Acordo  UE–Mercosul  deverá abrir as portas da Europa à cachaça brasileira

Acordo foi firmado ontem (28) e deverá facilitar a entrada da cachaça em território europeu

O acordo bilateral assinado entre a União Europeia e o Mercosul traz em seu bojo a abertura dos países europeus que compõem o bloco para a cachaça brasileira. O resumo do acordo, emitido ontem pela governo brasileiro, destaca:

Em propriedade intelectual, destacam-se os compromissos logrados em indicações geográficas que beneficiam produtores e consumidores da UE e do MERCOSUL. As indicações geográficas de produtos agrícolas brasileiros, como as de cachaça, vinho e café, serão reconhecidas e protegidas no território europeu

Será que, finalmente, a cachaça ganhará o mundo?

Um grande mercado aberto à cachaça

Pelo tratado, as tarifas impostas à exportação de bebidas alcoólicas  dos países do Mercosul serão reduzidas, através de um regime de quotas. Isso beneficiará diretamente, por exemplo, os vinhos argentinos e a nossa cachaça. A avaliação do Instituto Brasileiro da Cachaça (IBRAC) é de que o reconhecimento e proteção da Indicação Geográfica da Cachaça pelo bloco europeu, que é um dos maiores mercados de exportação do destilado brasileiro, resultará no aumento das vendas externas para a Europa.

Em comunicado oficial, o diretor executivo da IBRAC, Carlos Lima, aponta que a exportação da cachaça para a União Européia fica bem abaixo do potencial, se considerado o montante que o bloco importa de outras bebidas que também são provenientes da cana, a exemplo do rum. Em 2018 a UE importou US$ 1,22 bilhão em bebidas produzidas a partir da cana-de-açúcar. No mesmo ano a exportação de cachaça para o bloco foi de apenas US$ 7,84 milhões.

Outro ponto importante a ser destacado, segundo Carlos Lima, foi a posição do governo brasileiro em relação ao tema da proteção de Indicações Geográficas. Isso  permitirá um avanço nas negociações para que outros países também reconheçam a bebida como tipicamente brasileira. A cachaça é a primeira Indicação Geográfica do Brasil, protegida através do Decreto 4.062/2001. Até o momento, os países que reconhecem a cachaça e a  protegem são: Estados Unidos, México, Colômbia e, mais recentemente,  Argentina.

Ainda, segundo Lima, o acordo vai assegurar que apenas os produtores brasileiros possam fazer uso da denominação Cachaça na União Europeia, o maior mercado consumidor de destilados do mundo.

É importante frisar que o acordo, como um todo, ainda passará pelo crivo do Congresso brasileiro.

O outro lado

Em entrevista ao portal UOL, o ex  Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, avalia que o acordo veio em momento ruim, pois os  dois principais negociadores do grupo – Brasil e Argentina – estão fragilizados política e economicamente. Ele atribui a isso a pressa europeia em fechar o pacto. Ainda, segundo Amorim, é muito provável que alguns itens tragam flagrante desvantagem ao Brasil. O documento final ainda não foi divulgado, há que esperar para ter acesso ao texto formatado pelas partes, para embasarmos melhor nossas opiniões.

Pelo princípio da bilateralidade no acordo, todos os incentivos e benesses para as exportações brasileiras também  terão que ser concedidas às exportações do Bloco Europeu para o Brasil. Assim, para o caso das bebidas alcoólicas, teremos  um mercado com  grandes marcas internacionais entrando no Brasil (vinhos, destilados, cervejas, etc). Como as tarifas serão zeradas ou reduzidas, haverá uma briga forte pelo consumidor brasileiro, o que levará a uma concorrência direta com a cachaça e demais bebidas alcoólicas fabricadas aqui.

Outro ponto a ser salientado é a possível necessidade de maior esforço de adequação dos produtores a eventuais exigências químico-sanitárias dos países europeus, que pode ser imposta à cachaça. Isso levaria a alterações nas especificações do MAPA para a bebida. Cito como exemplo o controle maior do carbanato de etila e dos metais pesados, cujos índices já foram questionados por importadores alemães.

 

Mercado informal

Consultado por este blog, o analista técnico em comércio exterior Marcus Baronni pontuou que é muito provável que uma das contrapartidas que os destiladores europeus deverão impor ao Mercosul será uma maior fiscalização e controle sobre o mercado informal, particularmente das cachaças no Brasil. A informalidade no Brasil hoje gira em torno de 40% e seu combate sempre foi uma luta histórica e inglória dos produtores brasileiros.

Segundo Baronni, os europeus conhecem o mercado brasileiro de destilados e, logicamente, querem aumentar sua base de potenciais consumidores. A extinção da informalidade, ou seu maior controle, beneficiaria diretamente toda a cadeia produtiva da cachaça e, indiretamente, abriria maior mercado aos produtos importados.

 

Só nos resta esperar para ver e entender sobre mais esse capítulo da história de nossa amada CACHAÇA.

OLX e Mercado Livre ignoram legislação e permitem venda de “cachaça” clandestina

As duas plataformas apresentam fortes indícios de que se tornaram um campo fértil à clandestinidade e sonegação de impostos

Reprodução de tela do site Mercado Livre, consultado em 16/06/2019

Procurando repor a minha coleção de cachaças – constantemente sabotada por este que vos escreve -, fui fazer uma pesquisa no Mercado Livre (ML), para adquirir algumas garrafas da minha bebida preferida. Após alguns minutos de busca, comecei a perceber algo estranho: “cachaças” ditas “artesanais” sendo oferecidas a granel em garrafas plásticas de refrigerante ou em botijões de 5 e 20 litros .

– Pode isso?

– Não!!!!!

Teriam que ter a sua comercialização vedada. A legislação vigente proíbe a venda de cachaça para o consumidor final em embalagem contendo mais de 1 litro de bebida. Pior, percebi sinais de que a lei estava sendo transgredida de vários modos por um sem-número de pessoas.

No Mercado Livre, vale tudo?

Com surpresa e tristeza, eu concluí que o ML, supostamente, funciona como ambiente propício para o comércio de aguardentes clandestinas. Aparenta ser um verdadeiro território sem lei, dando a impressão de que vale tudo.

Apesar de ser uma exigência legal, vários são os anunciantes que ofertam aguardentes e que, claramente, não possuem registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Esta é uma situação totalmente inadequada. A venda teria que ser barrada desde o seu nascedouro.

A comercialização desses produtos representa flagrante crime de natureza sanitária, contra a saúde pública, além de possíveis irregularidades por fraude e sonegação fiscal.

Pesquisando mais a fundo, concluí que a prática, além de ser proibida pela legislação brasileira, é vedada pelos próprios termos de uso do ML, que estabelecem:

Não é permitido anunciar e/ou solicitar produtos que não são homologados, aprovados ou registrados pelos órgãos nacionais correspondentes, por exemplo: ANVISAANATELINMETROMAPA ou ANS

É um caso clássico em que a prática passa longe do discurso.

OLX

Indo mais além, constatei que o mesmo ocorre com outra grande plataforma de comércio eletrônico, a OLX. Lá, eu encontrei várias indícios do mesmo desrespeito à Lei: aguardentes sendo comercializadas ilegalmente.

Após a publicação desta matéria, a OLX se manifestou sobre o assunto, confira no final do texto.

Reprodução de tela do site OLX, consultado em 16/06/2019

A OLX, formalmente, também proíbe a comercialização desses produtos, mas não foi isso que encontrei. Nos seus termos de uso, ela determina que, ao cadastrar um anúncio, o usuário deve verificar a listagem de produtos proibidos na OLX. Transcrevo a parte que toca a bebidas alcoólicas:

[…] É proibida a venda de produtos sem a homologação, aprovação e registro de órgãos governamentais como, por exemplo, ANVISA, INMETRO, MAPA, ANATEL […] Proibida, também, a venda de bebidas alcoólicas artesanais, massas alimentícias e fermentos em geral.

Toda cachaça comercializada no país deve (ou deveria) ser registrada junto ao MAPA. Os produtos ofertados nessas plataformas, aparentemente, não apresentam nenhum tipo de controle sanitário, o que denota um problema de saúde pública. O fato é que não há a menor garantia de que as aguardentes colocadas à venda no OLX e ML seguem padrões mínimos de qualidade química ou sanitária. Trata-se de bebidas potencialmente nocivas à saúde humana.

 

Comercialização ilegal

 

Reprodução de tela do site Mercado Livre, consultado em 16/06/2019

Eu me passei por comprador interessado em revender a granel e enviei mensagem para vários anunciantes dessas tais bebidas, perguntando se os produtos eram registrados no MAPA. As respostas que recebi, além de lacônicos NÃO, eram que se tratava de produto “artesanal” e que não precisava de registro (mentira !). Um deles me informou que não tinha registro, mas que havia um “acompanhamento sanitário” da produção, seja lá o que isso signifique.

A verdade é que todos sabem que estão incorrendo em ilegalidade e se aproveitam da leniência desses meios de comercialização para burlar a lei e enganar o consumidor. Some-se a isso a inoperância do poder público em fazer uma fiscalização mais séria e efetiva.

Denunciei ao próprio ML e à OLX essas práticas de comercialização ilegal, mas não obtive nenhuma resposta (já era esperado). A surpresa foi que, quando tentei fazer novas perguntas aos tais anunciantes, percebi  que havia sido bloqueado. O ML me retornou dizendo: Você não pode mais fazer perguntas a esse anunciante, tente com outro. Felizmente as evidências ficaram arquivadas no meu e-mail.

 

A regra é clara

Eu embaso tudo aqui relatado com o que estabelece o Decreto 6871 de 2009, que regulamenta a Lei no 8.918, de 14 de julho de 1994, que dispõe sobre a padronização, a classificação, o registro, a inspeção, a produção e a fiscalização de bebidas. Determina o Cap. XVIII da referida Lei (grifo meu):

DAS PROIBIÇÕES E INFRAÇÕES

Art. 99.  É proibida e constitui infração a prática isolada ou cumulativa do disposto abaixo:

III – produzir ou fabricar, acondicionar, padronizar, envasilhar ou engarrafar e comercializar bebida e demais produtos nacionais abrangidos por este Regulamento sem o prévio registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento;

IV – transportar, armazenar, expor à venda ou comercializar bebida desprovida de comprovação de procedência, por meio de documento fiscal, bem como sem registro junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento […].

 

As plataformas sabem que agem ilegalmente

Posteriormente à decisão de escrever esta postagem, descobri que o problema já é de conhecimento formal do ML, conforme nos esclarece os colegas do site Devotos da Cachaça. Segundo o site, em matéria de maio deste ano, desde 2018 que os responsáveis pela plataforma foram alertados e até agora não foram tomadas medidas efetivas. Leia a reportagem clicando aqui.

É importante salientar que OLX e ML também são utilizados para o comércio de várias marcas legais, que atuam com seriedade e acatam a Lei. Produzem dentro das especificações definidas nas normas pertinentes ao setor da cachaça.

O que não é razoável é que, num mesmo ambiente, concorram pelo consumidor as empresas formais, que pagam impostos e se adequam às exigências legais, e produtores clandestinos, sonegadores de tributos e que fornecem um produto sem nenhum controle sanitário nem o mínimo de respeito com o consumidor final. Dizer que isso é concorrência desleal é querer fazer piada sobre um assunto tão sério.

 

A cachaça merece respeito

Num mercado, literalmente, inundado pela informalidade e clandestinidade, caso os indícios sejam comprovados, a OLX e o ML prestam um verdadeiro desserviço à cachaça de qualidade, produzida dentro da lei. Ao dar abrigo à comercialização de produtos ilegais (o que parece ser o caso), reforçam e fomentam a sonegação, atentam contra a saúde pública, denigrem a imagem do nosso destilado nacional e zombam de todos os que produzem e trabalham legalmente na cadeia produtiva da cachaça, de forma regular, gerando emprego e renda.

Por se tratar de indícios de crime federal, este este editor enviará denúncia à Polícia Federal e ao Ministério Público, juntamente com esta matéria e outras evidências das possíveis ilicitudes encontradas. Vamos solicitar as medidas cabíveis. É uma luta difícil e às vezes inglória, mas a cachaça merece o devido respeito: por quem produz, por quem comercializa e por quem fiscaliza.

CONFIRA O POSICIONAMENTO DA OLX

 

Coluna Confraria do Copo: Premiações da Paraíba na Expocachaça 2019

Na coluna de hoje a gente falou sobre a participação e premiação das cachaças paraibanas na Expocachaça

 

Como eu falei algumas colunas atrás, aconteceu neste final de semana, do dia 06 à 09 de junho, o maior evento de cachaça em nível nacional, foi a 29° EXPOCACHAÇA,  em Belo Horizonte MG. Além da exposição e degustação dos produtos, houve também um concurso com as cachaças participantes, foram mais de 200.

A Paraíba foi representada pela APCA  (Associação dos Produtores de Cachaça de Areia), e teve as suas cachaças submetidas à avaliação dos jurados.

 

Como funciona

A organização do evento passa em cada stand coletando uma amostra de cada marca interessada em participar .

As cachaças são avaliadas por  22 jurados e eles fazem a degustação às cegas dessas cachaças, ou seja, eles não sabem qual a marca estão degustando e assim atribuem uma nota para cada uma. São 9 categorias (branca pura, descansada, carvalho francês, carvalho americano, madeiras brasileiras, blends de madeiras, outros destilados produzidos no Brasil, etc.)  Para cada categoria é dada a premiação de ouro, prata ou bronze.

Para a premiação ouro é necessário obter mais de 90 pontos, Prata de 80 a 89 e Bronze de 70 a 79.

Matuta é ouro

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A Cachaçaria Matuta trouxe ouro este ano

No ano Passado a cachaça Matuta Cristal ganhou medalha de prata, na categoria Branca Pura e este ano, voltou a vencer, dessa vez com medalha de Ouro, só que na categoria Madeiras Brasileiras –foram 5 cachaças que obtiveram pontuação para Ouro. Mas….. essa cachaça ainda não está no mercado.

Fizeram uma produção limitada com a embalagem e rótulo para o concurso, mas só será lançada oficialmente na segunda quinzena de junho deste ano, na Cidade de  Areia. Essa é uma prática comum entre os produtores: testar sua cachaça nos concursos e depois fazer o lançamento, reforçando a qualidade e a premiação, então, é uma cachaça que já vai nascer premiada e eu não estou autorizado a dar maiores detalhes. Por uma questão mercadológica e de marketing a empresa me pediu que eu não fizesse nenhuma divulgação além do que eu estou falando aqui. De qualquer modo, os “matuteiros” de plantão têm muito o que comemorar, e todos os paraibanos também.

Ipueira Carvalho: medalha de prata com brilho de ouro

Ipueira: A melhor em sua categoria

Seguindo com os premiados, na categoria Carvalho Francês, a Cachaça Ipueira também de Areia, ganhou a medalha de Prata –foram 9 cachaças que obtiveram pontuação para a prata e a Ipueira foi a melhor colocada dentre todas as concorrentes. Não houve premiação com medalha de ouro para essa categoria.

Esta é a primeira edição da Cachaça Ipueira em carvalho francês, é uma edição limitada, armazenada por 5 anos. Ela vem numa bela garrafa quadrada e com um rótulo também muito bonito. Uma ótima opção para presente e claro, pra se deliciar. Pena que a gente só encontra no comércio de Areia ou na lojinha do engenho Ipueira.

Um excelente produto que demonstra e bem representa o refinamento da produção cachaceira da Paraíba.

Lançada cachaça em homenagem aos 100 anos de Jackson do Pandeiro

Na esteira das homenagens aos 100 anos de Jackson do Pandeiro, a Cachaça Matuta presta a sua reverência ao Rei do Ritmo, dessa vez em forma de uma bela latinha de cachaça.

Mantendo a tradição, que vem desde 2017, de lançar latinhas temáticas na época do São João, a Matuta este ano traz Jackson no seu rótulo da Matutinha de 270 ml.

O trabalho artístico teve layout de Arthur Póvoas e desenho de Sócrates Gonçalves. A edição é limitada e foi lançada oficialmente nesta sexta-feira ( 7 ), pelo “Instagram”.  Confira a ação de lançamento aqui.

Segundo François Pietro, Analista de Logística e Negócios Internacionais da empresa, a Matuta inova todos os anos, tanto na busca da qualidade de seus produtos, como na apresentação. Foi nesse sentido que lançou, em 2016, a primeira cachaça de alambique em lata, a “Matutinha 270”, e no ano seguinte vieram as cachaças com latas temáticas: 2017, homenagem ao São João (eleita uma das latas mais bonitas do Brasil no Premio Alterosa da Lata Brasileira);  2018, Copa do Mundo e agora trouxeram o Mestre Jackson.

Uma outra novidade nessa versão 2019 é a possibilidade de se ter a experiência de realidade aumentada. A tecnologia permite que seja dado som e movimento ao desenho na tela do celular, após ser baixado o aplicativo da Matuta no “play store” e apontada a câmera para o “QR-Code” da lata. É a cachaça e a tecnologia caminhando de mãos dadas.

O engenho produz a cachaça  cristal (armazenada por um ano em inox) e a umburana (descansada na madeira). A Matuta em lata é envasada na versão inox, que não descansa em madeira. Ótima opção para colecionadores e, claro, para uma boa caipirinha, explorando o que há de melhor na cachaça de alambique: o poder sensorial da bebida!

 

Argentina reconhece a cachaça como produto genuinamente brasileiro

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Comitiva liderada por Bolsonaro é recebida pelo governo argentino na Casa Rosada – AR

 

A Argentina reconheceu a identidade geográfica da cachaça como produto genuinamente brasileiro, anunciou a ministra Tereza Cristina (Agricultura, Pecuária e Abastecimento), nesta quinta-feira (6), em Buenos Aires, onde acompanha a visita do presidente Jair Bolsonaro ao governo argentino.

“O reconhecimento da cachaça brasileira era um pleito antigo. É pequeno, é simbólico, mas mostra a boa vontade, a parceria que Brasil e Argentina têm agora para vários temas de interesse comum”, disse a ministra, citando também questões como a aduana integrada e a integração dos certificados sanitários que estão sendo avaliadas por ambas as partes.

De acordo com Tereza, o reconhecimento da cachaça brasileiro era um dos 19 assuntos que estavam na pauta de negociações entre os dois países. Desses, acrescentou, o Brasil já cedeu em nove e a Argentina, em quatro.

“Eles nos prometeram que nos próximos três ou quatro meses resolvem os outros problemas, como a exportação de tripa, de farinhas e de comida de PET. Enfim, o Brasil começa agora uma nova era de integração com a Argentina”, disse a ministra, em transmissão ao vivo pelas redes sociais ao lado de Bolsonaro e dos ministros Paulo Guedes (Economia) e Bento Albuquerque (Minas e Energia).

Reunião Ampliada

Na Casa Rosada, sede do governo argentino, Tereza Cristina participou de reunião ampliada entre as equipes dos dois presidentes. A ministra também teve reunião com o secretário da Agroindústria da Argentina, Luis Etchevehere.

Ao deixar a Casa Rosada, o presidente Bolsonaro informou que vinhos e produtos lácteos também estão na mesa de negociação.

Brasil e Argentina se preparam para assinar em breve o acordo de comércio Mercosul- União Europeia. Conforme Paulo Guedes, isso deverá ocorrer em Bruxelas, daqui a cerca de quatro semanas.

Tereza Cristina deverá ir à Bélgica para participar das negociações que envolvem produtos agrícolas e industrializados, além de serviços.

Além de Tereza Cristina, de Paulo Guedes e de Bento Albuquerque, integram a comitiva os ministros Ernesto Araújo (Relações Exteriores), Fernando Azevedo e Silva (Defesa), Marcos Pontes (Ciência) e Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional).

A comitiva embarca de volta para o Brasil na manhã da sexta-feira (7).

 

*Do Mapa, com informações do Palácio do Planalto

 

Regularização de alambiques de cachaça: Comitê Técnico vai elaborar cartilha sobre regularização de alambiques

Cartilha sobre regularização de alambiques será aplicada  a todos os produtores de cachaça do Brasil, visando atender à legislação vigente.

Na última edição do Jornal Informativo da AMPAQ (n° 59 de 2019), foi divulgada a reunião realizada no início de abril deste ano, no Sebrae MG, com a participação de representantes da Anpaq (Associação Nacional de Produtores de Cachaça de Qualidade). Nesta reunião foi criado um Comitê Técnico para elaboração de uma cartilha para a cachaça, visando regularizar produtos e processos produtivos.

A cartilha trará informações sobre rotulagem, regularização de alambiques e todas as exigências legais para produção e comercialização.

 

O grupo terá a participação de representantes do Sebrae, Ministério da Agricultura, Sindbebidas, ANPAQ e SENAI, em parceria com Faemg (Federação dos Agricultores de Minas Gerais), Corpo de Bombeiros e Ibrac (Instituto Brasileiro da Cachaça).

A Cartilha, com aplicabilidade nacional, abordará temas como rotulagem, responsável técnico, registro, embalagem, licenciamento ambiental, manual de boas práticas, entre outros assuntos de interesse da cadeia produtiva da cachaça. Seu objetivo é apresentar aos produtores um manual de procedimentos operacionais com vistas à rotulagem da bebida. Os membros do Comitê estudam a possibilidade da realização de um seminário, ainda este ano, em Belo Horizonte, para o lançamento da cartilha.

Essa notícia é de grande importância para toda a cadeia produtiva da cachaça, principalmente aqui na Paraíba, onde o negócio da cachaça é um forte motor tanto da economia como de eventos turísticos e culturais. Com esse documento orientativo, muitos produtores, que ainda trabalham na clandestinidade, terão subsídios para formalizar seu produto e sua produção.

Acompanhe nosso blog, pois traremos sempre notícias relevantes sobre o mundo da cachaça.

Aguardente clandestina: um problema de economia e saúde pública

Bebidas clandestinas inundam o mercado, impactam na economia e denigrem o nome da cachaça de qualidade

O alquimista suíço do século XVI Paracelso disse que:

Se não respeitadas as proporções, todas as substâncias são venenos, não existe nada que não seja veneno. Somente a dose correta diferencia o veneno do remédio.

O que vemos hoje é que há muito veneno em potencial sendo vendido por aí sob o nome de “cachaça”. O problema é muito sério, pois vai além da “tradição” e das eventuais piadas de mau gosto estampadas em rótulos de bebidas questionáveis.  Embora seja uma missão espinhosa, alertar para esse fato, informar e denunciar é obrigação de todos que lidam com essa bebida e deveria ser, também, preocupação das autoridades constituídas, pois essa é, principalmente, uma questão de saúde pública.

 Alambique clandestino de fundo de quintal encontrado por fiscais do Ministério da Agricultura no interior de São Paulo em 2019.

A clandestinidade é um problema grave no setor de cachaças, certamente o maior deles. Tem fundo econômico, mas também cultural.  Até uns 25 anos atrás, era comum se ouvir dizer: “Cachaça de verdade quanto mais artesanal melhor”. Sem rótulo, enrolada na folha da bananeira, dentro na garrafa pet de refrigerante, tampa de rolha, com “bagacinhos” de cana boiando dentro. Era essa a cara da  tradicional cachaça de qualidade na época, sobretudo nas regiões interioranas do País.

Veneno oculto

Felizmente, e para  sorte da própria cachaça, esse cenário de informalidade mudou muito hoje, mas essa “cultura” ainda é presente no imaginário de muitos, principalmente das pessoas com menor acesso à informação. Nós, que estamos inseridos na cadeia produtiva da cachaça, como consumidores, produtores, comerciantes, blogueiros, etc., é que precisamos valorizar o que realmente tem valor. A informação é o diferencial.

A cachaça é produto de um manejo químico onde são encontrados elementos como etanol, metanol, ácidos, metais pesados, enfim, centenas de componentes. Muitos são desejáveis e não oferecem risco à saúde, até um certo limite, mas são prejudiciais ao organismo quando passam desse limite.

O cobre, por exemplo, presente nas famosas canas de cabeça, pode inviabilizar o funcionamento de rins e fígado, causando a cirrose hepática. Então, parafraseando Paracelso, tudo o que é demais é veneno, principalmente quando não sabemos a quantidade do “veneno” que estamos ingerindo.

Saiba o que você está bebendo

Da cana de açúcar, se extrai o açúcar e o metanol (álcool veicular); em excesso, um engorda e  causa diabetes, e o outro pode deixar sequelas como a  cegueira e até levar à morte. A cachaça tem os dois, mas se o produto tem registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), esses elementos são monitorados e controlados, ficando dentro dos limites considerados seguros para a saúde humana.

Isso não ocorre com a aguardente produzida e comercializada clandestinamente. É uma bebida que não paga imposto, não passa por inspeção, não tem garantia de procedência, além de concorrer de forma desleal com os produtores legalmente estabelecidos.

As famosas “canas de cabeça”, as “canas brejeiras” e as bebidas clandestinas metidas a engraçadinhas ocultam dentro de si verdadeiras bombas químicas. Essas aguardentes não passam por qualquer nível de fiscalização sanitária. O líquido dentro das garrafas, quimicamente falando, é um mistério que nem o  próprio fabricante conhece. É um risco enorme que não vale a pena correr.

 Sem fiscalização é comum a venda de aguardente clandestina, abertamente, em feiras livres Brasil afora (garrafa pet de 1,5 l, valor: R$ 5,00).

Se não tem rótulo nem registro no Mapa, não beba, não dê de presente (nem por brincadeira), não compre e nem permita que bebam.

Mais fiscalização

Existem estimativas sobre o nível de clandestinidade do setor de cachaças. Embora todos sejam absolutamente chutados, é certo que o volume passa da metade do que é legalmente comercializado. Em 2018, o Brasil produziu 1,2 bilhão de litros de cachaça legalmente. Decerto que outros 600 milhões de litros, no mínimo, foram vendidos de forma criminosa no mesmo período. Culpa de quem produz, culpa do governo que não fiscaliza, culpa de quem vende e, principalmente, culpa de quem consome.

Infelizmente, ainda é muito comum encontramos produtos vendidos sem o menor respeito às regras da legalidade e de respeito ao bom nome de uma bebida que é patrimônio nacional. Um trabalho de desvalorização que vai contra esforços descomunais de muita gente esforçada. Uma coleção dessas tristes imagens vai no fim da postagem.

Os produtores que trabalham de forma correta, em conformidade com as boas práticas de fabricação e aos princípios de respeito ao consumidor, clamam por maior fiscalização. Há que se fazer valer o poder de polícia das entidades responsáveis, pois só assim se criará uma concorrência salutar no mercado, a expansão dos negócios e, sobretudo, a geração de renda, emprego e dignidade a todos os que fazem parte do negócio da cachaça.

Lutemos pela valorização da cachaça e passemos a repudiar coisas e cenas como as que se seguem:

 

Mau gosto em série

 

Coisificação do corpo da mulher

 

É impressionante que tem gente capaz de comprar algo tão grotesco.

 

Senso de humor altamente questionável

 

A comunidade LGBT não merece algo tão bizarro.