Euromonitor: cachaça lidera recuperação do consumo de destilados no Brasil

Projeções sobre o mercado da cachaça indicam que a categoria vai puxar a recuperação do setor de bebidas no Brasil nos próximos anos

Segundo os estudos relacionados ao mercado de destilados no Brasil, o setor de cachaças será o motor da recuperação do consumo de deslados no país . O segmento premium vai sustentar o crescimento da categoria. E as vendas em bares e restaurantes terão um ritmo de crescimento maior do que as de supermercados e empórios.

Essas foram as perspectivas mais importantes trazidas por Angélica Salado, gerente de pesquisa da Euromonitor, uma das mais conceituadas empresas de pesquisa de mercado do mundo, durante sua apresentação no Cachaça Brasil Show, (realizado no dia 15 de outubro na sede da Abrasel-SP – Associação Brasileira de Bares e Restaurantes-, em São Paulo). São informações extremamente importantes e, finalmente, alvissareiras para o segmento, em meio a uma maré de incertezas.

Mas, vamos por doses.

Mercado da cachaça acelera

A Euromonitor projeta um crescimento para o mercado de bebidas brasileiro maior do que a média global já a partir do balanço deste ano. Não é uma alta das mais pujantes, mas diante do fundo do poço que foi o recuo de quase 5% de 2016, é uma ótima notícia. O ritmo de alta deve chegar a 2% em 2020 e atingir 3% em 2022 ou 2023.

Além de ser um ritmo melhor do que o global, o crescimento é maior do que o projetado pela empresa para o PIB brasileiro, que é de modestos, porém firmes 2% ao ano até 2024.

Ou seja, temos um cenário de “contido otimismo”, como classificou Angélica, com muita propriedade.

    Fonte: Euromonitor International, Alcoholic Drinks 2019.

 

Os dados do consumo médio per capita de bebidas mostram claramente esse retrato de uma recuperação modesta, mas com certa consistência. A Eumonitor projeta que o volume atinja 86,7 litros em 2023. Ou seja, não volta aos 94,2 de 2013, mas se afasta dos cerca de 75 de 2017.

E a cachaça será a maior beneficiária desse aumento de consumo? Não. O vinho, que amargou as piores perdas, entre 2013 e 2018 será a categoria que mais crescerá no período.

Os destilados, de modo geral, no entanto, também terão ganhos. Já as bebidas mistas, que cresceram acima de 10% na crise, seguirão em alta, ainda que bem mais modestas, em passo semelhante ao dos destilados. É um mercado que produtores de cachaça têm tudo para explorar – muitos já exploram –, com produtos inovadores.

Entre os destilados, a empresa projeta que a cachaça será uma das categorias que mais vai colaborar para o crescimento das vendas, aumentando ligeiramente a sua fatia dentro do mercado ao longo dos próximos anos.

Mercado da cachaça – “on-trade”

Várias pesquisas observaram que, durante a crise, os consumidores passaram a frequentar menos os bares e restaurantes (on-trade). As vendas de cachaças em supermercados e semelhantes (off-trade) ganharam espaço na sustentação das vendas da categoria. O consumidor trocava o consumo na rua pelos tragos em casa mesmo, gastando menos, mas investindo em produtos da mesma qualidade ou até mais altos do que os que consumia nos bares. É a chamada tendência Jomo (Joy of Missing Out), de relaxamento desligado de redes sociais, que favoreceu também as cervejas artesanais, e veio para ficar.

Em 2019 as vendas para o canal dos supermercados ainda crescem em ritmo mais forte do que as dos bares, mas a partir do ano que vem isso já se inverte e um consumidor um pouco mais confiante vai sair mais para beber. Com o crescimento mais robusto, o on-trade será responsável por 61% da venda de bebidas alcoólicas até 2023.

No entanto, a consultoria adverte que o consumidor ainda está arisco. O nível de confiança deles tem se recuperado e evoluirá positivamente até 2023, mas está longe daquele observado antes da crise.

Já os empresários recuperaram a confiança de tempos pré-crise, mas é bom que acertem o passo com quem compra – ou deixa de comprar – seus produtos. “O consumidor se comporta como desempregado, mesmo que já não esteja mais”, frisou Salado.

Cachaça manterá sua fatia do mercado

A categoria gim vai seguir crescendo, mas não nos níveis absurdos de 2016-2017, quando saltou 100% enquanto o whisky perdia mercado e a cachaça estava estagnada. De toda forma, o crescimento do gim não afetará em nada a fatia de mercado da cachaça.

Fonte: Euromonitor International, Alcoholic Drinks 2019.

Já entre os segmentos da cachaça, será o premium aquele que terá o ritmo mais forte de crescimento de vendas, acelerando a cada ano para chegar próximo a 8% em 2023.

O segmento, aliás, foi o maior responsável por manter o valor de vendas da cachaça no azul no período 2015-2016, anos em que houve recuo no volume total vendido. Esse ano, o crescimento total do setor, em valor de vendas, deve fechar acima de 3%, mas, em volume, será inferior a 1%.

Isso significa que o consumidor está gastando mais por cada garrafa ou dose que compra. Mas, lembremos: estamos falando de uma categoria em que o grosso das vendas está concentrado nas grandes marcas industriais, de preço mais acessível. Tudo o que não esteja enquadrado nesse segmento, é premium.

Mostrar a cachaça

Angélica lembrou que o papel da indústria para que as coisas caminhem bem passa por garantir dois tipos de disponibilidade: a mental e a física. Em outros termos, é preciso trabalhar a presença da marca na mente dos consumidores, através de estratégias de comunicação e marketing (degustações, publicidade, promoções, assessoria de imprensa …). E, junto a isso, providenciar para que as garrafas da marca estejam nas prateleiras dos bares e supermercados.

A pesquisadora também recomendou repensar tamanhos de embalagens, diante dos “loner living”, (pessoas que moram sozinhas) e ter especial atenção às lojas de conveniência, que terão forte crescimento ao longo dos próximos anos, com consumidores pouco dispostos a despenderem grande esforço nas compras.

E, diante das condições de volatilidade que atingem o mercado brasileiro quase constantemente, a pesquisadora advertiu: “Uma indústria munida de informações e eficiente nas estratégias pode atenuar significativamente os efeitos da volatilidade”.

São dados preciosos para a indústria fazer o dever de casa, sobretudo levando-se em conta desafios no horizonte, como os novos entrantes, que tendem a agravar o quadro de capacidade ociosa do setor, e o possível barateamento de destilados importados, quando o acordo UE-Mercosul vier a ser implementado.

 

Fonte: devotosdacachaca.com.br

 

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