúcar geneticamente modificada e comercializada é de origem brasileira. A cana CTC 20 Bt foi desenvolvida pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) e passou por avaliação da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) que a considerou segura sob os aspectos ambiental, de saúde humana e animal. Sua aprovação ocorreu no segundo semestre de 2017 e a comercialização no início de 2019.  “A comercialização desta cana brasileira é um marco que reforça o potencial e a qualidade da pesquisa nacional e coloca o país na vanguarda das pesquisas com biotecnologia de plantas”, enfatiza o diretor de Etanol Celulósico e Assuntos Corporativos do CTC, Viler Janeiro.

A cana geneticamente modificada (GM) permite o controle mais eficiente e a redução das perdas em virtude do ataque de pragas, resultando em aumento de produtividade, redução de custo e melhoria da qualidade na indústria. O uso da cana transgênica ainda pode viabilizar a expansão da cultura em áreas onde a broca da cana é uma condição limitante, contribuindo para o aumento da competitividade do Brasil na produção de açúcar e etanol.

 

O que é a cana Bt

A cana Bt é a cana-de-açúcar que recebeu um gene da bactéria Bacillus thuringiensis. Daí a denominação Bt.

Esse microrganismo encontrado no solo produz proteínas inseticidas tóxicas para alguns insetos – tais como: borboletas e mariposas (Lepidoptera), moscas e mosquitos (Diptera), besouros (Coleoptera) e vespas, abelhas e formigas (Hymenoptera) – mas sem qualquer efeito sobre outros organismos e sobre o homem. Desenvolvida pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), a variedade é resistente à broca-da-cana.

Segundo Viler Janeiro, o processo de introdução da nova variedade tem sido muito positivo, Desde outubro de 2017, cerca 400 hectares de mudas da variedade geneticamente modificada foram plantados nas principais usinas e fornecedores da região Centro-Sul do Brasil.

O diretor complementa que o crescimento da área com a CTC 20 Bt será gradual, uma vez que as novas plantas serão replantadas para expandir a área cultivada e não usadas para a produção de açúcar e etanol. “Este processo já ocorre na introdução de variedades convencionais e está alinhado com o cronograma de obtenção das aprovações internacionais do açúcar produzido a partir da cana geneticamente modificada”, explica.

Recentemente, a Health Canada, responsável por avaliar a segurança e o valor nutricional de alimentos no Canadá, aprovou o açúcar produzido a partir da CTC 20 Bt. Assim, de acordo com o órgão canadense, o açúcar proveniente da cana é tão seguro e nutritivo quanto os provenientes das variedades convencionais.

 

Pesquisas continuam

O Centro de Tecnologia Canavieira ainda continua as pesquisas. O CTC ainda deve disponibilizar para o mercado outras variedades transgênicas resistentes à broca, principal praga que ataca a cultura no Brasil e causa prejuízos estimados em R$ 5 bilhões anuais ao setor sucroenergético. Viler explica que adicionalmente, o Centro trabalha no desenvolvimento de variedades resistente ao Sphenophorus levis  – bicudo da cana-de-açúcar -, além de espécies tolerantes a herbicidas e com projetos de desenvolvimento de uma cana-de-açúcar tolerante à seca. “Esses produtos estão em diferentes estágios de pesquisa e passarão pelos processos aprovação, de acordo com a legislação vigente, tão logo cheguem nesta fase”, conclui.

Outra empresa focada no desenvolvimento da transgenia em cana de açúcar é a Embrapa Agroenergia. Atualmente quatro projetos merecem destaque e seguem a mesma linha do CTC. Iniciado em 2008, a Embrapa desenvolve a variedade tolerante a déficit hídrico, que já foi a campo em duas localidades para testes– em Quirinópolis (GO) e em Valparaiso (SP)-, com o objetivo de avaliar a performance agronômica e parâmetros fisiológicos em condições reais de campo. Em parceria com o CTC, o Centro Internacional Japonês para Pesquisas em Ciências Agrícolas (Jircas), a Embrapa Agroenergia avaliou o potencial com o gene de tolerância a seca na cana, que já foi testado em outras culturas de plantas, como soja, amendoim, trigo, arroz e outras.

Os resultados em situação real de campo mostrou que o material tem uma característica interessante, tanto para a tonelada de cana por hectare (TCH) quanto o açúcar (TPH). “Mesmo passando pela seca, essas materiais conseguiram manter o TCH e a o TPH, também houve manutenção da biomassa e do açúcar em ambos os locais”.

Próximas gerações de cana-de-açúcar transgênica

Após ter desenvolvido variedades de cana-de-açúcar transgênica resistentes à broca, cujo açúcar foi aprovado por organismos internacionais como o FDA, dos Estados Unidos, o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) mira agora duas novas gerações da planta, uma delas com o objetivo de resistir a uma praga que gera prejuízos estimados em R$ 4 bilhões por safra ao setor sucroenergético.

O CTC iniciou a segunda geração dessas canas, que terá de 8 a 10 variedades, não só resistentes à broca (mariposa que se alimenta dos canaviais), mas também tolerantes a herbicidas.

E já projeta a terceira geração, ainda em fase preliminar, que tem como objetivo combater o besouro Sphenophorus levis, conhecido como bicudo, que causa danos na cana em desenvolvimento e reduz a vida útil dos canaviais.

“O besouro gera R$ 4 bilhões de prejuízo por safra e, se perguntar a qualquer usina, ela dirá que tem mais medo dele que da broca. A broca é homeopática, enquanto o Sphenophorus é uma pancada gigantesca onde atinge. Ou seja, ao mesmo tempo desenvolvemos variedades para inserir genes cada vez mais resistentes a doenças, para que possamos inserir nas melhores variedades possíveis”, diz o presidente do CTC, Gustavo Leite.

 

Falhas

Apesar da liberação, houve discordâncias de três entidades representadas. Os três votos contrários são de um representante do Ministério do Meio Ambiente e de especialistas em meio ambiente e agricultura familiar, que analisam os estudos apresentados pelo CTC desde o final de dezembro de 2015, quando foi protocolado o pedido de liberação. Eles chegaram à conclusão de que, a exemplo de todos os demais organismos geneticamente modificados (OGMs) aprovados na comissão, as pesquisas com a cana são cheias de falhas. E estão muito longe de atender às próprias regras do órgão criado para auxiliar o governo federal nas questões de biossegurança dos transgênicos.

No caso da cana, há lacunas quanto aos potenciais efeitos sobre organismos que não são o alvo das toxinas da planta modificada, aos animais e humanos que consumirem a cana in natura, e o risco de essas novas espécies virem a prevalecer sobre as espécies silvestres a partir dos cruzamentos entre ambas. Como a maioria das cachaças e o popular caldo de cana são obtidos com essas variedades silvestres, num cenário assim essas bebidas também poderiam vir a ser contaminadas.

Professor do Departamento de Ecologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e integrante da CTNBio, Valério De Patta Pillar apresentou parecer em que pede diligência da comissão para correção das deficiências em experimentos de avaliação do risco ambiental e ausência de testes estatísticos, de avaliações dos efeitos do consumo da variedade de cana de açúcar por animais domésticos e por humanos.

 

Movimento pela cachaça orgânica

Vários produtores do Brasil todo foram consultados por este colunista, nos grupos de debates e nenhum afirmou que utiliza ou pretende utilizar essa variedade de cana transgênica.  Pelo contrário, observamos uma tendência forte no posicionamento da cachaça orgânica.

Na contramão da transgenia, há um movimento crescente, entre os produtores de cachaça, pela produção orgânica. O diferencial da cachaça orgânica está no modo de produção, sendo que a bebida orgânica dispensa toda e qualquer interferência química em sua produção. A cana-de-açúcar deve ser produzida organicamente e, em determinadas regiões, o adubo utilizado na plantação de cana também deve ter como origem o gado orgânico.

A cana-de-açúcar deve ser colhida sem a prática de queimadas e, durante a fermentação, o uso do ácido sintético é substituído por suco de limão orgânico. Essas ações fazem com que a organicidade da bebida final seja 100%, produzindo uma cachaça orgânica e sustentável, enquanto suas concorrentes, carregam em suas composições, grandes quantidades de insumos e compostos químicos, extremamente prejudiciais à saúde.

cachaça orgânica : alambique de cobre

Benefícios

Ao consumir a cachaça orgânica você estará apoiando um sistema de cultivo orgânico no qual a sustentabilidade está sempre em primeiro lugar. Além disso, o consumo orgânico é ideal para quem busca uma alimentação saudável e livre de produtos químicos, onde os alimentos são ricos em nutrientes naturais e não há risco de surgimento de doenças ou complicações em longo prazo.

A cachaça orgânica também é mais saborosa e mais intensa que as demais cachaças, agradando paladares mais refinados e sendo uma excelente escolha para o uso culinário doméstico e em restaurantes.

Felizmente, por hora, a transgenia ainda não frequenta as doses da nossa querida cachaça.

Produção de cachaça: uma das atividades mais rentáveis do agronegócio brasileiro

Produção de cachaça de alambique agrega maior valor ao produto final

Uma nova onda de consumidores mais exigentes e dispostos a pagar pela alta qualidade faz com que, dentre os empreendimentos agrícolas, a produção de cachaça desponte como um dos mais promissores.

 

Domínio dos pequenos

Bebida genuinamente nacional, a produção de aguardente e de cachaça no país está presente em mais de 800 municípios de 26 unidades da Federação, a exceção é Roraima. São 951 produtores de cachaça e 611 de aguardente registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento que, somados, representam cerca de um quarto do total de produtores de todas as bebidas registradas e produzidas no país, que é de 6.362. Os dados, constam do estudo A Cachaça no Brasil – Dados de Registro de Cachaças e Aguardentes, lançado pelo ministério em maio passado. Segundo o anuário, mais de 95% desses produtores são micro e pequenos empreendedores, que têm na cachaça e na aguardente a sua fonte principal de renda.

Esta é a primeira vez que o ministério realiza um estudo sobre a produção destes destilados. O levantamento mostra que existem 3.648 cachaças e 1.862 aguardentes de cana registradas no ministério. A Região Sudeste aparece com a maior produção de cachaça, seguida da Região Nordeste e depois a Sul.

O diretor executivo do Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac), Carlos Lima, disse que o anuário representa um importante passo para o crescimento e o aprimoramento do segmento no país, uma vez que, a base da construção de políticas públicas é a existência de números oficiais e atualizados.

“A cadeia produtiva da cachaça é hoje responsável por empregar mais de 600 mil brasileiros. Tendo em vista a produção distribuída em 26 unidades da federação e a quantidade de produtores registrados, esperamos obter um maior apoio do governo brasileiro para que o desenvolvimento da categoria se dê de maneira sustentável nos próximos anos, contribuindo ainda mais para a geração de emprego e renda no país”, disse.

 A bebida nacional

cachaça é a segunda bebida alcoólica mais consumida no Brasil (perdendo apenas para a cerveja). Estimativas indicam que mais de 70 milhões de doses sejam consumidas diariamente, o que resulta numa cifra de aproximadamente 6 litros/habitante/ano. Esse consumo gera uma demanda real pelo produto e, consequentemente, a produção para suprir essa demanda é um importante segmento industrial e uma fonte geradora de empregos diretos e indiretos. Em razão de ser um produto de grande demanda, existem centenas de pequenos produtores informais espalhados pelo Brasil e outro número maior ainda  de comerciantes que compram essa produção e a distribuem junto ao mercado varejista.

Nesse processo  podem ocorrer diversos tipos de falhas , ou pelo desconhecimento da legislação, falta de fiscalização ou por simples má fé. Isso pode expor o consumidor a riscos à saúde. Nesse sentido, a cachaça clandestina é um elemento extremamente deletério, tanto à saúde do consumidor, como à leal concorrência com os produtores legais, que produzem, geram empregos e pagam seus impostos.

A cachaça de qualidade só é obtida se a sua cadeia produtiva conhecer, tecnicamente, o processo e o produto, ou seja, a qualidade é produzida com tecnologia, sobretudo com uma consciência de boas práticas produtivas dentre os membros dessa citada cadeia de produção. Trabalhando de modo clandestino, um produtor jamais atingirá um nível minimamente aceitável na qualidade do seu destilado.

A demanda crescente e contínua por cachaças de alta qualidade, orgânicas e diferenciados faz com que a sua produção esteja entre os empreendimentos agrícolas mais lucrativos e promissores, mas, para isso, se faz necessário que o produtor tenha domínio sobre as técnicas de produção da cachaça de qualidade. Abrindo mão dessa premissa básica o empreendedor estará fadado a ser apenas “mais um” no mercado, disputando espaço e centavos com milhares de outros clandestinos.

É sabido que as atividades de produção primária, isto é, de matéria-prima apenas, apresentam tradicionalmente baixa taxa de retorno. Isso ocorre no mundo todo. A cachaça tem valor agregado já no engenho, uma vez que já está pronta para o consumo, podendo ainda ir direto do fabricante para o mercado varejista, eliminando, portanto, serviços intermediários de comercialização, com consequente melhor remuneração para o fabricante. Alguns alambique fazem a venda direta ao consumidor, através de lojas instaladas dentro das propriedades dos engenhos ou em ambientes online, o que aumenta ainda mais a lucratividade do negócio.

O empreendimento associa a produção primária (a cana-de-açúcar), a industrialização (a aguardente) e a comercialização pelo próprio produtor da cachaça.

Novos consumidores

O mercado para aguardente engarrafada se divide nos segmentos populares e premium. O maior consumo de cachaça encontra-se nas classes C e D, referindo-se às aguardentes industriais, produzidas nas grandes empresas, que comercializam a bebida com embalagens e preços populares.

Mercado foca no segmento de cachaças premium

Para os especialistas, o aumento do poder de compra impulsionado pelo Plano Real, fez com que parte dos consumidores das classes C e D migrassem para a cachaça e outros destilados de preço mais elevado, como as de alambique. Adicionalmente, existe uma tendência nas classes A e B do consumo de cachaças de alta qualidade, especialmente as com embalagens sofisticadas.

Com o objetivo de atingir nichos de mercado, muitas empresas, especialmente as de alambique, também conhecidas como artesanais, desenvolvem embalagens diferenciadas, que têm contribuído para melhorar a imagem e expandir o mercado. As novas “roupagens” abandonaram a aparência pitoresca e agora apresentam projetos mais elaborados, em estilos sofisticados.

“Para aqueles que querem investir no mercado da Cachaça, o desafio será grande para atender aos nichos de consumo. Na produção é necessário planejamento e um olhar voltado para três pilares: alta qualidade do produto, processo de envelhecimento e embalagens diferenciadas. Sem esquecer que após essa etapa, outra grande barreira é a comercialização do produto, pois os canais de distribuição são restritos. Sem isso, a concorrência no mercado interno ou externo se torna esmagadora”, conta o presidente da Confraria Paulista da Cachaça, Alexandre Bertin.

O envelhecimento da bebida é uma prática que agrega cores, sabores e aromas diferenciados. São utilizados barris de madeiras nativas, que possibilitam a modulação e caracterização da cachaça envelhecida, permitem elaboração de blends de duas ou mais espécies e aumentam a complexidade aromática da bebida. O uso de madeiras nacionais e seus blends dão originalidade à cachaça com atributos de sabores únicos e reconhecíveis.

Qualidade e profissionalização

A cachaça feita em alambiques de cobre, como falamos acima, tem mais apelo comercial para o consumidor, sendo esse o campo em que os pequenos e médios produtores podem ter maior chance na competição com o chamado produto industrial. Para isso, entretanto, ele deverá se esmerar na qualidade de seu produto, melhorando a maneira de processar a bebida e conhecendo melhor o que é qualidade de cachaça. Além disso a apresentação, garrafas e rotulagem devem ser pontos de atenção.

A Paraíba desponta como um centro de excelência na produção de cachaças de qualidade

Pequenos e médios fabricantes artesanais, mesmo na atividade de reduzida produção, não poderão se manter no mercado como amadores.

A demanda por qualidade e a pressão por qualificação, são elementos de pressão (no mercado e na política). Esse negócio tradicional (o produto artesanal) está, ou estará, sob risco de extinção, por conta da crescente fiscalização estatal, da concorrência legal ou da baixa qualidade do seu produto.

Faz-se necessário que se profissionalize todos os atores da cadeia produtiva da cachaça.

O produtor deverá se ocupar em conhecer índices de produtividade da matéria-prima; a eficácia na extração do caldo na moenda;o monitoramento da fermentação e da destilação; conhecer os índices de rendimento em seu processo produtivo e quais os fatores que os afetam.

Só conhecendo e dominando as variáveis citadas, seré possível administrar a produção e controlar a qualidade do produto.

No que toca ao comerciante, este terá que ter, dentre as suas premissas, a compra de produto legalizado, “pejotizado” e legalizado no MAPA.

Em suma: o produtor de cachaça de alambique precisa de profissionalização e de esmero em sua qualidade para vender para um novo mercado que está sendo formado, que, embora mais exigente do que o popular, premia a qualidade, pagando um preço mais elevado pela qualidade.

Formalizar setor

Para o presidente da Confederação Nacional da Pecuária e Agricultura (CNA), João Martins, há necessidade de maior conscientização dos produtores, dos comerciantes e dos consumidores quanto aos riscos de utilização de um produto inadequado para o consumo humano.

Contrarrótulo da garrafa de uma empresa formalizada

Um dos problemas básicos para o desenvolvimento do setor da cachaça é a necessidade de formalização dos produtores clandestinos, pois o mercado é fortemente marcado por pequenos produtores ainda sem registro no MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento). Martins acredita que essas medidas podem alavancar o consumo da cachaça brasileira que, segundo ele, é exportado para mais de 60 países, gerando receitas em torno de US$ 14 milhões anuais.

“A maioria dos produtores estão na informalidade e é formada de pequeno e microempresários. Para aumentar a competitividade do setor é preciso desenvolver políticas públicas e iniciativas por parte do setor privado, voltados para formalização dessa cadeia produtiva”, disse.

Vai começar o maior concurso de cachaças do planeta

O maior concurso de cachaças do planeta, o Ranking Cúpula da Cachaça, já tem data para começar. É no Dia Nacional da Cachaça, no próximo 13 de setembro.

A Cúpula da Cachaça é formada por 11 especialistas dedicados a iniciativas em prol do destilado nacional, focados em  temas importantes e relevantes para colaborar na luta pelo desenvolvimento de toda a cadeia produtiva da cachaça.

O Ranking (que é feito a cada dois anos), como sempre, começa com a Votação Popular, fase mais divertida do certame, já que mobiliza todo o mundo da cachaça, com as campanhas via redes sociais. Essa fase vai até 28 de novembro.

Esse ano, o concurso vem com novidades pontuais, mas repete a fórmula que deu certo nas três edições anteriores.

Mais uma vez, o certame de cachaças mais abrangente do país terá três fases. A primeira fase – que mobilizou mais de 43 mil votantes na última edição – é a do Voto Popular, na qual os devotos em geral poderão escolher, entre os 4 mil rótulos à disposição no mercado, a sua cachaça favorita. Os votos são feitos pelo site da Cúpula.

As mais votadas entre os apreciadores comporão a lista das 250 Cachaças Mais Queridas do Brasil.

A segunda fase é a Seleção dos Especialistas. Um painel, que esse ano será ampliado para até 50 especialistas, elegerá as cachaças que vão para a Degustação às Cegas. Os membros da Cúpula não farão parte do painel da segunda fase. Nas edições anteriores, apenas cúpulos que poderiam ter conflitos de interesse se abstinham de votar. Dessa vez, a seleção ficará completamente a cargo dos convidados, cujos nomes serão divulgados em novembro.

Serão os especialistas que definirão as cachaças a serem ranqueadas. Só aí entram os cúpulos.

Esses profissionais farão seções de degustação às cegas com os 50 rótulos durante três dias na Cachaçaria Macaúva, em Analândia (SP), em março de 2020 e darão notas às cachaças, seguindo critérios que levam em conta visual, aroma, sabor e personalidade de cada bebida.

O Ranqueamento

Foto: Mateus Verzola

Nesta edição, pela primeira vez as cachaças serão divididas em três categorias no Ranking:

a) cachaças que não passam por madeira;

b) cachaças armazenadas e envelhecidas

c) cachaças premium e extra-premium.

Lembrando que segundo a IN13, que regula os parâmetros da cachaça, envelhecidas são aquelas que “contêm, no mínimo, 50% (cinqüenta por cento) de Cachaça ou Aguardente de Cana envelhecidas em recipiente de madeira apropriado, com capacidade máxima de 700 (setecentos) litros, por um período não inferior a 1 (um) ano”.

Cachaças premium são as que contêm 100% de cachaça envelhecida em madeira por mais de um ano. E extra-premium as que contêm 100% de cachaça envelhecida em madeira por mais de três anos.

A Cachaça do ano

A cachaça mais bem avaliada das três categorias será considerada a Cachaça do Ano. Esse posto, no III Ranking, foi ocupado pela Cachaça Vale Verde 12 Anos.

Como sempre, as notas conferidas pelos jurados nos vários quesitos passará por tratamento estatístico e o resultado será divulgado pela imprensa.

Atendendo a um pedido de muitos produtores, a Cúpula anunciou que vai criar um selo específico para o Ranking, que poderá ser usado pelas cachaças finalistas.

O desempenho da Paraíba

Esse é o quarto ranking da Cúpula da Cachaça e, historicamente, a Paraíba sempre foi muito bem representada pelas cachaças brancas. Em 2018 as cachaças paraibanas obtiveram, dentre todas as concorrentes da categoria Cachaça Branca, o 5° lugar com a Volúpia, 8° lugar com a Serra Limpa e a cachaça Nobre ficou em 14° lugar. A Paraíba ficou empatada com o Rio de Janeiro e São Paulo, como o estado estado melhor ranqueado nessa categoria.

A Paraíba passa a se destacar, também, com as cachaças envelhecidas.

A se conformar uma tendência observada nos últimos dois anos, existe uma expectativa de que algumas cachaças envelhecidas, do nosso estado, também passem a figurar no ranking das que passam por madeira, como as premium e  extra-premium. Isso por que nos últimos concursos nacionais e internacionais, o destaque da Paraíba tem sido maior justamente nas cachaças envelhecidas. Podemos citar, só nesse ano, os concursos de São Francisco, nos EUA, onde a cachaça Nobre Umburana recebeu medalha de prata; a Expocachaça 2019 obtivemos medalha de ouro com a Matuta Umburana, medalha de prata para a Ipueira Carvalho Francês. E no Concurso Nacional de Vinhos e Destilados do Brasil (julho), a Paraíba foi o estado do Nordeste com mais premiações, ficando, na classificação nacional, em quinto lugar no número de medalhas, atrás de São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Os produtores premiados foram: Prata para a Gregório Premium  (Alagoa Grande). Ouro para Baraúna Carvalho (Alhandra) e Cobiçada Umburana  (Serraria) e Duplo Ouro ou Grande Ouro para a Pai Vovô, de São Domingos.

Por isso, é de esperar que mais premiações venham, agora tanto nas cachaças brancas como nas envelhecidas.

 

Leia mais sobre as regras aqui: https://bit.ly/2KJaOjr

Recorde as cachaças premiadas no III Ranking Cúpula da Cachaça clicando aqui.

Acordo  UE–Mercosul  deverá abrir as portas da Europa à cachaça brasileira

Acordo foi firmado ontem (28) e deverá facilitar a entrada da cachaça em território europeu

O acordo bilateral assinado entre a União Europeia e o Mercosul traz em seu bojo a abertura dos países europeus que compõem o bloco para a cachaça brasileira. O resumo do acordo, emitido ontem pela governo brasileiro, destaca:

Em propriedade intelectual, destacam-se os compromissos logrados em indicações geográficas que beneficiam produtores e consumidores da UE e do MERCOSUL. As indicações geográficas de produtos agrícolas brasileiros, como as de cachaça, vinho e café, serão reconhecidas e protegidas no território europeu

Será que, finalmente, a cachaça ganhará o mundo?

Um grande mercado aberto à cachaça

Pelo tratado, as tarifas impostas à exportação de bebidas alcoólicas  dos países do Mercosul serão reduzidas, através de um regime de quotas. Isso beneficiará diretamente, por exemplo, os vinhos argentinos e a nossa cachaça. A avaliação do Instituto Brasileiro da Cachaça (IBRAC) é de que o reconhecimento e proteção da Indicação Geográfica da Cachaça pelo bloco europeu, que é um dos maiores mercados de exportação do destilado brasileiro, resultará no aumento das vendas externas para a Europa.

Em comunicado oficial, o diretor executivo da IBRAC, Carlos Lima, aponta que a exportação da cachaça para a União Européia fica bem abaixo do potencial, se considerado o montante que o bloco importa de outras bebidas que também são provenientes da cana, a exemplo do rum. Em 2018 a UE importou US$ 1,22 bilhão em bebidas produzidas a partir da cana-de-açúcar. No mesmo ano a exportação de cachaça para o bloco foi de apenas US$ 7,84 milhões.

Outro ponto importante a ser destacado, segundo Carlos Lima, foi a posição do governo brasileiro em relação ao tema da proteção de Indicações Geográficas. Isso  permitirá um avanço nas negociações para que outros países também reconheçam a bebida como tipicamente brasileira. A cachaça é a primeira Indicação Geográfica do Brasil, protegida através do Decreto 4.062/2001. Até o momento, os países que reconhecem a cachaça e a  protegem são: Estados Unidos, México, Colômbia e, mais recentemente,  Argentina.

Ainda, segundo Lima, o acordo vai assegurar que apenas os produtores brasileiros possam fazer uso da denominação Cachaça na União Europeia, o maior mercado consumidor de destilados do mundo.

É importante frisar que o acordo, como um todo, ainda passará pelo crivo do Congresso brasileiro.

O outro lado

Em entrevista ao portal UOL, o ex  Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, avalia que o acordo veio em momento ruim, pois os  dois principais negociadores do grupo – Brasil e Argentina – estão fragilizados política e economicamente. Ele atribui a isso a pressa europeia em fechar o pacto. Ainda, segundo Amorim, é muito provável que alguns itens tragam flagrante desvantagem ao Brasil. O documento final ainda não foi divulgado, há que esperar para ter acesso ao texto formatado pelas partes, para embasarmos melhor nossas opiniões.

Pelo princípio da bilateralidade no acordo, todos os incentivos e benesses para as exportações brasileiras também  terão que ser concedidas às exportações do Bloco Europeu para o Brasil. Assim, para o caso das bebidas alcoólicas, teremos  um mercado com  grandes marcas internacionais entrando no Brasil (vinhos, destilados, cervejas, etc). Como as tarifas serão zeradas ou reduzidas, haverá uma briga forte pelo consumidor brasileiro, o que levará a uma concorrência direta com a cachaça e demais bebidas alcoólicas fabricadas aqui.

Outro ponto a ser salientado é a possível necessidade de maior esforço de adequação dos produtores a eventuais exigências químico-sanitárias dos países europeus, que pode ser imposta à cachaça. Isso levaria a alterações nas especificações do MAPA para a bebida. Cito como exemplo o controle maior do carbanato de etila e dos metais pesados, cujos índices já foram questionados por importadores alemães.

 

Mercado informal

Consultado por este blog, o analista técnico em comércio exterior Marcus Baronni pontuou que é muito provável que uma das contrapartidas que os destiladores europeus deverão impor ao Mercosul será uma maior fiscalização e controle sobre o mercado informal, particularmente das cachaças no Brasil. A informalidade no Brasil hoje gira em torno de 40% e seu combate sempre foi uma luta histórica e inglória dos produtores brasileiros.

Segundo Baronni, os europeus conhecem o mercado brasileiro de destilados e, logicamente, querem aumentar sua base de potenciais consumidores. A extinção da informalidade, ou seu maior controle, beneficiaria diretamente toda a cadeia produtiva da cachaça e, indiretamente, abriria maior mercado aos produtos importados.

 

Só nos resta esperar para ver e entender sobre mais esse capítulo da história de nossa amada CACHAÇA.

OLX e Mercado Livre ignoram legislação e permitem venda de “cachaça” clandestina

As duas plataformas apresentam fortes indícios de que se tornaram um campo fértil à clandestinidade e sonegação de impostos

Reprodução de tela do site Mercado Livre, consultado em 16/06/2019

Procurando repor a minha coleção de cachaças – constantemente sabotada por este que vos escreve -, fui fazer uma pesquisa no Mercado Livre (ML), para adquirir algumas garrafas da minha bebida preferida. Após alguns minutos de busca, comecei a perceber algo estranho: “cachaças” ditas “artesanais” sendo oferecidas a granel em garrafas plásticas de refrigerante ou em botijões de 5 e 20 litros .

– Pode isso?

– Não!!!!!

Teriam que ter a sua comercialização vedada. A legislação vigente proíbe a venda de cachaça para o consumidor final em embalagem contendo mais de 1 litro de bebida. Pior, percebi sinais de que a lei estava sendo transgredida de vários modos por um sem-número de pessoas.

No Mercado Livre, vale tudo?

Com surpresa e tristeza, eu concluí que o ML, supostamente, funciona como ambiente propício para o comércio de aguardentes clandestinas. Aparenta ser um verdadeiro território sem lei, dando a impressão de que vale tudo.

Apesar de ser uma exigência legal, vários são os anunciantes que ofertam aguardentes e que, claramente, não possuem registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Esta é uma situação totalmente inadequada. A venda teria que ser barrada desde o seu nascedouro.

A comercialização desses produtos representa flagrante crime de natureza sanitária, contra a saúde pública, além de possíveis irregularidades por fraude e sonegação fiscal.

Pesquisando mais a fundo, concluí que a prática, além de ser proibida pela legislação brasileira, é vedada pelos próprios termos de uso do ML, que estabelecem:

Não é permitido anunciar e/ou solicitar produtos que não são homologados, aprovados ou registrados pelos órgãos nacionais correspondentes, por exemplo: ANVISAANATELINMETROMAPA ou ANS

É um caso clássico em que a prática passa longe do discurso.

OLX

Indo mais além, constatei que o mesmo ocorre com outra grande plataforma de comércio eletrônico, a OLX. Lá, eu encontrei várias indícios do mesmo desrespeito à Lei: aguardentes sendo comercializadas ilegalmente.

Após a publicação desta matéria, a OLX se manifestou sobre o assunto, confira no final do texto.

Reprodução de tela do site OLX, consultado em 16/06/2019

A OLX, formalmente, também proíbe a comercialização desses produtos, mas não foi isso que encontrei. Nos seus termos de uso, ela determina que, ao cadastrar um anúncio, o usuário deve verificar a listagem de produtos proibidos na OLX. Transcrevo a parte que toca a bebidas alcoólicas:

[…] É proibida a venda de produtos sem a homologação, aprovação e registro de órgãos governamentais como, por exemplo, ANVISA, INMETRO, MAPA, ANATEL […] Proibida, também, a venda de bebidas alcoólicas artesanais, massas alimentícias e fermentos em geral.

Toda cachaça comercializada no país deve (ou deveria) ser registrada junto ao MAPA. Os produtos ofertados nessas plataformas, aparentemente, não apresentam nenhum tipo de controle sanitário, o que denota um problema de saúde pública. O fato é que não há a menor garantia de que as aguardentes colocadas à venda no OLX e ML seguem padrões mínimos de qualidade química ou sanitária. Trata-se de bebidas potencialmente nocivas à saúde humana.

 

Comercialização ilegal

 

Reprodução de tela do site Mercado Livre, consultado em 16/06/2019

Eu me passei por comprador interessado em revender a granel e enviei mensagem para vários anunciantes dessas tais bebidas, perguntando se os produtos eram registrados no MAPA. As respostas que recebi, além de lacônicos NÃO, eram que se tratava de produto “artesanal” e que não precisava de registro (mentira !). Um deles me informou que não tinha registro, mas que havia um “acompanhamento sanitário” da produção, seja lá o que isso signifique.

A verdade é que todos sabem que estão incorrendo em ilegalidade e se aproveitam da leniência desses meios de comercialização para burlar a lei e enganar o consumidor. Some-se a isso a inoperância do poder público em fazer uma fiscalização mais séria e efetiva.

Denunciei ao próprio ML e à OLX essas práticas de comercialização ilegal, mas não obtive nenhuma resposta (já era esperado). A surpresa foi que, quando tentei fazer novas perguntas aos tais anunciantes, percebi  que havia sido bloqueado. O ML me retornou dizendo: Você não pode mais fazer perguntas a esse anunciante, tente com outro. Felizmente as evidências ficaram arquivadas no meu e-mail.

 

A regra é clara

Eu embaso tudo aqui relatado com o que estabelece o Decreto 6871 de 2009, que regulamenta a Lei no 8.918, de 14 de julho de 1994, que dispõe sobre a padronização, a classificação, o registro, a inspeção, a produção e a fiscalização de bebidas. Determina o Cap. XVIII da referida Lei (grifo meu):

DAS PROIBIÇÕES E INFRAÇÕES

Art. 99.  É proibida e constitui infração a prática isolada ou cumulativa do disposto abaixo:

III – produzir ou fabricar, acondicionar, padronizar, envasilhar ou engarrafar e comercializar bebida e demais produtos nacionais abrangidos por este Regulamento sem o prévio registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento;

IV – transportar, armazenar, expor à venda ou comercializar bebida desprovida de comprovação de procedência, por meio de documento fiscal, bem como sem registro junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento […].

 

As plataformas sabem que agem ilegalmente

Posteriormente à decisão de escrever esta postagem, descobri que o problema já é de conhecimento formal do ML, conforme nos esclarece os colegas do site Devotos da Cachaça. Segundo o site, em matéria de maio deste ano, desde 2018 que os responsáveis pela plataforma foram alertados e até agora não foram tomadas medidas efetivas. Leia a reportagem clicando aqui.

É importante salientar que OLX e ML também são utilizados para o comércio de várias marcas legais, que atuam com seriedade e acatam a Lei. Produzem dentro das especificações definidas nas normas pertinentes ao setor da cachaça.

O que não é razoável é que, num mesmo ambiente, concorram pelo consumidor as empresas formais, que pagam impostos e se adequam às exigências legais, e produtores clandestinos, sonegadores de tributos e que fornecem um produto sem nenhum controle sanitário nem o mínimo de respeito com o consumidor final. Dizer que isso é concorrência desleal é querer fazer piada sobre um assunto tão sério.

 

A cachaça merece respeito

Num mercado, literalmente, inundado pela informalidade e clandestinidade, caso os indícios sejam comprovados, a OLX e o ML prestam um verdadeiro desserviço à cachaça de qualidade, produzida dentro da lei. Ao dar abrigo à comercialização de produtos ilegais (o que parece ser o caso), reforçam e fomentam a sonegação, atentam contra a saúde pública, denigrem a imagem do nosso destilado nacional e zombam de todos os que produzem e trabalham legalmente na cadeia produtiva da cachaça, de forma regular, gerando emprego e renda.

Por se tratar de indícios de crime federal, este este editor enviará denúncia à Polícia Federal e ao Ministério Público, juntamente com esta matéria e outras evidências das possíveis ilicitudes encontradas. Vamos solicitar as medidas cabíveis. É uma luta difícil e às vezes inglória, mas a cachaça merece o devido respeito: por quem produz, por quem comercializa e por quem fiscaliza.

CONFIRA O POSICIONAMENTO DA OLX

 

Coluna Confraria do Copo: Premiações da Paraíba na Expocachaça 2019

Na coluna de hoje a gente falou sobre a participação e premiação das cachaças paraibanas na Expocachaça

 

Como eu falei algumas colunas atrás, aconteceu neste final de semana, do dia 06 à 09 de junho, o maior evento de cachaça em nível nacional, foi a 29° EXPOCACHAÇA,  em Belo Horizonte MG. Além da exposição e degustação dos produtos, houve também um concurso com as cachaças participantes, foram mais de 200.

A Paraíba foi representada pela APCA  (Associação dos Produtores de Cachaça de Areia), e teve as suas cachaças submetidas à avaliação dos jurados.

 

Como funciona

A organização do evento passa em cada stand coletando uma amostra de cada marca interessada em participar .

As cachaças são avaliadas por  22 jurados e eles fazem a degustação às cegas dessas cachaças, ou seja, eles não sabem qual a marca estão degustando e assim atribuem uma nota para cada uma. São 9 categorias (branca pura, descansada, carvalho francês, carvalho americano, madeiras brasileiras, blends de madeiras, outros destilados produzidos no Brasil, etc.)  Para cada categoria é dada a premiação de ouro, prata ou bronze.

Para a premiação ouro é necessário obter mais de 90 pontos, Prata de 80 a 89 e Bronze de 70 a 79.

Matuta é ouro

Imagem relacionada

A Cachaçaria Matuta trouxe ouro este ano

No ano Passado a cachaça Matuta Cristal ganhou medalha de prata, na categoria Branca Pura e este ano, voltou a vencer, dessa vez com medalha de Ouro, só que na categoria Madeiras Brasileiras –foram 5 cachaças que obtiveram pontuação para Ouro. Mas….. essa cachaça ainda não está no mercado.

Fizeram uma produção limitada com a embalagem e rótulo para o concurso, mas só será lançada oficialmente na segunda quinzena de junho deste ano, na Cidade de  Areia. Essa é uma prática comum entre os produtores: testar sua cachaça nos concursos e depois fazer o lançamento, reforçando a qualidade e a premiação, então, é uma cachaça que já vai nascer premiada e eu não estou autorizado a dar maiores detalhes. Por uma questão mercadológica e de marketing a empresa me pediu que eu não fizesse nenhuma divulgação além do que eu estou falando aqui. De qualquer modo, os “matuteiros” de plantão têm muito o que comemorar, e todos os paraibanos também.

Ipueira Carvalho: medalha de prata com brilho de ouro

Ipueira: A melhor em sua categoria

Seguindo com os premiados, na categoria Carvalho Francês, a Cachaça Ipueira também de Areia, ganhou a medalha de Prata –foram 9 cachaças que obtiveram pontuação para a prata e a Ipueira foi a melhor colocada dentre todas as concorrentes. Não houve premiação com medalha de ouro para essa categoria.

Esta é a primeira edição da Cachaça Ipueira em carvalho francês, é uma edição limitada, armazenada por 5 anos. Ela vem numa bela garrafa quadrada e com um rótulo também muito bonito. Uma ótima opção para presente e claro, pra se deliciar. Pena que a gente só encontra no comércio de Areia ou na lojinha do engenho Ipueira.

Um excelente produto que demonstra e bem representa o refinamento da produção cachaceira da Paraíba.

Lançada cachaça em homenagem aos 100 anos de Jackson do Pandeiro

Na esteira das homenagens aos 100 anos de Jackson do Pandeiro, a Cachaça Matuta presta a sua reverência ao Rei do Ritmo, dessa vez em forma de uma bela latinha de cachaça.

Mantendo a tradição, que vem desde 2017, de lançar latinhas temáticas na época do São João, a Matuta este ano traz Jackson no seu rótulo da Matutinha de 270 ml.

O trabalho artístico teve layout de Arthur Póvoas e desenho de Sócrates Gonçalves. A edição é limitada e foi lançada oficialmente nesta sexta-feira ( 7 ), pelo “Instagram”.  Confira a ação de lançamento aqui.

Segundo François Pietro, Analista de Logística e Negócios Internacionais da empresa, a Matuta inova todos os anos, tanto na busca da qualidade de seus produtos, como na apresentação. Foi nesse sentido que lançou, em 2016, a primeira cachaça de alambique em lata, a “Matutinha 270”, e no ano seguinte vieram as cachaças com latas temáticas: 2017, homenagem ao São João (eleita uma das latas mais bonitas do Brasil no Premio Alterosa da Lata Brasileira);  2018, Copa do Mundo e agora trouxeram o Mestre Jackson.

Uma outra novidade nessa versão 2019 é a possibilidade de se ter a experiência de realidade aumentada. A tecnologia permite que seja dado som e movimento ao desenho na tela do celular, após ser baixado o aplicativo da Matuta no “play store” e apontada a câmera para o “QR-Code” da lata. É a cachaça e a tecnologia caminhando de mãos dadas.

O engenho produz a cachaça  cristal (armazenada por um ano em inox) e a umburana (descansada na madeira). A Matuta em lata é envasada na versão inox, que não descansa em madeira. Ótima opção para colecionadores e, claro, para uma boa caipirinha, explorando o que há de melhor na cachaça de alambique: o poder sensorial da bebida!

 

Argentina reconhece a cachaça como produto genuinamente brasileiro

bolsonaro tereza cristina argentina.jpg

Comitiva liderada por Bolsonaro é recebida pelo governo argentino na Casa Rosada – AR

 

A Argentina reconheceu a identidade geográfica da cachaça como produto genuinamente brasileiro, anunciou a ministra Tereza Cristina (Agricultura, Pecuária e Abastecimento), nesta quinta-feira (6), em Buenos Aires, onde acompanha a visita do presidente Jair Bolsonaro ao governo argentino.

“O reconhecimento da cachaça brasileira era um pleito antigo. É pequeno, é simbólico, mas mostra a boa vontade, a parceria que Brasil e Argentina têm agora para vários temas de interesse comum”, disse a ministra, citando também questões como a aduana integrada e a integração dos certificados sanitários que estão sendo avaliadas por ambas as partes.

De acordo com Tereza, o reconhecimento da cachaça brasileiro era um dos 19 assuntos que estavam na pauta de negociações entre os dois países. Desses, acrescentou, o Brasil já cedeu em nove e a Argentina, em quatro.

“Eles nos prometeram que nos próximos três ou quatro meses resolvem os outros problemas, como a exportação de tripa, de farinhas e de comida de PET. Enfim, o Brasil começa agora uma nova era de integração com a Argentina”, disse a ministra, em transmissão ao vivo pelas redes sociais ao lado de Bolsonaro e dos ministros Paulo Guedes (Economia) e Bento Albuquerque (Minas e Energia).

Reunião Ampliada

Na Casa Rosada, sede do governo argentino, Tereza Cristina participou de reunião ampliada entre as equipes dos dois presidentes. A ministra também teve reunião com o secretário da Agroindústria da Argentina, Luis Etchevehere.

Ao deixar a Casa Rosada, o presidente Bolsonaro informou que vinhos e produtos lácteos também estão na mesa de negociação.

Brasil e Argentina se preparam para assinar em breve o acordo de comércio Mercosul- União Europeia. Conforme Paulo Guedes, isso deverá ocorrer em Bruxelas, daqui a cerca de quatro semanas.

Tereza Cristina deverá ir à Bélgica para participar das negociações que envolvem produtos agrícolas e industrializados, além de serviços.

Além de Tereza Cristina, de Paulo Guedes e de Bento Albuquerque, integram a comitiva os ministros Ernesto Araújo (Relações Exteriores), Fernando Azevedo e Silva (Defesa), Marcos Pontes (Ciência) e Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional).

A comitiva embarca de volta para o Brasil na manhã da sexta-feira (7).

 

*Do Mapa, com informações do Palácio do Planalto