Maior bartender do Brasil dá 7 dicas de caipirinhas com cachaças paraibanas

O bartender Laércio Zulu, reconhecido pelo trabalho que realiza para a valorização dos coquetéis com ingredientes nacionais, conta 7 dicas para preparar uma caipirinha deliciosa.

caipirinha é uma das estrelas principais na coquetelaria quando o assunto é drinks com cachaça. E não poderíamos deixar de perguntar para um especialista: quais são as dicas para fazer uma boa caipirinha?

Para falar do nosso orgulho nacional, nada melhor do que conversar com um dos caras que mais trabalha com coquetéis com essa pegada bem brasileira, o bartender Laércio Zulu. A paixão dele é tanta que tem inclusive um canal no Youtube para falar sobre o assunto.

Laércio Zulu

Zulu, coquetelaria brasileira usando cachaça como base

ZULU E A VALORIZAÇÃO DA COQUETELARIA BRASILEIRA

Antes de mais nada, Zulu trabalha nas criações do bar Candeeiro, nos Jardins, lugar onde o Nordeste e a literatura de cordel são as inspirações para os pratos e drinks. Ademais, é claro, na carta você encontra muitos coquetéis com excelentes cachaças, gins nacionais e uma boa caipirinha. Dentre as cachaças estão as melhores do Brasil, com especial atenção às deliciosas cachaças brancas paraibanas.

Para o bartender, que tem na carreira o título de vencedor no World Class (um dos concursos mais importantes do segmento), entre os segredos para fazer caipirinha são uma boa maceração com os limões, gelo e, claro, uma boa cachaça.

CONFIRA 7 DICAS PARA FAZER A CAIPIRINHA PERFEITA:

1. Corte os limões de uma maneira que fique mais fácil macerar

Segundo Zulu, se você fizer tiras finas ao cortar o limão, ou cortar em cubinhos menores, facilita na hora de macerar. Portanto o suco da fruta sai mais fácil e você não aplica tanta força na casca – o que evita aquele amargor na bebida. Usar limões frescos também é essencial. Ah, não é necessário tirar a parte branca do limão, ela não vai amargar a sua caipirinha.

2. Use um copo mais baixo

Caipirinhas limão e caju

O copo também é fator importante para fazer uma caipirinha perfeita. Foto: Estúdio Couve

Para o bartender, os copos baixos, ou aquele típico copo de caipirinha mesmo, são os melhores para servir o coquetel. Segundo Zulu, o drink fica sempre fresco, porque você consome ele mais rápido, e sempre na temperatura ideal com os sabores bem vivos.

Pode-se fazer o coquetel em um copo longo, mas o gelo derrete mais e os sabores vão se perdendo, porque o consumo pode ser mais lento.

3. Gelo, sempre

Certamente você já pensou que aquele monte de gelo que colocam nos coquetéis são para ‘enganar’ o cliente, mas entenda: o gelo é seu amigo.

Zulu explica que, além de o gelo conservar uma temperatura ideal para a caipirinha, é essencial colocar gelo picado no topo do copo – isso ajuda a criar um efeito térmico que segura mais a temperatura do drink.

4. Use açúcar granulado

É muito comum pela comodidade usar o chamado xarope simples de açúcar para preparo de coquetéis. O xarope nada mais é do que proporções iguais de açúcar e água. No entanto, o açúcar cristal em contato com o limão ajuda na hora de macerar e propicia a formação daquele suco fresco ideal para o coquetel.

5. Use uma dose de uma boa cachaça pura

De acordo com o bartender, não existe uma regra específica de que caipirinha ‘não pode ser feita com cachaça envelhecida’, isso é mito. Porém, para a receita tradicional com limão, é mais garantido harmonizar com uma boa cachaça pura, que não passou por madeira, como as tradicionais e encorpadas cachaças brancas da Paraíba. São cachaças de sabor complexo, com aroma herbáceo e frutado, excelentes requisitos para compor uma caipirinha inesquecível.

Para usar cachaças que têm aroma e sabor mais acentuados por alguma madeira, exige uma expertise maior de quem executa.

É provável que se você usar uma cachaça envelhecida em bálsamo, por exemplo, o sabor tânico da madeira junto com o suco do limão deixe ainda mais potencializado o sabor azedo e amargo – o que pode desagradar alguns paladares.

As cachaças que passaram por madeiras como carvalho e amburana são geralmente mais adocicadas, trazendo baunilha e especiarias, por isso são mais recomendadas para caipifrutas preparadas com morango ou jabuticaba.

6. Conheça seus ingredientes

As receitas mais simples podem ser as mais difíceis de acertar porque cada ingrediente tem seu protagonismo. Por isso, o equilíbrio entre suco de limão, açúcar e cachaça é fundamental.

Observe o teor alcoólico da cachaça que vai usar como base para fazer sua caipirinha. As cachaças com teor alcoólico mais acentuado (45-48%) podem fazer do coquetel uma bomba etílica ou cachaças muito amenas (38-40%) podem fazer da sua caipirinha uma bebida sem graça.

Se sua cachaça já é naturalmente doce reduza a quantidade de açúcar. Se o limão estiver mais azedo do que o normal, acrescente mais açúcar. Faça testes até achar sua combinação perfeita.

As cachaças que seguem a Escola Caipira costumam funcionar bem com a receita tradicional da caipirinha por trazerem aromas frutados e adocicados da cana e da fermentação que harmonizam bem com limão.

Nenhuma caipirinha vai ser exatamente igual a outra, mas você deve conhecer bem todos os seus ingredientes para evitar surpresas ruins.

7. Batida ou mexida?

James Bond, shaken not stirred

James, podia trocar essa vodca por uma cachaça e pedir uma Caipirinha: “stirred, not shaken”.

Os bares com muito volume de pedidos acabam fazendo a caipirinha na sua versão batida na coqueteleira – não tem problema, é uma forma de ganhar agilidade.

No entanto, geralmente, ao bater o gelo na coqueteleira junto com outros ingredientes você acaba tendo um coquetel mais diluído e menos alcoólico. A precisão também diminui ao bater, principalmente se várias caipirinhas são preparadas na mesma ‘batida’.

Outro problema ao bater na coqueteleira é extrair em excesso os óleos da casca do limão, deixando sua caipirinha muito amarga. Por isso, a dica final é: a caipirinha deve ser um coquetel mexido e não batido.

Caipirinha é um coquetel mexido

receita clássica da caipirinha diz que ela deve ser um coquetel mexido – é a melhor forma de se preparar porque garante controle do bartender ao extrair o suco do limão e misturar todos os ingredientes de forma delicada e harmônica.

E há também outro detalhe importante para defendermos o preparo do coquetel mexido.

Como o próprio nome diz, caipirinha é coquetel do interior do Brasil, do caipira, do campo, do povo… Ela deve ser preparada individualmente para cada cliente, montada e mexida com carinho como quem quer agradar um cliente especial.

É parte do ritual de preparo inclusive o bartender deixar um palitinho de madeira, um talinho de cana-de-açúcar ou até mesmo uma colher de chá ao servir o coquetel – dessa forma, o cliente poderá continuar mexendo sua caipirinha ao seu agrado e ritmo num esforço colaborativo entre bartender e consumidor para buscar a experiência perfeita.

 

Este post foi escrito com base no blog devotosdacachaca.com.br

Comente

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *