Congresso Brasileiro da Cachaça define os caminhos futuros do nosso destilado

Congresso Brasileiro da Cachaça lança Carta de Vitória, caminho para o futuro da cachaça

O Congresso Brasileiro da Cachaça, que se realizou nos dias 05 e 06 de setembro, em paralelo ao Salão de Negócios da Cachaça, foi, sem medo de exagero, um marco para o setor, apontando caminhos que foram cristalizados na ‘Carta de Vitória’, aprovada no encerramento do encontro.

O testemunho mais contundente do sucesso do Congresso foi prestado pela ex-presidente da Confraria de Cachaça Copo Furado, Cláudia Fernandes, durante a sessão de encerramento do evento.

“Tenho participado há mais de 20 anos de debates, simpósios e congressos que têm a cachaça como tema. Já ouvi muita gente falando sobre as questões da cachaça. Nenhum, no entanto. atingiu a profundidade desse, que não se limitou a questões culturais ou de produção, mas discutiu o futuro da cachaça também como negócio, com muito realismo”.

As palestras se estenderam por dois dias, com mais de 25 palestrantes das mais diferentes formações, atuações e abordagens se revezando no microfone e discutindo um amplo espectro de temas relativos ao setor – desde questões de produção, passando por distribuição, varejo, coquetelaria, comunicação, marketing, raízes históricas do preconceito, diferenciações de produtos etc…

Em breve, o conteúdo será publicado em versão resumida, para que todos os que não puderam comparecer tenham alguma ideia do que foi debatido. Mas a Carta de Vitória, documento elaborado com o sentido duplo de refletir os debates e apontar compromissos e nortes para o setor de cachaça nos próximos anos, espelha bem os indicativos encontrados nos debates.

A Carta Comentada

A Carta, aprovada por aclamação, é um verdadeiro mapa do caminho que precisa ser seguido, em iniciativas individuais e coletivas, para levar a Cachaça a vencer obstáculos e ocupar mais espaços no mercado de destilados.

A seguir, alguns trechos do texto, que foi co-redigido por desse editor, com comentários.

É mais do que hora de o setor de cachaça encarar os seus reais desafios, sem temores e sem versões triunfalistas e falaciosas.”

Esse trecho reflete a necessidade e a intenção manifestada pelos congressistas de o mercado se posicione com mais realismo.

A Cachaça tem um papel cultural e econômico destacado na sociedade brasileira. No entanto, o espaço que ela ocupa, seja no imaginário ou seja em números de mercado, não reflete essa importância.

Partir desse pressuposto, como a Carta de Vitória faz, é fundamental para que se trace um diagnóstico correto e se estabeleçam as medidas necessárias para um avanço.

Renato Fracino, Gilberto Freyre Neto, Bruno Videira, Dirley Fernandes e Jerônimo Villas Boas

A produção de cachaça atingiu níveis de excelência. Não deixamos nada a dever para qualquer dos outros destilados globais. No entanto, ainda precisamos transpor barreiras construídas por muitos séculos e dificuldades inerentes à nossa própria formação como sociedade.
Já avançamos muito na tarefa diuturna de combater o preconceito contra o nosso destilado nacional. Porém, o preconceito, em certos setores, ainda é uma realidade, como foi levantado por muitos neste Congresso.”

Ao longo dos debates, vários foram os testemunhos da rejeição – algumas vezes aberta, outras, velada – que ainda existe, em alguns setores da sociedade, inclusive a grande mídia, em relação à Cachaça.

Foi debatido como o preconceito se construiu historicamente, o que é fundamental para se descobrir como quebrá-lo. Apesar do inegável avanço, os congressistas concordaram que é necessário muito mais ações, dos mais variados formatos, para miná-lo até o ponto em que ele seja apenas residual. No entanto, a pior forma de abordagem seria negar a existência deste preconceito.

A Cachaça foi “oficializada” pelo Estado como bebida nacional muito recentemente. E o próprio termo “cachaça” ainda era rejeitado, até por alguns produtores, nos anos 1990. O trabalho conjunto para vencer os estigmas ligados à Cachaça é tarefa individual e coletiva, um combate a ser travado a cada dia.

Alexandre Santos, Cauré Portugal, José Otávio Carvalho Lopes, Maria das Graças Cardoso, Aline Bortoletto e Rogélio Brandão

“Informação, conhecimento e compreensão do que é o novo público da Cachaça são a base para a construção de um novo momento. Nesse sentido, é fundamental reconhecer o papel das mulheres na cadeia de produção e comercialização da Cachaça, bem como enquanto consumidoras.”

Esse trecho da carta reafirma conhecimento e informação como as ferramentas preferenciais para a ampliação do público da Cachaça. Quanto mais se divulgue a riqueza histórica da cachaça, as especificidades das regiões de produção, os detalhes da produção, a herança das famílias e o alto nível dos padrões de qualidade, mais rica e sedutora será a experiência do consumo da cachaça.

A referência às mulheres vêm da constatação inequívoca do aumento do interesse desse público pela cachaça, o que leva à necessidade de ajustes nas estratégias de comunicação de todos os produtores.

Outra mudança a ser levada em conta é a redução da faixa etária do consumo. Novamente, esse é um fator que demanda reajustes na comunicação dos produtos e até no planejamento de novos produtos.

É urgente trazer a cachaça para o século XXI. Não há mais espaço para amadorismo em nosso setor. É necessário que a tecnologia disponível seja utilizada para levar adiante a tradição de qualidade de 500 anos do mais antigo destilado das Américas.

O professor Leandro Marelli deu à sua palestra no Congresso o título “Cachaça – Tradição e Modernidade”.  A ideia foi mostrar que a tecnologia pode trabalhar a serviço das tradições de qualidade do nosso destilado. Para além da porteira, o mesmo serve: o setor precisa abraçar estratégias de comunicação e marketing no mesmo nível das utilizadas pelos outros grandes destilados globais, não apenas com foco no produto, como também no cliente.

A disponibilidade de recursos é um limitador, mas se custos fundamentais para o sucesso, como degustações e promoção na ponta do varejo, não estiverem dentro do planejamento da marca – e, em boa parte das vezes, não estão –, a competitividade fica muito reduzida.

Para a cachaça, isso é ainda mais dramático. Eventualmente, um produtor com baixo nível de profissionalismo contamina o mercado com práticas insustentáveis, que dificultam o trabalho daqueles que batalham pela evolução de suas marcas e do setor como um todo.

Nossa tarefa é entregar uma experiência ao consumidor. Isso engloba investir esforços e recursos também fora da porteira. A coquetelaria é uma via que se abre para a ampliação do público consumidor de cachaça. Um mundo de sabores e possibilidades!”

Além da reafirmação da importância do trabalho fora da porteira, esse trecho afirma a coquetelaria com cachaça como uma porta de entrada hoje fundamental para o mundo da cachaça, assim como é para todos os demais destilados globais. A coquetelaria brasileira cada vez se desenvolve e se especializa mais, em busca de uma identidade brasileira. A Cachaça tem tudo para se beneficiar desse processo e cabe ao setor investir esforços para intensificá-lo.

O Cachaça Experience, que aconteceu em paralelo ao Congresso Brasileiro da Cachaça comprovou que a organização do evento soube mensurar essa oportunidade que se abre.

(Os debates) foram ricos e indicam rumos para o avanço do setor. No entanto, é preciso muito mais diálogo, busca de consensos e atuação coletiva, envolvendo todas as entidades representativas, para removermos os entraves do nosso mercado.”

Esse trecho fala da necessidade de uma continuidade do clima de diálogo que marcou os dois dias do Congresso, nos quais os debates se estenderam para bem além do recinto do Congresso. O evento, aliás, teve a participação de representantes de dezenas de entidades, entre as quais o Ibrac (Instituto Brasileiro da Cachaça), como partícipe dos debates, a Anpaq (Associação Nacional dos Produtores e Integrantes da Cadeia Produtiva e de Valor da Cachaça de Alambique), como coorganizadora, e o Sebrae, como apoiador.

Uma costura para a qual teve importância fundamental o produtor Adão Celia, da cachaça Princesa Isabel, de Linhares (ES), o idealizador do Congresso Brasileiro da Cachaça e principal responsável pela complexa teia institucional.

Unidos, construiremos as respostas e atingiremos aquele que é nosso objetivo em comum: ampliar o público da cachaça, conquistar mais e mais corações para o destilado nacional brasileiro.”

A carta termina com um chamado para a atuação coletiva e individual em nome de um objetivo básico: a ampliação do público consumidor. Parece singelo, mas o significado dessa convocação é mais profundo: propõe que não se mire apenas na competição pelo mercado consumidor restrito que temos atualmente. Essa competição, claro, vai continuar a existir, mas, a par disso, é necessário esforço coletivo na direção de fazer crescer o bolo. O chamamento é para que todos compreendam que, em um ambiente de negócios em que marcas entrantes vão ampliar muito a oferta, fazer crescer a demanda é uma questão de sobrevivência.

Como disse Fernando Silveira, do Sebrae, em sua palestra, “Coopetir” – dividir conhecimentos, práticas, custos e responsabilidades em busca de um avanço coletivo para a categoria – pode ser uma das chaves do sucesso no mercado da cachaça

Há espaço para ampliar o público da cachaça. Os novos devotos podem ser conquistados entre os que temem a pujança dos destilados, entre os que consomem outros destilados na crença errônea de que são superiores à cachaça e entre os que são consumidores e consumidoras de coquetéis e que estarão abertos à cachaça se ela for adotada por seus bartenders preferidos.

Adão Celia lê a Carta de Vitória, no encerramento do Congresso

Mas, para isso, é preciso adotar as estratégias corretas em todas as áreas. A Carta de Vitória é uma boa ferramenta a indicar os caminhos para esse fim. Na Paraíba, sede do II Congresso Nacional da Cachaça, em 2021, talvez já possamos mensurar os resultados.

Segue a íntegra do documento.

Íntegra da Carta

É mais do que hora de o setor de cachaça encarar os seus reais desafios, sem temores e sem versões triunfalistas e falaciosas.

A produção de cachaça atingiu níveis de excelência. Não deixamos nada a dever para qualquer dos outros destilados globais. No entanto, ainda precisamos transpor barreiras construídas por muitos séculos e dificuldades inerentes à nossa própria formação como sociedade.

Já avançamos muito na tarefa diuturna de combater o preconceito contra o nosso destilado nacional. Porém, o preconceito, em certos setores, ainda é uma realidade, como foi levantado por muitos neste Congresso.

Os caminhos para atingirmos um novo patamar de valorização da Cachaça são muitos e complexos. Mas informação, conhecimento e compreensão do que é o novo público da Cachaça são a base para a construção de um novo momento. Nesse sentido, é fundamental reconhecer o papel das mulheres na cadeia de produção e comercialização da Cachaça, bem como enquanto consumidoras.

É urgente trazer a cachaça para o século XXI. Não há mais espaço para amadorismo em nosso setor. É necessário que a tecnologia disponível seja utilizada para levar adiante a tradição de qualidade de 500 anos do mais antigo destilado das Américas.

Profissionalizar o nosso setor é uma responsabilidade e um compromisso que toda a cadeia produtiva da cachaça deve assumir. Isso se traduz desde a atividade no campo, passando pelo alambique e chegando aos distribuidores e à ponta do varejo.

Produzir cachaça de alta qualidade é uma difícil missão. Mas é preciso ainda mais: nossa tarefa é entregar uma experiência ao consumidor. Isso engloba investir esforços e recursos também fora da porteira. A coquetelaria é uma via que se abre para a ampliação do público consumidor de cachaça. Um mundo de sabores e possibilidades!

São indispensáveis o respeito e a compreensão dos papéis de cada ator na cadeia da cachaça, do campo ao copo. Uma relação de parceria entre distribuidores e produtores é imprescindível para que a cachaça chegue à mesa do cliente e tenhamos um mercado saudável.

Os debates do I CONGRESSO BRASILEIRO DA CACHAÇA  foram ricos e indicam rumos para o avanço do setor. No entanto, é preciso muito mais diálogo, busca de consensos e atuação coletiva, envolvendo todas as entidades representativas, para removermos os entraves do nosso mercado.

Um passo importante foi dado e muitos outros virão. Unidos, construiremos as respostas e atingiremos aquele que é nosso objetivo em comum: ampliar o público da cachaça, conquistar mais e mais corações para o destilado nacional brasileiro.

Viva a Cachaça!

Em parceria com Dirley Fernandes www.devotoscachaca.com.br

Tudo o que você precisa saber para envelhecer a sua cachaça em casa

Nesse post você vai aprender todos os segredos para envelhecer a sua própria cachaça em casa e se tornar um mestre no assunto.

O processo de envelhecimento natural da cachaça consiste em armazená-la em barris ou dornas, o que produz alterações químicas e sensoriais. Nesse processo ocorrem diversas reações químicas que resultam em diferenças bastante significativas sensorialmente: coloração, sabor e aroma. As bebidas mais tradicionais passam por esse processo, tais como, whisky, vinho, tequila, run, conhaque e, claro, a cachaça!

A cachaça, diferentemente dos outros destilados que são envelhecidos em madeira de carvalho, pode ser envelhecida em mais de 30 tipos de madeiras (muitas delas raras), isto traz identidade e autenticidade ao destilado nacional.

Falaremos aqui sobre processo de envelhecimento, os resultados sensoriais que cada madeira proporciona, as curiosidades e os cuidados que se deve ter ao adquirir o seu barril ou dorna de madeira para sua reserva pessoal.

 

Quais recipientes de madeira existem para envelhecimento da cachaça?

Um recipiente de madeira é utilizado nos processos de fermentação ou maturação da cachaça e outras bebidas. Porém, para o envelhecimento da cachaça é adequado utilizar os barris específicos para este fim, em razão da sua composição, feitos especialmente para obter melhores resultados no processo.

A denominação do recipiente varia conforme tamanho ou forma, além de Barril (como é conhecido), pode ser também chamado em alguns casos de Ancorote, Corote, Tonel ou Dorna. A Dorna é a variação de um Barril posicionado na vertical.

Como é o processo de envelhecimento da cachaça?

Há quem diga que envelhecer cachaça é uma ciência, uma arte e uma paixão.

Na cachaça estocada apenas em tonéis de inox temos aromas e sabores primários e secundários, oriundos da cana de açúcar e fermentação. No caso do envelhecimento em recipientes de madeira, o objetivo é maximizar o processo para obter características de aroma, sabor e coloração à bebida, o que irá melhorar a sua experiência sensorial.

O processo de envelhecimento da cachaça ocorre, na prática, porque a bebida precisa de oxigênio que somente a porosidade da madeira pode proporcionar. Quando estocada em barril de madeira, os componentes secundários da cachaça sofrem reações químicas lentas e contínuas.

Envelhecimento da cachaça

Essa oxidação é provocada pelas trocas gasosas entre o interior do barril e o ar externo, através dos poros da madeira, modificando a composição e as características da bebida.

As mudanças na bebida ocorre devido aos seguintes fatores:

  • o contato da bebida com as paredes do barril;
  • o tipo de madeira utilizada;
  • as condições do ambiente a ser estocado;
  • o tempo de estocagem;
  • o tamanho do barril.

Desse modo, quanto maior o barril, menor será o contato da bebida com a madeira, portanto, menor será a evaporação e menor será a reação química, além de obter uma menor coloração. Por outro lado, quanto menor o barril, a bebida terá mais contato com a madeira, assim as reações químicas serão mais intensas e obterá maior coloração.

Dependendo da madeira em que é envelhecida, a cachaça incorpora as nuances, assumindo um tom levemente amarelado a amarelo turvo, passando pelo dourado brilhante, chegando ao ouro velho, fosco e discreto.

Então vamos aos tipos de madeiras para entendermos o que cada uma proporciona para sua experiência.

Dicas que valem ouro

ANTES DA COMPRA: Não compre barris em lojinhas de artesanato ou em beira de estrada, Adquira o seu barril de quem possa te dar um certificado de procedência da madeira e que possa te garantir o tipo da madeira da qual é feito o barril e só compre de quem pode te dar uma NOTA FISCAL.

PINTAR OU ENVERNIZAR O BARRIL? NUNCA!!!  O que garante a troca entre a Cachaça e as propriedades da madeira é oxigênio que entra pelos poros do barril. Se você colocar qualquer tipo de substancia estranha, isso vai passar para a cachaça ou fechar os poros da madeira, por isso a superfície do barril não pode ter nenhum tipo de substância.

PREPARAÇÃO DO BARRIL – A primeira coisa a fazer com um barril novo é enchê-lo com água. Deixe de 2 a 4 dias. Esse processo vai expandir a madeira e, consequentemente, vedar as emendas, impedindo que a cachaça vaze por elas. É normal que ocorra vazamento nessa fase, mas isso tende a desaparecer na medida em que a madeira do barril vai expandindo. Sempre vá completando com água, de modo que o barril fique sempre cheio.

PRIMEIRA CACHAÇA – No primeiro enchimento do barril, coloque uma cachaça safada mesmo, baratinha. Isso por dois motivos: o primeiro é para que essa cachaça penetre na madeira e expulse a água que está impregnada nela, o segundo é que a  madeira nova vai deixar um gosto muito forte na bebida e talvez você nem consiga saborear. Deixe de 10 a 15 dias. Depois disso, descarte essa cachaça e coloque uma boa cachaça branca.

QUAL CACHAÇA USAR PARA O ENVELHECIMENTO – Use uma cachaça forte, acima dos 42%, eu aconselho até uma Rainha com 50%, isso porque, devido à evaporação enquanto a cachaça está sendo envelhecida, o teor alcoólico tende a cair de 2 até 6%.

TEMPO DE ENVELHECIMENTO – Bom, lembre-se que você está envelhecendo a bebida num barril pequeno, isso faz com que a Cachaça interaja com a madeira de uma forma muito rápida. Então nada de deixar 2 anos, 3 anos.Deixe por 3 meses e faça provas semanais, pois o processo é bem mais rápido do que você pode imaginar.

ONDE GUARDAR O BARRIL – Nada de local aberto ou exposto ao vento, calor ou ao sol, coloque num lugar ensombreado, como um armário ou na despensa da sua casa.

RETIRADA – Quando você considerar que a cachaça já está do seu gosto, então é hora de retirar. Nesse ponto, você deverá retirar toda a cachaça envelhecida do barril e engarrafá-la, nada de beber pela metade e deixar a outra metade dentro do barril, isso causará excesso de oxidação e acidificação do líquido. Após retirar o conteúdo e engarrafar, você deve reiniciar imediatamente um novo ciclo, antes que a madeira do barril seque.

Tipos de madeiras para envelhecer cachaça

No Brasil há uma diversidade enorme de madeiras para envelhecer sua cachaça, em torno de 30 tipos de madeiras, muitas delas difíceis de se encontrar. Portanto vamos detalhar o resultado que as principais madeiras disponíveis proporcionam:

Madeiras para envelhecer cachaça

A cachaça pode ser envelhecida no Carvalho e em mais de 30 tipos de madeiras diferentes

Amburana (Umburana, Imburana)

Barril de Amburana incorpora um sabor agradável e menos adstringente à bebida. O envelhecimento neste tipo de barril reduz a acidez e diminui o teor alcoólico, resultando numa cachaça mais suave e adocicada, com toque de aroma de baunilha, cravo, canela e outras especiarias, dependendo do tempo de maturação e se o barril passou por tosta ou não. Sua coloração fica levemente amarelada.

Bálsamo

Barril de Bálsamo, também conhecida como Cabreúva, possui alta resistência a fungos e insetos xilófagos. A madeira transfere aromas intensos, trazendo notas herbáceas e de especiarias, como anis, cravo e erva-doce, traz também a sensação de picância ao destilado. A cachaça assume uma cor dourada com tons esverdeados.

Carvalho (Europeu e Americano)

Barril de Carvalho transfere à cachaça um sabor amadeirado e seco, muito semelhante aos tradicionais whiskys escoceses. Ele também garante a cor dourada e um sabor suave, agradável, de baixa acidez e levemente adocicado. O Barril de Carvalho é o que oferece maior atividade oxidante.

Castanheira

Barril de Castanheira, também conhecida como Castanha-do-Pará, tem propriedades semelhantes ao Carvalho Europeu, transmite à bebida uma cor amarelada, suavidade, um leve gosto adocicado e além de um aroma e sabor característico do próprio fruto da castanheira.

Jequitibá

Barril de Jequitibá, de modo geral, é o que incorpora menos aroma e cor à cachaça, conservando melhor a cor e o sabor original, mas amaciando e reduzindo a acidez. Por isso, ela é ideal para quem prefere um aroma mais fraco, menos amadeirado na bebida.

 

 

Envie suas perguntas aqui na minha coluna ou no meu whatsapp: 83 9 8793 6402  e, também, no Instagram @mauriciocarneirio083

Vai começar o maior concurso de cachaças do planeta

O maior concurso de cachaças do planeta, o Ranking Cúpula da Cachaça, já tem data para começar. É no Dia Nacional da Cachaça, no próximo 13 de setembro.

A Cúpula da Cachaça é formada por 11 especialistas dedicados a iniciativas em prol do destilado nacional, focados em  temas importantes e relevantes para colaborar na luta pelo desenvolvimento de toda a cadeia produtiva da cachaça.

O Ranking (que é feito a cada dois anos), como sempre, começa com a Votação Popular, fase mais divertida do certame, já que mobiliza todo o mundo da cachaça, com as campanhas via redes sociais. Essa fase vai até 28 de novembro.

Esse ano, o concurso vem com novidades pontuais, mas repete a fórmula que deu certo nas três edições anteriores.

Mais uma vez, o certame de cachaças mais abrangente do país terá três fases. A primeira fase – que mobilizou mais de 43 mil votantes na última edição – é a do Voto Popular, na qual os devotos em geral poderão escolher, entre os 4 mil rótulos à disposição no mercado, a sua cachaça favorita. Os votos são feitos pelo site da Cúpula.

As mais votadas entre os apreciadores comporão a lista das 250 Cachaças Mais Queridas do Brasil.

A segunda fase é a Seleção dos Especialistas. Um painel, que esse ano será ampliado para até 50 especialistas, elegerá as cachaças que vão para a Degustação às Cegas. Os membros da Cúpula não farão parte do painel da segunda fase. Nas edições anteriores, apenas cúpulos que poderiam ter conflitos de interesse se abstinham de votar. Dessa vez, a seleção ficará completamente a cargo dos convidados, cujos nomes serão divulgados em novembro.

Serão os especialistas que definirão as cachaças a serem ranqueadas. Só aí entram os cúpulos.

Esses profissionais farão seções de degustação às cegas com os 50 rótulos durante três dias na Cachaçaria Macaúva, em Analândia (SP), em março de 2020 e darão notas às cachaças, seguindo critérios que levam em conta visual, aroma, sabor e personalidade de cada bebida.

O Ranqueamento

Foto: Mateus Verzola

Nesta edição, pela primeira vez as cachaças serão divididas em três categorias no Ranking:

a) cachaças que não passam por madeira;

b) cachaças armazenadas e envelhecidas

c) cachaças premium e extra-premium.

Lembrando que segundo a IN13, que regula os parâmetros da cachaça, envelhecidas são aquelas que “contêm, no mínimo, 50% (cinqüenta por cento) de Cachaça ou Aguardente de Cana envelhecidas em recipiente de madeira apropriado, com capacidade máxima de 700 (setecentos) litros, por um período não inferior a 1 (um) ano”.

Cachaças premium são as que contêm 100% de cachaça envelhecida em madeira por mais de um ano. E extra-premium as que contêm 100% de cachaça envelhecida em madeira por mais de três anos.

A Cachaça do ano

A cachaça mais bem avaliada das três categorias será considerada a Cachaça do Ano. Esse posto, no III Ranking, foi ocupado pela Cachaça Vale Verde 12 Anos.

Como sempre, as notas conferidas pelos jurados nos vários quesitos passará por tratamento estatístico e o resultado será divulgado pela imprensa.

Atendendo a um pedido de muitos produtores, a Cúpula anunciou que vai criar um selo específico para o Ranking, que poderá ser usado pelas cachaças finalistas.

O desempenho da Paraíba

Esse é o quarto ranking da Cúpula da Cachaça e, historicamente, a Paraíba sempre foi muito bem representada pelas cachaças brancas. Em 2018 as cachaças paraibanas obtiveram, dentre todas as concorrentes da categoria Cachaça Branca, o 5° lugar com a Volúpia, 8° lugar com a Serra Limpa e a cachaça Nobre ficou em 14° lugar. A Paraíba ficou empatada com o Rio de Janeiro e São Paulo, como o estado estado melhor ranqueado nessa categoria.

A Paraíba passa a se destacar, também, com as cachaças envelhecidas.

A se conformar uma tendência observada nos últimos dois anos, existe uma expectativa de que algumas cachaças envelhecidas, do nosso estado, também passem a figurar no ranking das que passam por madeira, como as premium e  extra-premium. Isso por que nos últimos concursos nacionais e internacionais, o destaque da Paraíba tem sido maior justamente nas cachaças envelhecidas. Podemos citar, só nesse ano, os concursos de São Francisco, nos EUA, onde a cachaça Nobre Umburana recebeu medalha de prata; a Expocachaça 2019 obtivemos medalha de ouro com a Matuta Umburana, medalha de prata para a Ipueira Carvalho Francês. E no Concurso Nacional de Vinhos e Destilados do Brasil (julho), a Paraíba foi o estado do Nordeste com mais premiações, ficando, na classificação nacional, em quinto lugar no número de medalhas, atrás de São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Os produtores premiados foram: Prata para a Gregório Premium  (Alagoa Grande). Ouro para Baraúna Carvalho (Alhandra) e Cobiçada Umburana  (Serraria) e Duplo Ouro ou Grande Ouro para a Pai Vovô, de São Domingos.

Por isso, é de esperar que mais premiações venham, agora tanto nas cachaças brancas como nas envelhecidas.

 

Leia mais sobre as regras aqui: https://bit.ly/2KJaOjr

Recorde as cachaças premiadas no III Ranking Cúpula da Cachaça clicando aqui.