Você sabe a diferença entre cachaça, pinga e aguardente?

Se a resposta for não, preste bastante atenção nos detalhes desta postagem.

Toda cachaça é uma aguardente, porém nem toda aguardente pode ser chamada de cachaça

 

Vamos aos esclarecimentos:

A cachaça

A definição da cachaça foi dada pelo Decreto Federal de no 4.851, de 2/10/2003, no artigo 92.

Cachaça é denominação típica e exclusiva da aguardente de cana produzida no Brasil, com graduação alcoólica de 38 a 48% em volume, a 20ºC, obtida pela destilação do mosto fermentado de cana-de-açúcar com características sensoriais peculiares, podendo ser adicionada de açúcares até seis gramas por litro, expressos em sacarose.

Assim sendo, a cachaça é o destilado fabricado no Brasil, derivado exclusivamente da cana-de-açúcar. Qualquer outro destilado não proveniente da cana ou produzido em outro país não pode levar esse nome. Um destilado de banana é uma aguardente de banana. Se adicionarmos ervas, frutas, especiarias ou outros ingredientes na cachaça não poderemos mais denominá-la como cachaça, mas sim como uma aguardente adoçada, composta ou bebida mista.

Uso inadequado do termo “cachaça”. Se não for de cana não pode ser cachaça

Aguardente é o nome genérico dado a qualquer bebida obtida a partir da fermentação e destilação de vegetais doces. O uísque é uma aguardente de cereais. A tequila é uma aguardente de agave, a tiquira é uma aguardente de mandioca, a cachaça é uma aguardente de cana. Conhaque, bagaceira e grapa, semelhantemente, são aguardentes de uva.

Aguardente de cana

No mesmo decreto que conceitua a cachaça, a aguardente de cana é definida no Brasil como

a bebida com graduação alcoólica de 38 a 54% em volume a vinte graus Celsius, obtida de destilado alcoólico simples de cana-de-açúcar ou pela destilação do mosto fermentado de cana-de-açúcar, podendo ser adicionada de açúcares até seis gramas por litro.

Então, conforme afirmamos acima: toda cachaça é uma aguardente, porém, nem toda aguardente pode ser chamada de cachaça.

Exemplos práticos

A Rainha, produzida na Paraíba e uma das mais famosas aguardentes do Brasil, não pode ser chamada de cachaça, pois apresenta teor alcoólico de 50%, o que é superior ao limite máximo definido pela lei, que é de 48%.

Do mesmo modo, a aguardente Pitú não pode ostentar cachaça em seu rótulo, devido aos 24% de açúcar dissolvidos em cada litro, quando a lei limita em 6% a quantidade máxima de açúcar. Por isso leva o nome de “aguardente de cana adoçada”.

Ocorre o mesmo com o rum (que também é feito da cana-de- açúcar). Ele não pode ser classificado como cachaça por dois motivos: o primeiro pelo fato de não ser fabricado no Brasil (para os importados) e o segundo é por ser obtido a partir do melaço (mel de engenho) e não do caldo fresco da cana de açúcar, como é o caso da cachaça.

 

A Pinga

Apesar de ninguém ter certeza da sua origem, circula pela internet uma “história” mentirosa. Diz essa lenda que a cachaça ganhou esse apelido dos escravos, que quando ferviam o caldo da cana-de-açúcar nos engenhos, o vapor condensava no teto e pingava sobre eles. Pura balela. O primeiro registro da palavra “pinga” foi em 1813, segundo Câmara Cascudo, era a destilação, depois da fervura e evaporação do caldo fermentado, que “pingava” na bica do alambique.

A pinga, nada mais é do que mais um nome vulgar da cachaça, assim como centenas que existem Brasil afora, tais como: cana, abrideira, danada, amarelinha, parati, dona branca, branquinha, mé, papuda, água-que-passarinho-não-bebe, birita, meropéia, caeba, do-santo, canjibrina, danada, limpa-goela, santa, branquinha, três-dedos, etc.

 

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